sábado, 5 de julho de 2014

Conversível?

A caminho do barbeiro (1) deparei-me com este espécime interessante de veículo. Sempre achei uma temeridade a utilização de conversíveis (2) no Rio de Janeiro, ou qualquer grande cidade brasileira. A facilidade do roubo é exponencialmente aumentada sem a capota.


Neste caso, acho que não. Acho que poucos ladrões se interessariam na peca. Poucos itens para canibalizar. Só iriam curtir e deixar o dono da preciosidade chorando copiosamente.


Mas continuam valendo os outros inconvenientes. A chuva, por exemplo, inda mais que este não possui a capota removível. Que fazer do banco molhado. E este motor, que não tem capô? Aquele filtro de ar é impermeável? Acho que não pois perderia sua capacidade de filtro, penso!


Enfim, pergunto a meus amigos Leila e Sinval, este, colecionador. Como funciona essa coisa?

(1) Barbeiro é aquela entidade que te segue aonde quer que você vá, ou melhor, vice-versa. É uma coisa pessoal, questão de confiança não e mesmo. Hoje moro a 1 km de onde morava, quando comecei a utilizar os serviços do Giovane, ha mais de 20 anos. Acho que mesmo se mudasse para a Barra, continuaria utilizando. Claro que houve uma interrupção de 4 anos, quando morei fora. Ficaria meio caro.

(2) Por que chamam esses carros sem capota de conversíveis? Eles se convertem de quê em quê?

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Um jogo que virou filme

Meu amigo Gico inspirou-se no jogão belga-americano e escreveu esta pérola:

Se o caro leitor perdeu o jogão de ontem entre Bélgica e Estados Unidos, não procure o videoteipe, burro como já sentenciou Nélson Rodrigues, por ser um instrumento isento de emoções. Aguarde o filme épico em um cinema perto de você. Recheado de clichês, mas baseado em fatos reais, estreará na semana de 4 de julho de 2017, a tempo de concorrer ao Oscar antes do torneio mundial em Moscou, no ano seguinte, segundo Putin, a Kopovich das Kopas.Na parte do mundo subordinada a Hollywood, onde os amantes da sétima arte não raro são obrigados a aturar roteiros extraídos de beisebol e boxe, será um alento. By the way, não é à toa que os livros de Hemingway, Philip Roth e Paul Auster serão sempre melhores que os respectivos filmes.O goleiro Howard será o super-herói da vez. Careca e com escura e espessa barba, o arqueiro tem a aparência de um talibã, mais parecendo o guardião da equipe dos internos de Guantánamo. Subliminarmente, atingirá o objetivo do roteirista que trabalhará o presente argumento, já que possui a fisionomia perfeita para ir mudando o conceito do espectador WASP ao longo do futuro blockbuster.A Bélgica é a sede da Comunidade Europeia, entidade multilateral liderada pelos alemães – outra vez os germânicos -, que deseja tirar dos EUA a hegemonia sobre o comércio mundial, sobretudo o de armas, bem como, travestida de aliada, minar a supremacia americana nas negociações de paz, uma aparente incoerência a ser esclarecida no decorrer do filme.A metáfora futebolística, que tantos votos já rendeu no hemisfério Sul, atingirá o norte de forma avassaladora, obrigando o presidente dos Estados Unidos a abandonar uma reunião sobre a paz no Oriente Médio para acompanhar o jogo entre Portugal e Estados Unidos em uma poltrona do Air Force One.Questionada pela imprensa republicana, uma linda assessora de imprensa da Casa Branca – Scarlett Johansson, que bate um bolão? - justificará a atenção do chefe nos 90 minutos que classificaram a equipe americana para as oitavas de final.
Na sequência, a Casa Branca estará mobilizada para o jogo seguinte, no mesmo dia em que o amigo Sarkozy, o único que enfrentava Angela Merkel, é preso na França. Sugestão de diálogo: “Como dizem os locais, tá tudo dominado! Por causa do voto dos hispânicos na Hillary, agora ainda tenho que deixar de ver basquete pra ver isso!”, lamenta Denzel Washington ao secretário de estado.   
O jogo começa e, em 90 minutos, 36 bolas são atiradas contra a meta americana. Howard pega tudo, de pé esquerdo, pé direito, barriga, peito, mão trocada, enquanto que apenas 5 chegam à meta belga.  Howard consegue levar o jogo para a prorrogação, mas logo aos dois minutos, um ruivo consegue fazer 1 a 0. Logo após, um negro fortíssimo e descansado amplia o placar para os belgas. Aí, na segunda etapa da prorrogação, entre lágrimas e câimbras, desperta o sonho americano. Green marca e começa um bombardeio à meta defendida pelo gigante Courtois, a cara do Sarkozy com 2 metros de altura.No último segundo, aparece a chance. Entretanto, em slow motion, a bola é atirada para fora. A câmera fecha nas lágrimas de Howard, que se fundem com as derramadas por Scarlett Johanson, que apostou um strip tease na vitória dos EUA. Enquanto os traidores da pátria exigem o pagamento da aposta, Michelle Obama acaba com a festa aos pontapés.Na tela, surgem os dizeres: 24 anos mais tardeO filho de Howard e Scarlett Johanson está defendendo os Estados Unidos na final da Copa de 2038, disputada no July 4th, no mesmo estádio da final de 1994, em Pasadena, Califórnia, reformado por exigência da FIFA por empreiteiras brasileiras, as únicas que detêm o padrão da boa engenharia. Eu escrevi Califórnia! A que o caro leitor pensou fica no Texas.Howard Jr pega o último pênalti da disputa contra a Rússia, em nome dos velhos tempos. Obama (Morgan Freeman) pula de alegria na arquibancada, abraçado aos pais orgulhosos.THE ENDAntes dos créditos, surgem os dizeres:Howard de tal foi contratado pelo Real Madrid em julho de 2014 para o lugar de Iker CasillasSarkozy foi solto mediante fiançaTodos os direitos reservados à FIFA e a Sérgio Bandeira de Mello. Negociações para merchandising com o autor do argumento. Aceitamos companhias aéreas para os aviões vindos de Gana e da Nigéria.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Explorando o Corcovado

