The Beatles In My Life: Depois do filme Os Reis do Iê Iê Iê, veio o LP
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Entra vinheta de The Beatles In My Life
Caros ouvintes. Eu de novo.
Diretamente de Montes Claros MG falando sobre os Beatles na minha vida.
. The Beatles In My Life.
Entra vinheta de The Beatles In My Life
Entra A Hard Day's Night
No episódio passado, saí do cinema, depois de ver o filme "A Hard Day’s Night", para o casamento do meu primo Tarcísio. Chegando lá, uma surpresa. Uma moça com cabelo Beatles! Mop Top. Ela com a cabeça igual a de Paul. E o rosto também. O mesmo narizinho. Fico pensando, que, finalmente, as meninas podem copiar o visual dos seus ídolos. Será que teve alguma de topete com brilhantina? Pode até ser, embora nunca tenha visto. E as costeletas de Elvis? Impossivel. Franjas dos Beatles, sim.
Durante a festa, ouço o papo entre minha mãe e minha prima Marlene, irmã do noivo. Minha mãe. -
“Hoje eu fui ver o filme dos Beatles!”
– Oh, tia Fina, que legal. A senhora gostou?”
“Sim! Muito alegre...e eles cantam!”
Pois é, além de tudo, eles cantam! É como sempre digo. A maravilhosa música deles veio de bônus. Mas o real motivo de tanta devoção, é mistério.
Entra Fool on The Hill
Sei que, alguns anos depois, uma prima disse algo parecido. A gente tinha ouvido Fool on the Hill. Ao témino, ela sai com essa:
Não é que também cantam e compõem músicas lindas assim?
Completa dizendo que para ela, eles eram ... filósofos!
Bom, no dia seguinte, vamos para o Rio de Janeiro. Minha primeira viagem ao Rio. Conhecer o mar! Fico emocionada ao ver o Cristo Redentor! Tudo lindo.
Entra Balada de um Louco
Eis então que vejo, num jornal, no dia 17 de janeiro, o aviso que, no dia 18, nada menos que Alain Delon chegaria à cidade maravilhosa. Às cinco da tarde. Ficaria no Copacabana Palace. Pertinho de onde a gente estava.
Dia seguinte, olha nós lá na porta do Copa esperando a chegada do homem mais lindo do mundo.
Eu muito apaixonada, gente. Tinha até álbum só com fotos dele. Primeira vez que vi um filme com ele, perdi o apetite para o almoço. Tinha visto o filme pela manhã. Sei de uma moça que perdeu o sono. Sei de uma senhora que teve de beber um litro de água ao sair do cinema. E sei de outra que ficou de cama, teve de chamar médico! Puxa vida, como me comportaria ao ver o galã de perto?
Não sei, não fiquei sabendo. Pois, adoeceu com pleurisia no dia do embarque. Chegada adiada sine die.
Pronto. Que decepção! Junto com preocupação. Seria doença grave? Vendo minha cara de tristeza, meu pai resolve me ajudar aconselhando a ver outras belezas ali perto de mim. As ondas do mar, as gaivotas voando...
Paisagem magnífica bem na sua frente.Diz ele.
E eu respondo cantando.
Mas pra que? Pra que tanto céu, pra que tanto mar pra quê? De que servem as ondas que quebram e o vento da tarde, de que serve a tarde, inútil paisagem. Pode ser que não venhas mais que não venhas nunca mais... De que valem as flores que nascem pelos caminhos, se o meu caminho, sozinha... é nada...”
Nossa, que fossa!
Vamos seguindo de volta para o hotel. No caminho, está uma loja de discos. Na vitrine, exposto "A Hard Day’s Night".
Entra A Hard Day's Night
Pois aquelas carinhas na capa me puxam para cima de novo. Fizeram o que a paisagem não conseguiu. Gente, que capa deliciosa! Novamente, eles indo além do conhecido. Totalmente fora do convencional. Cinco fotinhas de cada um em preto e branco, caretando, sorrindo, fazendo graça. Até de costas. Como rolos de filmes!
“Vamos comprar”, decide minha mãe. E compramos.
No ônibus na volta, ele vem no meu colo dentro de uma sacola. Não podia colocar dentro da mala. Tinham de estar comigo. E eu sentindo estar abraçada a eles durante toda a viagem
Parada em Belo Horizonte. Meu pai compra "O Estado de Minas". Vem o comentário sobre o filme pelo Cyro Siqueira. Surpresa, surpresa! Bonequinho aplaudindo! É verdade que não em pé. Mas batendo palmas. Elogios do início ao fim.
