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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A Vida Até Parece Uma Festa

É o verso inicial da música 'Diversão', um dos grandes (e muitos) sucessos da carreira dos Titãs.
É também o nome do documentário sobre a carreira deles, 26 anos de rock'n roll, que rola em grande circuito, dirigido por Branco Mello.


De 0 a 10, Nota 11 !!!!               

Impagável rever aqueles oito seres magrelos com caras esquisitas, vestidos com roupas coloridas, cantando 'Sonífera Ilha', dançando e macaqueando pelos palcos de Chacrinha, Hebe, Sílvio Santos, Bolinha (alguém se lembra?), Gugu (aaaaargh), Faustão (ainda na época do Perdidos na Noite), e os mais variados palcos de show. Ver o Arnaldo Antunes cantando 'Televisão', através de um aparelho de televisão vazio, foi arrebatador.
Felizmente, eles filmaram muita coisa do começo da carreira, as brincadeiras, situações hilárias, eles tinham a visão de que as cenas seriam aproveitadas no futuro. Há até cenas de antes da carreira, antes de se tornarem a maior banda de rock do país.
O conjunto da obra ficou ótimo, a edição perfeita: uma mesma música mostrada em vários shows, diferentes ângulos, mixadas com cenas de clips estupendos. Felizmente o clip  de 'Cabeça Dinossauro' está inteirinho!!!
E o som? É alto  ... muuuito alllto ... como tem que ser assistido um filme desses.
Pra quem gosta de rock, é um must see .
Pra quem não gosta, mas quer conhecer, deixo um diálogo eletrônico que travei com um amigo, no ano passado. (Anexo: Mistério Titânico.doc)
Abraço

