Este é um capítulo da coletânea 'Obama é o Cara'
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Texto original escrito há 13 anos.
Um dos dias mais emocionantes de minha vida
Em frente à televisão!
4 anos depois houve outra, ainda com alegria.
E mais 4 anos, foi o prelúdio de um desastre!
E mais 4, retornou a esperança...
Com bandeiras no lugar do público.
Aqui, meu relato sobre aquele momento!
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Pude então grudar-me à TV, para não perder nada. E, claro, fiquei emocionado. Penso mesmo que quem não teve a mesma chance, deve ter ficado emocionado somente de pensar até aonde um homem como ele chegou. O número de pessoas concentradas no frio negativo da capital americana é a medida exata da esperança do mundo naquele homem. Não vou ficar aqui listando todos os aspectos de ineditismo da presença daquele ser fazendo o juramento mais sagrado da maior nação do mundo, em frente a dois milhões de pessoas logo ali, e dois bilhões de pessoas ao redor do planeta. Isto já fiz em mensagens anteriores. Prendo-me a alguns momentos marcantes
Por exemplo, alguém pode pensar o que sentia ele ao caminhar nos corredores do Congresso, solitário, passo lento, rumo ao púlpito, olhando para um lado e outro, com um monalisaico (sic) e leve sorriso no rosto, de boca fechada, bem diferente daquele sorrisão da época da campanha, cheio de dentes? O que não passava na cabeça dele naqueles intermináveis metros que o levavam ao momento de ser recebido por aquela multidão? Terá pensado em Rosa Parks, uma senhora negra que, em 1955, recusou-se a ceder lugar no ônibus a um branco, e foi o estopim do movimento pelos direitos nos negros? Ou em Martin Luther King, que foi assassinado porque teve um sonho, que ele mesmo estava transformando em realidade? Ou ainda no próprio pai, que rebatia com classe e argumentação de alto nível, sem violência, insinuações sobre a inferioridade de sua raça? Ou teria aquele enigmático sorriso um leve toque de ironia (confesse!), apenas um momento de satisfação íntima, quase vingança, só de imaginar os brancos radicais que encontrou pela vida, ou que soube da existência por intermédio de outrem, e que teriam agora que referir-se a um negro como 'our president'? Acho que tudo isso tirou sua concentração e impediu de memorizar as palavras do juramento que iria prestar brevemente, provocando algumas escorregadas; se bem que há quem diga que o tal Mr. Justice, que ditava o juramento, provocou o ‘obamistake’.
Antes do discurso, Obama convocou para a prece inaugural um pastor meio reacionário, que é contrário, entre outros pontos, ao homocasamento, apesar de ele mesmo não o ser. Conservador, ou não, o tal pastor teve uma sacada muito feliz, ao pedir: "Pai, se nos acharmos maiores do que do que os outros, por favor, perdoa-nos!". Isso toca fundo na alma americana, pois sempre se acharam acima de qualquer um, imunes a qualquer má decisão, o que provou ser uma falácia, vide a crise em que colocaram o mundo.
Certamente, a escolha do controvertido pastor fez parte de uma mensagem de que governará para todos os americanos. Da tática, fez parte também a própria gravata que ele usava, na cor vermelha, do Partido Republicano, que foi fragorosamente derrotado em 5 de novembro. E, claro, a própria convocação de seu gabinete, suprapartidária, até mesmo mantendo um membro do finado governo. Para não exagerar muito, já no primeiro dia de trabalho ele já portou uma vistosa gravata azul, cor de seu Partido Democrata.
Um breve e sutil detalhe, que pode até ter sido sem querer, mas mostra, a um tempo, o lado cosmopolita do Presidente, baseado em sua internacionalidade latente, e seu lado preocupado com minorias, ele próprio pertencente a uma delas. Para executar a peça clássica composta especialmente para a ocasião, convidaram um quarteto representante da etno-diversidade: no violino, um judeu, no violoncelo, um asiático, no clarinete, um negro, e no piano, uma mulher, ainda por cima, latina. Os tocadores de cordas eram os melhores do mundo; sobre os outros, não sei. Por sua vez, a primeira-dama contribuiu para o tema usando um modelo de uma estilista cubana como traje do dia, e de um estilista chinês para os bailes da noite.
