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sábado, 12 de junho de 2021

I Wanna Hold Your Hand, aquele toque Beatle

 Esta é a 6ª canção da coletânea Past Masters #1, 14º Álbum Oficial dos Beatles

a história do álbum, assuntos e canções, aqui neste LINK

É uma de 19 canções sobre Paquera de Garotas

                                        as demais 18 canções de mesmo Assunto e Classe, neste LINK

Atenção, canções com títulos em vermelho 

são links que levam a análises sobre elas.

6. I Wanna Hold Your Hand (Flirt Girl Song by Lennon/McCartney)

John se declara 'Oh, sim eu direi algo a você, eu acho que você entenderá quando eu disser: Eu quero segurar a sua mão! Eu quero segurar a sua mão! Eu quero segurar a sua mão!'
 
Uma letra singela, um desejo simples, um pleito comum, cujo objetivo maior era segurar a mão de uma garota, envolto em uma canção pulsante foi o veículo para catapultar The Beatles ao Olimpo do entretenimento. Precisou mais de um ano de carreira bem sucedida do outro lado do oceano para que aquele 'fenômeno social' acontecesse em terras do novo mundo. Foi assim que uma garota de 15 anos definiu o que acontecia, quando expressou seu espanto a uma rádio de Washington, numa carta súplica para que tocassem Beatles. A canção que ela ouvira foi She Loves You. O DJ que a leu, pediu que uma aeromoça trouxesse a novidade da Inglaterra para que pudesse exibi-la, mas o que a moça trouxe foi I Wanna Hold Your Hand, ele a colocou no ar e a coisa começou a acontecer, quase um mês antes da chegada oficial daquele som prevista pela Capitol. Era 17 de dezembro de 1963, outras rádios fariam cópias em fita para serem reproduzidas ao redor do pais. A Capitol tentou bloquear judicialmente essas iniciativas que pipocavam pelo continental país, ninguém ligou e a febre já estava instalada até que finalmente ela decidiu antecipar o lançamento, para 26 de dezembro, quando quase todas as rádios populares já tocavam clandestinamente a canção. Seu Lado B era I Saw Here Standing There. A procura era tanta que eles tiveram que contratar fábricas de discos adiconais para atender à demanda, que chegaria rapidamente aos 7 dígitos.  
 
Quase um mês depois, no dia 24 de janeiro, os Beatles receberam a notícia da chegada de I Wanna Hold Your Hand ao topo de uma das principais paradas de sucessos americanas, e celebraram com uma guerra de travesseiros, e com um jantar de gala no Hotel George V em Paris, onde estavam hospedados durante 19 dias para dois shows diários no famoso Olympia. Finalmente, estava dado o sinal verde que eles mesmos se impuseram para atravessar o Atlântico. Só queriam desembarcar nos Estados Unidos quando fossem o Nº1. 
 
Quando o desembarque aconteceu, em 7 de fevereiro de 1964, em New York, com  uma multidão aglomerada no Aeroporto John Kennedy, as vendas estavam a caminho dos 2 milhões de cópias. Dois dias depois, a América sentou-se em frente à TV para assistir ao Ed Sullivan Show na edição mais famosa de sua história. Mais 10 dias nos EUA, com shows no Carnegie Hall (para nunca mais), no Washington Collyseum (1º show em um ginásio de esportes), e mais um Ed Sullivan em Miami, sendo tratados como reis que já eram (e um encontro com outro Rei, Cassius Clay no dia 18), eles estavam de volta a Londres, e um mês depois, I Wanna Hold You Hand já havia vendido 3,4 milhões de cópias só na ex-colônia ultramarina, cifra que subiria para incríveis 5 milhões ao longo dos meses seguintes. Era muito para quatro rapazes de 22 a 24 anos de idade. 
 
Bem, vocês notaram que desvirtuei de minha estrutura regular de análise. Normalmente, esse papo de vendas só viria ao final do post, após, detalhes da composição, quem escreveu o quê, qual a estrutura da canção, como foi a gravação, e tal. Foi porque, neste caso, o mais relevante de tudo foi essa reação que a canção provocou, ponto de mutação na carreira deles. Enfim, voltemos ao reme-reme. 
 
Buscava-se uma canção para o 5º compacto dos Beatles, e, claro, a encomenda foi dada à sua dupla fenomenal. Paul e John se reuniram no porão da casa da namorada do primeiro, aliás onde ele moraria nos próximos 4 anos, a convite dos pais dela. O objetivo deles era claro: buscar um som que agradasse aos americanos, que era o próximo mercado alvo da banda! Parece que conseguiram, né? Após duas horas, estavam elaborados alguns versos, com letra bem assim, assim, pareando "tell you something" com "say that something", conviremos que não foi nada muito brilhante, não é mesmo? O começo, com o "Oh, Yeah", seguia a linha das últimas duas canções, She Loves You e I'll Get You, que usaram a interjeição bem americana com grande sucesso. A ponte que vem a seguir tem a ótima repetição de frases, que fica na cabeça, e que pega, e que leva ao 3º grito que leva meninas à loucura, o famoso "
I get hiiiiigh". Oooops, não é isso? Não... mas isso foi o que Bob Dylan achava que era, quando apresentou a maconha aos rapazes em 28 de agosto de 1964, e pensou que eles já a conheciam por causa do canto, que na verdade era 'I can't hide, I can't hide, I can't hiiiide'. Pra quem não sabe, "I get high" era gíria para 'Eu fico doidão!" 
 
