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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Balance e Berre – Uma Chance Só


Hoje, a primeira gravação de um LP beatles completa 54 anos!!!

Fizeram história em 9 horas!!!
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Em uma festa de aniversário de um casal muito amigo, após muita conversa e comida e bebida, tudo do bom e do melhor, estava eu a observar os convivas a dançarem, e uma bela hora, escrevi um torpedo no celular, mas não mandei pra ninguém. Dirigi-me ao DJ e, já que ele não poderia ouvir nada, mostrei o torpedo a ele, que dizia:
Vai tocar

B    E    A    T    L    E    S    ???

... ao que ele abriu um sorriso, fez um sinal de positivo, e balbuciou: "Claro!!!"
Até que ele foi bem rápido, tocou umas três musiquinhas mais para fazer a transição, e então soaram as famosas linhas:
... tchan tchan tchan tchan tchan - tchan tchan tchan
... que imediatamente chamam à pista os que estavam descansando
... e aparece a voz áspera de John berrando 'ousheikirolbeeibenau'
... e Paul e George respondendo  ‘sheikirolbeeeibé'
... volta John com ‘tuistendshaaaut’
... e Paul/George com  ‘tuistendshaut'
... e ‘camoncamoncamoncamonbeibenaaau’
... e Ringo firme na bateria
... e por aí vai
... woooos e haaas
... e a galera delira
... e dança
... e se anima
... e vem o último Tchan tchan tchan tchan tchan tchan
... e o último acorde
... e a música acaba
... e pronto: acabou a fase beatle da noite!
Ao menos até a hora em que eu lá estive, não rolou mais, foi uma chance só para ouvir Beatles.
Tudo bem que o DJ até mandou muito bem depois, mantendo a animação lá no alto, com Tim Maia, Bee Gees, e tal, mas parece que essa turma de hoje se esquece do potencial dançante dos Beatles. Há entre 50 e 100 canções compostas pelos Beatles que são absolutamente requebrantes, e totalmente conhecidas. Já estive em outras festas onde aconteceu exatamente a mesma coisa. Não sei se o fenômeno se repete por aí, pois não sou freqüentador da ‘night’, mas desconfio que sim.
Bem, pensando melhor, é bom mesmo que os DJ’s deixem como está. Assim livramo-nos do risco de eles quererem maltratar as canções beatle com aqueles bate-estacas de seus remixes. Outro dia, ouvi um remix de ‘My First, My Last, My Everything’, com o vozeirão Barry White, e notei que excluiram a melhor parte, que é aquela parada sensacional no meião da canção. Péssima decisão! Felizmente, a versão de ‘Twist and Shout’ tocada nas festas é exatamente a mesma de 46 anos atrás. Ai deles, caso cometessem tamanha heresia!
O interessante, é que, por ironia, escolheram, como representante do mundo Beatle, uma canção que, pasme, NÃO É composta pelos Beatles!!! Pois é, pouca gente sabe disso!!! ‘Twist and Shout’ foi composta por Medley e Russel (Você conhece? Nem eu!). Seguramente, eles jamais sonharam que ela alcançaria a fama que tem hoje, e estaria ainda viva mais de 50 anos depois de ter sido escrita. E certamente sorriem no túmulo, a cada vez que ouvem a interpretação beatle de sua canção dançante, muito melhor que na gravação mais popular até então, pelos Isley Brothers (Você conhece? Nem eu!).
Ter os Beatles como banda cover era um luxo só. Era garantia de que ela seria, no mínimo igual (quando os autores/cantores são Chuck Berry, Little Richards ou Carl Perkins), mas na grande maioria, melhor, bem melhor que a gravação original. Eles já vinham de anos de estrada tocando rock de tudo quanto é jeito, e eram imbatíveis, tinham vigor, tinham harmonia vocal impressionante.
Graças ao chão percorrido, eles puderam gravar seu primeiro LP, Please Please Me, em apenas um dia de estúdio, na Abbey Road. Foram 14 canções, sendo oito de autoria deles (uma coisa inédita nas bandas da época!) entremeadas com seis covers. Foram 9:45 horas de gravação, naquele que pode ser considerado o dia mais produtivo da história do rock. Isto sem contar os intervalos entre as três sessões, em que eles seguiam ensaiando, e tomando leite, para preservar a garganta, afinal era inverno, estavam todos resfriados. Nada comeram naquele dia.
         Quando chegou 10:00, o estúdio ia fechar, mas ainda faltava uma canção. Foi quando John disse que a garganta estava prestes a explodir. Tinha ‘estoque’ para mais uma e única performance, um esforço final. Era uma chance só! E decidiram gravar ‘Twist and Shout’, justamente a mais berrante das canções do LP, e que era levada justamente por John. Às 10:30 da noite do dia 11 de fevereiro de 1963, John gargarejou uma última golfada de leite, e soltou a voz, mais áspera do que nunca, e a banda acompanhou nos woooos e haaaas. Terminado o esforço, silêncio absoluto no estúdio, todos se entreolhavam calados, um misto de espanto e agradecimento. Haviam acabado de testemunhar a mais impressionante interpretação vocal e instrumental da história do rock’n roll até então E ela é assim, por muitos, considerada até hoje. Digo mais, ‘Twist and Shout’ somente está hoje aí, firme e forte, por causa da primorosa e imbatível gravação dos Beatles.
O que se ouviu naquele momento é exatamente o que se ouve até hoje. Aquela tomada foi a definitiva. Ainda tentaram mais uma, melhorar o imelhorável, mas a voz de John sumiu, apagou, como ele mesmo previra.
A canção era quase obrigatória nas performances da banda. Ela foi tocada no Ed Sullivan Show, em fevereiro de 1964, na mais espetacular invasão dos Estados Unidos de todos os tempos, uma invasão do bem, quando os Beatles simplesmente tomaram de assalto a principal cidade do país, parando o aeroporto e depois as ruas de New York. E também em outro momento marcante, em novembro de 1963, numa noite de gala no Prince of Whales Theatre, quando, na presença da mãe e da irmã da rainha Elizabeth II, John Lennon fez um
 
