quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

O Primeiro Macca ninguém esquece... by Virgínia de Paula


A maior Beatlemaníaca que conheço, Virgínia Abreu de Paula, de Montes Claros - MG, tem registros de suas experiências nos shows de Paul McCartney que assistiu. 

Ofereci o espaço de meu blog para transcrevê-las!!

Enjoy!

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“I’ll be back” by Virginia de Paul(a)

Parte I - Abril de 2013.  

Como em todas as tardes encontro-me num quarto de hospital onde minha mãe se acha internada. Quadro triste.  Ela está nos deixando lentamente. A cada dia sentimos que a despedida se aproxima.  Minha função ali é estar com ela atenta ao menor sinal de problemas e, sendo o caso, chamar os enfermeiros. Ela quase não fala...apenas cochila.

Eu leio os jornais diariamente.  Naquela tarde, pego um deles e logo vejo, em ponto grande, uma foto de Paul McCartney.  O que estariam falando sobre ele? O que leio é assustador...O jornal informa sua próxima vinda para um show em Belo Horizonte. Relembro um acordo que fiz comigo quando aqui ele veio pela primeira vez. “O Rio de Janeiro é longe. Se ele vier algum dia a Belo Horizonte, eu irei.” Parecia estar selando um destino sem jamais ver um dos seus shows, pois praticamente ninguém do calibre dele vinha a Minas Gerais. Mas ali estava o anúncio de sua chegada, e eu não poderia cumprir o meu acordo. Como deixar minha mãe naquele estado?  Então, choro com pena de mim. Tanta pena de mim...

Em casa o meu pensamento viaja.  Revejo uma série de cenas de minha mãe comigo tendo Paul como tema. Como quando convidou-me para ir à Belo Horizonte porque “O filme HELP está em cartaz”.  E fomos!   

Escuto sua voz nos meses de junho sempre dizendo a mesma coisa. “O aniversário de Paul está chegando. Não se esqueça de escrever para ele.” Em 69 ela fala suspirando “Que pena, Virginia...Ele se casou!”  Em 70, arrumando as malas para uma viagem a Londres, mostro a ela minha agenda com o seu endereço, dizendo:. - “Eu vou lá...”. Ela fica chocada.   ”Minha filha, ele é um homem casado!” E eu: -”Mãe, ele é um artista e eu, uma fã! Nada mais que isso”.   No meu retorno vejo seu desapontamento quando digo ter voltado sem conhecê-lo.  “Ele estava na Escócia... Trouxe  folhas do seu jardim.” Seus olhos esverdeados brilham olhando as folhas.

Ao longo dos anos não era raro ouvi-la me chamando..."Corre Virginia, Paul está no Fantástico".  Outras vezes era eu quem a chamava para ver comigo algum especial na minha sala. Ali vimos Give My Regards to Broad Street. Tanta gente detestou esse filme. Pois eu e ela vimos tudo em estado de graça.  É verdade que achei o final pouco inspirado. Como era tudo um sonho? Mas o sonho foi fantástico. 

Virgínia, Suéter, Mãe
Vendo o vídeo Beautiful Night, encantou-se  com seu suéter. Pegou os pontos e teceu algo bem parecido para mim.  Paul cooperou bastante. Ela conversava com ele.. "Vire de costas". -"Levante os braços". "-Chegue mais perto". Ele a atendia... O suéter me foi dado no meu aniversário. Lindo! 

E aquele dia que a encontrei chorando no corredor? "Ô Virginia,  Linda morreu! O que será de Paul?" Pede desculpas. Por que mesmo? Enxugando as lágrimas, ela diz: - “Nunca tive coragem de te falar... você ficaria sentida comigo e com razão. Ela ficou com ele! Eu gostava de ver os dois cantando juntos. Me perdoe.” Epa, teria  entendido certo?  Parecia pensar que eu tinha alguma ilusão ...Tive vontade de dizer que minha “raiva” de Linda era por não ter se contentado em ser esposa. Tinha de subir nos palcos? Tinha de cantar com ele sem ter condições para isso?   Paul tinha ficado “amazed” com ela o ajudando a cantar, se é que realmente pensava nela, como  diz. Eu tinha ficado em estado de choque! O mais grave: era preciso ouvir sua voz se queria ouvir a de Paul, porque cantavam juntos. Parecia-me que ele e John tinham colocado as esposas em seus discos e shows numa competição entre eles. Era um problema dos dois e nós tínhamos de pagar por isso. Ficamos sem Lennon/McCartney, a mais perfeita parceria possível e nos deram Paul/Linda e John/Yoko. O quê?  Brincadeira de péssimo gosto.  

 Eu reclamava em voz alta. “Tem alguém sobrando nesse vídeo”. Ou: “Tem alguém fingindo tocar”. Mamãe ouvia e concluía: “Puro ciúme”. Naquela tarde eu percebi isso. Poderia ter dito: “Mãe, eu não tinha ciúmes de Jane Asher! Por que teria de Linda?  Nem poderia.  Paul nunca me viu mais gorda na feira. Nunca foi meu pretendente. Além disso, eu sou contra casamentos!” Mas preferi nada explicar. Revelar que me doía ver um Beatle, antes impecável, apresentando um trabalho incolor devido à falta de jeito da esposa, seria como contestar seu gosto. 

  Logo Paul! Nos idos tempos, ele não aceitava a presença de Stuart Sutcliffe imposta por John. O baixista se apresentava de costas para não notarem sua incompetência musical. Paul sabia que aquilo prejudicava a banda. Pois fez o mesmo! 

  Dentro de mim algo dizia que mamãe sabia das falhas de Linda. Era cantora e dirigia um grupo de serestas. Vai ver que, como muitos, achava “romântico” ela com ele. Eu sentia  “entojo”. Passavam para mim uma mensagem oposta à dos Beatles, contestadores desde o início. –”Paul ficou ‘careta’!“, diziam meus amigos. “Não, de jeito nenhum!”, eu protestava. Alguma coisa nunca revelada teria feito com que optasse por tal imagem. Talvez em oposição ao anticonvencionalismo de John e Yoko.  “Por dentro continua sendo o mais lindo homem do mundo”, pensava. 

   E Linda? John, pelo menos à princípio, tinha-a em péssima consideração, mas penso ser exagero dele. John sendo John. Adorei receber de presente seu livro de culinária vegetariana, e que tem, na capa, um jogo de louça que nem um que temos aqui em casa e foi da vovó Lica. Gostava dos bichos, como eu. “Vai ver que até seríamos amigas se a tivesse conhecido. Temos duas coisas em comum: os animais e Paul!”

   Naquela tarde, no corredor, eu apenas abracei mamãe dizendo que rezaríamos juntas por eles. E rezamos. Assim que terminamos, ela dá um suspiro e diz: “Ainda ontem ela andou à cavalo... Ô, gente. Paul está viúvo. E os meninos?” 

     Para ela, Paul era como se fosse da família. Certa vez, no seu aniversário, uma amiga comenta sobre os muitos familiares fazendo anos em junho. Ela concorda e começa a citar os nomes. “Tem Antônio no dia 13, tem Fabíola  no dia 17, Paul no dia 18, eu no dia 19,  Feli no dia 20, Clarice no dia 21 João no dia 23 e  Walmor no dia 24”.  A amiga então diz...”Não estou sabendo quem é Paul do dia 18. Quem é?” Resposta: “Paul dos Beatles!”  A amiga apenas sorriu...Não sei o que pensou disso. 

   Voltamos a falar sobre ele  em 2011, no dia 19 de junho, aniversário dela. Na cadeira de rodas, meio esquecida... lembra-se que no dia anterior tinha sido o seu aniversário. Vejam o que falou-”Teria tido muito gosto em ter Paul como genro...” Levo na brincadeira. “Um excelente partido. E naquele tempo quando vimos 'A Hard Day’s Night' juntas...” Ela me interrompe -”Você se apaixonou perdidamente por ele.” -”Eu e milhões ao redor do mundo”. Completo: “-Queria dizer que nem fazia ideia de como era sua personalidade. Era um Beatle! E que mais?” Pois agora sabemos que é vegetariano como eu, que ama os animais como eu. Até estamos na mesma campanha da Segunda Sem Carne. “Tinha tudo pra dar certo...” Solto uma gargalhada. Mas ela falava à sério: .”Tinha mesmo...”. Minha alma sorri com a lembrança, mas adormeço chorando! 

    Dia seguinte, entro na sala onde fica uma foto de Paul emoldurada desde 1965. Olho para ele dizendo “Bad timing, luv”. Dias depois, uma amiga procura me reanimar. “Ah, ele volta!”  Seria possível?  Sabemos agora que sim. (Fim da primeira parte). 

Virginia A. de Paul(a).

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I’ll Be Back - by Virginia de Paul(a)

Parte II -           keep on sending your love -

Ao ler a notícia sobre Paul de volta ao Brasil, sinto tristeza.  Não suportaria perder seu show mais uma vez e não acreditava poder ir.   Como diria minha mãe, estava muito “serra acima”. Teria de vencer tantos obstáculos!  Em conversa com fã americana ela me ordena: “Compre a entrada. Se não der certo, não deu. Compre e procure ir. É um espetáculo inesquecível”.  Na minha resposta vou escrevendo que falta companhia, falta saúde, grana curta...De repente, vejo Paul na minha mente chegando. Completo a resposta dizendo que sim, eu me empenharia. Pergunto no facebook: “Quem está indo?” Vem resposta da Escócia. Uma prima, que ali mora, insiste que eu vá.