A gravação foi feita integralmente no dia 17 de outubro. Após duas horas de ensaio, inauguraram o equipamento de gravação de 4 canais em 17 takes, dando adeus ao de dois canais usado nas primeiras gravações. Fora uma concessão da direção da EMI, que reservava o equipamento melhor para gravações de orquestras, só que aquele grupo de jovens estava ganhando mais dinheiro para a gravadora do que muitas gerações de instrumentistas clássicos... A confiança de John era imensa, tanto que chamou George Martin lá da sala de controle: "Prepare-se para conhecer nosso novo Nº1"! Mas acho que nem ele imaginava que seria verdade também nas plagas americanas. Logo nos primeiros takes, eles decidiram abrir a canção com aquele final de pontem da três frases repetidas, apenas nos instrumentos, o que se mostrou uma ótima decisão. Todos tocaram e cantaram juntos em todas as 17 vezes. Paul cantou em unisom com John, fazendo a harmonia aguda nos primeiros "hand' de cada verso, e também na na totalidade ponte. John dobrou seu vocal por cima do Take 17, bem como as palmas foram acrescentadas por todos os quatro que se tornariam Reis na América 100 dias depois.
 
A canção foi muuuuito tocada ao vivo durante seu primeiro ano de vida. Claro que foi destaque no Ed Sullivan Show, LINK que deixo aqui, e notarão também nos EUA se faz caquinha, pois o microfone de John estava praticamente desligado e quase que somente se ouve a voz de Paul! O compacto original na Inglaterra vinha com This Boy no Lado B, e vendeu 1,25 milhão de cópias, somente perdendo para o compacto anterior, She Loves You e I'll Get You. 
 
No Brasil, a canção saiu no LP Beatlemania e num compacto simples tendo nada menos que She Loves You no Lado B., ambos em 1964. Na década seguinte, essas duas canções foram homenageadas pelo grande Belchior que termina sua linda canção Medo de Avião, se não conhece, puça aqui neste LINK, se já conhece, ouça de novo, e arrepie-se, e quem sabe, chore, como eu, ao ouvi-la de novo...

6 comentários:

  1. Esse compacto simples foi o primeiro disco dos Beatles que eu ouvi na minha vida
    Eu tinha 13 anos em 1964

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  2. Adorei conhecer a história "casual" do sucesso dessa canção, enquanto a intensão era divulgar She loves you. Rsrsrs.
    Na minha opinião qualquer canção seria um sucesso estrondoso!

    Obrigada mais uma vez, Homero! Parabéns pelo trabalho 👏👏👏👏👏

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  3. Recentemente Bob Dylan a mencionou também no seu mais recente disco. Acho que viu. Sobre John Kennedy. É uma conversa longa onde ele incluiu os Beatles chegando querendo segurar nossas mãos. Ficou muito legal...e bem o que sempre pensei. Eles chegaram querendo segurar nossas mãos.
    A primeira vez que a ouvi foi pela metada. Liguei o rádio e ela estava tocando. E eu notei logo que se tratava dos Beatles. Tinha visto uma foto deles pela manhã e vi logo que tinha de ser eles. Uma música com som tão diferente ( era diferente naquele tempo) só podia vir de rapazes que tinham um visual totalmente diferente. Eu gritei chamando minha irmã para ouvir. E ela não pareva de rir. Tinha certeza que eles eram comediantes.

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  4. Uma garota americana, de 15 anos, pediu a uma rádio que tocasse _She loves you_, dos Beatles, e o DJ solicitou a uma aeromoça que a trouxesse da Inglaterra; o que ela trouxe foi _I wanna hol. your hand_. Foi o começo da loucura. Em pouco tempo, a canção passou ao n° 1 das paradas de sucesso americanas, motivando a celebração, com uma guerra de travesseiros do quarteto, e um jantar de gala no Hotel George V, em Paris, onde estavam hospedados, para fazer dois shows no Olympia. A venda de mais de 5 milhões de cópias da canção, foi o sinal verde para os quatro rapazes, de 22 a 24 anos de idade, atravessarem o Atlântico e serem recebidos por Ed Sullivan, se apresentarem no Carnegie Hall, conhecerem Cassius Clay, enfim, dominarem a América.

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  5. Excelente analise��

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