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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Mais um ano sem Lennon...


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O dia 8 de Dezembro é uma data notória!

         Ela se encaixa, para muitos, num pequeno grupo das datas mais conhecidas pelo Mundo Ocidental, como:

      25 de Outubro de 1917      
               Revolução Bolchevique,
        6 de Junho de 1944      
      Desembarque na Normandia,
      22 de Novembro de 1963      
               Assassinato de John Kennedy,
      11 de Setembro de 2001      
               Atentado terrorista
      5 de Novembro de 2008      
               Um presidente negro é eleito nos EUA
      8 de Dezembro de ......


      O ano, 1980;
       O fato, um assassinato;
        O país, Estados Unidos;
         A cidade, New York;
          O endereço, Rua 72, Nº 1;
           O local, entrada do edifício The Dakota;
            A noite, pouco enluarada;
             O dia, uma segunda-feira;
            A hora, 22:50;
           O modo, tiros de revólver;
          A bala, Dum-Dum, que explode ao atingir o alvo;
         O ferimento, 4 perfurações nas costas;
        O assassino, Mark David Chapman;
       A vítima, John Winston Ono Lennon;
      O motivo, desconhecido.

         Pois é, nesse dia, Sean e Julian perderam o pai, Yoko Ono perdeu o marido, Paul McCartney perdeu seu grande parceiro e amigo, o mundo das artes perdeu um gênio, os defensores da paz perderam seu ativista mais famoso! E, em última instância, porque não dizer, o mundo da música perdeu a esperança de ter os Beatles de volta, da maneira mais trágica e definitiva possível!
         Naquele dia, uma lágrima rolou em muitos milhões de rostos por todo o mundo, tristes pela perda, chocados pela surpresa, indignados pela violência. O fato provocou enorme demonstração de consternação, uma das maiores da história,  quando, em muitos pontos do planeta, tudo parou por 10 minutos, numa vigília realizada 4 dias depois, em homenagem ao astro desaparecido.
         Terminava então, tragicamente, a passagem de John Lennon pela Terra. Uma vida de sucesso entremeada por momentos traumáticos.

Uma Noite Iluminada
         John veio ao mundo numa noite iluminada, em 9 de Outubro de 1940! Não era uma brilhante lua cheia que iluminava a noite, mas, sim, a luz das explosões provocadas pelo intenso bombardeio alemão que atingia a cidade de Liverpool no momento de seu nascimento. Liverpool era, então, o mais importante porto da Inglaterra, porta de entrada das mercadorias provenientes da América, um dos alvos ingleses preferidos da Luftwaffe durante a 2ª Guerra Mundial.

Os Pais Ausentes
         O pai de John, Alfred, garçom de navios, abandonou a família logo depois da nascimento deste último e partiu, pelo mundo, num navio mercante. A mãe, Julia, não perdeu tempo e logo se casou novamente. O padastro, no entanto, não queria saber do filho do outro. John cresceu, então, na casa de Tia Mimi, irmã de Julia. Apesar do ambiente familiar de classe média, propiciado pelos tios, John cresceu revoltado com o abandono dos pais. Seu comportamento rebelde causava, freqüentemente, enormes constrangimentos à tia Mimi.  Ele conseguiu ser expulso do jardim de infância, aos cinco anos de idade, dentre outros eventos!
         Mas, John gostava muito de sua tia Mimi! Assim que ele ganhou dinheiro suficiente com os Beatles, deu a ela, de presente, uma bela casa de praia, toda mobiliada, em que se destacava um quadro com uma guitarra pintada a óleo e uma inscrição em letras douradas que repetia as "sábias e proféticas" palavras dela, proferidas alguns anos antes:
-       Tudo bem quanto a tocar guitarra, John, mas não pense que vai ganhar a vida com isso!