   Um amigo me desanima. “Podemos ver tudo tão bem nos DVDs! Bem melhor do que num estádio onde vemos de longe. Além disso, é tempo de chuva!“ Verdade... Para poder ver Paul de perto, só mesmo na pista e sem garantia. Pessoas nos empurram, eu sou pequenininha... Relembro minha ida a São Paulo para ver o show da Anistia Internacional.  Anos 80, eu jovem, bem disposta. Peguei o ônibus para São Paulo sem precisar de companhia.  Fui sozinha para o estádio sem conhecer vivalma.  Em pé o tempo todo. No início, vendo bem. Logo aparecem mil pessoas altas na minha frente. Eu tinha de olhar pelo telão de imagem longe da perfeição.  Mesmo assim gostei tanto! E teve aquela hora em que me empurraram para perto do tapume. Não via nada do palco. Mas o bendito Sting de repente surgiu na minha frente como um raio de sol. Ainda sinto arrepios... Sim, o certo seria na pista.  Mas não dou mais conta.  Eu teria de ficar longe do palco, numa cadeira, confortavelmente vendo Paul. Claro que valeria a pena!

   Assusto ao saber que ele cantaria em Vitória. Lembro-me de uma amiga que mora naquela cidade.  Daisy. Também fã dele!  Será que iria? “Não tenho mais seu endereço e Vitória é tão longe!”, penso em voz alta. –“Mas Brasília não é tão longe assim, tia”, diz Luciana me animando. Dez horas de ônibus.  Chegaria com os pés inchados?– ”Lu, você iria comigo?”–“Sim!” Viva, primeira dificuldade vencida. No mesmo dia, passo um e-mail a um amigo de Brasília. Conto da minha vontade de ver o show. Ele responde que sua esposa estava indo e agora, com minha presença, ele iria também. Poderia ficar em casa deles. O que? Outro obstáculo vencido!

  Então descubro algo terrível. Meu cartão de crédito bloqueado. Vou ao banco, não sabem informar, dizem que desbloqueariam... Os dias passam e o bloqueio permanece. Sem cartão, sem possibilidade de comprar as entradas. Volto ao banco. Descobrem o motivo. Falta de pagamento em setembro. Venho em casa, pego o comprovante, retorno ao banco. Rejeitado. Por quê? “Você fez o pagamento, mas recebeu a mesma quantia de troco, ” me informam. Loucura. Mas é o que dizia o comprovante. Faço novo pagamento. –“Amanhã estará desbloqueado.”

   Dia seguinte, permanece o bloqueio. –“Pode haver uma demora de cinco dias úteis”, diz a simpática bancária.  Seria tarde demais.  Luciana não aguenta. “Precisam liberar logo ou vamos perder o show do Paul McCartney!” A moça abre um sorriso. “Ah, se eu pudesse iria também! Vou falar com o gerente”.  Tudo acertado. Dia seguinte, cartão liberado.  Mais uma vitória! 

Começo a dar trabalho a amigos, pedindo dicas. Troco e-mails com Edcarlos.  Ele responde a todos com sua gentileza habitual. Participo de um bate papo no Beatles College com outros fãs querendo ir. Todos estressados. Alice teme não conseguir. E seria um presente de aniversário! 15 anos. Emocionante ver este senhor de 72 anos sendo tão querido por jovens. Em 2013, a filha da mesma idade, de uma das minhas amigas,  dana a chorar ao saber que os ingressos para o show de B.H estavam esgotados.  Conseguem para o de Goiânia.

  Chega a terça. Ansiedade. Vivenciando algo totalmente novo e espetacular: comprar ingresso para ver um show de Paul!

   Muito treinamento antes. Treinamento para me acalmar. Todos os receios chegando. E se eu não conseguir? E se venderem todos antes da minha vez? E se eu não souber entrar no site?  Ainda teria chances no dia seguinte.  Estava tentando a pré-venda para os membros do fã clube. Eu sou inscrita. Passo a noite acordada sem sono algum.

  Seis horas da manhã. Acordo Luciana para fazer a compra para mim. Caminho sem parar pelo corredor. –“Tia, comprei!“ Lágrimas descem pelo meu rosto.  Quarto obstáculo vencido. Ligo para Geraldo. –“Comprou inteira? Mas Vija, somos idosos. Temos direito a meia entrada!” Eu disso não sabia. E agora?  Tudo resolvido. Ele compra no estádio.  Começa a peleja para cancelar os ingressos comprados na Tudos. E se Geraldo perder os ingressos?  “Estão presos com um imã no computador. Seguros. Pode cancelar”. E se não aceitarem minha identidade? E se eu for barrada na porta?”–“Tia, o que é isso? Relaxe!

   Ligação para a Uai.– ”Quero saber se tenho direito a meia entrada em shows. Minha carteira não tem carimbo atestando ser idosa.  Vale?“ Sim, vale. Alívio.

A cada minuto nova preocupação.  E se acontecer algo com ele? Xô neura. Respiro fundo, peço por limpeza, rezo por ele e por nós.  Lembro de um filme visto há tempos. Meninas indo ao show dos Beatles conferindo se os ingressos estão mesmo nas bolsas, de minuto a minuto. Estou que nem elas.  Coração de 17 anos. Corpo de 66. “E se eu não conseguir subir no ônibus?

    Luciana descobre que a viagem de avião está mais barata.  Já estou cheia de pânicos, seria só mais um, então tudo bem. Vamos de avião. -“Tia, voo lotado!” O que? Negócio é ir logo comprar as passagens de ônibus. Onde? Qual é a empresa?  Vamos até a rodoviária.  Fechada! “E se? E se? E se?

   Dia seguinte, estamos com nossas passagens em nossas mãos.  Olho, incrédula, para elas... Outro obstáculo vencido.  Então, no Facebook, descubro algo que me derruba. O pessoal do “Segunda Sem Carne” de São Paulo estaria presente em todos os shows viajando com Paul. “Pare de ser invejosa”, digo para mim, já roxa de inveja. É que eu sou da “Segunda Sem Carne”.  Lancei, com amigos, a campanha em 2010.  Fiz registro no site oficial. Não me convidaram! Vejo a entrevista do Paul dizendo que a campanha está crescendo, e que no Brasil tem em São Paulo... –“Paul, tem em Minas Gerais!” Faço contato com o pessoal, com cuidado para não ser desentendida. Poderiam imaginar que eu tencionava pegar carona com eles. Não seria nada mal um alô do Paul, mas bem sabia que eram convidados e sem poder para tais decisões.  Um recado para ele seria possível? Para que soubesse da nossa existência? Por motivos deles, não sei quais, ignoram-me.

 Lembro novamente da ida a São Paulo. O pessoal da Anistia Internacional me recebendo de braços abertos.  Noite de Chopp no Bar Tollo, no dia seguinte ao show.   Pessoal bem mais legal que esse da Sociedade Vegetariana Brasileira. E se eu estivesse me boicotando?   Se assim fosse, eu poderia boicotar a viagem!

   Chega uma novena de Santa Terezinha pelos correios. Faço a novena. Pedido: remoção dos bloqueios. Uma novena diferente que não pede sinal com presente de rosas. Mesmo assim, no último dia, eu peço pelo sinal. Eis que Lita chega da rua com um bouquê de rosas amarelas. "Achei no lixo...” “Eu vou! Obrigada, santinha!”.

  Dia 20. Meus olhos começam a arder. Melhor procurar um oftalmologista. -“Leve conjuntivite. Está nervosa? Fique tranqüila ouvindo os Beatles...”Que belo conselho do Dr. Cláudio.  Conto da viagem. - “E você vai sim! Leve estes colírios...”.

   Dia 21.  “Tia, no domingo você vai ver um Beatle! Já caiu a ficha?”–“Sim, Luciana. E se eu passar mal? E se cair desmaiada na hora que ele aparecer no palco? E se eu tiver de sair de maca? ‘Idosa desfalece ao ver Paul McCartney...’ Além do vexame ainda perco o show”. Começo a rir...  mas por dentro sinto receio.  Pois se perdi as forças quando vi José Wilker! Olhando as rosas encontradas por Lita, eu recupero a confiança.

  Dia 22 de novembro.  Em preparo. Bem uns 20 anos sem viajar. Nem sei mais como fazer malas! Penso em minha mãe. Sei que está feliz. Gostava dele... Talvez tenha me ajudado, talvez esteja indo comigo! Nervosismo.   Para melhorar vou de Rescue, gotas florais de Bach.  Entro no Facebook e quem vejo? Paul! Tão lindo, andando de bicicleta, espalhando amor pelas ruas de Brasília. Bateu aqui. Sinto a energia e respiro fundo.

   Anoitece. Luciana ainda na fábrica. E se ela atrasar?  Não atrasa. Despeço-me de Lita quase chorando. Às 19 h e 55 minutos entramos no ônibus.  Não é leito! Como viajar dez horas assim? Luciana coloca as sacolas e um travesseiro sob minhas pernas. Além disso, a cadeira da frente está vazia. Coloco os pés para o ar apoiados nela. “É, tia. Estamos indo mesmo!” O comentário de Luciana leva-me até 1970 quando, sentada no avião para Londres, ouço um rapazinho dizendo a outro. “Estamos indo mesmo!”.  Dou-me conta que, desde aquele dia, só agora sinto emoção parecida.

