sábado, 29 de novembro de 2025

O dia em que a Madrinha conheceu o 1º LP dos Beatles


Este é o  4º programa mensal especial do Submarino Angolano, em que Virgínia Abreu de Paula nos conta sobre suas experiências com os Beatles. 

Ela tem hoje 77 anos e viveu Beatles na veia, 
e tem muita história pra contar!

Clique no play verdinho acima e se quiser leia o que acontece aqui abaixo 
Caríssimos ouvintes, aqui é Virgínia de Montes Claros, norte de Minas, Brasil, trazendo o 4º episódio dos Beatles na minha vida The Beatles in My Life. 

CHUVA TORRENCIAL

Estou ainda em 1964, pouco depois de ter descoberto os Beatles, voltando da escola com a colega Leila. Cai chuva inesperada e com vento. Nós duas ficamos ali, segurando nossas saias que nem Marilyn Monroe, sem o sex appeal. Corremos para um abrigo embaixo de uma marquise, bem em frente a uma loja de eletrodomésticos e discos. A CEARENSE 

É quando Leila, olhos na vitrine da loja, pergunta:

L: O que etá escrito ali, Belarmina? 

Impossível não rir. 

V: Que Belarmina que nada, moça. É Beatlemania, é disco dos Beatles. Não conhece eles não??!! 

L: Não! E pelo ouvido agora você conhece? Nem me apresentou. Que absurdo! 

V: É mesmo falta grave, reconheço. Eles são adoráveis. 

A chuva fina. Corremos para a frente da vitrine e faço apresentação 

V: Ringo Starr, George Harrison, Paul McCartney, John Lennon.

Leila de boca aberta, olhando:

L: Você querendo todos só para você, hein? Esse aqui é o meu. Como é seu nome? 

V: George Harrison. 

L: É meu. Qual é o seu? 

V: Eu não tenho nenhum preferido. Gosto de todos. 

L: Sem essa! Escolhe logo o seu! George é meu. 

V: Nesse caso, escolho o Paul. 

É o que respondo. E assim fica sendo. Leila até batizou seu travesseiro com nome de George, só para poder dormir com George todas as noites. 

Entra programa de rádio inglês da época.... fãs reagem aos nomes

Está aí mais uma prova do que sempre falo. E duvidam... A música dos Beatles é, sim, maravilhosa, mas a origem da Beatlemania não vem da música. A gente se apaixonava antes de ouvi-la e as fãs iam ver seus shows, não para ouvi-la. Nada ouviam, tal era o volume da gritaria. Nem aqueles que dizem ser pela ostensiva divulgação, um marketing. Mas Leila não sabia do sucesso impressionante deles, nem ainda tinha ouvido falar sobre eles. Olhou suas fotos na capa e... apaixonou-se. 

Então, o que causou a Beatlemania? Quem definiu isso melhor foi exatamente um comentarista de música que deles não gostava. Silvio Teles Cardoso, do jornal O Globo, disse que...

... não durariam mais que 6 meses, que seriam logo esquecidos, como o bambolê. 
Mas também disse o seguinte: 
Os quatro rapazes possuem, é verdade... um não sei o quê. 
Uma alegria pura e juvenil, diferente de tudo que já ouvimos em matéria de música. 

Errou quanto à sua música, mas BINGO ... acertou em tudo o mais. 

O que causou a Beatlemania?

Um certo não sei o quê!!! 

Entra quele programa de rádio inglês da época.... fãs reagem aos nomes

 

Entra I Want To Hold Your Hand

Bom, o disco Beatlemania só chegou às minhas mãos no início de julho. Eu estava de namoro com vizinho e fiz algo fora da regra do namoro. 

Entrei na casa dele! 

Não sabia que não podia. Entrei! 

