domingo, 12 de junho de 2011

Wish You Were Here

Sexta à noite, festa surpresa para um amigo, minha idade, ambiente ótimo, cobertura,  vista para Cristo e Pão de Açúcar, céu estrelado, bom papo, drinks, excelente buffet e, principalmente, boa música. Um DJ manobrava seus aparelhos, engrenando um sucesso no outro, com pouquíssimas, e boas, concessões a algo pós-1990. Uma bela hora, um cara pega o microfone e anuncia que o filho do amigo (de 12 anos) e seu amigo vão fazer uma homenagem a ele. O filho chega com um violão, o amigo dele, com um microfone, o filho começa os acordes Mi Menor, Sol, Mi Menor e Sol e logo eu percebo: Wish You Were Here, do Pink Floyd. E o amigo: So, so you think you can tell, heaven from hell, blue skies from pain...


Que bom gosto!! Há salvação para a juventude! Os meninos mandaram muito bem. E o pai, som um sorriso de orelha a orelha. Cantei do meu cantinho, junto com eles a letra inteira. Bem, não era de se estranhar o gosto do menino, posto que o pai reza a mesma cartilha que eu!! Que bela homenagem!


Assim como a própria música é uma homenagem de Roger Waters, seu autor, ao amigo Syd Barret, que é o You he wished to be there. Tive a oportunidade de ouvir o próprio autor cantando-a num dos melhores shows a que assisti em minha vida, na Praça da Apoteose - Dark Side of The Moon. Aqui, um extrato de minha crítica em que falo sobre o momento:
Roger e Syd
Segue o show e chega a hora de homenagear o amigo Syd Barret, outro fundador do Pink Floyd, morto em 2006, após quase 40 anos escondido num porão, mergulhado em perenes alucinações (como eles gostam de dizer, “slipped from reality”), fruto indelével das pesadas drogas que tomara em sua juventude, terminando precocemente sua carreira: do álbum Wish You Were Here, Roger canta a canção título, que a platéia acompanha inteirinha, quase às lágrimas (pelo menos, eu estava!), e “Shine On You Crazy Diamond”, também acompanhada com emoção.

O relato sobre o show de Roger Waters, você encontra aqui: 

E, pra completar a noite, uma sessão de 10 clássicos beatle, que cantei a plenos pulmões! Ele havia lido meu post (AQUI: Balance e Berre) sobre como os Beatles são tratados nas festas hoje em dia!

Obrigado, amigo!

sábado, 11 de junho de 2011

Parabéns ao Vasco, campeão de primeira!

Amigo(a) vascaíno(a)


Em 2008, no final do ano, o Vascão estava prestes a cair.

Uma vascaína pediu-me que 'postasse' um comentário sobre esporte num blog que o filho dela estava publicando. E eu fiz uns 3 ou 4.

Um deles dizia mais ou menos isso:
      Os vascaínos não devem considerar a caída para a Segunda Divisão como o desastre final, o pior dos mundos. Tenho certeza que, caso se confirme, o ano de 2009 será inesquecível para o time da Colina. Haverá uma reconciliação com a torcida, que ficará de bem com o time e encherá os estádios, dando um apoio jamais visto em anos precedentes. E, se tiver só um pouquinho de competência, volta triunfalmente em 2010, quem sabe com o título de campeão da Segunda Divisão, afinal os competidores não serão lá essas coisas. Será uma campeão de segunda, mas será um campeão (HeHeHe).
Dito e feito, o Vasco foi campeão da segunda divisão!

E agora tenho que me penitenciar da piadinha:  Agora é um campeão de primeira!


Conquistou a Copa do Brasil ... e com isto, já são 3 anos seguidinhos com um time carioca campeão em nível nacional. Que coisa!

Quando Neusa cumprimentou seus amigos vascaínos, um deles respondeu com uma mensagem que contava um pouco da história do Vasco.

É meio grande, mas quem quiser, leia. Eu li, e gostei. E fiquei impressionado com o conhecimento do cara. E até entendo o  porquê da enorme paixão demonstrada. Os episódios contados são de se orgulhar.

Eu mesmo não sei quase nada da história do Santos, antes da chegada de Pelé e daquele grande time!!!


Então é isto!


Se tiverem tempo e curiosidade, leiam!