 O ônibus começa a andar.  Recordo um antigo sucesso de Milton Nascimento. “Com a roupa encharcada e alma repleta de chão, todo o artista tem de ir onde o povo está...” Paul faz assim. Com sua turnê  “Out There” tem ido onde nós estamos... Nós, o povo Beatle, seus fãs de tantas eras. Que presente! Fecho os olhos, agradecida... O som da sua voz surge como que trazido pela brisa que bate no meu rosto: “Keep on sending you love, cause in the heat of battle, you’ve got something that could save us, save us now…ohhhhhhhhhh…”. Adormeço sorrindo.

Virginia A. de Paul(a)

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I´ll Be Back -  by Virginia de Paul(a)

Parte III - Até a Próxima - (I was nervous but I did it).

Chegamos a Brasília aos primeiros raios de sol.  Meu amigo Geraldo nos recebe na rodoviária com ar feliz. Vem me ajudar a descer do ônibus, mas não é que consigo sem problemas? Que nem a outra passageira, também idosa e pequenininha, que desce tranquilamente. 

Clima fresco, céu azul clarinho. – “Mas vai chover”, sentencia meu amigo. E conclui - “Comprei capa para nós.” Que previdente!

   Fazia tempos não vinha a Brasília e como está linda! É porque Paul está aqui, em algum lugar, penso sorrindo. Geraldo mora na Asa Sul, uma região tranqüila perto das embaixadas. Linda e aconchegante casa com muito verde, e cachorrona simpática no quintal. Ele só falta abrir um tapete vermelho para nossa entrada. Sua esposa está no Rio. Bem que pensou em ir ao show, mas tinha um compromisso na “Cidade Maravilhosa”. Seu enteado, Gustavo, está presente. Tomamos café, descansamos, almoçamos num shopping Center com opções veganas.  Na volta, numa cochilada, vejo Paul assim que fecho os olhos. Ele diz: “Você pode passar na frente.”  Não entendi bem, mas agradeço.

  Saímos para o Estádio Mané Garrincha às cinco horas. Chuva desabando. Cai mais forte quando descemos do carro. Portões ainda fechados. -“Se você quiser desistir basta pedir”,diz Geraldo. Não! Chegar até aqui e ir embora por causa da chuva? Canto: “Rain, I don’t mind. The weather is fine.” Olho em volta sentindo as vibrações. Apesar do temporal, estão todos com ar de felicidade. Logo veríamos Paul McCartney! Mascates faturam vendendo capas de plástico. - “Apenas dez reais. Vão gastar mais com a pneumonia!

  O clima é de sonho, mas meia hora na chuva é demais. Os protestos começam e a fila, finalmente,  anda.  E pára.   Parou por quê?  O senhor na nossa frente não pode entrar com o guarda chuva, e faz drama. “Meu guarda chuva inglês! Se eu deixar aqui vão sumir com ele.” Acaba concordando.

  Recomeçamos a caminhada.  Apresentamos os ingressos e seguimos. Uma simpática moçoila se achega me dando um folheto: “É da campanha do Paul.” Ah, o pessoal que me esnobou. Recebo o folheto dizendo:-“Segunda sem Carne! Eu sou da campanha. Ela existe em Montes Claros, Minas Gerais. Diga para o Paul, por favor.” Ela titubeia, sugere que eu procure outra pessoa, eu conto das tentativas vãs feitas antes e insisto: –“Dê meu recado. Ele vai gostar de saber que a campanha está crescendo”. Ela concorda. Geraldo comenta: - “Só que não vai dar.” Bom, eu cumpri minha obrigação.

 E agora? Sentar onde? Ele prefere as cadeiras em frente ao palco. Longe! Decidimos pela lateral, não tão perto quanto eu queria, mas com boa visão.

 São seis horas.  Melhor sair e ir ao banheiro. Luciana quer comer algo. Eu tinha comido uma pera no carro. Estou sem fome, mas com frio, porque fiquei molhada com a chuva. .Vejo uma banca onde vendem camisetas “Out There”! Lindas! Luuh e eu escolhemos da preta. Visto a minha ali mesmo e o frio some. Sinto-me como se Paul estivesse me abraçando.

 Somos abordadas por uma senhora: -“São da organização?” Confusão devido à camiseta com foto de Paul. Continua: -“É que está faltando papel higiênico nos banheiros”. Explico que não somos...com tanta vontade de ser! A conversa me lembra que tinha saído para ir ao  toalete. De fato sem papel higiênico!

 Voltamos aos nossos lugares.  Vejo um rosto conhecido. –“Mercês!” Antiga contemporânea na escola.  Peço notícias de Leila, minha amiga beatlemaníaca sumida e também amiga dela. “–Está aqui! Veio ao show” –“Onde?” Não a encontro, mas que bom saber que está bem, embora viúva. E vendo Paul! Como seria bom estar a seu lado.

 Geraldo recebe chamada no celular. É do seu enteado na porta do estádio com o pai quase desistindo de entrar devido à emoção.  O que?  Fico sabendo quem é ele.  Nos anos sessenta fazia parte de uma famosa banda de rock da minha cidade: “Os Heremitas!” Ele não pode desistir! - “Entramos”, informa Gustavo. Ufa.

Luciana, Virgínia, Geraldo

  Geraldo bate fotos para a posteridade. Começo a me preocupar. E se eu me sentisse mal ao ver Paul?  Respiro fundo, procurando me acalmar. Uma, duas, três vezes. Lembro de algo lido recentemente sobre o amor verdadeiro. Diferente do efêmero, o amor verdadeiro não causa mal-estar algum. Traz profunda paz. Mas meu amor por Paul não deve ser O verdadeiro. É amor por um ídolo.  Sei que mesmo aqueles famosos, costumam sentir mal ao encontrar alguém que admiram. José Wilker contou, no Jô Soares, o que sentiu ao ser apresentando a Sean Connery. O primeiro James Bond estava sentado, e ao se levantar, não parava de crescer,  até virar um gigante na  sua frente.  Ele esqueceu tudo que sabia de inglês. Ficou visivelmente nervoso sendo salvo pelo próprio Sean Connery, que sentou-se a seu lado para que ele se acalmasse. Para que se acostumasse com sua presença.  Do contrário, como poderiam atuar juntos?

  O show está atrasado. Há movimentação dos técnicos, tocam músicas instrumentais de canções dos Beatles, a chuva ainda cai na pista lotada. Mostram imagens nos telões. Paul desde criança em Liverpool, depois com The Beatles, Wings, sua carreira solo...

  E então, de repente, lá está ele no palco: Sir Paul McCartney.  Em carne e osso. A energia muda. O temor desaparece como por milagre. Sinto-me em paz e incrivelmente alegre.  Olho o palco e em seguida olho o telão. Mágico telão. Alta tecnologia.  Parece o próprio Paul, não apenas imagem, em dois pontos gigantescos. Ele nos convida a embarcar  numa viagem mágica e misteriosa  “Roll up...roll up for the mistery tour”. Aceito o convite. Embarco em êxtase. “Save us” é a segunda música. Entro no embalo. Em seguida vem “All my loving” soando tão nova como se de agora fosse. Duas do Wings: “Listen to what the man said” e “Let me roll it”. Eu solto a voz: “I can’t tell you what I feel, my heart is like a wheel…”E agora? “.Paperback writer...writer....”Acho que vou voar. “My Valentine”, tão romântica. No telão vemos Johnny Depp e Natalie Portman na linguagem de sinais. “I985!”Que música boa! Das que mais gosto com Wings? “The Long and Winding Road…” vou chorar!  “Maybe I’m Amazed”, “I’ve just seen a face”, “We can work it out” “Another Day”….vou cantando: “so sad, so sad, sometimes she feels so sad…

  É a vez  de “And I love her”. Vendo Paul cantando essa música no cinema,  me apaixonei por ele em 65!   Meu inconsciente deve ter se lembrado daquela tarde de janeiro, pois algo inexplicável se apodera de mim. Sem planejar, vejo-me gritando do fundo do coração... -”Paul, I love you!” Ele responde imediatamente, olhando para o lado onde estou: - “I love you too!” Custo a crer. Teria imaginado coisas? Luciana confirma: -“Tia, ele ouviu!” Geraldo também confirma, com surpresa no rosto. “Ele respondeu!”. Abro o coração e recebo seu amor. Se antes já flutuava,  agora vejo o show em outra dimensão, em algum lugar assim como...o sétimo céu. Agora ele canta “Blackbird”, um quase hino dos direitos civis. Arrepiante. Os arrepios continuam ao ouvirmos “Here Today”,uma declaração de amor a John Lennon.

-“Essa canção é do meu novo CD”, diz em português. É a deliciosa “New” seguida de “Queenie Eye”, decorada por mim na véspera. Letras tão fortes, tão poderosas!  Ainda no piano nos presenteia com “Lady Madonna”. Então vem música para a criançada. Para todos nós, pois ninguém ali parece ter mais de 17. “All together Now”. Lá vamos nós: “One, two, three, four, can I have a little more”.  Hora de “Lovely Rita”. Perfeita. Levanta-se para “Everybody Out There” composta para nós. “Hey, everybody out there...” Ninguém fica de fora. Todos são incluídos numa unidade amorosa imensurável.  Somos um só com ele e não apenas nessa canção.  Perco-me em seus movimentos. Como é leve! Sobe e desce os degraus, às vezes correndo, para um lado e para o outro, suavemente. Ao mesmo tempo, espalha faíscas elétricas. Aura visível em sua volta, brilhante, surpreendente. Ahhhh look at all the lonely People”...O que estou fazendo? Uivando! “Eleanor Rigby” seguida de “Being for the benefit of Mr. Kite”. Cada música pede   gemido, ou suspiro, de preferência gritos. Sem atrapalhar em nada, só nas horas certas.