A Mãe Presente e Perdida

Júlia e John
         Aos 15 anos, John voltou a conviver com Julia, e tinha nela, não só uma mãe, mas uma amiga, com seu espírito jovial. Amante do Rock and Roll, que começava a despontar nos USA, ela ensinou a John os primeiros acordes musicais em um banjo. Extrovertida, andava com John para todos os lados e os amigos dele a adoravam. Brincalhona, costumava andar com óculos sem as lentes, parava um transeunte e pedia-lhe uma informação qualquer. Enquanto a escutava,  Julia coçava os olhos através dos aros só para ver a reação do coitado!
         Tudo ia muito bem, até que o destino deu um duro golpe no rapaz: em Julho de 1958, quando atravessava a rua da casa de sua irmã para pegar um ônibus, Julia foi atropelada por um policial bêbado, de folga, sendo lançada a 10 metros de distância, e morrendo instantaneamente, aos 44 anos de idade.

Stuart Sutcliffe
A Perda do Melhor Amigo
         No Liverpool Art College, onde estudava, John, por seu temperamento arredio, tinha poucos amigos. O maior deles, um elogiado aluno de pintura, Stuart Sutclife, era o companheiro de todas as horas, dos bons e maus momentos, das brigas e das farras com as garotas. Por insistência de John, que o convencera a comprar uma guitarra-baixo, Stuart acabou fazendo parte dos Beatles, bem antes da fama.
         Mas, o negócio dele era a pintura! Em Hamburgo, na Alemanha, onde os Beatles permaneciam longos períodos, eles conheceram Astrid Kirchherr, uma fotógrafa intelectual que logo se apaixonou por Stuart. Astrid foi responsável pelas primeiras e históricas fotos dos Beatles. Numa dessas viagens, Stuart optou por desenvolver seu elogiado trabalho na pintura e acabou ficando por lá, vivendo com a namorada Astrid. Algum tempo depois, no entanto, morreu, com 21 anos de idade, vítima de um aneurisma no cérebro, lesão provavelmente iniciada em uma das muitas brigas em que se metia juntamente com John. Este último carregou, desde então, uma ponta de culpa pela morte do melhor amigo, pois tais brigas eram invariavelmente causadas por ele e sua língua ferina.

O Inferno das Drogas
         Após três anos de fama mundial, os Beatles, influenciados pelo ambiente em que viviam, se tornaram vítimas naturais das viagens prometidas pelas drogas alucinógenas, ajudados até mesmo pela ingenuidade de sua juventude, que não estava muito bem informada sobre a magnitude de seu efeito nocivo. Começaram pela maconha e logo chegaram ao LSD, o ácido lisérgico.
         John era sempre o pioneiro nos experimentos e não há dúvidas que muitas de suas melhores músicas foram produzidas nessa época, durante 'viagens' alucinantes, apesar de ele sempre negar. Uma das negativas mais famosas foi quanto à famosa Lucy in the Sky with the Diamonds, acusada de ser uma ode às drogas, por causa das iniciais L, S e D. John negava, veementemente, a influência, alegando que a inspiração viera de um desenho de Julian, seu primeiro filho, então com quatro anos, que mostrava sua amiga Lucy voando em meio a diamantes. Muito difícil acreditar nele, entretanto, após observar a letra da música, povoada por citações como  ....cellophane flowers of yellow and green... , ...newspaper taxis appear on the shore... , ...with your head in the clouds..., ...the girl in caleidoscope eyes... e tantas outras!
Desenho de Julian
         John foi mais fundo e chegou à beira do abismo! Uma vez, em meados de 1966, chegou efetivamente perto! Paul McCartney e George Martin estranharam a ausência prolongada de John em uma sessão de gravações nos estúdios da EMI em Abbey Road, traçaram seu caminho e encontraram-no no telhado do edifício, pronto para realizar de verdade o sonho de voar que sua mente, então afetada, lhe sugeria em imagens alucinantes.

         John só se libertou das drogas após um intensivo tratamento a que se submeteu em 1971 juntamente com Yoko, em Los Angeles, num momento em que até heroína havia entrado em seu cardápio alucinógeno.