For the next number,
I would like to ask for your help.
Will those in the cheaper seats clap your hands?
The rest of you just rattle your jewelry!

E exibiu seu sorriso sarcástico, olhou para o resto da banda, e mandou:

tchan tchan tchan tchan tchan - tchan tchan tchan
'ousheikirolbeeibenau'
woooos
haaaas

6 comentários:

  1. Ótima postagem!

    Realmente, é uma pena que os Beatles que muitos DJs conhecem limitem-se a Twist & Shout.
    Mas pra mim essa é A música que não pode faltar na balada!
    (não que eu vá muito em baladas)

    Eu sabia, sim, que era um cover, mas não sabia de quem era originalmente.
    (fiquei sabendo que era cover porque ouvi o original em um seriado, Plantão Médico, há muitos anos atrás)

    Como assim você não viu que eu tenho um marcador sobre o Esperanto no meu blog? Está lá; não é dos assuntos mais comentados, mas está.
    Até já publiquei o Pasporto Esperanto.
    http://raizasas.blogspot.com/2011/03/passaporte-esperanto.html

    Eu respondi seu comentário lá, mas escrevo aqui de novo...
    Conheço sua filha, virtualmente, desde a campanha do twitaço em dezembro. Admiro muito a iniciativa dela!
    Eu pretendo ir ao Kongresego, sim, mas ainda não sei se estarei em SP.

    Muito obrigada pelos elogios.
    Seu blog também é muito legal!

    Brakumon!

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  2. Realmente, essa música foi gravada pelos Beatles, mas NÃO É DELES. Ou seja, o pessoal não da valor mesmo as relíquias dançantes criadas pelos Beatles, das quais eu já ouvi TODAS.
    Muito bom post!

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  3. Minha querida sobrinha Andrea Tibana Shinzato me recomendou.
    Visitei e gostei. Muito bem feito e com assuntos muito interessantes.
    Parabéns. Passei adiante
    jam

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  4. Excelente postagem meu irmão.Lembro-me que quando isso aconteceu, 1963, vc tinha 5 anos e eu 18.Lembro-me que quando fui levar vc para escolher seu presente de aniversário, vc pediu uma loja de discos e escolheu um LP de quem? de quem?... Beatles.

    Paixão antiga, mano véio e nem eu que era fan dos 4 Liverpool Guys, me ecantei tanto.

    Continue sempre postando essas experiencias no seu blog. Parece que o tempo volta quando os leio.

    Flavio Ventura

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  5. Meninos, eu ouvi... Já conhecia a gravação (de muito sucesso, aliás) dos Isley Bros., quando o som dos 4 genios de Liverpool invadiu o Brasil. A primeira que chegou aos meus ouvidos foi "She Loves You", no comecinho de 1964. Twist and Shout veio logo depois. E não teve para mais ninguém...

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  6. Homerix,

    Veja que interessante o que foi publicado no periódico peruano El Comercio, no domingo passado. Os Beatles numa visão empresarial e como case:

    ABRASPAS

    The Beatles: Cuatro Lecciones de Éxito
    El Comercio, 10 de Marzo de 2013
    Las empresas y los empresarios deberían aprender com ellos
    Si el famoso cuarteto de Liverpool no hubiera existido, tal vez nadie hubiera podido imaginar ni comparar su historia con otra similar em cuestiones de permanência, éxito e influencia.
    Detrás de la historia de esse fenómeno musical, algunos expertos han discubierto hasta cuatro lecciones que empresas y empresarios pueden aprender.
    La primera: John Lennon no era el mejor guitarrista de acompaniamiento. Paul tampoco el mejor bajista, ni George el mejor requintista o Ringo el mejor baterista, pero los cuatro juntos crearon algo muy especial. Hicieron algo único:
    Segundo: Los cuatro marcaron uma tendencia de vestir, una tendencia en el peinado, una tendencia en hablar de paz. Para la época , fue algo relevante: desarrollaron su propio talento.
    Tercero: Explotaron el nombre The Beatles como marca. Por eso siguen actualizados y además lograron algo importante: se reciclaron. Dejaron de lado los conciertos em vivo e innovaron trabajando videoclipe.
    Cuarto: Contrariamente a la tendencia de la época, los Beatles interpretaron sus propias criaciones, mientras muchos otras agrupaciones retomaban éxitos radiales para darse a conocer. Creaaron um estilo propio que se recuerda hasta ahora. Em otras palabras, lograron alcanzar el éxito.
    FECHASPAS

    Faltou anotar ao menos o Quinto: Criaram um grupo de seguidores ou torcedores Beatlemaníacos, a exemplo do Homerix, que, de tempos em tempos, nos brindam com históricos notáveis como da postagem em tela.

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