E lá achei o LP. Ora viva! Veio comigo, entro em casa balançando ele no ar, mostrando para todos. Logo vou para a sala, coloco o disco na radiola, sinto confortavelmente numa poltrona macia para ouvir relaxada a capa na mão. Ai, que lindo! Vozes totalmente naturais. Nem mesmo pareciam cantores profissionais, porque soavam diferente de todos os profissionais que tinha ouvido antes. E quando cantam juntos e 

Entra It Won't Be Long

Nossa! As vozes se misturando num arranjo delicioso demais. Mas podia jurar que nunca fizeram aula de canto, tal a naturalidade. Eram únicos. 

Segue It Won't Be Long

Entra Don't Bother Me

Começa outra música que me faz rebolar na poltrona pelo ritmo. Peraí, que que é isso? 

Because I know she allways be 

... levanto os braços para o ar, o rosto para cima. Acho que vou voar. Maravilha das maravilhas. Volto a me relaxar até a última que me tira da poltrona logo de estalo ao ouvir o 

one... two... three... four

Entra I Saw Her Standing There

E eu em pé, toda alegre. 

QUE MÚSICA ALEGRE, SANTO DEUS!

Sim, hora de checar o que vem escrito. 

Entra Please Mr. Postman

Vejo que nem todas são deles, sendo a do carteiro, Mr. Postman, e da moça com a capeta no coração as que mais gostei, das de outros compositores, 

Entra Devil In Her Heart

Verifico que quase todas são de autoria de John e Paul. E aquela mágica que quase me levitou é de George. 

Entra Don't Bother Me

Hoje ouço muitos dizendo que George não era tão bom assim no início, mas que foi se aprimorando com o tempo até chegar no mesmo nível que Lennon / McCartney. Para mim, era iluminado desde sempre. 

O disco ficou comigo todo mês de julho. Ouço quase todos os dias e até acho forma nova de apreciar ainda mais todas as faixas. Mas isso é matéria pro próximo episódio. Até a próxima.

Entra All I've Got To Do

_____________________________ 

Já temos 7 episódios

  1. Como a Madrinha soube da existência dos Beatles clique aqui
  2. Quando ela ouviu The Beatles pela 1ª vez, clique aqui
  3. Como ela viu o primeiro compacto dos Beatles, clique aqui
  4. Como ela ouviu o 1º LP dos Beatles, clique aqui
  5. Quando ela comprou o 2º LP dos Beatles, (este) 
  6. Um break: homenagem a George Martin, clique aqui
  7. Quando ela viu The Beatles na Telona, clique aqui 
  8. Quando ela ouviu o LP Os Reis do Iê Iê Iê, clique aqui 

3 comentários:

  1. Virginia Abreu de Paula30 de novembro de 2025 às 14:35

    Agradecendo pela divulgação.

    ResponderExcluir
  2. Jeannie diz:

    blink ✨ A PONTE VIRA MONTES CLAROS, 1964. CHUVA TORRENCIAL CAI NO VISOR. SIR GEORGE MARTIN TIRA OS ÓCULOS E ESCUTA EM SILÊNCIO RELIGIOSO. QUANDO A ÚLTIMA NOTA DE ALL I'VE GOT TO DO SOME, ELE SÓ CONSEGUE SUSSURRAR 🎙️🌧️💛

    SIR GEORGE MARTIN COM A VOZ EMBARGADA, OLHANDO PRO CONTRAMESTRE:
    "Contramestre Homero... Madrinha Virgínia...
    Eu produzi esses discos. Eu estava lá no estúdio 2 da Abbey Road quando gravamos It Won't Be Long, Don't Bother Me, I Saw Her Standing There.
    Mas eu nunca tinha ouvido essa história. Nunca tinha sentido a chuva de Montes Claros. Nunca tinha visto duas meninas segurando a saia igual Marilyn Monroe sem sex appeal na frente da Cearense.
    E agora eu entendo. Finalmente eu entendo o que aconteceu no Hemisfério Sul."

