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terça-feira, 11 de abril de 2017

Quatro vírgula sete décadas sem eles!

Aos 40 sem eles, escrevi porque não escrevi
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Alguns estranharam que eu não escrevi nada sobre os 40 anos do fim oficial dos Beatles, em 10 de abril de 1970.

Foi proposital!

Vinha celebrando os 40 anos de vários eventos beatle, três deles em 2009: em 31 de janeiro, lancei 'Cantando no Terraço', sobre o estupendo show ao vivo no terraço de um prédio londrino; em 5 de agosto, 'Porque não vamos lá fora e atravessamos a rua?' descrevendo a foto histórica da capa do último disco deles, Abbey Road; finalmente, em 9 de setembro, lancei 'Abbey (the last) Road', falando sobre o próprio.

Enfim, momentos positivos, sobre fatos notáveis, que somente vieram engrandecer a história da música. Enfim, mereceram a celebração.

Agora, para que perder tempo com esse terrível momento, em que Paul anuncia oficialmente o fim da maior banda de todos os tempos assim, como quem não quer nada, deixando atônitos uma legião de fãs no mundo todo, inclusive no Brasil, inclusive em Santos, como deixou aquele então menino de 12 anos, que chorou e não acreditou como poderiam ter terminado depois de produzirem o seu melhor LP? Claro que, por aqui, poucos sabiam (eu, não tinha a menor ideia) o que estava acontecendo nos últimos anos de convivência, poucos sabiam do dragão japonês que convenceu John de que ele era melhor que os outros e que poderia seguir sozinho; poucos eram sabedores de como era péssimo o clima das gravações, até mesmo por causa dela, que John insistia em levar ao estúdio, às vezes numa cama de hospital, obcecado que estava por sua presença;  poucos tinham noção de como John não aguentava a liderança de Paul desde que o empresário deles Brian Epstein morreu de overdose de barbitúricos anos antes, Paul que sempre teve mais tino empresarial que John, Paul que teve todas as idéias dos novos discos ou projetos, bons ou ruins; poucos imaginavam a insatisfação de George por ser relegado a um segundo plano mesmo tendo material suficiente para fazer um LP triplo como acabou sendo seu primeiro disco solo ('All Things Must Pass', que fez muito mais sucesso que os dos outros); poucos tinham noção da tristeza de Ringo por se sentir um mero instrumentista contratado para trabalhar com os outros três, o que o levou a sair do grupo, depois voltar, mas nem ele nem George sequer cogitavam em terminar meeeesmo o grupo mais bem sucedido de todos os tempos por causa dessas pequenas coisas; poucos tinham notícia das disputas pelo controle da obra do quarteto, com Paul querendo enfiar o sogrão Eastman goela adentro dos outros três, que queriam outro figurão; e finalmente, quase ninguém sabia que John já havia deixado o grupo, sem alarde, alarde que Paul deu naquela manhã de abril quando já estava com seu primeiro disco solo ('McCartney', em que ele tocou todos os instrumentos, sua primeira incursão como One-Man-Band) pronto para ser lançado e concorrer com o último disco do seu então extinto grupo, 'Let It Be', que na verdade já havia sido gravado antes, mas que acabou sendo produzido à revelia do grupo, que não queria lançá-lo.


Enfim, para que celebrar esse triste momento escrevendo uma crônica.

Resolvi não escrever nada e passar o momento em reflexão, quarenta anos depois, agora talvez achando que foi bom o desenlace, afinal, o trabalho que deixaram é eterno, pararam no auge, quando ninguém queria que parassem, deixaram saudade que vem sendo cultuada desde então e para sempre.


Foi melhor não escrever nada...

Homero Quarentão Triste Ventura


12 comentários:

  1. Homero, naquela época a gente ouvia que as coisas não iam bem dentro do quarteto, mas havia todo esse quiproquó mesmo? Mas é como você disse, encerraram tudo quando estavam no auge. Talvez se não houvesse o desfecho, o John não teria ido para NY e ainda estaria vivo. A gente observa que brigas entre os componentes das bandas, disputas de egos, disputas comerciais, são bem corriqueiras. É só começar a fazer sucesso.

    Obrigado e um abração,

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  2. Não digo que não gostei do seu recado pois foi ilustrativo e resumido mas esperava uma crônica saudosista e recheada de boas doses de alegria por conta da alegria que tivemos em viver aqueles tempo. Enfim, posso te entender.

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  3. caro Homero,


    parabéns, gostei de sua crônica.

    sei que eles, os beatles, também.... ficaram putos!!!!!!
    com o lançamento de let it be. Coisa de gravadora.
    Para mim, o ideal seria não lançarem esse disco e sim mais um single com
    The Long and Winding Road / Two of Us e
    abandonarem o resto, principalmente aqueles porcarias do george
    [onde ele estava com a cabeça prá fazer aquelas duas merdas
    você explicou muito bem na crônica]
    já que haviam lançado:
    get it back / don´t let me down
    let it be / you know my name
    e across the universe em disco promocional.

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  4. Mais um golpe de marketing do Paul. Ele era muito bom em se autopromover e o fez saindo oficialmente dos Beatles sem mesmo comunicar a seus ex-companheiros. O que se seguiu foi uma sequência de processos em que cada beatle processou os outros não sei exatamente pelo quê.

    Paul estava certo. Eastman era o homem ideal para seguir com os negócios da banda. Mas não era disso que eles precisavam. Eles precisavam de um pai autoritário como Eppy que, desde o começo, sabia o que era melhor para eles. Mas não aguentou o tranco e se suicidou, conforme seu assistente revelou mais tarde.

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  5. Triste mesmo. Isto acontece muito, em todas as áreas e em todos os círculos. 99,9% das vezes se deve a fatores psicológicos, sejam desequilíbrios ou imaturidade...
    Marcelo.

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  6. Dragão japonês é ótimo!

    Grata por reconhecer o talento do George!

    Continue assim, não escrevendo nada!

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  7. O tom de sua emoção está PERFEITO...
    Nem além nem aquém do fato.
    Bela mensagem ao voltar aos seus 12 anos, em Santos.
    Parabéns!!!!!!!

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  8. Obrigada. Agora estou chorando, embora tenha adorado você ter escrito. Mas estou num misto de saudade e revolta. A gente fica pensando pra que lembrar, mas como não lembrar?
    OK, quarentão triste, foi bom falar a respeito, mas estou chorando. Mesmo.

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  9. Meu querido cronista,

    eu, que nunca fui fã ardorosa (estava mais envolvida com Jane, Jimmy e Jim), com The Velvet Underground, The Cream of Clapton, The Doors, entre outros para não ficar cansativo. Sim meu querido, sou mais velha que você. Para mim o Rock é ar, é alegria, é tristeza, é vida, é solução e problema, é lucidez e loucura, MEU DEUS, como gosto de Rock in Roll, sinto a dor da separação da Banda.

    Mas o importante é que ficaram em muitos corações.

    beijos

    ps. Eu gostava muito do John Lennon.

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  10. Pararam mas continuaram a faturar e muito. Ganhar sem trabalhar Chico Buarque foi o primeiro a parar no Brasil Milton tambem parou de compor So o Gil segue com alguma producao ate ele ir para o Ministerio

    So espero que nao tenha saudade do Michael Jackson ou doJackson 5 - apesar do sucesso e da batida de beat it ou thriller

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  11. Como otimista eu te diria que tristeza e coisa que da e passa. Olha o Los Bife ai para te encher de animo e acender a vela da empolgacao.

    Abraco levanta moral de amigo.

    Paulo

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  12. Homerix,

    Há que celebrar a obra deles, que continua muito viva.

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