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terça-feira, 9 de março de 2010

AVIUVATAR

Sinto-me viúvo!!!

Um filme que eu não vi foi o campeão da noite oscarenta. Como o resultado me passa um sentimento negativo, usei o sufixo 'enta', por ele estar sempre presente em adjetivos negativos (lazarenta, chechelenta, nojenta, sebenta, pode procurar, se encontrar algum positivo, me avise!). 

Eu, que botava todas as fichas, primeiro em 'Bastardos Inglórios', depois em 'Avatar', tive que engolir um 'Guerra ao Terror'.

Um filme que mal passou por aqui, acho que ficou uma semana em cartaz, no máximo duas. E ele chegou à cerimônia envolto numa aura de falta de ética, pois seu produtor praticamente implorou por voto da Academia, na linha vote-em-mim-pois-sou-pequenininho, numa clara alusão à quantidade obscena de dinheiro gasta para fazer 'Avatar'. Acho que deu certo! Também pode ter pesado a oportunidade de se premiar uma mulher como diretora, nunca antes naquele país. E finalmente, decerto que não gostaram da colocação dos americanos como imperialistas imbecis avatarenta....

Poucos estão interessados na temática Terror/Iraque, fora dos EUA. Isso lembra a era Bush, que muita gente do bem quer esquecer, mas parece que os americanos, não!! Tudo bem que é um filme bem feito, pessoas que eu considero muito viram, gostaram e acharam que eu iria gostar também, mas, sinceramente, tenho um certo preconceito. Eles dizem que você tem que se abstrair do local, pois ter Iraque como pano de fundo da trama foi apenas um detalhe, que poderia ter acontecido em qualquer outro lugar do mundo, mas cá entre nós, pode crer que o fato de ser no Iraque atingiu corações e mentes americanos, aquele povo belicista na alma. Dizem que a mensagem do filme é antibelicista, mas fica sempre a imagem daquela guerra sem sentido que não deve atrair platéias pelo mundo. Ao menos aqui no Brasil, não, assim acharam os distribuidores. Bem, agora deve voltar ao circuito, mas acho que vou esperar pelo DVD.

A cerimônia foi boazinha: depois de um inevitável número musical estilo Broadway (que no ano passado foi levado pela identidade secreta do Wolverine), os apresentadores Alec Baldwin e Steve Martin deram conta do recado, não se atropelaram, o que era um risco, com a responsabilidade dividida. Mostraram boa química, gozações de parte a parte. A introdução da festa com a apresentação de alguns indicados foi hilariante. A alusão à quantidade de judeus ali presente, ao mencionar o tema de 'Bastardos Inglórios' foi o momento máximo, o pessoal riu à beça, mas alguns ficaram sem graça. Eles foram cruéis ao dizer que Mery Streep é recordista .... em derrotas, no que têm absoluta razão, mas se perdeu é porque estava jogando. Mas são todos amigos, aliás, o trio está em 'Simplesmente Complicado', quase um ménage a trois, uma comédia que ainda não vi, mas está na lista. E, pra finalizar o papo sobre a abertura, tenho certeza que a reação de George Clooney, sério, foi combinada com eles, a cara feia foi encomendada.

Baldwin e Martin apareciam também em divertidos sketches ao longo do show. 

Alguns destaques  da cerimônia:
  • ao invés de números musicais com as canções concorrentes, apresentaram um número de street dancers representando as trilhas sonoras concorrentes (ganhou 'UP', merecidíssimo, linda trilha, ainda melhor que 'Sherlock Holmes' também magnífica, mas em outra linha);
  • repetiram a boa idéia de chamar cinco atores (rizes) para apresentar cada um(a) dos(as) cinco atores(rizes) concorrentes, PORÉM, neste ano, escolheram pessoas que tem alguma amizade com o(a) candidato(a), de forma que apareceram depoimentos mais pessoais.
  • Ben Stiller novamente inovou, maquiado de Avatar, para anunciar o Oscar de Maquiagem, ao qual 'Avatar' não concorria. 'Star Trek' levou a estatueta, um pequeno prêmio para um grande filme, para mim, merecedor de estar entre os 10.
Apesar de torcer por 'Avatar', foi divertido olhar o olhar (!) de James Cameron, de aparente apoio à ex-exposa a cada vez que o filme dela roubava um Oscar do filme dele; só por fora, pois por dentro, com certeza estava remoendo de raiva, prepotente que é. E foram seis as ocasiões, seguramente que as duas últimas foram as mais sentidas: melhor diretor e melhor filme. Ele certamente já contava com as duas em sua estante.

'Bastardos' levou só o de ator coadjuvante, o espetacular Cristophe Waltz (ou algo assim), austríaco que até a noite do Oscar já havia arrebatado nada menos que 28 prêmios nos diversos fóruns em que concorreu, ou seja unanimidade absoluta, realmente um desempenho inesquecível.

Pois é, se não queriam premiar 'Avatar' só pra espezinhar o the king of the world, que corrigissem a injustiça com Quentin Tarantino. Um cara inovador, especialista em dirigir atores, que dirigiu poucos filmes (acho que uma meia dúzia de 7 ou 8), mas todos (ou quase todos) excelentes. 'Bastardos' é uma obra prima, comparável a 'Pulp Fiction'. E olha que o orçamento foi baixo, ouvi falar que foi algo em torno de US$ 7.0 milhões. Estranho, pois só Brad Pitt receberia mais que isso, em condições normais. Pensando bem, acho que ele trabalharia até de graça para aprender com o gênio.

Quando haverá o reconhecimento?

Mas ..... será que Tarantino está ligando pra isso?

Eu estou!

Ah, em tempo, assisti a mais um dos 10 candidatos: 'Educação', 'An Education', no original. Muito bom filme inglês (adoro aquele sotaque!), muito bem interpretado (a atriz concorreu à estatueta), um ótimo duplo sentido no título. Em termos de classificação, se é que a minha vale pra alguma coisa, fica à frente de 'Amor Sem Escalas', e atrás de todos os demais.

Abraço

Homero Ainda De Luto Ventura