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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Mário de Andrade - Macunaíma




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Pois é, eu tinha certeza que o segundo livro da box de Mário de Andrade me agradaria mais que a desvairada paulicéia que abriu a Semana de Arte Moderna em 1922. E como!

Neste romance, embarquei numa viagem fantástica... senti-me como se estivesse lendo um Cem Anos de Solidão brasileiro, bem brasileiro, e como brasileiro!

Nascido já crescido, de uma índia, Macunaíma, nosso herói (como o chamam no livro), já vem safado, bem brasileiro, e o que mais se vê é ele brincabrincando com as cunhatãs e depois com as polacas da paulicéia e de todos os muitos estados brasileiros que ele visita desvairadamente, em busca de seu muiraquitã, que foi roubado de seu beiço por um certo Venceslau Pietro Pietra, que na verdade era Piaimã, gigante comedor de gente, casado com Ceicuci, o terrível ser amazônico, que o persegue (Baua Baua), sempre escapando por légua e meia, e sendo novamente alcançado,  e até morrendo, em meio a pássaros mil que vão voavoando ao seu redor, desvencilhando-se de de bichos de todos os tamanhos e raças que vão mexemexendo pelas florestas, prados e pantanais. 

Em seu périplo intrépido, vez por outra vem um 'Ah, que preguiça!', mas ele sempre desencrava os carrapatos do corpo e segue, às vezes perde partes de seu corpo pelo caminho, e até morre, mas recupera as partes e até volta à vida pelas mãos de seu companheiro de viagem Maanape (que era feiticeiro), e sempre acompanhado de Jiguê, que o herói transforma em máquina telefone ou no que  quer que precise para recuperar seu amuleto. Muito genial!

E que cultura e conhecimento imensos tem o autor pra conhecer tantas espécies de tantos seres viventes nesse Brasil varonil.

Pena que ficou grudada a imagem de Grande Otelo como o herói, nascendo, ou melhor, caindo da mãe Paulo José num parto mais que natural, a primeira cena do filme, que vi há mais de 30 anos (ou não vi, sei lá, acho que só vi a cena do parto, é só do que me lembro). Não coaduna com a imagem do livro. Aliás, preciso rever esse filme, mas tenho certeza que ficarei frustrado... parece-me impossível reproduzir em tela a atmosfera épica do livro.

Realismo Fantástico da melhor espécie!!

Obrigado, Mário García Marquez de Andrade!!

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