Abraço

Homerix Entendendo de Vasco Ventura


Breve História do CRVG
Clube de Regatas Vasco da Gama


A diferença do torcedor do Vasco para os outros é que ele  perca ou ganhe ele é sempre bem feliz "...tua imensa torcida bem feliz,  norte sul deste país..." - Hino do CR Vasco da Gama - de Lamartine Babo para nós basta olhar para trás e ver o que esse clube representa em termos da história esportiva, política e social. Basta ver alguns poucos episódios: O clube foi fundado como uma associação esportiva voltada para o remo, então o sporting mais popular da capital, por um grupo majoritariamente de portugueses. Em poucos anos já havia se tornado uma referência nacional para o remo. Então fundiu-se com um clube de football, também majoritariamente de portugueses, o Lusitânia. A partir daí passou a disputar o Campeonato da 3ª Divisão. Em 1922 o football na capital federal era um sporting extremamente elitista que só aceitava players majoritariamente das classes sociais mais  abastadas e brancos, of course. O time do Vasco então faz sua ascenção à primeira divisão do campeonato carioca com um time composto basicamente de  brancos, negros e mulatos, quase todos empregados do comércio (em lojas de portugueses). Foi uma campanha brilhante no seu primeiro ano na primeira divisão, os Camisas Negras, o uniforme oficial do Vasco era uma camiseta negra com a Cruz de Cristo (o termo exato seria a Cruz da Ordem de Cristo),(não é cruz de malta como popularmente dito) - símbolo das velas das naus portuguesas de antanho - e gola na cor branca, ganharam quase todos os jogos, tendo empatado apenas um match, chegaram à última rodada já campeões por antecedência para jogar contra o Flamengo no estádio deste. O Flamengo ganhou por 2X1, em partida que o árbitro teria sido muito parcial, segundo uns para o campeão de 1922, segundo outros para o vencedor da partida, porém consensualmente foi um match disputadíssimo. Após a conquista do título, os grandes clubs da capital - Fluminense, Botafogo, Flamengo e América - reuniram-se e resolveram fazer a tentativa do que seria a maior vergonha do football nacional, convencer o CRVG a eliminar de seus quadros esportivos seus players negros e mulatos para poder continuar a disputar o campeonato carioca. Em carta de texto curto o então presidente do Vasco respondeu que seria uma vergonha para sua instituição excluir de seus quadros atletas que haviam demonstrado suas virtudes no campo e conquistado título tão importante, e que então preferia ver o CRVG não disputando o campeonato com aqueles clubes excludentes. Desta querela surgiu a desculpa de que o Vasco não poderia participar do campeonato por não dispor de estádio próprio. O Vasco então recorreu às suas bases, comerciantes portugueses e rasileiros das mais diversas origens e status social, que finalmente viam-se representados no viril sporting bretâo. Com o dinheiro arrecadado comprou-se um terreno em São Cristóvão e importou-se o cimento em Portugal. Em 1927 estava concluído o Estádio de São Januário, então a maior arena esportiva da América Latina, com sólida e refinada arquitetura, murais em azulejos portugueses dos mais famosos artistas de sua época. Vamos dar um pequeno salto no tempo. Prepare-se... upa! Chegamos à década de 40. Fora o lançamento da CLT e da Justiça do Trabalho, os discursos, desfiles de carnaval, festividades oficiais e cerimônias públicas no campo do Vasco, o Estádio de São Januário foi palco do famoso discurso de Vargas acerca da necessidade de uma siderúrgica no Brasil para poder sustentar a guerra iminente, que acabou sendo o estopim para o acordo com os EUA e a criação da CSN. Quanto à participação do Brasil na 2ª Grande Guerra Mundial o CRVG participou ativamente no esforço de guerra, sendo o único clube do país a bancar os custos integrais de uma aeronave para a FEB. Após a 2ª Grande Guerra Mundial o CRVG conquista os primeiros títulos internacionais do futebol brasileiro, o Sul-Americano de 1948 disputado no Chile, uma série de torneios na Europa, como o torneio de Paris e a Taça Tereza Herrera, que é o início da lenda do encantamento brasileiro no futebol - e que gerou uma legião de torcedores do Vasco no Velho Mundo, como o Thierry Henry (jogador francês campeão do mundo de 1998) entre outros. O modo brasileiro de jogar futebol, uma mistura da escola argentina do "toque e corre" com a ginga dos negros e mulatos foi experimentada pela primeira vez no Vasco ainda no final da década de 20 com a contratação de um coach uruguaio. O espaço dos negros e mulatos no football foi conquistado com muito suor e técnica dos Camisas Negras. Assim abriu-se espaço para o primeiro ídolo do futebol brasileiro o "Diamante Negro" Leônidas da Silva que brilhou na Copa de 38. E todos os craques negros e mulatos que seguiram-se: "Mestre" Didi, Barbosa, Zizinho, Sabará, Nilton Santos, Garrincha, um vascaíno de nome Edson - mais conhecido como Pelé, Ronaldo(s), Romário e tantos e tantos outros.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Abreu e Lima?

