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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Engenheiro metido a besta


Semana que vem 11/12, será o Dia do Engenheiro.
Três anos atrás um amigo reclamou que eu não celebrei,
um blogueiro engenheiro teria que registrar....
Falha nossa!!!
Pensei rapidamente no assunto
e lembrei que um belo motivo para eu ter inconscientemente esquecido da data
pode ser minha sina de exemplo de desvio de função visceral.
Escrevi sobre isso, e agora atualizo!
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Sou um engenheiro civil que nunca projetou ou construiu nenhuma casa, prédio, ponte, estrada ou barragem, afinal, 4 dias depois de me formar, soube que iria me tornar Engenheiro de Petróleo. Cronologia? Formei-me em 31/12/1980 e recebi, no dia 4/1/1981 o telegrama dizendo que havia passado no concurso da Petrobras, e que seria admitido (caso passasse nos testes psicológicos) para o curso de Engenharia de Petróleo. Daí, varreu-se-me da memória qualquer vestígio de vigas, pilares e lajes durante aquele mês, e entrei na Petrobras em 5/2/1981, aonde estou até hoje... nunca fiz uma entrevista de emprego, nunca mandei um currículo...

Era um mundo totalmente diferente ...
Éramos 200 engenheiros na ensolarada Salvador, que embarcariam num novo mundo, uma nova língua, um verdadeiro dialeto, e acabou-se logo no primeiro dia uma idéia que o povo ainda tem: que o petróleo então dormia em lagos no fundo da terra. Essa nova engenharia era inversa da que eu havia aprendido, ela construía para baixo, e era uma obra de um, dois, sete, dez quilômetros lá para o fundo, para trazer o óleo à luz do sol.

Foi um ano de especialização e então haveria a distribuição pelo país. Fiquei no quintil (existe isso?) melhor e consegui vir para o Rio, fui cedido à Braspetro, subsidiária que cuidava dos negócios internacionais, que era a opção mais próxima que podia da minha querida Santos.

Mas o desvio não parou por aí.... afinal, 6 anos depois de formado em Engenharia de Petróleo, virei Analista Econômico de Contratos de Exploração e Produção, foi onde realmente me encontrei profissionalmente, e virei fera em contratos de todos os tipos, Concessão, Associação, Partilha de Produção, Serviços, de países dos 4 cantos do mundo....

A coisa foi ainda mais adiante quando 10 anos depois virei Gerente Financeiro de nosso escritório nos Estados Unidos, e esse foi outro mundo novo, aprendi contabilidade e finanças na marra, em outro idioma, e pra complicar um pouco, os negócios eram não apenas de E&P ("aquela diretoria que fura poço e acha óleo", lembram-se de Severino Cavalcanti?), mas tinha que controlar as atividades de Trading e Procurement. Foi tenso!!!

Na volta, cheguei a ser responsável pela Comunicação Internacional, mas logo voltei ao Portfolio  e segui minha estrada por aí, fiz estratégia internacional, e hoje estou num projeto especial (entendam como quiserem).
Claro que, em todos esses movimentos, sempre me vali do raciocínio lógico que desenvolvi na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, e tudo o que consegui começou lá, não posso renegar. Os ventos da vida é me levaram a outros portos.
 
Isso tudo sem contar que sou mesmo é um
engenheiro metido a besta
que acha que sabe escrever
e fica incomodando os amigos com suas abobrinhas...

Um abraço

Homero Para Sempre Desviado Ventura

 

3 comentários:

  1. Homerix, nada de "metido à besta"... Sabes que também sou engenheiro (de 1982) e também contador, e, modéstia à parte, escrevemos um tantinho melhor do que muitos "letristas" por aí...Feliz ou infelizmente...E tenho muito a agradecer a você e à nossa saudosa amiga Leilane (Enga, química e "letrista") por muitas dicas IMPORTANTES do tipo "mim fazer", "meia-chateada" e vai por aí afora...Abçs, Anonymous AC

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  2. É muito interessante e estimulante ver o histórico profissional dos colegas de trabalho com tanta diversidade de atividades. Considero que a mudança é essencial para o desenvolvimento profissional e observo que ela tem ocorrido cada vez mais cedo atualmente. Na minha turma são pouquíssimos casos de pessoas que continuam na mesma atividade desde o início (há quase 9 anos). Acho que não há um tempo mínimo ou máximo, cabe a nós saber o tempo certo.
    Juliana

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  3. Homerix,

    A recíproca do título da sua postagem é mesmo um gerador de grandes problemas, i.e., as bestas metidas a engenheiro, entre outras profissões. O seu CV é exemplar e inspirador, quer pela a origem que certifica o profissional oriundo da Poli-USP, quer pela competência e pela versatilidade. Parabéns.

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