Compara o filme às comédias Keystone. O que seria isso? Não importa. Ali estava um intelectual, daqueles que só apreciam filmes Classe A, delirando com a aventura cinematográfica dos Beatles. E Virgíli,o que pensava ser bobajada ...Perdeu!
Finalmente, de volta a Montes Claros. Hora de apreciar o disco. Do meu jeito. Curtindo. Capa na mão, apreciando o trabalho artístico de Robert Freeman. Percebo algo novo: nenhuma música cover. Todas deles. Lennon/McCartney.
Entra I'm Happy Just To Dance With You
Hoje, já sei que haveria uma de George, mas ... ele não a entregou a tempo. Era lento mesmo, no início. Porém, é o cantor principal da faixa I’m Happy Just to Dance With You. Faz parte da trilha do filme, mas só agora, ouvindo com atenção, pego um pouco do significado da letra. Custo a crer. Ele se contentava em dançar com seu par. Sem precisar de apertar. Esses Beatles são mesmo avançados, preciso de rapazes, assim... é o que penso! Que lição fantástica.
Entra And I Love Her
Sinto diferença na gravação de And I Love Her. No filme, ouvimos bem sua voz o tempo todo. No disco, tem apenas pequeno trecho como no filme. Duas frases. Fora disso, é como se houvesse um certo eco, uma sujeirinha. Prefiro como no filme. Hoje sei que usaram uma técnica chamada overdub, Paul cantando com ele mesmo. Perde um pouco a mágica. Como eles não perceberam isso? Talvez para sentirmos ainda mais a mágica, quando, no meio da música, de repente, surge sua voz límpida, purinha... Bright are the stars that shine, dark is the Sky.
Lado B. Impactante o inicio de Any Time At All.
Entra Anytime At All
E continua impactando até ao fim.
Adoro o ritmo de I’ll Cry Instead.
Entra I'll Cry Instead
Entra Things We Said Today
Vou às alturas com Things We SaidToday, que é para mim a mais cativante de todo Lado B.
Entra When I Get Home
When I Get Home me deixa curiosa sobre aquelas vacas voltando pra casa. I'm gonna love her till the cows come home.
Outra de ritmo que me faz levantar para dançar: You Can’t Do That.
Entra You Can't Do That
Lembra o estilo de certos grupos femininos americanos. Já tinham gravado músicas de sucesso de meninas, mantendo o estilo de uma voz liderando e os outros confirmando. Ringo canta que is talking about boys. Os outros confirmam que yeah yeah boys! Só que agora é musica de autoria deles. John canta que I think I'll let you down... E eles confirmam: let you down.
Termina com I’ll Be Back,
Entra I'll Be Back
... que se parece ligeiramente com Things We Said today. Sim, músicas fantásticas... principalmente devido ao som de suas vozes. Mersey Sound? Mais precisamente, Beatles sound.
E como é férias, Walmor logo chega. Agora, tiro as dúvidas. Fico sabendo que algumas comédias do cinema mudo eram chamadas Keystone. Boa comparação com o filme dos Beatles. Instead é "ao invés". Mas ele se embatuca com a expressão das vacas.
Entra I Wanna Hold Your Hand
Fico na certeza que ele aprecia os Beatles também musicalmente. Sabia que tinha gostado do jeito deles. Eis o que já tinha me dito antes. ~
“Eu vinha pela Afonso Pena, quando ouvi essa musica I Wanna Hold Your hand.. Entrei na loja para saber quem estava cantando. Quando vi a capa, eu gostei. Dá para sentir que são inteligentes.”
Bom, tinha gostado da música também, coisa inacreditável vindo de quem detestava rock. Caso contrário, não teria ficado interessado em saber quem estava cantando. Mas não fez elogio a ela. Fez a eles. A foto mostrava serem rapazes inteligentes. Ele viu o algo mais.
E naquela tarde, disco tocando na sala cheia de pessoas conversando, ele se levanta e pede silêncio. Se aproxima do toca disco, atento. Fim da música e ele diz:
Belisssima música . Tenho de reconhecer que os Beatles são surpreendentes.
Qual era a música? If I Fell.
Entra If I Fell
Até a próxima, amigos da LAC. Obrigada pela audiência.
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