A Vigilância da CIA e do FBI
         Profundo admirador de New York e do american way of life (e para fugir do Taxman britânico), John decidiu fixar residência nos Estados Unidos em finais de 1971. Mas não seria nada fácil! Visto pelas autoridades de segurança americanas como um verdadeiro animal político, John teve todas as dificuldades possíveis para obter permissão para viver em solo americano. A CIA, principalmente e o FBI mantinham vigilância constante em todos os seus passos. Ele fazia parte de um seleto grupo de 7.200 indivíduos considerados muito perigosos pela CIA. Seu telefone era grampeado, seus passeios, tanto a pé quanto de carro, eram seguidos de perto por agentes nada discretos. A pressão era tamanha que chegou a comentar com amigos:
         "Caso algo aconteça a mim ou a Yoko, saibam que não foi acidente! (.....)"
         Seu Greencard (e de Yoko) só foi concedido no início de 1975, após longo processo, quando ele já havia diminuído a zero seu nível de atividade política.

Momentos de Paz / Prelúdio para a Morte
John e Sean
         Em 9 de Outubro de 1975, nasceu Sean, seu primeiro filho com Yoko, após 3 abortos não programados. John anunciou, então, que iria retirar-se, completamente, da vida artística por um período indeterminado, um pouco por pressão de Yoko e muito por remorso: John se culpava por não ter acompanhado de forma adequada o crescimento de seu primeiro filho Julian, então com 12 anos, devido à loucura da Beatlemania. Decidiu então que, desta vez, seria diferente!
         Durante quase cinco anos ficou em casa, trocando fraldas, preparando mamadeiras e dedicando-se totalmente a Sean enquanto Yoko cuidava (e bem!) da administração de seu patrimônio. Só pegava no violão para cantar para seu filho e ensinar-lhe, ainda que prematuramente, os primeiros acordes.
         Em meados de 1980, decidiu que era hora de voltar! Numa viagem para as Bahamas, produziu, em poucos dias, material musical suficiente para encher dois álbuns completos. Numa primeira seleção, montou aquele que seria seu último álbum, enquanto vivo, Double Fantasy, cujo carro chefe era a faixa (Just Like) Starting Over, que, já no título, anunciava o seu começar de novo.
         Seu retorno foi festejado pela imprensa, que, seguidamente, o chamava para entrevistas. Numa delas, realizada naquela mesma segunda-feira, 8 de Dezembro de 1980, aos 40 anos de idade, um Lennon de bem com a vida desfilou seu clássico humor e, entre devaneios sobre vida e morte, declarou:
         "Eu e Yoko já temos tudo planejado para chegarmos até os 80 anos!"

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Encontro de John com Chapman
         Tudo poderia ter saído conforme seus planos se, na volta dessa entrevista, um certo jovem de Atlanta, de nome Mark David Chapman, não o estivesse esperando em frente ao The Dakota para, após cumprimentá-lo e deixá-lo seguir, apontar uma arma para suas costas e chamar:

                                            "Mr. Lennon!"
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9 comentários:

  1. Muito bem escrito, para variar, o seu texto. Vou investigar aquela história da marijuana (mother Mary) que eu te contei umm dia. Hstória contada por meu professor de ingês nascido em Liverpool e fanático pelos Beatles.

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  2. Homero,

    So hoje vi sua nota. Muito boa, como sempre.

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  3. Bem lembrado, meu amigo, embora triste triste. Acho que este vou assinar Carol Missing Lennon Pacheco, já que, como você, I miss him too much.

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  4. Homer,

    Embora eu não tenha vivido os anos "Beatles", é uma tristeza tudo ter acontecido de forma tão brutal.
    Lindo texto.

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  5. Homerix,

    Excelente texto, excelente histórico e um triste fim. Em que pesem os tropeços das drogas, eu prefiro celebrar a vida e a obra de John Lennon.

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  6. Homero, sempre um excelente texto, além de nos informar com assuntos interessantes, nos agrega coisas boas para que possamos contar para mais pessoas. Obrigado. Muito bom.

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  7. Homero.... Ótima e oportuna sua homenagem à John Lenon. Para mim sua história e deveria ser propalada para todas as pessoas que não tiveram a oportunidade de viver os momentos de alegria com as músicas do Eterno Grupo....

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