Homero Titânico Ventura

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Cantando no Terraço

No dia 30 de janeiro de 1969, os Beatles se reuniram para aquela que seria a última apresentação ao vivo da banda mais famosa de todos os tempos. E, como tudo que é beatle, tinha que ser diferente: ela aconteceu no terraço de um edifício, em meio a caixas d'água, torres de calefação, casa de máquinas de elevador, enfim, um local ‘bem’ apropriado! Lá se vão 40 anos!!
Tecnicamente, a apresentação não foi considerada como um concerto, pois havia umas poucas dezenas de técnicos e uns poucos parentes vendo E ouvindo a banda. Já o número de apenas ouvintes foi bem maior, mas nunca foi calculado. Então, o último concerto ainda continua sendo o show de San Francisco, em agosto de 1966, quando eles deram um basta à bagunça, e decidiram dedicar-se apenas aos estúdios, o que, aliás, acabou por propiciar ao mundo, como resultado de seu primeiro confinamento, aquele que seria o disco mais famoso da história do rock, 'Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band....'.
Depois, vieram 'Magical Mistery Tour', com direito a filme doidão e tudo, a viagem à Índia, o fantástico 'Album Branco', e depois acharam que era hora de tentar uma coisa mais pueril, menos produzida, e resolveram tentar voltar um pouco às origens. Permitiriam poucos recurso de estúdio, exigiriam o mínimo de mixagem invevitável, pretendendo deixar a coisa o mais parecida possível com uma apresentação ao vivo. Queriam tanto essa simplicidade que dispensaram a ajuda do genial George Martin, que os acompanhara desde o início da carreira oficial, dando vazão aos anseios do grupo. Ele materializava as ideias meio doidas que eles tinham em realidade, certo de que lidava com gênios que precisavam ter seus desejos atendidos, por mais estranhos que parecessem, afinal, tudo (ou quase tudo) que tocavam, transformava-se em ouro. Deram ao projeto o nome 'Get Back', claro recado de que estavam fazendo uma viagem no tempo, uma busca às suas raízes.
E foi assim que se trancafiaram nos estúdios a Apple, no porão da Saville Row número 3, durante o inverno, para ensaiar muitas novas Lennon/McCartney, poucas novas Harrison e nenhuma nova Starkey (para variar). Chamaram para algumas das sessões um novo instrumentista, um certo Billy Preston, amigo de George. Como iam tocar com poucos recursos de estúdio, por opção, não poderiam dispensar a presença de um teclado, coisa então comum em apresentações ao vivo. Billy provou então, do gosto em tocar junto a ícones de sua geração, o que o deixou sorridente e agradecido para o resto de sua vida, que terminou em 2006. Depois daquilo, ao longo de sua carreira, ele tocou com muitos dos maiores artistas do ‘showbiz’, incluindo Rolling Stones, Little Richard, Elton John, Eric Clapton, Bob Dylan, Aretha Franklin e outros. Esteve presente no antológico 'Concert For George', registrado em um dos melhores DVDs de todos os tempos, em que cantou 'My Sweet Lord', de Harrison, entre outras. Billy Preston foi o único não-beatle a receber direitos por participação em músicas beatle; os demais músicos que aparecem em canções beatle eram pagos como músicos contratados.
Billy testemunhou, então, o que pode ser considerado 'O Começo Do Fim' dos Beatles. Alguns dizem que tudo começou bem antes, em 1967, com a morte por overdose de tranquilizantes, do empresário deles Brian Epstein, que mantinha a coesão do grupo. Com sua partida, Paul assumiu, de fato, mas não de direito, a condição de líder, já que tinha um pouco mais de tino comercial que John, mas nada tão brilhante assim. O fato é que partiram de Paul as principais ideias a partir daí, o que começou a gerar uma certa ciumeira dos demais. Outra corrente acredita que tudo começou com a chegada de Yoko à vida de John. Apesar de se tratar de um grande caso de amor, o maior da história do rock, não há dúvida de que a presença de Yoko foi um fato absurdamente desagregador. John estava obcecado por ela, e queria sempre sua presença por perto. E ela vinha, e dava palpites, e até sua voz apareceu em destaque na canção ‘Hey Bungallow Bill’, do Álbum Branco. Ela vinha a muitas sessões de gravação, inclusive quando estava doente: numa certa ocasião, após um aborto não desejado, John alugou uma cama de hospital e instalou-a nos estúdios da Abbey Road. Pode?