 “Something”. Momento de ternura para George Harrison. Foto enorme deles juntos. Todos nós embevecidos cantando: “I don’t know, IIIIII don’t know.” Vejo pessoas chorando, se abraçando, se beijando... Muito amor. Afinal, Beatles é Amor. Paul é Amor. Há algo místico no ar.

  Então, a turma se levanta para “Ob la di Ob la da”, “Band on the Run” e “Back on the USSR”. Frenesi geral. Ele volta ao seu piano psicodélico e nos transporta para um sonho: “Let it Be.” O ambiente se ilumina com as luzes dos celulares.  46.000 focos. Olho para o alto. O estádio parece flutuar, transformando-se, magicamente, numa nave espacial que viaja pelo universo. Os efeitos crescem ainda mais em “Live and Let Die”. Desde o início, recebemos os mais belos efeitos de luzes, cores, imagens, mas nessa música  suplantam tudo. Quem já viu sabe o que quero dizer. Quem não viu ficará sem saber porque é impossível descrever. Chega a ser... assustador. “Say live and let die...” A coisa “pega fogo”. Labaredas sobem em explosões que chegam até aos céus. Um festival de luzes nunca antes imaginado por mim.  O povo grita extasiado.

  O delírio continua, porque começa “Hey Jude”.  Preciso falar mais? O que pode ser mais espetacular do que cantar “na na na na na na na na” junto com Paul? Que privilégio. Finda a música, ele deixa o palco. Luciana se levanta. “Tia, acabou,” –”Não. Ele volta.” -“Acabou, tia, vamos embora!” –“Ele volta”, digo confiante. Ele realmente volta com sua impecável banda. Atacam com três rocks do jeito que adoro. “Day Tripper, “Get Back”, “I saw her standing there”. Sai novamente. –“Tia, agora acabou mesmo.” –“Ele volta”.  Luciana começa a pensar que a tia enlouqueceu de Beatlemania e Paulmania ao extremo.

  Tudo escuro!” As luzes se acendem e lá estão eles no palco sob urros gerais. “Yesterday”. Hora de suspiros dobrados, de amor sem fim. Nem pisco olhando seu rosto. Como é bonito! As fotos,  vídeos e filmes não mostram como ele é ao vivo. Sua suavidade, de repente, transforma-se em ferocidade e sensualidade, ao dar início a “Helter Skelter”. Após total ternura, nos joga o mais sujo rock já composto. Choques termais. Eu só posso fazer uma coisa: Berrar! Onde estava aquela senhora que caminhava tremula com medo de cair? Estava ali literalmente pulando e berrando....”and I see you agaaaain…yeah yeah.yeah.” O estádio enlouquecido. Breve pausa para recuperarmos o fôlego, pois lá vem dose cavalar de emoção. Once there was a way…” “Golden Slumbers”. Final da Abbey Road Medley. Aguenta coração. “Boy, you’re gonna carry that weight…And in the end…the love you take is equal to the love you make.Delírio.

   Agora sei que acabou. Balões coloridos caem sobre nós. Vivo intensamente os últimos instantes, as ultimas notas musicais, o brilho, a celebração, ele dizendo em português: “Até a próxima!” Sim, Paul, até a próxima! Três horas tinham se passado sem que eu notasse. Poderia ficar mais!

   Vamos saindo. Vibrações de felicidade chegam em ondas douradas. Agora é ir embora... mas onde está o carro? Em lugar incerto e não sabido. Dois amigos de Luciana chegam e ajudam na busca. Ouço uma voz infantil dizendo: “Mamãe, nós ficamos esse tempo todo respirando o mesmo ar que Paul respirava!” Uma criança que entende das coisas. Dou-me conta dessa graça ...eu respirando o mesmo ar que ele. Tanto enlevo impede que me aborreça com a estranha situação do carro perdido. Após uma hora de procura, o encontramos.  Dia seguinte caio em mim. Eu tinha visto Paul.  50 anos de espera.  Vale chorar um pouco.

 A dona da casa chega com a filha, no final da manhã. Quer saber como foi nossa noite com Paul. Temos muito o que contar e rir.  Gustavo junta-se  a nós. Seu pai tinha dançado, cantado e levado baita susto no “Live and Let die”. Ambos curtiram ao máximo.

No jardim do Geraldo
    Entro no seu quarto para ver seu trabalho de artista plástico. Alta criatividade e originalidade.  Na sua parede está a capa do “Revolver”, trabalho de Klaus Voorman. Ganho de presente o que conseguiu gravar do show, completando o registro de Luciana. Durante a tarde,  saímos de carro pela cidade,  passando pelas avenidas cheias de jacas e mangas por onde Paul andou de bicicleta.

    Chega a hora da volta. Como agradecer tanta gentileza dos amigos, tantos presentes ofertados, tanto calor humano? Eu tento.

 Às 20 horas entramos no ônibus. Tudo parece igual. Mesmas poltronas, mesma passageira pequenininha sentada no mesmo lugar. Mas há duas diferenças: levo matula deliciosa oferecida pelos amigos: Pão integral com berinjela ao molho.  E levo o coração tranquilo e aquecido, pois dentro dele está o amor gritado por Paul em resposta ao gritado por mim. Agradecida, penso em minha mãe. Deve ter ajudado!  Uai, e não é que o meu amor por ele é verdadeiro? Pois fiquei todo o tempo em paz!  Muita alegria e paz.

   Já cochilando,  recordo aquele diálogo,  um presente  inesperado dos céus:

Virginia -“Paul, I love you!”

Paul - “I love you too”.

Forever.



domingo, 7 de janeiro de 2024

MADMEN - IMPERDÍVEL

Quadro Poster Series Mad Men 10 - Comprar em Decor10Um pequeno glossário inglês-português!


1. MAN: Homem

  2. MEN: Homens

    3. ADVERTISEMENT: Propaganda

      4. AD: Abreviatura de Propaganda

        5. AD MEN: Profissional de Propaganda

          6. MADISON Avenue, centro das agências de propaganda de Manhattan

            7. MAD MEN:
  1. Homens loucos  
  2. Profissionais de Propaganda da Avenida MADISON
  3. Uma das melhores séries da história! 

Originalmente exibida na AMC, esteve na NetFlix e agora, na Prime. Teve sete temporadas, de 2007 a 2015, multipremiada, incluindo 16 EMMY's e 5 Globos de Ouro. Sua contemporaneidade com Breakind Bad (5 temporadas, de 2008 a 2013) fez com que esta, considerada a melhor série de todos os tempos, não tivesse o sucesso refletido em tantos prêmios.

Conta a história de uma agência de publicidade em 1960, especialmente seu gerente de criação Donald Draper (Jon Hamm), sua família, suas relações pessoais e profissionais, suas amantes (!), sua vida passada secreta. É também o primeiro grande papel de Elisabeth Moss, quase protagonista, como a secretária Peggy, que galga postos maiores. Grande destaque também para a linda January Jones, uma verdadeira princesa, que faz Betty, esposa de Don. E também para a sempre estonteante Joan (Christina Hendricks), chefe das secretárias, que sempre arrasa quando aparece desfilando pelo escritório, a expressão da femme fatale.

Pelo menos ente Primeira Temporada, sensacional, vontade de assistir mais episódios todo dia, mas mantivemos a rotina de nos juntarmos após o Jornal Nacional, no lugar da novela, ora interrompida. Foi religioso! E todos amamos!!!

Três pontos a destacar como reconstituição comportamental.
  1. O Cigarro! Gente, todos eram praticamente chain smokers, os ambientes são até enevoados, acendem cigarros no meio de refeições, em cima da cama, carregando crianças, hoje isso choca!!
  2. O Whisky! Felipe me contou que o consumo médio de whisky nos EUA aumentou durante a veiculação da série, já que o incentivo está em TODOS os episódios, antes de reuniões, em reuniões, depois de reuniões, em casa, fora de casa, incrível!!
  3. O Machismo! Mulheres naqueles anos eram realmente desconsideradas como algo mais que esposas, cuidando de casa e filhos, ou potenciais amantes. As secretárias eram referidas não por sua profissão, mas como 'girls', 'my girl' pra lá, 'your girl' pra cá, o machismo imperava solto!!
A reconstituição histórica também é muito legal porque vamos vendo o que está acontecendo no mundo, à época, por exemplo, a primeira temporada se passa em meio à eleição de Kennedy, então vemos algumas imagens da época, quando assistem televisão, enfim. Os Beatles foram mencionados 3 vezes ao longo da séria, não vejo a hora de ficar emocionado!!

