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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Vazio


Neste 2 de novembro, lembrei-me dela...
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15 de julho de 2016 .... Mais um ente querido que se vai...


Primeiro foi o Carlinhos, todos já conhecem sua história, já contei em outra ocasião. Faz-nos falta até hoje, ainda hoje me emociono ao falar dele. Nunca me esquecerei da carinha de Dona Mira quando o levamos ao Pronto Socorro, naquele 11 de outubro de 2008. Ela parece que sabia que ele não voltaria mais... ela sentia as coisas ... ela era médium poderosa ... e ficou inquieta durante um ano, porque não recebia sinais dele.... até que ele veio, nela mesma, dizendo que estava bem, um uma missão muito importante, já um ser evoluído, ajudando a outros que chegavam ao mundo lá de cima. Nós não tínhamos dúvida disso, afinal a vida de provações que ele teve aqui certamente era uma missão final para a evolução completa. Mas somente então ela se acalmou....

Um momento que me emociona até hoje ocorreu três meses depois. Era meu aniversário de 52 anos, 4 de janeiro de 2010. Nada fizemos para comemorar além do tradicional bolo com Guaraná em família. Após o parabéns-a-você, estávamos na sala, eu, Dona Mira e Neusa, quando notamos que ela se concentrava. Demos o mute na TV, e sentei ao seu lado.... e ele veio novamente, e disse:


“Estou aqui para uma breve visita. 
Só vim saudar este aqui (colocando a mão em meu ombro) em seu aniversário, 
este irmão que sempre me carregou e nunca reclamou...”
...

Em 2011, a Neusa se aposentou, e começou o período de atenção total à mãe, procurando dar-lhe uma vida tranqüila, sem as tribulações da vida com o filho. Levávamos ela a todo lugar acessível, ela viu alguns shows do Felipe, foi ao lançamento do livro de Renata, enfim, uma vida de Vovó. Renata sempre a paparicou, Felipe um pouco menos. Mas ela teve seus percalços. Ela teve uma isquemia temporária, ficou três dias sem falar, foi um susto, mas voltou. Em 2013, uma queda mudou sua vida. Quebrou a bacia, mas sem necessidade de cirurgia, mas com um doloroso período de UTI. Na volta, a necessidade de cuidadoras, primeiro em tempo integral, depois diminuindo um pouco. Em 2014 começaram os primeiros sinais de Alzheimer. Quando ela se foi, estava no estágio intermediário, ainda andava e tinha controle das necessidades, mas a cabecinha já falhava bastante.

Agora, ela se foi... 

E lá vamos nós .... a casa vazia, as noites quietas, sem mais DVDs de shows do Leonardo, ou Andre Rieu, ouRoberto Leal, ou mesmo Eagles, sem mais passeios ao Baixo Bebê pra ela ver as criancinhas, sem mais síndrome de boca ardida, sem mais cafunés para acalmar, sem o cantar de Renata ... se essa rua se essa rua fosse minha  .... ou Edelweis ... ou Noite Feliz em dueto com o Felipe .... sem programação dos remédios do dia seguinte, sem ouvir as preocupações quando os netos saem, sem mais o caminhar com a bengala voadora, agora o lavabo está sempre desocupado, o quarto dela também intocado,  a cadeira de balanço sem o forro que ela queria para preservar ... e fora de casa também, sem comprar a ‘maçã deliciosa’ (como chamam as argentinas em Santos), sem comprar os biscoitos de leite Ninho (‘Tem alguma coisinha pra adoçar um pouco a boca?’), sem comprar as bisnaguinhas Plus Vita ou o bolo de abacaxi Panco para o lanche da tarde, e agora são menos pães franceses quentinhos nos fins-de-semana, que era o momento que ela mais adorava. Dona Mira foi a última de sua geração... enterrou a todos, marido, irmãos, cunhados e concunhados  ... sobreviveu ao penúltimo por mais de 5 anos ... achávamos que ia mais longe, mas não deu... Há 24 anos que não sabemos o que é viver sem Vovó... vamos ter que acostumar...

Ontem Renata sonhou com ela, sorridente, sentada ali na sala, mas em uma cadeira diferente.

Interpretamos como um bom sinal!!

4 comentários:

  1. Com certeza ela cumpriu sua missão com maestria iluminando a todos com sua sábia compreensão em lidar com os acontecimentos diários junto da família e dos amigos. Um ser iluminado é assim! Que a Espiritualidade Amiga conceda-lhe muita Luz nessa volta ao verdadeiro Lar.

    Abs, Rosana Bothmann.

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  2. Transições sempre mexem com a gente, seja de que lado estivermos... Mas são sempre transições e a única constância é sua eternidade.

    Comungo com o pesar da sua saudade e com a leveza da esperança de seu espírito. Abraços e Luz.

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  3. Imagino dna. Mira sendo recebida pelo filho querido a quem cuidou com tanto amor e dedicação. E agora ambos vivendo em outro local, felizes e mais próximo de Deus. Meus sentimentos. Grande abraço Homero.

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  4. Homerix,

    Saudades. Boas saudades. Esse é o bom sentimento que guardamos dos entes queridos que se desligam deste mundo. E recordamos com a nostalgia, que nos transporta aos bons momentos que experimentamos, como se fosse um replay da imaginação, para resgatar tempos, encantos e cantos do convívio pretérito. Como dizia o extraordinário e saudoso Fiori Gigliotti, quando eu era garoto ele era o locutor da torcida brasileira, da Rádio Bandeirantes de São Paulo, algo como: "vai ficar por todo o sempre incrustado na ternura e na sinceridade, do nosso cantinho da saudade".

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