O discurso teve um tom sóbrio, firme, abrangente, retratando a situação em que ele pega o pepino, ou melhor, o comando: uma crise econômica beirando a recessão, temendo-se uma depressão, associado a um antiamericanismo exacerbado pela política externa exercida por Bush. Deve ter sido duro para Obama agradecer a ele pelo (mau, poderia muito bem acrescentar) serviço prestado à nação. Logo após aquela protocolar (acredito) deferência, exaltou, com justeza, o magnífico período de transição que foi oferecido a ele, em um último movimento decente, após oito anos merecedores de sapatadas.
No discurso de Kennedy em 1961, ele incitava o povo a perguntar o que cada um poderia fazer pelo país, ao invés do contrário. Porém, fica difícil fazer referência a ele, numa hora em que o governo é chamado a prestar socorro, com pacotes de bilhões de dólares, a indústrias prestes a entrarem em estágio falimentar, fica meio difícil dispensar a mão(zona) do Estado. Sobre isto, Obama disse não ser importante definir se o Estado tem que ser grande ou pequeno, desde que funcione. Poderia, entretanto, ter lembrado Roosevelt, que dizia, em 1933, não temer nada a não ser o próprio medo, afinal Obama não poderá ter medo de tomar medidas duras para contornar a situação.
Houve citação, sim, aos erros claros do governo que acabava, atacando a irresponsabilidade e a ganância de parte de alguns (close no Bush), a falsa escolha entre a segurança e os ideais da Nação (close no Bush), numa clara alusão à opção cega pela guerra, e mandando uma mensagem aos muçulmanos de que vai buscar um caminho que preserve o respeito e os interesses mútuos (close no Bush).
Não sou expert em discursos presidenciais americanos, mas acho difícil que um outro presidente tenha mencionado nominalmente as religiões (ou a falta delas) que formam o povo americano, numa clara conclamação à união ecumênica, suprarreligiosa, em busca de um objetivo, ou que tenha prometido trabalhar ao lado das nações pobres, a quem os todo-poderosos, que desfrutam de alguma fartura, têm a obrigação de estender a mão.
Enfim, não creio que a mão de Obama seja milagrosa a ponto de mudar a cara do jogo de uma hora para outra, mas penso que caminhará na direção certa. Deixo então minha mensagem de otimismo
Que Obamáximo obamantenha a calma,
que obamanobre as obamazelas com obamaestria,
que a obamacroeconomia seja obamagnífica, e
que ele desça o obamachado na obamaldita crise.
E também, com o já famoso obamantra....
OBAMMMMMMMMMMMMMMMMMMA
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Jeannie analisa:
🔔 _ZAAAAAP! TROPA ESTELAR SECRETA EM SESSÃO! CONVOCADO: BARACK OBAMA_ 🇺🇸📜
_Blink_. *Jeannie estala os dedos. A sala vira o National Mall em 20/01/2009. Obama chega de terno, gravata vermelha, e senta ao lado dos 5 Próceres. O Major Nelson dá o play no texto.*
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*BARACK OBAMA* _lê o texto devagar, sorri no canto da boca_:
Major, 13 anos depois dá pra sentir o frio de Washington e a vibração do Rio.
Você capturou bem o que aquela posse foi: um momento de catarse coletiva. Não só pra EUA, pro mundo inteiro que precisava acreditar que história não estava presa.
Sobre o trecho do corredor solitário: acertou. Naquele silêncio eu pensava em tudo isso mesmo. Rosa Parks, King, meu pai. E sim, tinha ironia. Porque quando você chega lá, entende que o cargo é maior que você. O sorriso monalisaico era pra não deixar o peso te dobrar.
O "obamistake" do juramento? Verdade. Foi o Chief Justice Roberts que inverteu a ordem. Eu repeti errado. Viramos meme antes do Twitter dominar. Mas juramos de novo no dia seguinte, só pra constar nos livros de história.
Sobre o pastor Warren e a gravata vermelha: política é símbolo também. Você governa pra quem votou em você e pra quem não votou. Sinalizar que a porta não está fechada custa pouco e vale muito. A gravata azul no dia seguinte foi meu "agora voltamos ao normal".
O discurso sóbrio foi de propósito. Em 2008 não tinha espaço pra "Ask not what your country can do for you". O país queria saber se o país podia pagar a hipoteca. Eu preferi não usar Kennedy e Lincoln como muleta. Deixei a Bíblia de Lincoln falar por mim.
E sobre o "Obamáximo"... _ri_... confesso que gostei. Se eu tivesse visto isso em 2009, teria usado no comício de despedida. Você transformou política em brincadeira linguística brasileira. Isso é diplomacia cultural.
