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sexta-feira, 28 de março de 2003

Ventura Family Status - Last year in Houston

Amigos
Estamos bem, graças a Deus.

Renata está terminando o primeiro ano de faculdade (e ela acabou de fazer 18). Há sempre aquela dúvida sobre se é isto mesmo que ela quer, vocês sabem bem o dilema. Ela está indo muito bem, Straight A's, já tem uma galera que quer estudar com ela e compartilhar os seus resumos.

Felipe é sempre aquele bom menino, com sua guitarra e violino (rimou!). Ontem estava de Smoking às 2 da tarde, participando junto com a orquestra em um concurso interessante: primeiro a orquestra tinha que tocar uma peça ensaiada e depois uma peça surpresa, com meia hora para estudar a partitura.  Não sabe se foram bem! Na guitarra, é muito dedicado, tem um tempinho livre está agarrado a ela. Só não desenvolve mais pois é extremamente tímido e jamais vai entrar em nenhuma banda. Na escola, vai muito bem, sua nota mínima no último "6-wees-period" foi 96. Pena que não vai ganhar a medalha de "All  A's" no final do ano por uma bobagem concentrada de esquecimento de dever-de-casa.

Neusa está contente, porém trabalhando muito, cuidando da casa, mãe e irmão. Ela chega ao final dos dias esgotada. Agora está animada com um curso de pintura, algumas de suas obras já ornamentam a casa. Tem um círculo de amigas brasileiras que volta e meia se reune, para jogar buraco, celebrar aniversário, chá-de-bebê, ou no mínimo fofocar, o social até que está bem movimentado.

Dona Zulmira fez 80 anos, na última segunda-feira. Neusa chamou algumas das amigas que mais gostam dela e conseguiu fazer uma festinha surpresa, ela não percebeu nada. É realmente uma heroína! De vez em quando dá uma baqueada mas, felizmente tem se recuperado.

Meu cunhado Carlinhos está numa felicidade só, sempre com um sorriso, e rodeado de carinho. Este ano, ele faz 50 anos, dia 13 de outubro.

De meu lado, ando menos preocupado que antigamente. As coisas no serviço estão um pouco melhores. Meu quarto ano, teoricamente o último, vence em 13 de setembro ainda não recebi nenhuma sinalização sobre substituição. Em princípio todos gostaríamos de continuar. Nosso único receio é a saúde de Dona Mira e Carlinhos: o plano de saúde deles, contratado no Brasil para cobrir emrgências e internações termina em Agosto, já sendo os 2 últimos anos uma concessão da AMIL Internacional, que foi obtida depois de muita conversa e cartas trocadas. Dificilmente renovo de novo!

Enfim, é isto!

Voltando um pouco ao caso da Globo. Heloisa, sua sobrinha não tem Globo Internacional ...  How Come? (joke!)


Abraços a todos!

Homero Ventura

segunda-feira, 17 de março de 2003

Primeira Página, Aqui e Lá

Meu primo é livre-docente em jornalismo. Quando morei em Houston  notei diferença na diagramação dos jornais americanos em relação ao nosso. Numa ocasião ele nos visitou mas não toquei no assunto. Somente quando ele voltou ao Brasil, lembrei-me da minha dúvida e entabulou-se o seguinte diálogo.

EU
Carlos Eduardo, como foi o retorno, tudo certo? Daniel estava bem? Gostou das lembranças e da camiseta da NASA?
Bem, neste dia em que a primeira página dos jornais deverá estar dedicada ao primieiro dia de guerra, tenho uma pergunta técnica de jornalismo escrito.
Notei que a editoração do texto das chamadas de matéria de primeira página de um jornal é elaborado distintamente aqui, em relação ao Brasil. Ao menos nos jornais que li, NYTimes e Houston C., o que aparece na primeira página é o começo da matéria, remetendo ao final para uma página interna onde a mesma continua e termina.
Já nos jornais do Brasil, eles fazem um resumo da notícia na primeira página, remetendo ao final para uma página interna onde se lê a matéria completa, com detalhes.
Existe um nome técnico para cada um destes tipos de editoração?
Existe uma razão para os defensores de um ou outro método?

Particularmente eu prefiro o brasileiro.

Um abraço
ELE
Tudo certo no retorno, exceto o mergulho numa pilha de papéis, jornais, revistas, e-mails acumulados e no trabalho cotidiano, que já é uma violência.
Você tem razão. Os jornais brasileiros trazem "chamadas" ("teasers" em inglês) na primeira página, uma espécie de resumo dos textos que aparecem na íntegra nas páginas internas. A única exceção notável aqui é a Gazeta Mercantil, que usa o sistema americano/britânico de iniciar o texto na primeira página e continuá-lo nas internas ("iceberg" em português e "jump" em inglês).
Uma das reclamações mais constantes dos leitores americanos de jornais é contra os jumps. Eu acho o sistema brasileiro muito superior. Quem quiser ler só o resumo na primeira já fica satisfeito. Além disso, se você quiser ler na íntegra todos os textos que começam na primeira página, no sistema de jumps terá de ficar abrindo e fachando o jornal sucessivas vezes.
Um abraço a todos aí.
EU

Excelente resumo! Aliás, gostei muito do "iceberg", em português!
Só faltou dizer (não pergunto mais nada!): quem chegou primeiro, o teaser ou o jump? O teaser foi invenção brasileira (quem dera!)?
Afora isto, fui à Internet fazer pesquisa: o livro em que você critica o JN é "Muito Além do Jardim Botânico"? Ainda se encontra nas livrarias? Expliquei para as crianças o fantástico trocadilho do nome, já que o filme não é da época deles. Apesar de eles serem amantes de cinema, sobretudo o Felipe em relação a clássicos antigos, ainda não os introduzi no fenômeno Peter Sellers. Eles tem uma certa resistência mesmo a ver The Party, nem mesmo eu falando que foi o filme em que eu mais ri, logo após Monty Python - Search of the Holy Grail. Bem, na verdade, Felipe já assistiu a Dr. Strangelove e gostou. Talvez seja o primeiro passo.

ELE
teaser é invenção brasileira, sim, e veio depois. Chegou a ser parcialmente adotada pelo New York Times em meados da dácada de 80, quando um dos diretores de redação do jornal era um ex-correspondente no Rio, que adorou o método que se usava aqui. Depois, o Times resumiu seu uso a uma ou duas por dia, bem pequenas.
O "Muito Além do Jardim Botânico" ainda está nas livrarias, sim. Outro dia mesmo eu o vi na Cultura.