Mai uma resenha fantástico sobre o  livro de Renata.
Neste link e transcrito abaixo
http://potterish.com/2014/02/explorando-corcovado/
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Pedro Martins 02/07/2014

Hoje iremos conversar um pouco sobre o livro “A Arma Escarlate”, de Renata Ventura. Todos os potterheads com certeza adorarão! Continue no modo notícia completa e saiba mais sobre essa obra fantástica!

“O endereço na carta era bem claro, mas não existia:

Arcos da Lapa, número 11. Centro.
Rio de Janeiro, RJ, Brasil.”

“Por obséquio, entrar de costas.”


Se J.K. Rowling dissesse: Que tal eu comprar o Brasil e construir uma Hogwarts em cada região?

Certamente esse é o sonho de todo potterhead brasileiro. Isso eu posso afirmar com toda a certeza do mundo, pois sou um em nível extremo! Imaginem se a nossa querida Tia Jô construísse uma escola de magia e bruxaria aqui no Brasil? Não seria o máximo?! Pois é, a principio seria, mas, quando paramos para pensar um pouco mais a fundo, será que tal escola brasileira, se pensada pela Tia Jô, ficaria tão realista quanto a tão conhecida Hogwarts?

Por mais que seja doloroso, a resposta da pergunta anterior seria não, pois a nossa J.K. Rowling, sendo britânica, ao escrever a série Harry Potter, usou como material a cultura e o folclore europeu. A cultura e o folclore que ela conhece! Ou seja, imaginem uma escola no Brasil com tais costumes e crenças britânicos . Não combinaria, né?

Mas e nosso sonho de ver escolas de magia no Brasil?! Como ficaria?

Foi então que aconteceu um fato incrível: em uma entrevista com J.K. Rowling, um fã perguntou se ela escreveria sobre uma escola de magia nos Estados Unidos e ela respondeu que não, mas que ele podia se sentir livre para criar a sua! Renata Ventura, potterhead carioca, imbuída do mesmo desejo de ver uma escola de magia e bruxaria no Brasil, aceitou o desafio e idealizou uma trama em que existem cinco escolas – uma em cada região do país – considerando que a diferença populacional entre o Brasil e a Europa é exorbitante, assim como o território físico dos locais em questão. Então ela se envolveu em profunda pesquisa sobre a cultura e o folclore nacional, imaginando uma escola dentro da NOSSA cultura, considerando o tamanho do nosso país, a riquíssima história brasileira, o folclore e os preconceitos sociais que temos!

Renata Ventura diria:



Feita essa pesquisa, a autora brasileira então decidiu seguir um caminho oposto ao de Jô, escolhendo colocar um anti-herói como personagem principal! Imaginem um Snape como protagonista! *-* Só que com um tempero bem mais carioca!

O resultado foi o maravilhoso livro “A Arma Escarlate” com 488 páginas, publicado atualmente pela editora Novo Século, depois de se esgotar em sua primeira tiragem de 1.500 exemplares (pelo selo Novos Talentos) ainda na bienal de 2012, em São Paulo. Como era de se imaginar, a obra está sendo muitíssimo elogiada por todos que a leram!

Hugo Escarlate é um protagonista muito mais agressivo, impulsivo e arrogante do que a maioria dos que estamos acostumados, e isso torna tudo no livro muito legal. Imagine um jovem desses com uma varinha nas mãos . Não preciso nem dizer que o resultado beira o catastrófico!

