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quinta-feira, 24 de maio de 2018

A Revolta de Atlas

Num belo dia, eis que um amigo vê no meu Facebook a lista dos últimos livros que eu lera:
Confúcio - O mundo que ele criou
Rita Lee - Uma Autobiografia
The Prize - The Epic Quest for Oil, Money and Power
Jornada nas Estelas - O guia da Saga
Caminho de Santiago
Lava Jato

E num comentário, o jovem amigo pernambucano André, com quem conversei algumas vezes, ainda na ativa, escreveu simplesmente, num comentário, "A Revolta de Altas", mesmo sem eu haver pedido sugestão.

Já ouvira falar do nome do livro, mas nada sobre o conteúdo, mas preferi não buscar, apenas encomendei, confiando cegamente na indicação. E qual não foi a surpresa ao recebê-lo: um tijolo, de 1.215 páginas! Vixe!! Comecei o desafio uns 40 dias atrás, sempre no meu local de leitura, a bicicleta ergométrica... Emagreci uns dois quilos e engordei minha admiração pela escritora Ayn Rand, russa, nascida em 1905, país para onde nunca mais voltou depois de radicar-se aos 20 anos nos Estados Unidos, tendo vivido na pele o começo do stalinismo. Pronto, estava plantada a semente para sua escrita. 'Atlas Shrugged' é seu último romance, lançado em 1957, e é considerado o segundo livro mais influente da história americana, só perdendo para a Bíblia (!!!). Seus 5 romances já venderam 30 milhões de exemplares, sendo 12 desses milhões devidos a Atlas. Depois, passou a publicar tratados (sem o mesmo sucesso) sobre a teoria que defende, o objetivismo, em absoluto contraponto ao coletivismo, defendido pelo socialismo, do qual foi opositora ferrenha.

Num mundo em que o planeta é salpicado por Repúblicas Populares, os Estados Unidos ainda tentam se agarrar aos ditames da produção, da capacidade, da realização, da mente criativa, mas sinais do governo já implantado rumam para a defesa da necessidade sobre a capacidade, da usurpação da propriedade, em nome dos mais necessitados, do compartilhamento do lucro com os menos favorecidos de mente criativa, do humanismo exacerbado. 

Num belo momento, uma a uma daquelas mentes produtivas começam a sumir da convivência das pessoas, sem deixar vestígios para onde foram, não sem antes destruir o que podiam de suas propriedades, para deixar o mínimo possíveis aos sabotadores. Segundo estes, o dinheiro é a origem de todo o mal ... claro que se concentrado na mão de uns poucos privilegiados. O livro vai caminhando para descobrir-se para onde foram, e para onde foi o país nas mãos dos usurpadores...

Ayn Rand faz questão de destinar as melhores compleições e atributos físicos aos heróis do bem, o dono da siderúrgica inovadora, a vice-presidente da ferrovia moderna, o magnata do cobre mundial, o pirata que sabota as iniciativas dos governos 'populares', o inventor que ... (ih, não posso sobre ele se não é spoiler), e até mesmo o professor de alguns deles que ainda se mantém fiel ao progresso comandado por mentes inventivas, todos altos, fortes, loiros e belos, deixando aos sabotadores e aos agentes do governo os quilos a mais, os cabelos a menos, as barbas por fazer e as bocas murchas. Feio, né, mas passa a mensagem, fazer o quê?

Ela adora longos discursos. Um que me impressionou no começo foi o do dono do Cobre, na página 428, que rebate em uma festa aquele argumento sobre o o malefício do dinheiro de lição sobre o que é a produção, o valor dos homens que produzem, de que tudo o que se tem é porque aqueles homens foram empreendedores e produziram para o benefício de todos, desde que justamente remunerados, de exaltação àquele país, aonde se cunhou a expressão 'fazer dinheiro' ao invés de 'ganhar dinheiro' comumente utilizada alhures, que eu achei genial. Li em português, mas logo lembrei do 'make money' que é muito ouvido em filmes, mas a cujo significado nunca me ativera. O contraponto ao 'ganhar' dinheiro é absolutamente apropriado pois o 'ganhar' tem um conotação de prêmio sem mérito e o 'fazer' é porque fez por merecê-lo. Super legal! Bem, esta resposta durou apenas 5 páginas, e eu digo 'apenas' porque lá pro final (página 1.051, exatamente) vem um discurso de 64 páginas, que eu não vou falar de quem é, porque é spoiler. Assim que acabei de lê-lo, após dois dias, fui procurar e achei, na internet, a transcrição vocal, num áudio de três horas, fôlego digno de Fidel Castro!!!

O ritmo da escrita é contagiante, as cenas são visuais (você enxerga o que acontece!) as conquistas são emocionantes, as sabotagens são revoltantes, os diálogos são bem montados, em especial aqueles entre os de lá e os de cá, pontuados por respostas lacônicas e diretas destes contra argumentos e insinuações vis daqueles.

Ela é um pouco exagerada em seu retrato do socialismo? É, admito, mas não dá para não identificar as semelhanças com o que vemos no mundo de hoje, o desprezo à produção, o sindicalismo nefasto, o combate às mentes produtivas, a truculência com a oposição, decerto que notei no livro muito do que ocorre na Venezuela, por exemplo. E muito mais...

Isto tudo posto, trata-se, portanto, de um dos melhores livros que li.

Obrigado, André!!!

2 comentários:

  1. Obrigado pelas palavras, Homero!

    Fico muito feliz quando convenço alguém a ler “A Revolta de Atlas.

    Você é apenas a terceira pessoa a seguir minha recomendação.

    Deixo como desafio que você consiga pelo menos mais um leitor para essa magnífica obra.

    E se você ficar com saudade de Ayn Rand, existe outro livro dela que é muito cultuado: A Nascente (The Fontainhead), que também tem umas mil páginas e virou até filme de Hollywood, estrelado por Gary Cooper.

    Abs

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  2. Vou na tua sugestão. Acabei de comprar.

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