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segunda-feira, 19 de abril de 2010

É Fantástico! (Ou seria com S?)

Sou um cara tradicional, que vê todos os futebóis possíveis do domingo e depois aguenta o Fantástico. O principal é esperar a a hora dos gols, num quadro fantasticamente elaborado por Tadeu Schmidt, e uma ou outra reportagem jornalística, que é a razão da criação do programa, 45 anos atrás. O verbo 'aguentar' é porque sempre aparece um quadro irritante ou dispensável.

Ontem, valeu a pena, houve pinturas de todos os matizes.
  1. Tadeu Schmidt é um show, pois não se limita a mostrar os gols, mas dá uma panorâmica dos jogos principais. O Santástico (aqui, o 'S' lá do Assunto), por exemplo, teria sido prejudicado se fossem apenas mostrados os três gols, pois o primeiro foi com a mão, apesar de Neymar ter sido empurrado na pequena área, pênalti evidente (os deuses do futebol escrevendo certo por linhas tortas), e o segundo foi um pênalti cavado pelo mesmo Neymar (ah, como eu gosto quando ele faz paradinha sobre o Rogério Ceni, que reclama, mas ele mesmo é mestre nisso, bem ressaltou o próprio Tadeu Schmidt da outra vez, no primeiro turno). Não, ele vai a fundo, e comenta que o SeleSantos jogou sempre na frente, apesar de até poder perder, mostrou um passe mágico de Neymar para Robinho no primeiro tempo, e uma jogada do Robinho no segundo, digna de almanaque. (veja aqui os melhores momentos desse jogão). Além é claro, da caricatura do Dunga, hilariante. Ainda no futebol, parabéns ao Botafogo campeão, que causou, segundo os tordedores, mais um dilúvio na cidade, com o chororô dos flamenguistas. Como é que esse time me perde para o Santa Cruz, lá da quinta divisão nacional, e desperdiça uma chance de entrentar o Santos, lá na frente na Copa do Brasil? Parabéns ao Internacional, que virou espetacularmente sobre os machos de Pelotas; parabéns ao Coritiba campeão, embora não quisesse que aquela torcida violenta tivesse alguma alegria este ano; e meus pêsames ao Cruzeiro que desligou ontem, no Mineirão, foi dominado pelo Ipatinga, que merecia até mesmo uma goleada, pelo que o próprio Tadeu Schmidt mostrou. Ao menos, o Atlético escapou de tomar de seis na final;
  2. Teve uma boa reportagem sobre o vulcão com nome impronunciável, Eyjafjallajokull, tanto que eles até fizeram uma brincadeira sobre isso. Acho que se aparecesse um vulcão por aqui, eu o batizaria de Mané, e se pudesse escolher, o colocaria nos arredores de Brasília. Muito legal a história do boeing que entrou numa dessas nuvens de zinzas anos atrás, e teve que planar por 15 minutos com as turbinas entupidas, que foi, aliás, o fato que originou o temor e o conseqüente fechamento geral do tráfego aéreo. E lembrei-me que a Islândia é o ponto mais próximo do centro da Terra, já que foi por lá que Dr. Otto Lidenbrock, seu valente sobrinho Axel e o guia Hans embarcaram nesse sonho, segundo o maravilhoso Júlio Verne, genial a ponto de saber que lá  lá está o único ponto onde a cordilheira meso-atlântica aflora, como me disse um amigo geólogo.
  3. Agora, o ponto fraco: apesar de apresentado pelo ótimo Max Gehringer, não tenho o menor interesse em ficar ouvindo problemas de gente comum sendo discutidos e mediados por um conciliador ( nomedo quadro), mesmo concordando ser uma boa idéia a justiça oferecer esse serviço. Antes, houve aquela família controlando as contas e os problemas de condomínio. Tenho mais o que fazer!
  4. Finalmente, a reportagem principal, chocante, absurda, difícil de acreditar: as 'parcerias' entre gente que se chama médicos e outra gente que se chama farmacêuticos, que dão comissões àqueles sobre o valor de receitas de manipulação aos primeiros encaminhadas. Na verdade, não são parceiros, são comparsas. Que coisa ridícula!  Que cinismo das pessoas falando assim abertamente do esquema, de como burlar o Fisco, de como ministrar dois remédios proibidos, mudando o nome dos pacientes. Como podem enganar assima os pacientes. Agora vejo que a idéia da Renata em seu Calendário das Virtudes se estende facilmente a outras camadas da população. Quando ela diz que é hora de os filhos ensinarem os pais, pensava aplicar-se às camadas menos favorecidas da população, que não têm educação dentro de casa, casais desestruturados, situações de bebida, mas não. Aquela gente mostrada na reportagem é o que se chama de 'gente de bem', estudaram em escolas, formaram-se médicos e farmacêuticos, e fazem aquilo sem o menor pudor! Que serviço prestou o Fantástico nessa denúncia.Nem sei como consegui dormir depois. 
Talvez por isso tenha dormido pouco e acordado para escrever (claro que fui ajudado por uma coliquinha básica).

Abraço

Homero Revoltado Ventura