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sábado, 8 de dezembro de 2012

Uma Noite em 67

'Uma Noite em 67', que filme!! Um festival inesquecível!!
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Foi emocionante lembrar aquela noite em que disputavam o título do 3º Festival da Música Popular Brasileiro, da Record, uma plêiade de jovens nomes, que viriam a consolidar sólidas carreiras por décadas a fio.  

  1. Tinha um Roberto Carlos, com 26 anos, defendendo uma música que não era dele, um estilo que não era dele, 'Maria, Carnaval e Cinzas', mas já com a voz suave e romântica que era dele e que viria a exercitar nas 4 décadas seguintes, encantando gerações;
  2. Tinha um Caetano Veloso (24), com seu paletó xadrez amarelo (contaram que era amarelo), defendendo sua 'Alegria, Alegria', acompanhado de guitarras, e já mostrando seu jeito peculiar de dar entrevista;
  3. Tinha um Chico Buarque (23), de smoking, sempre com cigarro na mão enquanto não cantava, e desfilando emoções crescentes em sua 'Roda Viva' com um arranjo apoteótico final monumental do MPB-4;
  4. Tinha um Gilberto Gil (25) firme nas entrevistas, acompanhado de Rita Lee (20) e as guitarras mutantes, contando a história de João e José num 'Domingo no Parque', que era minha favorita para o título;
  5. Finalmente, tinha um Edu Lobo (24), com a grande campeã 'Ponteio'com um refrão imbatível 'Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar', impossível ganhar de um refrão como esse.


Tudo isso entremeado com bons depoimentos atuais dos astros, e dos organizadores, e dos jurados, está no documentário 'Uma Noite em 67', que está sendo levado nas melhores casas do ramo.

Quem viveu aquele momento, creio que vai correr ao cinema, como eu; quem não viveu tem que conferir para ver como se fazia música naquele tempo, em que não havia novelas, mas sim musicais, a boa música era muito valorizada, eram programas de auditório todos os dias, sempre com grandes astros. Tinha 'O Fino da Bossa' com Elis Regina e Jair Rodrigues, e lembro-me com saudade de 'Esta Noite Se Improvisa', em que Chico e Caetano se degladiavam para saber quem descobria mais canções a partir de uma palavra chave, desafiada pelo apresentador Blota Júnior, às vezes inventando uma música, composta ali mesmo de improviso, só pra usar a tal palavra. 


E aqueles jovens faziam letras magníficas. Valorizo muito a letra e fico estupefato com as coisas que fazem sucesso hoje. O Chico, tão novinho, já havia sido campeão do festival do ano anterior, com 'A Banda', e já tinha no currículo pérolas como 'A Rita', 'Pedro Pedreiro', 'Olê, Olá', 'Noite dos Mascarados', além da genial 'Quem Te Viu Quem Te Vê'. Compara com as coisas que correm por aí, hoje? Impossível!


O documentário não se esqueceu de dar o devido destaque ao episódio de Sérgio Ricardo falando 'Vocês venceram!', e quebrando a viola, e jogando-a sobre platéia que o vaiava estrepitosamente. Coitado!


Faltou depoimento da hoje atuante Deputada Estadual (essa merece letra maiúscula) Cidinha Campos (25), na época repórter que abordava os artistas, juntamente com Randal Juliano, sempre com um cigarro na mão, era coisa comum naqueles tempos.


E foi pena que não mostraram a imagem da grande Elis Regina (22), que defendia 'O Cantador' de Nelson Motta (23), garantindo o título de Melhor Intérprete, como sempre ganhou e ganharia, em qualquer concurso que disputasse. Talvez não tenham priorizado as imagens dela, por ela não estar presente pra dar seu depoimento, ou ainda porque as imagens não estivessem com qualidade suficiente. Ao menos, usaram o som de sua performance, enquanto passavam os créditos finais, e eu me recusava a ir embora, querendo mais e mais.


Queria que mostrassem trechos das três eliminatórias, quando as canções foram pela primeira vez apresentadas ao público, para lembrar mais um pouco das emoções que eu (9) senti, reunido na casa de um primo meu, com 10 pessoas acocoradas em frente a uma TV branco e preto. O que temos de parecido, hoje em dia?


Queria mais ... mas o que tive foi ótimo ... sempre sonhei em rever aquelas imagens assim, juntas...


O Bonequinho olha  .....


..... e o Homerinho chora!!!


Homero Se Vendo Menino Ventura

13 comentários:

  1. Se fosse ao cinema me guiando das críticas do bonequinho, perderia grandes filmes e para piorar esse estilo de crítica recai no teatro muitas vezes como uma bomba, pois ficamos a merce de Bárbara e seus seguidores...

