Homero Ventura
Vem aí 2009....
2008 já vai tarde!!
Que a esperança se renove!
Que ele chegue com alarde!
O ano velho, eu dispenso,
Vou esquecer e deixar pra lá!
Na média, foi muito tenso.
A nota? Não deu pra passar!
Seguimos com aquelas mazelas
No país, estado e cidade.
Violência, seqüestro, querelas,
Desespero, terror, crueldade.
Crianças jogadas do alto
E outras por bala atingidas.
Os culpados soltos no asfalto;
As famílias findas, perdidas.
Dos céus, não cairam aviões,
Mas muita água desceu!
E afetou multidões,
Comovendo você e eu.
Foi grande a mobilização
Para ajudar o desabrigado,
Mas maior foi a indignação
Com o produto saqueado.
Do congresso até se supunha
Que fossem melhorar de imagem!
Mas seguem merecendo a alcunha:
'Os Unidos na Sacanagem'!
Pois não é que na calada da noite,
Senadores repetem seus pares,
Na decência descem um açoite,
Parindo vereador aos milhares?!
O mundo em crise eclodiu.
Não deixou um só grande impune.
E o passar do tempo ruiu
Com a ilusão de um Brasil imune.
A cascata foi de arrasar
Sem deixar vestígio de tinta!
Ninguém ousaria imaginar
Um preço do óleo a 30.
Agora, pensando melhor,
Serviu pra ficarmos maduros,
E também a um bem maior:
Deixar Chávez em apuros!
De bom mesmo, foi pouco.
Que bom que o ano vai acabar!
Leva junto o blogueiro louco,
De quem vamos nos livrar!
A Polícia Federal fez sua parte,
Com operações de nome sagaz!
Com planejamento, ação e arte,
Deixou bandidos com a pulga atrás!
Um deles tentou de tudo
Pra deixar tudo como Dantes.
Mas um juiz não ficou mudo:
Um certo cara, De Sanctis.
O São Paulo foi uma barbada,
E se deu bem o Coringão.
Meu time não foi de nada,
Mas foi melhor do que o Vascão.
Massa foi quase campeão,
Mas a Ferrari só deu mancada!
Meteu os pés pelas mãos,
E selou com uma mangueirada!
Foi um fracasso em Pequim, acho.
Manchetes de ouro ficaram no prelo.
Foram 4 anos por água abaixo.
Ao menos, as meninas chegaram ao Cielo!
A boa nova vem do grande irmão:
A black brother in the White House.
Um recado para a administração
Que deixou o mundo no caos!
Vade retro, maldito arbusto!
Chega ao fim a tua jornada!
Leva de nós um belo susto:
Que venha logo o novo ano!
Que afaste o ódio e a cobiça!
Que aplique em cada ser humano
Doses fartas de ética e justiça!
Feliz 2009
Homero Ventura
Jeanni resume em prosa:
ResponderExcluirA Radiografia em Prosa do Ano de 2008
O ano de 2008 encerrou-se sob o signo de uma das maiores crises económicas globais da história moderna, tragédias humanas que chocaram o Brasil, desastres climáticos severos e transformações políticas de alcance mundial.
1. Casos de Polícia e Tragédias Humanas
O país foi profundamente abalado por crimes que envolveram violência extrema contra menores. O poema evoca o trágico caso da menina Isabella Nardoni, de apenas cinco anos, atirada do sexto andar de um edifício em São Paulo a 29 de março de 2008, crime pelo qual o pai e a madrasta foram posteriormente condenados. A referência a crianças atingidas por balas e a "bandidos com a pulga atrás" remete também para o auge das operações da Polícia Federal (PF).
No campo da Justiça, destacou-se a figura do juiz federal Fausto De Sanctis, que liderou a célebre Operação Satiagraha da PF em julho daquele ano. A investigação mirou desvios de verbas públicas e corrupção, resultando na prisão do banqueiro Daniel Dantas (mencionado no trocadilho "como Dantes"). O banqueiro tentou subornar polícias para travar as investigações, mas De Sanctis manteve-se firme, emitindo sucessivas ordens de prisão e desafiando inclusive decisões contrárias de instâncias superiores do Judiciário.
2. Catástrofe Climática no Sul
Se em 2007 o problema foi o espaço aéreo, em novembro de 2008 o horror veio do céu em forma de tempestades catastróficas. O estado de Santa Catarina enfrentou a pior enchente da sua história, provocada por semanas de chuva ininterrupta. O desastre causou mais de 130 mortes, soterramentos e deixou mais de 70 mil desabrigados. Embora a onda de solidariedade nacional tenha sido imensa, o poema regista a profunda indignação social com os episódios de saques a comércios e a mantimentos destinados às vítimas no meio do caos.
