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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Obamáximo


         Texto original escrito há 4 anos.
Vamos reviver, ainda que sem o mesmo brilho.
Aqui, meu relato sobre aquele momento!
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  No Feriado no Rio, posse em Washington. Que bom que a cada quatro anos, o Dia de São Sebastião aqui coincide o Dia da Inauguração lá. As duas coincidências anteriores, entretanto, não tiveram nem de longe a mesma importância: em 2001, um certo Mr. Arbustinho assumia a grande nação em meio a um clima de desconfiança sobre a legitimidade de sua eleição, e, quatro anos depois, assumia novamente o comando, daquela vez sem fraude eleitoral, mas com uma fraude de informação, que levou a 'segurança nacional' aos píncaros da importância, e fez os americanos cometerem a burrice de renovar o mandato presidencial. Agora, aquele mesmo povo, de tão arrependido de seu ato, elegeu, como novo Commander-in-Chief, um negro, que trazia uma mensagem de mudança, felizmente não somente por causa da raça, mas por suas intenções e planos.

     Pude então grudar-me à TV, para não perder nada. E, claro, fiquei emocionado. Penso mesmo que quem não teve a mesma chance, deve ter ficado emocionado somente de pensar até aonde um homem como ele chegou. O número de pessoas concentradas no frio negativo da capital americana é a medida exata da esperança do mundo naquele homem. Não vou ficar aqui listando todos os aspectos de ineditismo da presença daquele ser fazendo o juramento mais sagrado da maior nação do mundo, em frente a dois milhões de pessoas logo ali, e dois bilhões de pessoas ao redor do mundo. Isto já fiz em mensagens anteriores. Prendo-me a alguns momentos marcantes

      Por exemplo, alguém pode pensar o que sentia ele ao caminhar nos corredores do Congresso, solitário, passo lento, rumo ao púlpito, olhando para um lado e outro, com um monalisaico (sic) e leve sorriso no rosto, de boca fechada, bem diferente daquele sorrisão da época da campanha, cheio de dentes? O que não passava na cabeça dele naqueles intermináveis metros que o levavam ao momento de ser recebido por aquela multidão? Terá pensado em Rosa Parks, uma senhora negra que, em 1955, recusou-se a ceder lugar no ônibus a um branco, e foi o estopim do movimento pelos direitos nos negros? Ou em Martin Luther King, que foi assassinado porque teve um sonho, que ele mesmo estava transformando em realidade? Ou ainda no próprio pai, que rebatia com classe e argumentação de alto nível, sem violência, insinuações sobre a inferioridade de sua raça? Ou teria aquele enigmático sorriso um leve toque de ironia (confesse!), apenas um momento de satisfação íntima, quase vingança, só de imaginar os brancos radicais que encontrou pela vida, ou que soube da existência por intermédio de outrem, e que teriam agora que referir-se a um negro como 'our president'? Acho que tudo isso tirou sua concentração e impediu de memorizar as palavras do juramento que iria prestar brevemente, provocando algumas escorregadas; se bem que há quem diga que o tal Mr. Justice, que ditava o juramento, provocou o ‘obamistake’.

      Antes do discurso, Obama convocou para a prece inaugural um pastor meio reacionário, que é contrário, entre outros pontos, ao homocasamento, apesar de ele mesmo não o ser. Conservador, ou não, o tal pastor teve uma sacada muito feliz, ao pedir: "Pai, se nos acharmos maiores do que do que os outros, por favor, perdoa-nos!". Isso toca fundo na alma americana, pois sempre se acharam acima de qualquer um, imunes a qualquer má decisão, o que provou ser uma falácia, vide a crise em que colocaram o mundo.

       Certamente, a escolha do controvertido pastor fez parte de uma mensagem de que governará para todos os americanos. Da tática, fez parte também a própria gravata que ele usava, na cor vermelha, do Partido Republicano, que foi fragorosamente derrotado em 5 de novembro. E, claro, a própria convocação de seu gabinete, suprapartidária, até mesmo mantendo um membro do finado governo. Para não exagerar muito, já no primeiro dia de trabalho ele já portou uma vistosa gravata azul, cor de seu Partido Democrata.