Amazon.com: XXL 24" x 36" Poster Lucky Strikes Its Toasted Vintage ...
E, finalmente, apesar de ser uma ficção, as contas que a agência lida são reais!! Então, vemos, por exemplo, a campanha do Lucky Strike, um cigarro muito popular, em que a época de começo da descoberta que cigarros faziam mal à saúde, impõe um desafio ao criador da propaganda, do quê ressaltar na propaganda que fosse diferente dos demais. E Don saca um processo comum, que é realizado por TODOS os fabricantes e criou o slogan 'It's Toasted!'. Mas ele foi o primeiro a destacar o processo, e a campanha foi um sucesso.

Don Draper lança a conta Kodak Carousel na 1 ª Temporada ...Outro exemplo, a Kodak lançara uma novidade no mercado de projeção de slides (lembra?), aquela roda que vai liberando os slides, mas não estava satisfeita com o nome do equipamento. Entregou o desafio a várias agências, e vai verificando as propostas em reuniões ao longo dos dias. Quando chega a Don Draper, vem o show, ele faz uma apresentação, em que apresenta  família, associa a imagem a um parque de diversões, um local de boas lembranças, e chama-o de Carrossel!!! Os dirigentes da Kodak cancelam as demais entrevistas! Um sucesso imediato!

Então, são vários os motivos para se ver a série.
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Todas as 7 temporadas são ótimas!




quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Minha 007mania!!

ENCONTREI em meus alfarrábios 
o 2º telegrama mais importante de minha vida!











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Minha atração por 007 foi desenvolvida na década de 1970, quando cheguei à idade  que me permitia entrar nos cinemas para ver os filmes de James Bond, já àquela altura, comandados por Roger Moore. Com o advento do video-cassete, pude recuperar o tempo perdido e assistir aos filmes capitanedos por Sean Connery, na década de 1960. Li alguns livros, colecionei artigos, enfim sou um conhecedor de 007 acima da média.

         Bom, e essa mania me rendeu frutos!

         Fui agraciado em Março de 1998 com o 1º lugar do concurso de âmbito nacional "007 por um dia", promovido pelo canal Telecine da Net-Rio. Não deu pra acreditar quando recebi o telegrama (antigo, não?).

         O pedido era fazer uma frase com, no máximo, 5 linhas, respondendo à pergunta:

         "O que você faria se fosse 007 por um dia?"

         Ganhei com esta frase:
_________
1
Após a conclusão de mais uma missão, à saída da sala de "M", sem pronunciar palavra, sapecaria um beijo em Moneypenny. Iria ao laboratório de "Q" para entregar-lhe as chaves do BMW especial intacto, sem um arranhão. Despentearia o cabelo, jogaria o terno fora, me disfarçaria com o chapéu de Oddjob, a dentadura de Jaws, pegava o primeiro jato para o Rio com o gatinho de Blofeld no colo, para participar como destaque do desfile da Mangueira com o enredo: 
"007 07 08   .....  Tá na hora de molhar o biscoito".


       Em tempo, para os não aficionados, cabe esclarecimento:
  • Oddjob é o capanga coreano do chapéu cortante do vilão Goldfinger em Goldfinger, de 1964;
  • Jaws é o capanga gigante dos vilões Stromberg em The Spy Who Loved Me, de 1977 e Hugo Drax em Moonraker, de 1979;
  • Blofeld é o inimigo mor da maioria dos filmes estrelados por Sean Connery, que sempre aparecia acariciando um lindo gatinho branco
  • M é o chefe de 007;
  • Moneypenny é a secretaria de M, que nunca levou um beijo de 007 apesar de sempre o desejar, porém nunca o admitir;
  • Q é o cérebro do Serviço Secreto, the gadget provider, que, apesar de sempre recomendar ao contrário, sempre recebeu apenas os restos mortais dos carros especiais que preparava para 007.
  • Nunca se viu 007 despenteado e sem um impecável terno de Savile Row (claro, em ambiente social!)

         Mandei também as outras 3 frases abaixo, que não foram selecionadas, apesar de eu gostar muito delas:

2
Jogaria o celular na lata do lixo para evitar o chamado de "M". Convidaria minha primeira namorada, a única que amo de  verdade e que ainda me espera, para almoçar no restaurante do nosso antigo bairro. Passearíamos à beira do mar a tarde toda. À noite, iríamos a um parque de diversões para andar de roda gigante e comer algodão doce. Passaríamos a noite juntos, ao luar, trocando carícias e juras de amor eterno. Pela manhã, a levaria para casa. Seria um verdadeiro sonho, voltar a ser um homem comum!

3
Utilizando a última invenção de  "Q", devidamente autorizado por Sua Majestade, me teleportaria ao palácio de Saddam Hussein, e usaria nele,  minha permissão para matar. Pela manhã, faria  o mesmo com todos os outros ditadores do mundo. Durante a tarde, iria aos maiores milionários do planeta e os faria ceder metade de suas fortunas para diminuir a fome nos países pobres. À noite, iluminaria as mentes dos pesquisadores que encontrariam, finalmente, a cura para o câncer, AIDS e todas as  doenças da Terra.

4
Se eu estivesse na pele de George Lazenby, iria aos laboratórios de "Q", faria com que me dessem a beleza de Pierce Brosnan, a classe de Sean Connery, o humor de Roger Moore e a frieza de Timothy Dalton. Traria Lois Maxwell, manteria seu fino humor inglês,  faria com que lhe dessem o corpo de Ursula Andress, a beleza de Barbara Bach, a liderança de Maud Adams, a delicadeza de Shirley Eaton e a agilidade de Michelle Yeoh. Nos apresentaríamos, então, a "M", para nossa primeira missão juntos.


         Em tempo para entender esses nomes todos...:
  1. George Lazenby fez o papel de James Bond em apenas um filme da série oficial, o On Her Majesty's Secret Service, de 1969, pois Sean Connery, o primeiro, estava cansado do papel, após 5 filmes. O filme de Lazenby, que era muito bom, foi um relativo fracasso de público, muito devido à canastrice do digníssimo intérprete, que, aliás, nem ator era. Logo depois, Sean Connery foi chamado de volta, a peso de ouro, para fazer seu 6º filme Diamonds are Forever, em 1971.
  2. Lois Maxwell é a atriz que interpretou Moneypenny em 14 dos filmes oficiais e é adoradísssima pelos bondmaníacos. 
  3. As demais beldades citadas são Bond Girls que interpretaram papéis marcantes nos filmes oficiais.



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         Não deu pra acreditar também quando recebi, em casa, uma semana depois do telegrama, pelo correio, uma caixa de mais ou menos 50 cm x 50 cm x 50 cm recheada com os prêmios abaixo:
        
1.       Relógio Omega Seamaster; o mesmo usado por James Bond;
2.       Aparelho de Telefone Celular Ericson;
3.       Coleção VHS com os 17 filmes oficiais 007  (naquele ano) mais 2 Bonus.
4.       Maleta Samsonite 007 Tomorrow Never Dies;
5.       Miniatura BMW;
6.       Miniatura Moto BMW;
7.       Mini calculadora 007 e outros badulaques;
8.       Jaqueta 007 Tomorrow Never Dies;
9.       Boné 007 Tomorrow Never Dies; 
10.      10 Bottoms 007 Tomorrow Never Dies;

     O 2º colocado ganhou todos os acima, MENOS, o relógio; o 3º ganhou todos MENOS o relógio, MENOS o celular, e assim por diante.

         E eu, além dos prêmios, a imensa satisfação deste sucesso particular, que guardarei para toda a vida.
        E olha que eu não bebo Martini, nem batido, muito menos misturado.

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Paul McCartney - O Maraca é nosso!!

Este post está em construção, 

ainda preciso de ajuda para colocar 

os vídeozinhos que fiz ao longo do show.

HELP!!


My 

Paul McCartney 


Saturday Dec.16 2023 


was a true...>>>>>>


O Plano Homérico era

1. Sair às duas de casa para o Maracanã, mochilinha com água e fruta e boné e folha com NA NA NA;

2. Chegar no máximo às 3 na fila da Pista Premium; 

3. Entrar no estádio às 5;

4. Posicionar-me no máximo a 10 metros do palco

5. Hidratar, sentar, conversar, levantar, cantar

6. Aguardar até às 9, quando começa o show

7. E tudo com muita reza pros joelhos e a bexiga se comportarem, e que meu Protetor seguisse me protegendo...

Minha posição era ótima!
Resultados do plano:

1. Sucesso

2. Sucesso.. pulseirinha de papel número 120

3. Sucesso

4. Sucesso.. fiquei a 5 metros da grade

5. Sucesso

6. Sucesso... sentado durante 3 horas, até chegar o DJ, quando todos se levantaram e me aproximei quase 2 metros...

7. Sucesso... Meus joelhos merecem todas as minhas homenagens... resistiram bravamente... e a bexiga parece que não gosta dessa agitação... resolveu ficar quietinha, não deu um sinal sequer durante 10 horas... um verdadeiro recorde!

Meu Protetor me protegeu!

E o show foi, decerto, o melhor de minha vida...

O 'pai', como ele se proclamou,  em uma das vezes que usou gíria local, divertidíssimas, mandou muito bem, na produção e no desempenho. Vídeos especialmente produzidos para cada canção, todos maravilhosos, lasers projetando desenhos na cobertura do outro lado do estádio, iluminação móvel fazendo piruetas, um trio de metais magnífico com coreografias simpaticíssimas, e a banda fenomenal como sempre...

