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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Será que estava escrito?

Passou 4 de agosto e eu me esqueci de celebrar os 42 anos de namoro com a Neusa.
Mas de repente foi bom porque pensei no Day After! E, estando a dois dias do aniversário de casamento, que ocorreu quatro anos depois, foi um bom momento para reflexão.

Como terei eu acordado naquela manhã de 5 de agosto de 1978?

Teria dormido bem?

Quase certo que sim, porque dormir mal não faz parte de meu ser.

Mas decerto que devo ter pensado na noite anterior, a do primeiro beijo, na boate Terraço da Ilha Porchat, para onde eu tinha tomado a coragem de convidá-la, sabe-se lá como, depois de conhecê-la melhor um ano antes, na casa do Cid, seu vizinho da João Guerra, onde jogávamos Sueca, um delicioso jogo de baralho em duplas. Não a conhecera ali, pois ela já estava no radar há alguns anos, quando a via com seu namorado de então, no Colégio Santista.

Será que eu sabia que seria um namoro firme? 

Era meu primeiro namoro... será que eu ia acertar assim logo de cara e encontrar a mulher de minha vida? Até então, minha perspectiva era a de um futuro solitário, com um belo cachorro a meu lado... era mesmo!

Era um namoro de fins-de-semana, pois eu cursava a Escola Politécnica da USP, em São Paulo, onde morava numa República com outros cinco santistas, então aquelas noites paulistanas eram sempre de expectativa pelo fim das aulas de sexta-feira, quando pegaria meu Passat pra descer a Serra do Mar, as famosas curvas da Estrada de Santos, após as quais eu invariavelmente estacioná-lo-ia na João Guerra para vê-la, só indo pra minha casa tarde da noite. E sábado e domingo, íamos à praia, coisa que eu nunca fazia, mesmo morando em frente! Uma das muuuitas coisas que ela me ensinou a gostar.... quer dizer .... carnaval ela não conseguiu ... mas eu ia sempre com ela nos bailes do Atlético.

Será que passava por meus pensamentos que aqueles encontros de fins-de-semana passariam a ser mensais, depois da formatura, quando morei um ano em Salvador, mudando de profissão (de Engenheiro Civil a Engenheiro de Petróleo), e quando a saudade era suportada por longas e diárias cartas, onde eu contava detalhes de meu dia-a-dia baiano, incluindo aqueles longos fins-de-semana sem ela. O namoro suportaria isso?

Parecia que sim, afinal, tornamo-nos noivos, num daqueles retornos mensais, também num agosto, e a um ano da grande data de nossas vidas, quando ela adentrou, linda, a nave central da Basílica Maior de Santo Antônio do Embaré, a principal igreja de Santos (na verdade, ela é Basílica Menor, mas mudou, depois da passagem dela)!!

E, logo após a lua-de-mel, no Sul, viria uma grande mudança! Eu ia tirar a grande alegria da casa de Dona Mira e Seu Antônio, para morar a 500 km dali, e eles ficariam sem ela, cuidando do Carlinhos, meu querido e especial cunhado. Será que isso estava em meu subconsciente naquele 5 de agosto? Será que isso daria certo?

Deu, sim, voltávamos frequentemente a Santos, e muitas vezes, buscávamos todos para ficarem com a gente aqui no Rio, era uma festa, especialmente após a chegada de Renata, e depois de Felipe... pena que vovô Antônio aproveitou pouco tempo do sonhado neto. E então vieram Dona Mira e Carlinhos morar perto da gente, no mesmo prédio, 3 andares abaixo, depois mudamos para 3 andares acima, e veio a proposta para mudarmos para 8 mil quilômetros dali. Será que isso teria a mínima chance de funcionar?

Funcionou, fomos, e voltamos 4 anos depois, e ano seguinte estávamos os seis juntos num mesmo teto, mais um tempo passou, e se foi o querido Carlinhos, e outro tempo depois, nossa querida Dona Mira, e aqui agora estamos, aposentados, e junto com filhos e Luna e Apollo, curtindo essa prolongada quarentena que não vemos horizonte de terminar, mas felizes, muito felizes...

Tudo deu certo!

Mas decerto que nem de longe imaginava tudo isso aquele universitário de 20 anos, um dia depois de encontrar o amor de sua vida!!

Decerto que não...

4 comentários:

  1. Mero, você é um cronista de mão cheia e sentimentos translúcidos...
    Abraço,
    Ribor

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  2. O destino se encarregou de unir duas almas apaixonadas escrevendo uma linda estória de amor. Amei !!!

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  3. Maravilha!!! Adorei uma estoria de amor bem contada de forma direta. Parabens aa familia Ventura!!!

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