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domingo, 26 de março de 2017

Game of Thrones - A Feast for Crows

Nossa, gente, parece que os roteiristas da série Game of Thrones ‘pularam’ o quarto livro da saga ‘A Feast for Crows’.

Claro que a linha mestra está lá, mas é tanta coisa diferente que acontece... impressionante!!

Bem, o livro em questão é o primeiro em que há capítulos nomeados sem o nome de personagens importantes. Então, aparecem coisas como ‘The Prophet’, ‘The Kraken’s Daughter’, ‘The Capitain of the Guards’, ‘The Reaver’, ‘Cat of the Canals’ e assim por diante. Sim, continuam Arya, Samwell, Jamie, e entram Cersei e Brienne. E também, Sansa, só que a partir de um certo momento, ela vira Alayne, filha bastarda da Lord Petyr, e não sobrinha, como na série.

Bem, no livro, depois de ajudar a eleger Jon Snow como Lord Commander, de um jeito bem diferente que na série, Sam parte de Castle Black com Gilly, e seu filho, e com Maester Aemon, e com mais um brother, o menestrel Daeron, com a missão de se tornar um Maester na Citadel e retornar para assumir o cargo na Wall. Uma coisa que só acontece no livro: quando Mance Ryder é capturado, sua mulher morre, mas tem o filho, que é amamentado por Gilly. E na, verdade, o bebê que sai de Castle Black é ele e não o filho de Craster, por ordem de Jon, que queria proteger o herdeiro do King Beyond The Wall. No livro, nada de Gilly dar o nome de Sam ao rebento, em homenagem ao seu salvador. No caminho, Sam e sua trupe param em Braavos, ficam sem dinheiro até o próximo navio, e Sam vai buscar o tal Daeron que se encarregara de trazer comida. No caminho, ele é abordado por transeuntes e é salvo por Arya, já em seu ‘estágio’ nas ruas, como Cat, com sua adaga. Esse encontro jamais acontece na série. E Jon, também não aparece como nome de capítulo, mas dele sabemos por intermédio de Samwell. O Maester Aemon morre no navio, depois de saber sobre Daenerys e seus dragões lá do outro lado do mundo.

Brienne entra em cena, com sua caminhada rumo ao Norte para encontrar Sansa, mas começa a jornada sozinha, sem Podrick Paine, que só aparece dois capítulos depois, e é apenas um menino, não um adolescente vigoroso (o episódio dele encantando as prostitutas com sua virilidade é invenção da série..). Aquela indecisão dele, se chama ela de Milady, ou de Ser, é muito mais divertida. No caminho, ela se encontra algumas vezes com Randyll Tarly, o pai de Sam, que é um comandante em busca de facínoras, e aparece ‘doing justice’ (Este ladrão? Cortem-lhe os dedos, Esse estuprador? Suas partes, Aquele assassino: Enforquem ... e por aí vai...). Vários personagens entram e saem pelo caminho, alguns morrendo, outros acompanhando a jornada, meio monótono.... E o encontro com Hot Pie, em que ele fala de Arya, não acontece no livro. E o encontro com Sansa e Littlefinger, também não acontece. E pasmem, a luta entre ela e o Hound é coisa só da série. Aliás, até o livro terminar, o Hound é considerado morto, e não sobrevive, como na série. Aliás, nem se sabe se a própria Brienne sobrevive, pois ela é capturada pela turma de Beric Dondarion e julgada por uma certa Lady (que eu não vou contar aqui quem é, e que apareceu no final do Livro 3), e condenada e tem a cabeça na forca e aí, o livro acaba....

Cersei, agora como personagem, tem seus pensamentos diabólicos mais explicitamente detalhados, claro. Suas manobras para tirar poder dos Tyrrel, suas richas com Margerie, suas negociações para o novo Hand para Tommen, descartando o tio Kevan, sua amizade com uma certa Lady Marryweather nunca aparecem na série. O novo Septon aparece, com sua legião de asseclas, e começa a fazer das suas. Cersei trama a prisão de Margery, acusando-a de trair Tommen, consegue fazer com que um dos King’s Guards, Osney Kettleback, confesse o que não fez só que, ao confessar, ele é preso e torturado e confessa que foi armação de Cersei, que então é presa, e já começa aquele calvário que a gente vê na série. Esse episódio é totalmente diferente da série, em que ela é presa por causa da relação incestuosa com Jamie. E o Lord of Flowers não é preso pelos crimes homossexuais dele, como diz a série, mas está lá entre a vida e a morte, após conquistar Dragonstone.

Jamie não é treinado por Bronn, demora a ganhar a mão dourada, se recusa a usá-la. Não é Jamie (muito menos Bronn) quem vai buscar Myrcella em Dorne, mas Balon Swan, um dos King’s Guards. Aliás, vários capítulos são dedicados a Dorne, aparece um caso tórrido desse cavaleiro com Aryanne, uma filha do Príncipe Doran, que prende as filhas bastardas do Red Viper Oberyn, que querem vingar sua morte pelo Montanha, matando Myrcella. Aryanne convence Balon que Myrcella deveria ser a rainha, e não Tommen, e traçam um plano furado, raptam a ‘would be’ Queen (o capítulo se chama ‘The Queen Maker’), mas são descobertos e Balon perde a cabeça, literalmente.

Aqui no livro, outra história é contada com muito mais detalhes (e muitas diferenças) que na série. O reino das Iron Islands começa com a morte anunciada do rei Balon Greyjoy, apenas anunciada, e não narrada, e não ficamos sabendo que foi seu irmão Euron, retornado de três anos de esbórnia e matanças, que o matou, empurrando-o de uma das pontes. Capítulos são dedicados a seus outros irmãos, o pastor Aeron Damphair e seus rituais de afogamento -  what is dead can never die – e a Victarion Greyjoy, comandante da frota, e a Asha (a Iara da série, irmã de Theon) buscando apoio para o ‘kingsmoot’, um ritual de escolha do novo Rei, uma vez que, na ausência de Theon, presumed dead, ela deveria ser a rainha, mas é mulher, então todo o reino das Iron Islands é convocado para proclamar o novo Rei, dentre os que se apresentarem e mostrarem que são merecedores. Vários capítulos são dedicados a isso. Gente, e aquela tortura toda do Ramsey Snow no Theon Greyjoy ainda não deu as caras no Livro 4. Nada se sabe do pobre capado.

Ah, eu falei de Tyrion, ou Daenerys??? Não?? É porque eles simplesmente não aparecem no livro 4!! Pode?? O Livro 3 havia terminado com Daenerys conquistando Mereen e com Tyrion fugindo de King’s Landing após matar Tywin, e assim ficamos sem notícias deles ao longo de todo o Livro 4. Portanto, aqui, nada de dragões, a não ser em conversas sobre a sua existência lá do outro lado dos 7 reinos. O autor até brinca com isso, em mensagem no final, perguntando se os leitores sentiram falta dos personagens... Claro que sim!!

O que aconteceu é que o livro 4 que George Martin escreveu ficou grande demais... tipo 2000 páginas. Então ele decidiu dividir em dois, só que, só pra atazanar, ele decidiu concentrar no livro 4 real, aquilo que se passava a partir de King’s Landing. Então, o caminho de Tyrion para se encontrar com Daenerys e tudo sobre a Mãe dos Dragões, ele deixou para o livro 5. Sacanagem!

Imagino a angústia de quem estava só na leitura....


Como vêem na foto, acabou minha caxinha, que agora não comporta os 4 livros originais e suas 4.000 páginas inchadas. Aguardo chegar o quinto, A Dance With Flowers

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