O 'pai' alterna as canções de abertura, entre A Hard Day's Night e esta aqui 

Can't Buy Me Love saiu no LP A Hard Day's Night, Os Reis do Iê Iê Iê no Brasil, e Os Quatro Cabeleiras do Após Callypso em Portugal, mas um pouco antes, no 6º Compacto dos Beatles em 1964, tendo a excepcional You Can't Do That no Lado B, quando já haviam coquistado a América

Depois vieram duas pós Beatles

Junior's Farm, que eu não curto tanto assim, e que conheci no All The Best americano... o que me levou a comprar outro All The Best, o do resto do mundo, que tinha Mull of Kintire em seu lugar... Os americanos foram privados da obra-prima...

A canção nº 3 foi Letting Go, de Venus and Mars de 1975, notável por seus riffs de metais que, aliás, foram parte notável do show, e que apareceram nesta canção ainda por trás das grades, junto ao público, como se tivessem chegado atrasaddos... genial!

Na canção nº4, voltou aos Beatles, com She's A Woman, 

Lado B de I Feel Fine de 1964, letrinha meio machista da época... Há quem diga que foi dedicada à maconha, que fora apresentada a eles por Bob Dylan uns meses antes... Não encontrei quando e SE foi lançada no Brasil..

A canção nº 5 foi Got To Get You Into My Life, 

De Revolver, em 1966.... agora  que ele se apresenta com trompete, sax e trombone de verdade no palco, é canção obrigatória... o naipe de metais da canção foi considerado um marco na época. Nos Beatles, retorno em Good Mornig Good Morning em 1967 mas somente foi superado por George em Savoy Truffle, de 1968. Paul declarou tempos depois que o YOU da letra se referia à maconha... ô falta de romantismo, a gente a achar que ele estava a agradecer por ter encontrado o amor de sua vida... a Jane Asher...

Antes de seguir, vou apresentar a vizinhança desde minha chegada ao Maracanã.

Vocês sabem, estar num show de Paul sem ninguém da família com você não quer absolutamente dizer que você está só, você está no meio de iguais, de pessoas que têm a mesma paixão, a mesma alegria de estarem ali por horas, a aguardar a chegada de um ídolo, e que vão conhecer a grande maioria das canções, e pular, e gritar, e chorar ... bem... pular eu não podia, mas gritar e chorar fiz bastante...

Antes houve  os latino-americanos da fila...   dois da Costa Rica, dois da Argentina e um mexicano que já havia assistido aos dois shows na Cidade do México e aquele era o 3º show dele no Brasil, neste ano!! 



Depois na entrada me perdi deles, pois não podia correr, apenas andar rápido, só v…

Ao chegar, a gente já encontra grudados à grade aqueles felizardos bem de vida que pagar quase 3.000 reais para verem a passagem de som... eles chegam ao meio dia e ficam por lá... (o que será que Paul tocou?).

Então assim que me posicionei, sentei-me e naquele tempo bati papo com 3 famílias... uma carioca, Daniele, Vitor e o filho de 14 anos que me esqueci o nome... ao perguntar a ela como começou seu amor pelos Beatles, ela aponto para cima, o marido, que permaneceu em pé o tempo todo. Notável que Vitor apesar de não parecer, tem idade suficiente para ter ido ao histórico show do Maracanã, de 1990, e do recorde Guinness, imbatível, o de 184.000 pessoas a ver um show pago de artista solo (eu era uma delas...) e aquela seria sua 10ª vez num show de Paul. Out…

Como se pode notar, a família descrita é a da direita... veja a camisa do pai...



A da esquerda é de Enrique e sua filha, que não capturei o nome... argentino que ADORA o Brasil.. está sempre aqui e já foi a vários shows de Paul, inclusive os do Monumental de Nuñes (estádio do River Plate) de 2010, e também já estão, ele e ela no 3º show do Brasil nesta turnê... torce mais pelo Flamengo que por qualquer outro time argentino, e declara que o Rio é a cidade mais bonita do planeta!! E já desfilou em Escolas de Samba!!! E iria ficar até a quarta-feira seguin pra ver Ivete no Maracanã!!!

Quando soube que eu era santista, lamentou muito que o Santos tenha sido rebaixado ... e justamente no Brasileirão Rei que assim foi denominado em homenagem ao Pelé, que nos deixou no final de 2022.



A terceira família é de Porto Alegre, do pai  Luciano, da mãe Alessandra, e marcou-me o nome que o pai deu ao filho mais novo... Lucas Lennon... sim, e contou da dificuldade de encontrar um cartório que aceitasse registrá-lo com os dois 'N's necessários à homenagem.... a filha é Jaqueline, a nossa "ventadeira", que dezenas de vezes abanou seu leque para aliviar nosso calor, e também borrifava água na gente, uma delicadeza e altruísmo notáveis. Leva consigo algumas tatuagens, mas a primeira que fez é aquela imagem da capa de HELP, com os quatro Beatles fazendo sinalizações de aeroporto... inclusive convenceu o pai a fazê-lo, sendo essa sua única tatuagem... também estão na peregrinação pelo Brasil, seguindo o nosso Messias de Liverpool em algumas capitais.

Logo em seguida vem uma campeoníssima da carreira solo, Let'Em In, 

De 1976, LP Wings at the Speed of Sound. É Paul abrindo a porta de sua casa a todos, os amigos e a família, um clima de reconciliação (ele chama 'brother John'), e abrigo. No show, Paul está ao piano, seu trio de metais faz coreografias divertidíssimas, e foi a primeira vez que prestei bem atenção ao vídeo do telão, uma sucessão de bandas marciais de todos os cantos do mundo, sensacional!

E segue a carreira solo com 1985,

A primeira contribuição do Band On The Run, de 1974, que tem o nome de um ano, um tremendo rock'n roll, com Paul seguindo na seção piano, a canção é também favorita das excursões, e foi somente ali que percebi que os Lasers que saíam do palco faziam desenho lá na cobertura do lado sul do Maracanã (o palco estava no lado norte)... simplesmente sensacional...

Ainda seção piano, de cauda, bem entendido, em que Paul fica lá no alto, e de lado para a plateia, vem Maybe I'm Amazed,

Aquela que eu ainda considero a sua melhor composição solo, e que foi lançada no 1º LP, chamado apenas McCartney, em abril de 1970, ainda antes de Let It Be, que foi em maio. Lembrando que o álbum foi o primeiro em que Paul foi one-man-band, gravando todos os instrumentos, inclusive aquele magnífico solo de guitarra que foi reproduzido perfeitamente ali ao vivo, por Rusty Anderson. 

Maybe I'm Amazed é linda demais, e com uma ponte em que Paul mostra todo o seu potencial vocal. Hoje, já não igual como dantes, mas que ele faz questão de cantar. É em homenagem à Linda, sua primeira esposa, ainda no primeiro ano de casados... E veja como a plateia canta junto.... mesmo uma letra bem complexa... É Beatles contribuindo pra galera aprender inglês.

A seção piano de cauda termina em Grandíssimo estilo, com a canção mais bonita que Paul fez neste Século XXI, 

My Valentine, feita para sua então noiva, hoje esposa Nancy, que, aliás, estava presente ali, como ele anunciou em português. Ele a cantou na primeira vez pra ela no dia do casamento, olha só!

É a segunda vez que Paul usa esse nome feminino, Valentine, que é a expressão aplicada às namoradas, em inglês. A primeira foi em uma das primeriras canções que fez, aos 15 anos, em homenagem ao seu pai, o velho Jim, When I'm 64 (sim, ele tinha 15 anos quando fez essa obra-prima!), que foi lançada apenas em Sgt.Pepper's, 12 anos depois.

My Valentine foi uma de apenas duas originais McCartney no álbum Kisses on The Bottom, de 2011 sendo as demais grandes clássicos da música americana…

Agora ao violão, Paul brinda a galera com 

I've Just Seen a Face, uma canção lado B do álbum HELP! original de 1965, . Aqui no Brasil o Lado B era bem diferente, abria com Ticket to Ride, mas depois tinha outras canções que não haviam saído, uma delas aliás, I Feel Fine. 

Coloquei o ponto de exclamação pois foi assim que o álbum teve que ser registrado na Inglaterra, pois já havia outro LP chamado HELP.

Bem, essa canção é uma country animadíssima, que nem sei se saiu no Brasil... eu só conheci mesmo quando saíram os CDs na década de 1980.

E agora, vem um dos melhores pontos do show, minha modesta opinião, aliás, não, minha abalizada opinião... hehehe... a sessão toda é sensacional

Paul segue no violão e a banda toda ali ao lado deles no palco mais baixo, agora com o baterista Abe Laboriel Jr de pé, tocando mais escovas, o tecladista Paul Wix Wickens de pé, sem teclado... vai tocar gaita logo na canção a seguir (ai que me arrepio) e os dois guitarristas o moreno Rusty Anderson e o loiro Brian Ray também com violões, este último num baixo acústico. A primeira da sessão foi

In Spite Of All The Danger. Antes tem uma historinha.... John, Paul e George (e dois outros membros do Quarrymen) entraram em um estúdio de rua em 1958, ano em que eu nasci, e gravaram em um acetato, aquela que é considerada a primeira gravação dos Beatles, embora eu só chame de Beatles mesmo quando Ringo entrou na banda, em agosto de 1962

Porém... me arrependi de ter parado de filmar... é que Paul adorou a reação da galera, provavelmente de outras ocasiões em que tocou a canção... e ele incita a gente a cantar o Ô Ô Ô Ô a capella, e a banda toda volta de novo... encaixadinha...