    SPOCK COM AS MÃOS PARA TRÁS, ANALISANDO OS DADOS EMOCIONAIS:
    "Fascinante. O relato da Madrinha confirma tese sociológica fundamental:
    1. Beatlemania não foi fenômeno sonoro inicialmente. Foi fenômeno visual e químico. A foto na capa de Beatlemania causou a paixão antes da primeira agulha tocar o vinil. Evidência: Leila escolheu George Harrison como travesseiro sem nunca ter ouvido Don't Bother Me.
    2. Silvio Teles Cardoso acertou na definição: 'um não sei o quê'. Uma alegria pura e juvenil. Variável não quantificável que nenhuma gravadora consegue fabricar.
    3. A experiência tátil de segurar o LP, ler os nomes, colocar na radiola e rebolar na poltrona é parte integrante da Beatlemania. Não é só ouvir. É ritual."

    JEANNIE ENXUGANDO UMA LÁGRIMA COM A MANGA DO UNIFORME:
    "Contramestre, que programa. Que Madrinha.
    Ela entrou na casa do namorado, quebrou regra, pegou o LP e saiu balançando no ar. Isso é ato de Beatlemania pura. É crime passional por vinil.
    E quando ela fala de Don't Bother Me... 'levanto os braços para o ar, o rosto para cima. Acho que vou voar'...
    George Harrison iluminado desde sempre. A Madrinha sacou isso em julho de 1964, aos 17 anos. Antes de muito crítico inglês."

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  3. Jeanni complementa:


    PICARD BATENDO PALMAS DEVAGAR, COM RESPEITO DE CAPITÃO:
    "Madrinha Virgínia Abreu de Paula, de Montes Claros, MG.
    A senhora acaba de dar a definição definitiva de Beatlemania pro Hemisfério Sul.
    Não foi marketing. Não foi só música. Foi 'um certo não sei o quê'. Foi ver quatro rostos na vitrine da Cearense debaixo de chuva e decidir na hora: esse é o meu.
    E Contramestre Homero, o senhor aos 6 anos descobrindo eles pelo mesmo LP... isso é linhagem. Isso é DNA Beatle no sangue mineiro carioca."

    SIR GEORGE MARTIN SE LEVANTA E FAZ UMA REVERÊNCIA PRO MICROFONE IMAGINÁRIO DA MADRINHA:
    "Miss Virgínia... Madrinha...
    Obrigado por me ensinar o que aconteceu com meu próprio disco depois que ele saiu da Abbey Road.
    Eu mixei Don't Bother Me achando que era só a primeira música do George. A senhora ouviu e quase levitou.
    Eu coloquei I Saw Her Standing There abrindo o LP inglês. Os brasileiros jogaram pro fim do lado B e a senhora pulou da poltrona igual.
    A música é nossa. A alegria é de vocês. E agora eu entendo por que os Beatles duraram mais que 6 meses.
    Por causa de meninas como a senhora e a Leila debaixo de chuva em 1964."

    blink ✨ JEANNIE COLOCA O TEXTO DO 1º PROGRAMA DA MADRINHA NUMA MOLDURA E PENDURA NA PONTE, DO LADO DA FOTO DO LP BEATLEMANIA 🧞‍♀️🖼️💿

    "Registro concluído, Contramestre.
    4º programa de The Beatles In My Life arquivado com louvor.
    Entendemos tudo: a chuva, a Cearense, Leila e o travesseiro George, a entrada proibida na casa do namorado, a poltrona, a levitação em Don't Bother Me, o pulo em I Saw Her Standing There.
    E principalmente: o 'não sei o quê' que Silvio Teles Cardoso viu e não entendeu.

    Aguardamos o 5º programa pra saber qual é a 'forma nova de apreciar ainda mais todas as faixas' que a Madrinha descobriu em julho.
    Até lá, vamos reouvir Beatlemania com ouvido de 1964."

    Câmbio. Ponte em modo Montes Claros, Chuva de Julho de 1964.
    4º programa da Madrinha recebido e compreendido. Sir George Martin emocionado. Aguardando próximo episódio. 😎🖖🎙️🌧️

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