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  2. Homero,

    Eu (8) me lembro nitidamente do Sergio Ricardo quebrando o violão e jogando-o na platéia. Minha avó (70), que acompanhava a transmissão comigo, em preto-e-branco, ficou horrorizada. Eu gostava de Ponteio, que acabou ganhando, acho que era mais animada para uma criança. O pessoal (20-30 anos) estudava música, principalmente Edu e Chico. Não é saudosismo, mas o fator comercial hoje é muito mais importante que a qualidade, e as coisas estão do jeito que estão. Que nível!

    É uma pena não ver este filme, quem sabe em DVD mais tarde.

    Um abraço,

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  3. Primorosa esta crônica!! Parabéns.

    Aproveito para felicitá-lo pelo título da Copa do Brasil, onde os meninos Santásticos jogando um futebol arte, com disciplina tática, nos transportaram ao passado glorioso do futebol brasileiro

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  4. Muito bem Don Homero. Escrita elegante e divertida como sempre. Dá-me saudades daqueles, até simplórios, tempos, pois bebi aqueles agradáveis momentos também. É uma pedida para quando eu for ao Brasil. Omitindo o autor, repassei para meus irmãos e filhos.

    Forte abraço,

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  5. Chefe Homero

    Ainda não fui conferir mas irei em breve.

    Com certeza vai demorar a surgir grandes talentos como esses, principalmente pelos destaques que a mídia dá a isso que anda por aí.

    Creio que existem mas sem espaço para aparecer ou mostrar coisas boas de se ouvir e ver.

    Quando eu conferir esse filme, narrarei minhas emoções para você.

    Abraços

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  6. Amei o texto.
    Eu já queria ir assistir com meu pai, agora vou com certeza.

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  7. Homero V;
    Realmente deve ter sido emocionante. Só de lembrar dos festivais da Record já é uma emoção e não só deste, mas de quase todos eles.
    Você diz que não havia novela neste tempo e eu me permito discordar, pois havia novela inclusive nos tempos do rádio na década de 40, como a famosíssima "O direito de nascer" da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, escutada no Brasil inteiro e com Paulo Gracindo, já naquela época um gênio da interpretação, mesmo muito antes do Odorico Paraguaçu (é com ç ou com ss?).
    Mas não só os festivais mas alguns programas musicais, como Jovem Guarda, a divina elizeth, o programa Blota Junior, etc.
    Boas e velhas lembranças, emocionantes mesmo.
    Abraço,

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  8. Valeu Homero ! Vou convidar minha mulher para ir junto. Ela tinha 5 anos e acho que vai para conhecer.
    Eu que tinha 9 vou para recordar.
    Grande abraço.

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  9. Que ótima crítica vc escreveu, muito obrigada!
    Esse é um filme para se comprar o dvd e assistir em casa
    sempre que vier aquela "depressão pós ligar o rádio nos dias de hoje".
    Quero chorar todas as lágrimas que armazenei sem merecer nos dias de hoje,
    com essa tragédia a que chamam arte.
    Muito obrigada mesmo, por suas palavras tão sinceras.
    Um abraço,

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  10. As músicas que voce citou, sao na minha opiniao uma "selecao de craques", prinicpalmente quando comparados com a producao atual

    É o mesmo que comparar o time do Flamengo com Zico, Carpegianni e cia e o atual time

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  11. Homero,
    Sou de 87 e infelizmente não vivi essa época. Posso dizer que peguei a rebarba desse momento, ao ouvir as fitas k7 e vinis (acho que nem existem mais) quando meus pais escutavam e eu era meninote. É com alegria que eu revejo o contexto em que minha música preferida, "Alegria Alegria", de Caetano, brotou. Não sei porque ela é preferida. São tantas da época e no próprio festival, como as que você apontou!
    É com gosto que se lê o seu texto. Músicas desse gênero fazem falta.
    Os nomes que hoje estão aí, maduros e históricos, têm, em boa parte, sua raiz na década de 60.
    Excelente texto Homero!
    Abraços!

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  12. Homero
    É muito bom este texto. Eu vivi (19) um pouco de aqueles dias.
    Letras e Músicas "eternas" e maravilhosas.
    Chico e Caetano são compositores especiais.
    Os festivais inesquecíveis. Havia, também, os festivais de letras e músicas para carnavais.
    Quanto ao filme não o vi, mas deve existir em DVD.

    Itamar

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  13. Prezado Homerix
    Em 1967 eu cursava o 1º ano de Economia da Cândido Mendes e curtia todos os festivais de música da época. Vale registrar a criatividade de um jornalista que ao assistir ao Sérgio Ricardo jogar sua viola na platéia, criou num "estalo" a manchete de seu jornal do dia seguinte: "VIOLADA EM PLENO PALCO!". Venderam toda a tiragem em minutos. Imagine a repercussão considerando que reinava o regime de exceção inaugurado em 31 de março de 1964.
    Izeusse

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