Então, tenha-se ou não a exata noção de quando começou a acabar, o fato é que o projeto Get Back deixou claro que a convivência estava começando a ficar difícil. As sessões até que transcorriam bem, havia alguns momentos do velho bom humor e camaradagem, mas vez por outra, uma observação mais rígida de um levava a uma resposta mais ríspida de outro. Mormente, o ‘um’ citado era o Paul, que se sentia o ‘dono’ do grupo, e principalmente da idéia do projeto, e o ‘outro’ era qualquer um dos outros três. Como as sessões foram todas gravadas em filme, dá para sentir o clima pesado, e a boa vontade como os outros recebiam Yoko e seus palpites. Em um dos momentos, registrou-se uma daquelas trocas de amabilidades, entre Paul e George, que interpretava uma certa opinião daquele como uma intromissão inaceitável no seu modo de ‘pilotar’ a guitarra. A desavença foi mantida na edição final do filme ‘Let It Be’, que existe hoje nas mãos de uns poucos, enquanto o mundo beatlemaníaco aguarda ansiosamente sua edição em DVD.
O grupo precisava calibrar o que vinha sendo ensaiado intramuros com uma execução ao vivo. Algumas sugestões foram discutidas, a maioria esbarrando na inviabilidade de se ter os Beatles aparecendo em qualquer lugar para tocar, assim, do nada, afinal, causaria um tumulto inaceitável. Foi quando Paul, sempre ele, veio com a pergunta: “Por que não pegamos a tralha toda e tocamos no terraço do edifício?” Por mais estranha que a sugestão pudesse parecer, ela foi imediatamente aceita (lembrem-se do toque de Midas acima mencionado), os membros da produção foram atrás do que era necessário. Devido ao frio e vento que eram esperados, eles foram a lojas de departamentos para comprar meias de mulher, para cobrir os microfones e diminuir o efeito do vento. O interessante foi responder ao balconista que perguntara sobre o tamanho de meia que desejavam, e ouvir como resposta: “Tanto faz!”.
Beatles agasalhados, cenário montado, som testado, começou o show. Aos primeiros acordes, as pessoas que caminhavam nas antes calmas ruas da vizinhança começaram a olhar para o alto (É um pássaro? É um avião?), outras começaram a pipocar nas janelas dos edifícios vizinhos, logo identificaram as vozes e o som, apesar de pouquíssimos terem anteriormente ouvido, e a notícia se espalhou: os Beatles estão tocando no terraço do edifício! E são músicas novas! O que significa isso? Em seguida, outros telhados de edifícios foram sendo povoados, as ruas começaram a ficar cheias de pedestres, e de carros parados, e a notícia do tumulto chegou à delegacia de polícia. Cerca de 35 minutos depois de começado o show, os policiais  chegavam ao terraço, enquanto Paul cantava ‘Get Back’ pela terceira vez, e lançou aquele sorriso, como que pensando: ‘Yes, we did it!!!’. Os policiais informaram que aquilo não poderia continuar e chegaram a desligar o amplificador de George, que foi lá, irritado, e ligou de novo. Finda a canção, Paul brincou: “Ah, meninos levados, tocando mais uma vez no terraço, deste jeito vocês vão acabar na cadeia!!!”
Foram 42 minutos de gravação, tudo registrado em filme e fitas. Foram cinco canções, todas Lennon/McCartney. Entre elas, as famosas ‘Get Back’ de Paul ‘Don´t Let Me Down’ de John que forma lançadas em compacto. As demais, ‘Dig a Pony’, ‘I’ve Got A Feeling’ e ‘One After 909’ foram deixadas para o que seria o LP  ‘Get Back’. Aquela tal de ‘One After 909’, pouco conhecida, era uma composição antiga da época do começo da dupla, em 1957, felizmente revivida, pois é ótima. 
Entretanto, apesar de todo o esforço, o projeto Get Back, como um todo, foi considerado de qualidade insuficiente para um lançamento beatle. Haviam inclusive tirado a foto da capa do álbum, com os quatro Beatles na mesma posição da foto que tiraram para seu primeiro álbum, ‘Please Please Me’, de 1963, na escadaria da EMI. Felizmente, a foto foi aproveitada no lançamento das coletâneas Vermelha e Azul, em meados da década de 1970. Somente depois do fim dos Beatles, o trabalho foi compilado e lançado no álbum ‘Let It Be’.
De qualquer forma, o desempenho dos rapazes naqueles pouco mais de 40 minutos foi perfeito, mandaram muito bem, até repetiram algumas canções, mas tudo deu maravilhosamente certo, até mesmo o gran finale, com a entrada da polícia, era tudo o que eles queriam. Felizmente, foi registrado para a posteridade, com todos os detalhes, inclusive com o fechamento irônico de John:

Em nome do grupo, obrigado a todos,
e espero que tenhamos passado no teste!”

Como se eles precisassem disso!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Balance e Berre: Pesquisa

Se possível, responda a uma breve pesquisa com referência à mensagem abaixo.
1. Você leu o artigo anexado?
Caso NÃO, leia, por favor!
Caso SIM, obrigado!
2. Você conhece The Beatles?
Caso NÃO, está na hora de se juntar ao mundo!
Caso SIM, você é normal!
3. Você conhecia 'Twist and Shout'?
Caso NÃO, não sabe o que está perdendo!
Caso SIM, você deve gostar de rock!
4. Você sabia que 'Twist and Shout' não era dos Beatles?
Caso NÃO, você é normal!
Caso SIM, você é entendido do assunto!
5. Você sabia das historinhas contadas sobre 'Twist and Shout'?
Caso NÃO, você é super-normal!
Caso SIM, você é doente .... terminal ..... como eu!
Homero 'Na UTI Beatle' Ventura
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Ouvi um Livro

No próximo dia 20 de janeiro, mais um Inauguration Day!
É como os brothers chamam o dia em que o novo Presidente americano é empossado!
Que dia!
Que momento!!
E, desta vez, que brother!!!
No dia 21, a Casa Branca ostentará a famosa faixa 'Agora sob Nova Administração'.
E bota nova nisso!
Pela primeira vez, um negro sentará na principal cadeira do Salão Oval. Traz consigo uma aura de esperança, há muito tempo não observada. Pega o leme da maior nação do mundo mergulhada numa tempestade profunda. Um deficit descomunal, uma crise de confiança, de crédito, e portanto, de consumo, que acertou em cheio o American Way of Life. 
E devido à globalização, um efeito dominó foi derrubando uma a uma das grandes economias, que dependiam, de alguma forma, da saúde do grande irmão para que a sua própria continuasse bem.
É nesse clima que o Sr. Barack Houssein Obama tomará posse no dia 20, trazido para este posto por um clamor de mudança que derrubou os preconceitos mais profundos do americano médio. Você pode imaginar um conservador redneck do Texas referindo-se a Obama como ‘Our President’?
Meu conhecimento sobre história americana pode ser considerado pífio, mas posso quase apostar que nunca antes nesse país, ou melhor, naquele, um presidente toma posse com uma história de vida tão naturalmente internacional como a dele. Desconto nesta qualificação outros que tiveram alguma passagem internacional por conta de guerras ou outras ações que a 'intelligentsia' americana promovia mundo afora.
A internacionalidade de Obama vem de berço, de criação, de busca pelo passado. Felizmente, eu tive a oportunidade de ser apresentado a essa história, e por ele mesmo.
Acabo de 'ouvir' o livro sobre sua história. Isso mesmo: ouvi o audio book 'Dreams from My Father', do próprio punho, ou melhor, da própria voz de Mr. Obama. Isso mesmo: ele mesmo narrou, em 2005, o livro que ele publicara dez anos antes. E até ganhou um Grammy por ele!
Em seis CD's, Barry, como muitos o chamavam, seja carinhosa ou desdenhosamente, desfila sua magnífica oratória, descrevendo sua vida, seus conflitos internos, que vão sendo resolvidos com a busca a suas origens. O desdém acima mencionado fica por conta do preconceito que alguns tratavam o seu estranho nome, marca característica do modo de pensar americano, a resistência, ou mais, a ignorância da imensa maioria daquele povo com relação às coisas que vêm de fora da 'Amerrrrica', que é como eles resolveram adotar como nome aquele pedaço do continente americano que o resto do mundo chama de Estados Unidos.
Aliás, dois deles não tão unidos assim: o Alaska, de onde veio aquela figura patética que formou a chapa republicana; e o Hawaii (rauái na pronúncia deles), de onde justamente veio o 'skinny boy with a funny name', como Barack singelamente se auto-define. 
E aí começa a internacionalidade de Obama. Nasceu num estado 'not tipically American', looonge do continente, povoado por habitantes de olho amendoado, em sua maioria, que fora invadido pelos brancos somente 60 anos antes, ávidos por um posto avançado no meio do Pacífico.
E ela também tem origem de antes de seu nascimento, vem de um romance inter-racial raríssimo no início da década de 60. E, no caso dele, o primeiro grande fator de sua internacionalidade latente: um africano, elegante, negro como piche, encontra uma americana, sonhadora, branca como a neve (assim é a descrição dos pais, nas palavras de Obama), e convence os pais dela (mais o pai do que a mãe) de que devem se casar. Isso tudo acontecendo bem antes do auge do movimento pelos direitos dos negros, liderado por Doctor King (que é como Martin Luther é respeitosamente conhecido). Fosse aquele encontro num estado tipicamente americano, e talvez não tivesse dado frutos, sulista então, muito mais improvável.