Hugo, após descobrir-se bruxo, percebe que isso pode salvar sua vida e foge da favela Santa Marta e dos traficantes para a escola carioca de bruxaria – localizada dentro do Corcovado! – imaginem o tamanho dessa escola… o.0

Lá, logo de início, nos deparamos com vários tipos de alunos e professores: uns muito tradicionalistas, querendo sempre seguir o padrão europeu (como a “gangue” dos Anjos), e outros, que praticamente tem pavor disso, e tentam ser mais originais, como é o caso de Viny Y-Piranga, um dos personagens mais amados do livro, e integrante dos Pixies, a “gangue” adversária. Isso acaba fazendo com que nós, leitores, nos apeguemos mais a alguns personagens do que a outros, e ainda sintamos raiva de alguns, o que na verdade é ótimo, pois isso mostra o quão boa é a narrativa da autora!

Além dos feitiços que aparecem no livro serem em Tupi, Guarani e Iorubá, os sotaques dos personagens são uma atração à parte! Como a Korkovado recebe alunos da região sudeste inteira, a grande diversidade de linguajares entre alunos mineiros, cariocas, paulistas e capixabas torna tudo ainda mais realista e, por que não, divertido! Sem contar o professor gaúcho, que é incrível.

Aqui, aquilo que ocê fez na loja foi bão demais da conta! Sabe que a dona ficou tão distraída que nem cobrou extra pela caixinha especial que eu levei?”
Usar dialetos regionais em diálogos é algo muito comum nos livros estrangeiros, mas quando esses livros chegam ao Brasil, eles infelizmente são traduzidos ao português padrão e perdem toda a sua mágica! (É o caso do nosso Hagrid, que tem um sotaque maravilhosamente pesado no original, e, aqui, fala um português perfeitinho…).

Em minha opinião, Renata fez muito bem em adicionar nossos sotaques e dialetos porque, além de enriquecer a obra ainda mais, nós sentimos que os bruxinhos do livro são como a gente! Nos identificamos mais ainda com eles!

A obra é simplesmente fantástica, porque consegue falar do Brasil – dos nossos problemas e qualidades – e falar de magia ao mesmo tempo! Consegue divertir e nos fazer pensar! Em suma, é uma obra que merece ser lida por todos!
E como é bom saber que a magia não acabou. *-*

O segundo volume da saga intitulado de “A Comissão Chapeleira” será lançado ainda esse ano e já está mexendo com os nervos dos fãs . Com tamanha expectativa, um deles chegou a criar uma capa para este segundo volume que durante algum tempo acreditou-se ser a oficial. Mas é importante deixar bem claro que a capa oficial de “A Comissão Chapeleira” ainda não foi revelada pela editora, como já dissemos anteriormente aqui (hiperlink pro post).

Indico não só a potterheads, que irão encontrar várias referências maravilhosas a alguns eventos de HP (dica: preste atenção na data em que a estória se passa), como também a leitores amantes de literatura fantástica, e é claro, a quem gosta de uma boa história! Pois sobretudo, Renata Ventura se mostra uma excelente contadora de histórias, capaz de despertar emoções diversas nos leitores a cada capítulo e de maneira distinta para cada personagem.

“…tivera notícias de que a Grã-Bretanha estava na iminência de ser destruída por um psicopata assassino e sua gangue.”

terça-feira, 1 de julho de 2014

Incêndios!! Apaguem!! Logo!! No Poeira!!!

Entre um jogo de Copa e outro, acabamos indo ao teatro.
E, por acaso, foi uma das melhores peças que vimos.
Incêndios, com Marieta Severo, no Teatro Poeira.

Ela, e mais 6 atores que eu olimpicamente desconhecia deram um show. Foram DUAS horas seguidas sem intervalo, com tensão constante, de não tirar os olhos, e prestar muita atenção.

A peça é de 2003 e foi escrita por um Líbano-canadense. Desde então vem sendo encenada no mundo todo. Em 2011, teve um filme, de mesmo nome, que foi candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

A peça começa com um casal de irmãos na leitura do testamento da mãe, muito estranho, em que pede que a filha entregue uma carta a seu pai e o filho entregue uma outra carta a seu irmão, que absolutamente eles não tinham a menor ideia que existiam. E pede que seja enterrada nua, de bruços, sem caixão, sem lápide, sem epitáfio, e que só se providencie tudo isso quando tudo for esclarecido.

E aí começa a jornada ao passado, com os atores assumindo diversos papéis, e Nawal (Marieta) desde a adolescência,  com uma competência extraordinária. O cenário é um país não identificado do Oriente Médio, envolto em guerras civis, genocídio, estupros, sequestros, snipers, maldades sem fim, e cada vez que vem um relato a gente se afunda na cadeira, e quando vem o desfecho – Oooooh – a gente não acredita, e ao final, sente-se a plateia com lágrimas nos olhos, inclusive este que vos reporta...
Vão logo!!
Não sei até quando vai, mas sei que em agosto, estará em SP.


Só sei que quero ver o filme, pra ver as encenações que só o cinema pode prover.

De Pernas Bambas

Narrei este texto para um amigo que descobri recentemente estar cego. Foi a semente do Projeto Homerix em Áudio . Como que um "Episódi...