É de chorar!! 

Felizmente, ele fez isso ainda mais uma vez e eu consegui pegar um pouquinho!!

Desculpe a emoção com... cantei alto demais... Mas a emoção iria aumentar....

Como numa cronologia, a próxima canção foi justamente a segunda gravação dos Beatles... a primeira em Abbey Road, e já como Beatles de facto, com Ringo na bateria!

Era Love Me Do....

Lançada em 5 de outubro de 1962.. vinha ao mundo o primeiro disco dos Beatles... e... no mesmo dia mês e ano... 007 também veio ao mundo... coincidência cósmica... ambos fenômenos vivos até hoje..

A gaitinha fenomenal que John tocava foi tocada por Wickens!

Foi de chorar ...  Novamente...

Ainda com a mesma configuração de palco, Paul aparece com um bandolim e o apresenta para a plateia.... e antes de começar di: "Tá irado!" para gáudio de todos nós, e começa um momento muito gracinha e muito esperado, graças à atuação do baterista. A canção é 

Dance Tonight, que abre o álbum Memory Almost Full, de 2007... aliás, quando ele lançou esse álbum chegaram a dizer que era um aviso de que ele estava prestes a parar... e lá se vão 16 anos, e não há sinais que isso ocorra... ainda bem...

E também faz quase igual tempo que a apresentação ao vivo começa sem bateria, pois o baterista Abe fica dançando magnificamente durante 2/3 da canção, notem ali, mais à direita, sensacional. O multi-instrumentista Wickens pilota um acordéon!!

Não percam a conta... já foram 16 canções!

E agora todos deixam o palco e vão descansar ... menos Paul e seu violão, que ficaram ali firmes... e ele vem mais para frente.... e começa a tocar ... e o novo palco sobe... e a frente do novo palco é outro telão.... produção maravilhosa.... e as imagens são de uma noite azulada ... e pássaros negros voam .... sim, era 

Blackbird... grande sucesso de 1968 do Álbum Branco, nome popular de The Beatles, o 9º da carreira.... uma canção Lennon/McCartney só de Paul, inspirado pelo movimento negro, forte na época, ano de assassinato de Martin Luther King Jr... e já começando sua preocupação com o mundo feminino... exaltava as garotas negras, as "black birds" (tratamento inglês) a alçarem seus vôos. 

O povo, como sempre, cantando tudo junto... e eu também...

Ainda lá em cima, Paul ainda ao violão, faz o costumeiro anúncio..."Essa música é para meu querido amigo John!" todos já sabiam... era 

Here Today, que foi lançada em 1982, no álbum Tug of War, último a chegar ao topo da parada americana, até Egypt Station, de 2018.

Lembrem-se, John havia sido assassinado em dezembro de 1980... Paul e os demais Beatles passaram 1981 de luto, com pouquíssima produção... e seu parceiro fez essa linda canção, que ele toca em todos os shows e SEMPRE se emociona... tenho um áudio dele em que ele conclama as pessoas a dizerem 'Eu te amo!' para as pessoas enquanto elas estão vivas... é ele a lamentar-se que nunca disse isso a John.... mas está a se redimir disso em todos os seus shows das últimas décadas. 

Na canção, é o momento mais emocionante…

E agora Paul está àquele mesmo piano multicolorido em paleta psicodélica que nos encantou em 1990 no mesmo Maracanã, quanto cantou Fool on The Hill, e a plataforma girava e girava e girava,  round and round and round... não... não era o mesmo ... percebi logo depois.... agora é um piano vertical sim, mas a pintura não é pintada, é uma tela digital, cujo tema varia...

Paul não veio com Fool On The Hill naquele piano mas sim, com 

Lady Madonna, sucesso de um single do começo de 1968, mais de Paul que de John, em homenagem às mães lutadoras que passam sufoco para criar seus filhos, arranjo com piano e metais ótimos, também, esqueci de mencionar ali em cima. No telão, um vídeo especial mostrando essas mães com seus filhos a tiracolo em vários cantos do mundo e atletas inglesas de vários esportes, sendo que apenas corredoras quando todos cantávamos "Seeeee how they ruuuuun"... muito bom!!

Na canção 21, Paul volta ao baixo Höffner para cantar 

Fuh You, de 2018, álbum Egypt Station... decerto eu teria outras dezenas de canções da carreira solo para sugerir.... não sei por que Paul se esquece de RAM de 1971, meu álbum favorito da carreira solo (não.. não é Band On The Run), que tem pelo menos 7 canções mais expressivas que Fuh You,  ou mesmo de do álbum Red Rose Speedway, de 1974, que eu ouvi muito, e tem pelo menos meia dúzia de canções mais expressivas que Fuh You... 

Nesse sentido, Fuh You, Paul!!!

Já na 22, ainda no Höffner, Paul leva um clássico solo, 

Jet, de Band On The Run (1973), grande sucesso, um de dois singles do álbum que chegaram ao topo da parada americana, que eu adoro, mas que até hoje não entendo aquela parte da letra  
"And Jet, I thought the major was a lady suffragette!" ... 

Tenho pra mim que ele foi ao dicionário de rimas buscar uma rima para 'jet' e achou bonitinho lembrar das excepcionais batalhadoras pelo voto feminino no Reino Unido durante a 1ª Guerra Mundial.

Estranha ou não, a galera canta a letra inteirinha!!

Bueno, a canção seguinte ficou sem vídeo, porque decidi ficar alguns momentos apenas como assistente embasbacado do astro corresponsável pela trilha sonora da minha vida.... Só fiquei babando e cantando.... o que não me impede de mencioná-la aqui, com os devidos comentários!!!

Being For The Benefit of Mr.Kite foi lançada no esplendoroso Sgt.Pepper's em 1967 fez digna parte daquela revolução. Ideia original de John, Paul a tem cantado nas últimas turnês pois clama ter participado bastante da letra, que é um cartaz anúncio de um circo do Século XIX, que John comprou, emoldurou, namorou, e começou a imaginar uma canção com aqueles dizeres todos, e tocou uma melodia tipo marcha, que no meio passa para valsa, e que na gravação tem inovações técnicas surpreendentes, incuindo fitas cortadas por tesoura em trechos de 30 centímetros, tudo juntado e jogado para o alto e remontado aleatoriamente, ideia de George Martin, o grande produtor, um clima de circo total, como John queria. Espetacular!

Quando vi que Paul apareceu com o ukulele, retomei a câmera do celular. Eu sabia que ele ia tocar 

Something!

Logo, Paul disse que era para o 'meu amigo George', e começou a tocá-la no arranjo que ele criou para o Concert for George, de 2002 no Albert Hall, que começa com  aquele cavaquinho chique (que George adorava) e depois o abandona para tocar o arranjo original, inclusive com o melhor solo romântico de rock da história, criado  e tocado por George uma vez só e gravado perfeitamente no último espaço de fita que havia disponível, na esplendorosa seção de agosto de 1969, última seção de gravação de Abbey Road. No show, quem o reproduz quase à exatidão, pois nós fãs não permitimos que se faça de outra forma, é Rusty Anderson, tudo acompanhado no telão por…

A câmera permaneceu ativa, pois Paul disse algo assim 'Vamos tocar esta canção e depois eu digo: Agora vocês!'... e vi armar-se ao meu redor um exército de soldados armados com coloridos balões de plástico... eles sabiam a batalha que iriam lutar... era

Ob-la-di Ob-la-da!

Ah, como ouvi essa canção aos meus 10 anos... e não foi no Álbum Branco, não, foi num single, um compacto que saiu em todo mundo menos no Reino Unido. E acho que só ouvi o Lado A, pois não me lembro de ter ouvido, ou se ouvi, não entendi, em minha meninice, a esplendorosa While My Guitar Gently Weeps, varreu-se-me da memória..... e acho que meu irmão, provedor dos LPs lá em casa, 13 anos mais velho que eu que ele era, falhou e não comprou o Álbum Branco lá pra casa.... não me recordo absolutamente… 

Ali ao vivo, foi um espetáculo multicolorido, inesquecível. Paul agradeceu depois!

Canção 26?

Band On The Run, do álbum de mesmo nome, de 1973... o álbum de maior sucesso de Wings, e que tem a particularidade de ter sua base toda tocada por apenas dois instrumentistas, Paul e Denny Laine,  e mais sua esposa Linda, que é café-com-leite.  Na edição final, já nos AIR Studios, de George Martin, outros instrumentistas foram chamados para overdubs. É que quando Paul anunciou que iria, sempre inovador, fazer a gravação em Lagos, capital da Nigéria, o baterista e um dos guitarristas simplesmente desistiram da empreitada. Paul tocou bateria, teclados, guitarra e baixo, Denny Laine, recentemente falecido, na guitarra e percussão. Ah, sim a café com leite tocou teclados.... 

Houve problemas sérios em Lagos, Paul e Linda foram atacados por ladrões com facas, tudo foi roubado deles, inclusive gravações, tiveram que fazer tudo de novo, Paul passou muito mal com o calor, Linda achou que ia morrer... enfim... péssima escolha, e tenho pra mim, que Paul pagou ali mesmo por abandonar o outro lugar exótico que cogitou para fazer a gravação... Rio de Janeiro!

Agora, 

Get Back!! 