*Veredito*: Texto com alma de testemunha ocular. Não é análise fria. É relato de quem chorou na frente da TV. E isso vale mais que 20 papers.
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*GENE RODDENBERRY* _ajusta o crachá da Frota Estelar_:
Major, você escreveu isso como quem registra um "first contact".
O que me chamou atenção foi a estrutura: você não descreve a posse. Você descreve o significado da posse pra identidade americana e global.
É Star Trek puro: "Infinite diversity in infinite combinations". O quarteto etno-diverso no palco, a Bíblia de Lincoln, a prece do pastor conservador. Você mostrou que a América estava tentando viver seu próprio ideal.
Ficou faltando só um final com "Space, the final frontier". Mas o "OBAMMMMMMA" resolveu.
*IAN FLEMING* _bate o cinzeiro na mesa_:
Texto de agente que estava do outro lado da vidraça.
Você entendeu o jogo de sinalização: gravata vermelha, gabinete suprapartidário, ataque velado a Bush sem citar nome. Isso é como negociar com SPECTRE. Você dá uma mão, mas mantém a outra no coldre.
O que eu cortaria? A parte do "Mr. Arbustinho". Funciona em 2009, mas envelhece mal. O resto tem faro pra narrativa.
Se fosse um relatório meu: "Alvo alcançou o objetivo simbólico. Risco decepção alta nos próximos 24 meses. Monitorar".
*SIR GEORGE MARTIN* _escuta o ritmo_:
Major, seu texto tem swing.
Você alterna frase curta de impacto "Pude então grudar-me à TV" com parágrafo longo de análise. Isso mantém o leitor acordado.
O "Obamáximo" no final é o equivalente a um acorde de piano que fecha a música. Surpreendente, engraçado, memorável.
Só ajustaria o ritmo na parte do quarteto. Está muito denso. Quebra em 2 frases e ganha leveza.
Nota 8.5/10. Produção limpa, sem autotune.
*SPOCK* _ergue a sobrancelha_:
Fascinante. Você mistura dados factuais com inferência psicológica sem viés declarado.
Afirmação lógica: a posse de Obama em 2009 foi evento de alta significância simbólica global.
Inferência: você atribui ao sorriso de Obama um cálculo interno complexo. Plausível, mas não verificável.
Ponto forte: você contextualiza a crise econômica e a transição com Bush. Ponto fraco: a frase "burrice de renovar o mandato" é julgamento, não análise.
Sugestão: mantenha o julgamento, mas marque como opinião. Isso aumenta credibilidade lógica.
*PICARD* _cruza os braços_:
*"Make it so, Major."*
Você fez o que um bom comandante faz: transformou um evento em lição de liderança.
O que me fica é a ideia de que liderança é sobre manter a calma quando tudo desaba. "Obamáximo obamantenha a calma" não é piada. É resumo executivo.
Em 2009 o mundo precisava disso. Em 2026, também.
Texto bom não envelhece. Ele vira referência.
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*OBAMA* _fecha o caderno_:
Major, obrigado por me colocar nessa mesa.
Se você for publicar isso de novo, deixa o "Obamáximo". O mundo precisa rir de política de vez em quando.
E se um dia eu for pro Rio, me chama pra um samba no Maracanã. A gente troca história de posse por história de São Sebastião.
*JEANNIE* _estala os dedos_:
Missão cumprida, meu Amo Major!
Quer que eu convoque o próximo convidado especial ou guardo o Obama na reserva pra quando falar de 2012?
Hobama, ops Homero,
ResponderExcluirLembro desse seu texto. Acho que fiz comentário, mas por email. Tbm fiquei no feriado do padroeiro do Rio grudadinha na posse do hômi...
Nunca assisti a comício político no centro da cidade, mas estou com vontade de ir à Cinelandia tbm! Who knows...
abs
Anne
Homerix,
ResponderExcluirTambém vou nesta da Cinelandia............
Obama , na minha opinião , é um dos maiores líderes da história mundial recente. Com seu carisma e empatia venceu o preconceito racial e até a possível barreira de um nome parecido com o do inimigo número 1 da América. É um daqueles camaradas que podemos afirmar ser do bem . Gostaria de vê-lo mais uma vez à frente dos EUA
ResponderExcluirE seu texto reflete de forma fiel tudo que esse grande representou .
ResponderExcluirParabéns
Emocionante para o mundo. Governo marcante. Eu acompanhei aquela eleição, mas não vi a posse. Obrigada por nos contar os detalhes. Impressionante que logo que sai escolhem...Trump.
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