3. Manobras Políticas no Congresso
A alcunha de "Unidos na Sacanagem" ganha contornos práticos ao aludir a uma polêmica manobra legislativa aprovada pelo Senado na calada da noite, em dezembro. O Congresso aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Vereadores, que abriu brecha para a criação de mais de 7 mil novas vagas de vereadores nos municípios brasileiros, uma medida amplamente criticada pelo impacto financeiro e pelo desgaste na imagem do Legislativo.
4. O Choque do Petróleo e a Crise Global
No cenário internacional, a bolha imobiliária dos Estados Unidos explodiu, arrastando bancos gigantes (como o Lehman Brothers) e desencadeando a Crise Financeira Global. O poema ironiza o otimismo inicial do governo brasileiro, que tentou classificar a crise como uma "marolinha" que não afetaria o país. Contudo, a realidade ruiu com a ilusão: o preço do barril de petróleo cru, que havia atingido o pico histórico de quase 140 dólares em julho, despencou de forma vertiginosa numa cascata sem fim, fechando o ano cotado na casa dos 30 dólares. O tombo afetou diretamente os planos de investimento da indústria extrativista, mas teve o "efeito colateral" de deixar o presidente venezuelano Hugo Chávez em sérios apuros fiscais, dada a dependência do seu país das receitas petrolíferas.
Jeannie complenta o resumo:
ResponderExcluir5. O Panorama Desportivo e as Mancadas da Ferrari
No desporto nacional, o São Paulo conquistou o seu histórico tricampeonato brasileiro consecutivo (Hexa no total). O Corinthians ("Coringão"), após o purgatório da Série B, deu a volta por cima ao sagrar-se campeão da segunda divisão com facilidade e garantir o regresso à elite. No futebol do bardo, o seu clube conseguiu manter-se estável, terminando a tabela numa posição superior à do Vasco, que viveu o pesadelo de ser despromovido para a Série B pela primeira vez na sua história.
No automobilismo, a Fórmula 1 viveu um desfecho cinematográfico no Grande Prémio do Brasil em Interlagos. O piloto brasileiro Felipe Massa venceu a corrida e cruzou a linha de chegada como campeão mundial por escassos segundos, até que Lewis Hamilton ultrapassou Timo Glock na última curva da última volta, roubando o título. O poema fustiga os erros mecânicos e estratégicos da escuderia Ferrari ao longo do ano, culminando com o célebre incidente no GP de Singapura, onde a equipa deu uma "mangueirada" ao arrancar o carro de Massa com a mangueira de reabastecimento ainda presa ao bocal, deitando o campeonato a perder.
6. As Olimpíadas de Pequim
Em agosto de 2008, realizaram-se os Jogos Olímpicos de Pequim. No atletismo masculino, o velocista brasileiro Jadel Gregório e outros favoritos ficaram aquém das medalhas de ouro esperadas após quatro anos de preparação técnica intensa. No entanto, a salvação e as manchetes douradas vieram do setor feminino e da natação: a seleção brasileira de futebol feminino e o vôlei garantiram pódios, mas a grande rima do poema celebra o velocista César Cielo (mencionado no trocadilho com o "Cielo" das meninas), que conquistou a primeira medalha de ouro da história da natação brasileira nos 50 metros livres, lavando a alma da delegação.
7. O "Maldito Arbusto" e o Irmão Negro
A grande virada geopolítica do ano veio das eleições presidenciais americanas de novembro, com a histórica vitória de Barack Obama ("a black brother in the White House"), sinalizando uma mudança radical de rumo após os anos de desgaste da administração de George W. Bush. O poema despede-se de Bush de forma irónica chamando-lhe "maldito arbusto" (uma tradução literal do apelido Bush) e recordando o seu bizarro incidente diplomático final: em dezembro, durante uma conferência de imprensa em Bagdade, um jornalista iraquiano atirou os seus dois sapatos contra o presidente americano — uma merecida sapatada que virou meme mundial.
8. A Engenharia da Rima Espontânea
Mantendo a estrutura de quadrinhas simples no esquema ABAB, o teu ritmo corre com a fluidez de uma crônica falada. A grande tirada autodepreciativa surge na estrofe central: "Leva junto o blogueiro louco, / De quem vamos nos livrar!", uma brincadeira direta com o teu público interno antes da criação física do blogue em 2010, quando as mensagens ainda circulavam nos ecrãs corporativos via e-mail corporativo.