Chávez deu as caras por aqui e me lembrei de um fato interessante.

A refinaria que a Petrobras está a construir em Pernambuco,  em sociedade (em princípio) com a estatal venezuelana do petróleo, chama-se ‘Refinaria Abreu e Lima’! Eu sempre ouvi esse nome, mas nunca me perguntara o porquê da homenagem.

No mês passado, chegou-me às mãos, por intermédio de um colega, um livro que seu pai escreveu, chamado ‘El Muy Inquieto Señor General’ – La Vida de Luís Inácio de Abreu e Lima. Deu pra perceber, a minhas mãos chegou a tradução em espanhol.

Li suas primeiras páginas, que permito-me transcrever, em parte, e para o que peço sua atenção (vale a pena!):

El general Abreu e Lima dobla cuidadosamente la almidonada túnica blanca de su traje de gala, con las … emblemáticas y llamativas condecoraciones, obtenidas por actos de heroísmo y, también, en función del  reconocido liderazgo y pericia en el comando de tropas bolivarianas, en las batallas de Boyacá, Puerto Cabello y Carabobo.

Sobre ella descansa la barretina negra de ala corta, en la cual flota, olímpicamente, el blasón de armas colombianas; su espada y espuelas de oro, recibidas de las manos del propio Libertador Simón Bolívar, ….

Melancólicamente se dirige al tímido, rústico y mal conservado puerto de Bogotá, infestado de mosquitos, a esta altura aún semidesierto y con tan solo os medianas embarcaciones atracadas – un largo y estrecho vapor, El Gallego,  …

Irónicamente se va fatigado y para siempre de la tierra de la que ha sido uno de los libertadores. En este momento, se encuentra en la irónica y molesta condición de héroe expatriado camino al exilio en su país natal, el Brasil monárquico, dejando atrás lo que ha quedado de la tan idealizada y liberta Gran Colombia.

Es la gélida y nublada alborada del 9 de agosto de 1831 en la capital de la república colombiana, y su solitaria y solidaria “guardia de honor” está integrada, nada más que por el amigo de muchos años, el cabo Gabito, muy leal ordenanza de campo. …

El cabo camina siempre un paso atrás, obsequiosamente, con su aventajada cabeza de india vieja, harta y lacia melena negra, y enverga el maltratado uniforme de campaña, de color oliva de los sorches de caballería, …

El buque silba triste y roncamente tres veces y el general se despide con un afectuoso abrazo de su confidente y subordinado de larga y épica campaña de muchos e intensos años de sudor, sangre y sueños.

-         Adiós – le dice, mirándole con ojos de ausencia y semblante encrespado por la decepción que le causa la “deportación”. El cabo perfilado, en prusiana posición de firmes, saluda solemnemente y responde:

-         Adiós, mi General!


Pois é, o tal Abreu e Lima vem a ser um intelectual e militar pernambucano, que abandonou o exército brasileiro e juntou armas com o grande libertador Simón Bolívar, tão venerado em muitos países de ‘latinoamérica’, em especial pelo presidente da Venezuela, que se considera sua reencarnação. Das três batalhas citadas, Puerto Cabello e Carabobo ocorreram em território hoje venezuelano.

Portanto, nada mais justo que dar o nome de uma refinaria em Pernambuco, associação entre Brasil e Venezuela (será?),  a um pernambucano ilustre que serviu aos dois países!!!

Por alguma razão, que ainda desconheço (a leitura do resto do livro o dirá), Abreu e Lima acabou sendo deportado de volta ao Brasil, episódio descrito nas primeiras e chamativas páginas do livreto, como o autor o chama. É um livro pequeno, de pouco mais de 100 páginas, que, pelo estilo das primeiras, serão de fácil e envolvente leitura.

Talvez eu adquira a versão em português, para fazê-lo na língua original do autor, Sérgio Bruni, hoje superintendente da FGV e diretor da PUC-Rio, e que tem outros 10 livros em sua 'livrografia'.

Parece uma boa dica, não??

Ao chegar em casa, hoje, li mais um pouquinho. As primeiras páginas do segundo capítulo são dedicadas a um mapa astral feito na época de seu nascimento. Pois é, essa coisa já existia em 1795! Um longo mapa, com a descrição de todos os signos em todas as casas, que eu não entendo nada, nem acredito, mas que está uma coisa im-pres-sio-nan-te, pelo pouco que pude perceber da história do guerreiro.


Yo no creo en bruxas, pero que las hay, las hay....

OUÇA e LEIA - O Lado B de Beatles 65

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