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domingo, 25 de novembro de 2012

A Vida de Pi - segundo Renata

Atenção! Se ainda não viu 'As Aventuras de PI', leia antes http://blogdohomerix.blogspot.com.br/2012/12/a-vida-de-pi_25.html


O filme é sobre a essência de Deus.

A essência das duas versões da história de Pi é que o navio afundou, Pi passou 227 dias no oceano e sobreviveu. O resto (o tigre, etc) é firula para enfeitar a história e deixá-la mais fantástica e mais agradável.

And so it goes with God” (“e assim é também com Deus”): a essência é que Deus existe. O resto (toda a mitologia em torno de cada religião) é firula para enfeitar a história e torná-la mais fantástica e mais agradável.

Por isso aquele começo em que Pi conhece todas as religiões e participa delas todas:  porque ele, desde o começo, entendia e se interessava pela essência (Deus). A essência é a mesma em todas as religiões. Todos, para Pi, eram o mesmo Deus. O resto era a mitologia, o fantástico, envolvendo cada uma das religiões.

O que assusta o ateu são as histórias fantásticas que cada religião usa para apresentar, de uma forma mais fácil de entender, a essência (que é o que realmente importa). Os ateus tentam interpretar racionalmente todas as histórias mitológicas das religiões, todas as firulas. Por isso, tomam tudo como uma fantasia imbecil, sem conseguirem chegar à essência idêntica de todas elas, ou sem conseguirem entender que o que importa mesmo é a essência delas. Ficam presos às firulas: “Nossa, que história inverossímil sobre um garoto preso em um barco com um tigre!”, e não vêem a essência da história: a história de um garoto que sobreviveu a um naufrágio.

O pai de Pi, em sua racionalidade, achava que o garoto tinha que escolher apenas uma das religiões, porque ele não podia acreditar em todas elas. O pai só via as firulas e, racionalmente, achava que as firulas católicas eram incompatíveis com as firulas hindus, etc. Enquanto que o garoto estava, desde aquela época, percebendo que a essência de todas elas era a mesma: Deus. E que, portanto, não importava se ele seguisse todas elas. Porque todas eram essencialmente iguais, em seu aspecto fundamental.

A essência das duas versões da história do naufrágio é a mesma: ele sobreviveu por 227 dias no mar.


O próprio pai dele tentou usar esse truque da firula para convencer o filho de que a viagem para a América ia ser legal: ele usou a figura de Colombo para tornar a viagem uma aventura na cabeça do filho. É o mesmo funcionamento das mitologias religiosas. A essência seria: a viagem vai ser boa. A firula é: como Colombo descobrindo as Américas.

O pai de Pi usou o mesmo truque que Deus usou, para tentar fazer com que o filho (a humanidade) se interessasse pelo assunto.

Da mesma forma: qual é a versão mais interessante do naufrágio? A do tigre. Claro.

A maior parte da humanidade precisa dessas firulas para entender Deus (e etc) algo que, para elas, seria difícil, complicado e pesado de entender sem toda a fantasia. É mais fácil, para as massas, por exemplo, entenderem as histórias fantásticas da Bíblia do que entenderem toda a racionalidade do espiritismo. É mais digerível e mais agradável a história do Tigre do que a história do cozinheiro assassino.

9 comentários:

  1. Parabéns.... adorei as explicações das "firulas" e as outras mais e, concordo, antes mesmo de ver o filme, pois o histórico, como se apresenta, já satisfaz aos meus entendimentos....
    Congratulations de
    Paulus

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  2. Renata e Homero, o filme é denso. Confesso que esperava uma coisa mais tipo "Nárnia"...Aliás, como o Homero escreveu, não entendo porque trocam "a vida" por "as aventuras"...Deve ser por isso mesmo: para ganharem mais dinheiro !!! Parabéns aos dois. Também concordo com a "Teoria das Firulas". Aproveito para desejar a vocês dois, Neusa, Filipe e a nossa adorada Da. Mira um espetacular 2013!!! Assim como aos seus seguidores e leitores...Aprendiz II.

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  3. Fiquei com vontade de assistir o filme. Confesso que não estava dando a mínima pra ele, mas agora quero ir ao cinema. Bons filmes, aliás, começarão a pipocar. "Lincoln" vem aí, "Django Unchained" também e vamo que vamo.

    Acerca do texto, devo dizer que é exatamente por aí que eu vejo as coisas. Freqüento missas católicas, mas acredito em reencarnação e na essência espírita. Nunca me senti um herege ou um sujeito com culpa, vivendo em contradição. Porque a essência, sem as firulas, é exatamente essa mesmo: evolua seu espírito através de boas ações; pratique ações capazes de mover o universo.

    Deus deu ao homem o poder da fé, o que o diferencia dos demais animais. O homem, tolo, criou a religião.

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  4. Homero vou ver esse filme no fim de semana, obrigada pelas dicas sempre quentes de filmes!Nunca me arrependo delas!

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  5. Desculpe, carissimo, mas, se eu não estou enganada, PI não passou 22 dias no mar e sim 227. Por favor, gente, se vc ainda vai assistir, preste atenção a este detalhe, volte aqui aos comentários e nos tire essa dúvida...Abraço grande.

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    1. Perfeitamente, caro Anônimo!! Faltou um 7!!!

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  6. O filme é tocante e surpreendente, e já falei demais. Quanto aos ateus, se engana quem pensa que eles se assustam com as histórias das religiões. Apenas não acreditam em um ser supremo que comanda tudo. Pessoalmente, acho difícil ser ateu, porque somos criados para acreditar em algo ou alguém que cuida de nós e está acima de qualquer ameaça. Quem não diz "Deus me ajude", quando se depara com uma situação limite? Quem sou eu para questionar 100 mil anos de história de hommo sappiens? As estórias das religiões existe para difusão dos conhecimentos e das culturas das pessoas e dos povos. Para nos ajudar a enfrentar a vida, como fez o Pi. Deus foi a maior invenção do homem,e eu escolhi acreditar nela. Bjs antropológiocos, Carol

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    1. Estimado Homero ,
      - Excelente! Que maravilhosa explicação faz a Renata! Que fantástico poder de síntese ...firulas...! Escrevo depois de ter visto o filme ( estava em férias fora do Brasil ) !
      Muito Obrigado Homero e Renata !
      Um abraço !
      Mauri

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  7. Muito bom texto. Concordo com a interpretação do filme. Só não concordei com a "racionalidade do espiritismo". Pra mim são firulas com uma roupagem "racional".

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