-

terça-feira, 1 de março de 2016

A Terça-Feira Gorda Vai Ser Super

Há 8 anos, a Super Tuesday praticamente decidiu a vitória de Obama.
Na época, eram 22 estados no mesmo dia.
________________________________________________

Acontecerá no próximo dia 5 de fevereiro de 2008. Uma coincidência que deve ter acontecido muito pouco, se é que aconteceu.
Aqui, ela será Gorda; nos Estados Unidos, ela será Super. Aliás, lá, também ela vai ser Gorda, mas somente em New Orleans, que também celebra o carnaval, mas lá, ela é conhecida como Mardi Gras, a mesma expressão em francês.
A terça de lá será Super, pois ocorrerão as prévias eleitorais em mais de 20 estados americanos. Cada estado vai decidir qual candidato Democrata ou Republicano os vai representar na convenção final de cada partido para indicação do candidato à Presidência da maior nação do mundo nas próximas eleições de novembro. Nas primárias, não participa a plebe ignara, apenas os registrados oficialmente como membros dos partidos.
A terça daqui será Gorda, obedecendo a uma tradição religiosa (!) que diz que ser ela o último dia de fartura, de comilança, antes do começo da quaresma. Os 40 dias seguintes devem ser de penitência e meditação e, teoricamente, deve-se praticar o jejum, a esmola e a oração. Tudo termina no Domingo de Ramos, quando começa a Semana Santa.
Na verdade, ela é pouco conhecida por sua temática religiosa, muito mais por ser o último dia de folia, da alegria com hora marcada, da pouca roupa, do vale-tudo, do liberou-geral, depois do qual vem a quarta-feira de cinzas, a volta ao trabalho, a vida real e, finalmente, o começo do ano produtivo no país, que simplesmente não funciona até o carnaval.
A Super é uma tradição americana desde 1984, mas dificilmente acontece em fevereiro, a maioria delas ocorreu em março. Varia também no número de estados participantes. A Super deste ano é a maior de todos os tempos, com 22 estados, recebendo por isto as denominações de Mega Tuesday, Giga Tuesday, ou mesmo Tsunami Tuesday. Justificável o exagero, pois nunca antes 50% do destino eleitoral foi traçado nesse único dia, como ocorrerá no próximo dia 5. Coisas do regime de colégio eleitoral, da eleição indireta.
Diretas ou indiretas, concordo com os que dizem que as eleições americanas, na verdade, são as mais anti-democráticas do planeta. Afinal, o homem (ou mulher) que vencer a eleição, vai determinar os destinos do mundo todo! Então, trata-se de uma eleição em que apenas um trigésimo da população afetada, menos de 200 milhões, têm o direito de votar, entre os mais de 6 bilhões de almas, que terão suas vidas modificadas por aquele ser todo-poderoso. Isso sem contar que lá, como o voto é, realmente, apenas um direito, menos da metade aparece no dia da eleição.
E deixar o destino do mundo nas mãos de uma pequena porção de pessoas, ainda mais pessoas que sabem muito pouco sobre o resto do mundo, fora de suas fronteiras, pode resultar no que se vê hoje, com um maluco no poder, fazendo um estrago danado e acabando com a imagem de seu próprio país perante as demais nações. Um mentiroso, mormente nas questões vitais: chegaram a contar as mentiras do Sr. Arbusto, chegam a quase 500, sendo as mais famosas (e inglórias) as que se referiram ao Iraque, com as armas de destruição em massa e com a suposta alegação de aliança de Saddam com Osama.
Desta vez, há uma chance de que a coisa sofra uma reviravolta. Se Barack Hussein Obama for escolhido candidato Democrata, dificilmente perde a eleição para qualquer um dos possíveis Republicanos e aí, certamente, a imagem do país muda de imediato. Um mulato, filho de queniano com americana, inteligente, jovem, bem falante, que conhece o que ocorre fora dos Estados Unidos, meio que muçulmano (com aquele nome do meio, tem que ter um pezinho lá), pode unir corações em várias minorias, de cara, ao redor do mundo. Apesar de não ser um legítimo descendente de escravos, mostrou sua força neste eleitorado na Carolina do Sul, com fácil vitória no estado, que tem a maioria da população afro-americana (como eles são, e gostam de ser, política e corretamente chamados).
Acho que o brasileiro médio torce por ele, apesar de a hipótese de se ter um Clinton de novo no comando não deixa de ser interessante: mesmo que Hillary tenha se mostrado um pouco fingida neste começo de campanha, o Bill é um fenômeno de carisma, que certamente provocaria grandes momentos, ainda que como Primeiro-‘Damo’. O problema da campanha é que, Clinton, apesar da jovialidade de seu sorriso, já está a representar o velho, os métodos da campanha são os antigos, o desvio dos principais problemas para centrar o ataque ao adversário, coisas do tipo.
Recentemente, Obama ganhou um apoio de peso: o Clã Kennedy. O Segundo Irmão, Ted, do alto de seus 75 anos, vê na juventude de Obama uma chance de repetir o início da década de 60, quando seu então jovem irmão John apareceu com um discurso novo, que encantou o eleitorado.  Outro ponto forte: Obama foi o único, dentre os candidatos, de qualquer dos dois partidos, que votou contra a invasão do Iraque, em sua posição de Senador.
Bem, para Hillary ou Obama, a terça-feira, além de Super, será Gorda, pois é quase certo que quem sair vencedor ao final da noite, deverá ser o indicado para representar o partido Democrata na eleição deste ano. O mesmo deve acontecer no lado republicano. Para os demais, a quarta-feira será, efetivamente, de cinzas, e o começo de uma quaresma que, se não for de jejum, que ninguém é de ferro, será de fortes e devotadas orações.


Nenhum comentário:

Postar um comentário