Próximo fator de internacionalidade: Indonésia! Surpreso? Nada é impossível para a mente sonhadora e exótica de Ann, a mãe de Barack. Abandonada por Barack, o pai, quando Barack, o filho, tinha 2 anos, ela se encantou com um Indonésio que estudava em Honolulu, e lá se foram os três, para Jacarta, onde Barack viveu dos quatro aos dez anos de idade. Lá, Ann teve mais uma filha, Maya, a meia-irmã mais nova do skinny boy.
Na volta ao Hawaii, foi criado pelos avós, enquanto a mãe terminava alguns trabalhos na Indonésia, único de três alunos negros na escola, sempre assombrado por suas origens, sempre em dúvida, em conflito interno, já que teve pouquíssima convivência com o letrado pai. Além daquele começo de vida, somente se encontraram durante uma visita de uma semana, aos 10 anos de idade. O velho Barack morreria 10 anos depois, sem mais rever o filho, e sequer imaginar o que o destino reservava a ele.
A terceira parte da internacionalização vem somente depois do high-school, das faculdades de Ciências Políticas em Los Angeles e New York, do primeiro emprego nesta última, da mudança para Chicago, onde se tornaria um líder comunitário dedicado aos excluídos de vários tipos, e de, finalmente, conseguir uma vaga para estudar Direito na prestigiadíssima Harvard. Nesse meio-tempo conheceu um de seus irmãos por parte de pai, na verdade uma, sua primeira half-sister Auma, mais velha. Conheceu uma parte da história de sua gente, mas somente consolidou seu conhecimento quando, já garantido em Harvard, decidiu fazer a viagem de sua vida, em busca do passado desconhecido.
No Quênia, descobre que seu pai era conhecido por Doctor Obama, respeitado por sua intelectualidade, e bondade. Da família, havia sido o primeiro a aventurar-se na America. Conhece outros seis (!) meio-irmãos, de três outras esposas de seu pai, uma delas também branca. E havia ainda mais um que morrera uns anos antes. Doctor Obama não era mole! E o pai dele? O velho Onyango Obama não ficava atrás, nem em prole, com 2 esposas e cinco filhos, nem em termos de pioneirismo: no começo do século 20, foi o primeiro membro da família a encontrar o 'homem branco', e escandalizou os membros da tribo (isso mesmo!) ao retornar de três meses de desaparecimento vestido de calça e camisa. Os que ficaram, ainda vestindo aquelas tangas de pele de cabra que cobriam os órgãos genitais, ficaram escandalizados e expulsaram-no da família. Pouco depois, embarcou em navios ingleses durante a 1ª Guerra, servindo como cozinheiro, passou um tempo na Europa, enfim, os varões da Dinastia Obama não são lá muito de passar a vida toda na terra natal.
Pois é, o pioneirismo está no sangue, na pele, no passado.
Sua internacionalidade latente não garante que seja um grande estrategista em temas internacionais e para isto, convocou um daqueles como companheiro de chapa. E Hillary Clinton como Secretária de Estado, de quebra. Mas seguramente, está muitos pontos acima de outros antecessores.
Barack aborda no áudio-book todos os aspectos de sua vida de uma maneira natural, clara, magnífico orador que é, porém sem a impostação da voz, sem se envergonhar por entoar cânticos religiosos, quando necessário, ou em alterar a voz para refletir o modo como seu interlocutor está falando, ou em aplicar um tom infantil ao descrever brincadeiras de criança. É divertido ouvir Barack falando em ‘jive talking’, o ‘sotaque’ do negro americano, como se ele mesmo não fosse um negro americano; e é tocante ouvir Barack imitando o inglês africano, como ao falar o próprio nome com o ‘r’ natural, sem aquele som americano como no ‘porta’ falado pelos nossos irmãos do interior paulista.
Para completar a felicidade do abençoado ouvinte, Barack acrescentou um prólogo tocante, e o magnífico, fantástico discurso, (aqui no link, os primeiros 10 minutos) na convenção democrata de 2004, quando o então candidato a senador defendeu a indicação de John Kerry à Presidência, para livrar o mundo de mais quatro anos de administração Bush, o que, infelizmente, acabou não acontecendo. Já se percebia àquela época que aquele jovem de apenas 43 anos viera para fazer história. O discurso é pungente, ele não perde a oportunidade de enaltecer a sua própria origem, depois migra para a grandeza do país que aceitava a ascensão de um ‘skinny boy with a funny name’, a multidão enlouquece quando ele descreve o país como um celeiro de diferenças em torno da liberdade. Depois, no final, ele até se lembra que está ali para apoiar o candidato democrata.
Aquele, sem sombra de dúvida, foi o primeiro discurso de sua própria candidatura à Presidência do país.

O que não se sabia era que, apenas quatro anos depois, ele já chegaria lá, e mais, ao posto de homem mais poderoso do mundo.