A canção, gravada ao vivo no Show do Rooftop da Apple em 30 de janeiro de 1969, e que materializou-se em single dois meses depois e no LP Let It Be em 1970, também era o nome do projeto de retorno às origens da banda, de shows ao vivo. Ficaram aquele mês todo gravando e filmando, tudo saiu no 5º filme dos Beatles, mas o que está em voga hoje é o documentário de 2021 dirigido por Peter Jackson que fez milagres de som e imagem e encantou todo mundo com uma visão bem mais positiva daqueles dias.

E Peter Jackson foi chamado para fazer a edição que nos encanta ao longo da performance no show no telão... ele escolheu somente os momentos de muito humor e graça e risadas e caretas, decerto é a montagem mais positiva possível.

E o documentário de 2021 nos revelou como ela surgiu, do nada, com Paul em seu baixo Höffner tocando alguns acordes em frente a George e Ringo, parece que estava recebendo do além a inspiração. Sensacional.

Canção 28?... 

Let It Be 

Lançada em single e no LP de mesmo nome, em 1970, cada uma delas com um solo de guitarra diferente de George... e o solo do show não foi nenhum deles...  mas estão perdoados...

Deixa estar, foi o que a mãe Mary disse a Paul em um sonho, e materializou-se numa das mais lindas canções dos Beatles... tão tocada que já cansou um pouco... hehehe. No show, ele a canta ao piano de cauda, no telão, lanternas amarelas sobem aos céus, e é decerto o momento em que mais se veem as lanternas dos celulares da platéia!!

Desculpem por não dar zoom no vídeo de Get Back, para que pudessem vê-lo melhor... é que estava tão embasbacado com o video que não tirei os olhos...

E vem o momento de tocar fogo no palco.

Live and Let Die, canção tema do filme de mesmo nome de 1973, com a primeira aparição de Roger Moore no papel de James Bond, grandíssimo sucesso, candidata ao Oscar de Melhor Canção Tema (perdeu para Barbra Streisand, uma pena). Considerada uma das mais perfeitas canções tema de 007, pois captura a ação como poucas naquela ponte instrumental em orquestração pesada, e volta ao clima de romance, e ainda tem um trecho de reggae, Paul sendo o ousado Beatle mais uma vez.

E já é tradicional a pirotecnia..... naquela ponte , logo após cantado o título, 12 canhões de fogo explodem simultaneamente, a gente ali na frende sente a onda bem quente!!! E os raios lasers à toda e fogos de artifício por toda a parte... demais demais.... o vídeo capta bem imagem e som... mas não registra o calor.....

A canção que fecha o jogo em seu tempo normal é a de nº30, uma conta certa para a mais certa de aparecer em shows de Paul, desde aquela 1ª vez no Maracanã de 33 anos atrás... eu ouvi lá..... e Macca a tocou em cada uma das mais de 100 vezes em que subiu ao palco desde então.

Hey Jude foi inspirada na triste canção (sad song) por qual passava o menino Julian, aos 5 anos, não entendendo por que seu pai John havia saído de casa e abandonado a mãe Cynthia, e Paul dizia a ele que tornasse aquela uma canção melhor (make it better)

Em tradução livre poder-se-ia dizer: Faça desse limão uma limonada.

A canção tem três versos e duas pontes tudo todos sem repetição de letra, tem rimas ricas e internas sensacionais (BAD-SAD; HEART-START, AFRAID-MADE, SKIN-BEGIN, DOWN-FOUND), tem uma bateria que e…

O jogo, então terminou empatado, com todos os presentes felizes, e foi pra uma prorrogação...

E ela começa em alto estilo!!!

Com John Lennon dividindo o vocal com Paul McCartney.

Sim, graças a Peter Jackson, grande beatlemaníaco e diretor de cinema, que domina a tecnologia de separar cada um dos sons de um áudio, e que denominou MAL, em homenagem a MAL Evans, histórico roadie dos Beatles, mas que também é sigla para Machine Assisted Learning, a gente tem, ali, no telão, John Lennon no Rooftop da Apple cantando 

I've Got a Feeling junto com Paul no palco.... é simplesmente demais.

A canção é uma pura Lennon McCartney, mas no sentido que junta uma canção de Paul com outra de John. Eles perceberam tratarem-se dos mesmo acordes e as juntaram genialmente!

A gravação ao vivo foi a mesma que foi ao LP Let It Be, mesmo com um pequeno erros de John na letra!

O show está chegando ao fim e Paul leva aquela canção que termina os shows da Banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta.... 

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band - Reprise

Aliás, interrompo a parte musical para um pouco de poética... na verdade quero que apreciem sílabas poéticas... e apreciem como a língua inglesa é mais objetiva que a nossa... conte as sílabas poéticas da primeira frase do refrão.

We're Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band

Contou? São 10 vezes que se abre a boca.

Agora faça o mesmo com a tradução em português

Nós somos a Banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta.

Controu? São 21 vezes...

Fim da pausa poética...

Bem, vocês sabem o Sgt Pepper's é um álbum conceitual, imaginado por Paul, com a tal banda sendo um alterego dos Beatles. O show abre com a banda se apresentado (We hope you will enjoy the show) e termina com a banda se despedindo (We're sorry but it's time to go!).

Calma... tenho video dela sim, mas é que Paul emenda com a canção seguinte e nem deu tempo pra dar o stop!!! Não era o final do show!! (sabíamos, claro!). Ainda tinha

Helter Skelter

E o vídeo que então começa é espetacular, bem no clima da canção, um túnel em que entramos em alta velocidade, estonteante, alucinante, que dá até bolhas nos nossos dedos... desculpe, não pude deixar de mencionar a fala de Ringo Starr ao final da gravação, registrada em disco, quando termina de tocar aquela que é considerada a canção pioneira do Heavy Metal.

Paul não se furta a cantá-la mesmo sendo de muito esforço para sua já um pouco combalida voz.

Lançada no Álbum Branco em 1968, ela infelizmente inspirou um certo Charles Manson a comandar os assassinatos de Hollywood, que matou Sharon Tate grávida de 9 meses, de Roman Polanski, e que marcou muito aquele menino de 10 anos.

E finalmente... (que pena.... as pernas já não se aguentavam, mas certamente ficaríamos mais uma, duas, 10 horas se fosse...) vem o GRAN FINALE...

Golden SLumbers - Carry That Weight - The End

E cabe aqui um pequeno tratado sobre esse FIM.....

É que mostra quão geniais eram os Beatles...

Explico: o matemúsico Paul elaborou a Equação do Amor

"And in the end, the love you take is equal to the love you make!"

E achou que seria uma ótima canção para terminar o medley, justo.

Só que o medley era previsto estar no Lado A do novo LP que viria a ser chamado Abbey Road (de 1969), mas mudaram para o Lado B, o que acabou sendo ótimo, pois finalizava o disco..  mas apenas o disco... eles não tinham ideia de que aquele seria o último disco dos Beatles, então a carreira dos Beatles termina com uma canção chamada The E…

Os apressados dirão "aaaah mas o disco não termina com The End..."

Sim, é verdade, mas o plano era terminar com The End... só que apareceu uma Rainha travessa... Her Majesty havia sido abandonada pelos Beatles, pois não se encaixara direito na métrica do medley, mas existia uma política na EMI de que nada dos Beatles se perderia, então um técnico, na calada da noite, viu que havia essa canção e, simplesmente a colocou no final da fita matriz...

Tanto não era o plano de ela estar ali que as primeiras capas prensadas não tinham Her Majesty e a última era The End.... Incrível!!

Sim, antes do FIM, há duas canções, que antes de fazerem parte do medley, haviam sido criadas para serem elas próprias um medley, como seu compositor Paul queria.... e, no começo da gravação, elas eram uma só, dennominada Goldens Slumbers/Carry That Weight.... mas ao longo das gravações elas viraram duas canções separadas!

Goldens Slumbers tem uma melodia de mais de 200 anos e a letra de Paul, e virou uma canção de ninar... ela se junta muito bem melodicamente a Carry That Weight, de uma frase só, "rapaz... cê vai carregar essse peso por muuuito tempo" os 4 Beatles gravaram esse brado em uníssono....ai ai ai... e o peso foi bem alto pra dois deles, com um sendo assassinado (John) e o outro quase (George), quando levou quase 20 facadas de um maluco que invadiu sua mansão, vindo a morrer dois anos depois, de câncer, mas acelerado por sequelas do ataque.

E na emoção, eu me enganei e em vez de apertar a reversão da Selfie, eu apertei Stop....

Fiquei p... da vida até me desconcentrei mas retomei...

E no meio de Golden Slumbers e Carry That Weight, com tudo intensamente orquestrado, reaparece You Never Give Me Your Money, a canção que abre o medley, agora com um verso diferente

Até ali, Paul está ao piano de cauda e vem um solo de bateria de Abe levemente estendido em relação ao de Ringo e, ao final do solo, Paul já aparece na guitarra, e no telão surgem imagens incríveis, com criaturas fantásticas e psicodélicas, enquanto rola a declaração de amor ao mundo "Love you ... Love you ... Love you..." com Paul / Rusty / Brian fazendo solos de guitarra alternados a la Paul / George / John, 3 solos cada um, e chega Wickens ao pianinho sensacional e todos enunciam a Equação do Amor fechando a canção... o medley... o disco... a carreira... o show... 

Um verdadeiro GRAN FINALE.

TERMINEEEEI!

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