        Um breve e sutil detalhe, que pode até ter sido sem querer, mas mostra, a um tempo, o lado cosmopolita do Presidente, baseado em sua internacionalidade latente, e seu lado preocupado com minorias, ele próprio pertencente a uma delas. Para executar a peça clássica composta especialmente para a ocasião, convidaram um quarteto representante da etno-diversidade:  no violino, um judeu, no violoncelo, um asiático, no clarinete, um negro, e no piano, uma mulher, ainda por cima, latina. Os tocadores de cordas eram os melhores do mundo; sobre os outros, não sei. Por sua vez, a primeira-dama contribuiu para o tema usando um modelo de uma estilista cubana como traje do dia, e de um estilista chinês para os bailes da noite.

       O discurso teve um tom sóbrio, firme, abrangente, retratando a situação em que ele pega o pepino, ou melhor, o comando: uma crise econômica beirando a recessão, temendo-se uma depressão, associado a um antiamericanismo exacerbado pela política externa exercida por Bush. Deve ter sido duro para Obama agradecer a ele pelo (mau, poderia muito bem acrescentar) serviço prestado à nação. Logo após aquela protocolar (acredito) deferência, exaltou, com justeza, o magnífico período de transição que foi oferecido a ele, em um último movimento decente, após oito anos merecedores de sapatadas.

            Não aconteceram as esperadas citações aos heróicos (ou marcantes) líderes democratas do passado, como Kennedy, ou Lincoln, ou mesmo Roosevelt, este último bastante esperado devido à recessão ora instaurada. Imagina-se que não foi para afastar a associação de sua imagem a dois presidentes que acabaram assassinados, e um que ficou paralítico (bate na madeira 'treis veis'). Penso que os temas a serem combatidos são tantos, e tão variados, que ele preferiu não dar destaque a um ou outro deles com uma daquelas frases de efeito que tanto são lembradas de outros discursos de posse. Quer dizer, até lembrou uma frase de Washington, sem citar o nome, referindo-se ao Pai da Pátria, no alvorecer da liberdade, convocando todos à luta mesmo em condições adversas. A homenagem a Lincoln ficou na Bíblia sobre a qual pousou a mão esquerda, enquanto levantava a direita na hora do juramento. Aliás, Obama é canhoto, o que torna a situação meio sinistra (sorry!).


     No discurso de Kennedy em 1961, ele incitava o povo a perguntar o que cada um poderia fazer pelo país, ao invés do contrário. Porém, fica difícil fazer referência a ele, numa hora em que o governo é chamado a prestar socorro, com pacotes de bilhões de dólares, a indústrias prestes a entrarem em estágio falimentar, fica meio difícil dispensar a mão(zona) do Estado. Sobre isto, Obama disse não ser importante definir se o Estado tem que ser grande ou pequeno, desde que funcione. Poderia, entretanto, ter lembrado Roosevelt, que dizia, em 1933, não temer nada a não ser o próprio medo, afinal Obama não poderá ter medo de tomar medidas duras para contornar a situação.

     Houve citação, sim, aos erros claros do governo que acabava, atacando a irresponsabilidade e a ganância de parte de alguns (close no Bush), a falsa escolha entre a segurança e os ideais da Nação (close no Bush), numa clara alusão à opção cega pela guerra, e mandando uma mensagem aos muçulmanos de que vai buscar um caminho que preserve o respeito e os interesses mútuos (close no Bush).

      Não sou expert em discursos presidenciais americanos, mas acho difícil que um outro presidente tenha mencionado nominalmente as religiões (ou a falta delas) que formam o povo americano, numa clara conclamação à união ecumênica, suprarreligiosa, em busca de um objetivo, ou que tenha prometido trabalhar ao lado das nações pobres, a quem os todo-poderosos, que desfrutam de alguma fartura, têm a obrigação de estender a mão.

      Enfim, não creio que a mão de Obama seja milagrosa a ponto de mudar a cara do jogo de uma hora para outra, mas penso que caminhará na direção certa. Deixo então minha mensagem de otimismo:




Que Obamáximo obamantenha a calma,
   que obamanobre as obamazelas com obamaestria,
     que a obamacroeconomia seja obamagnífica, e
        que ele desça o obamachado na obamaldita crise.
E também, com o já famoso obamantra....

OBAMMMMMMMMMMMMMMMMMMA

2 comentários:

  1. Hobama, ops Homero,


    Lembro desse seu texto. Acho que fiz comentário, mas por email. Tbm fiquei no feriado do padroeiro do Rio grudadinha na posse do hômi...
    Nunca assisti a comício político no centro da cidade, mas estou com vontade de ir à Cinelandia tbm! Who knows...

    abs
    Anne

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  2. Homerix,
    Também vou nesta da Cinelandia............

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