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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

007 Contra Spectre


 
Eu vi ‘007 contra Spectre’ (Bond 24) logo no primeiro dia e saí muuuito satisfeito. Ri muito e me arrepiei, como esperava. Entretanto, para chegar à análise do que eu vi, permitam-me introduzir aos menos fanáticos um pouco do que foi a carreira de Daniel Craig na pele de James Bond.
 
O primeiro foi ‘007– Casino Royale’ (Bond 21), que veio pra chacoalhar a franquia mais famosa da história do cinema. Primeiro, porque o 6º ator a encarnar o agente mais famoso da história era um cara loiro (os demais eram morenos), baixo (os demais tinham no mínimo 6 centímetros a mais) e orelhudo(os demais não eram...). Depois, que assumindo a necessidade de um reboot na franquia,
1.    Simplesmaente dispensaram Q, o distribuidor de ferramentas espetaculares, e Eve Moneypenny, a secretária insinuante
2.    O roteiro não tinha nenhum vilão megalomaníaco querendo dominar o mundo, que recebia o herói em suas espetaculares instalações do mal
3.    E nem um terrível capanga que o perseguia ao longo do filme todo.
4.    Além disso, a arma que carregava não era uma Walther PPK, e o drink que gostava não era um Martini ‘stirred not shaken’.
5.    E a frase mais famosa do cinema? Quase que não fala!!! Só na última cena, quando nós, os fãs, apesar de maravilhados com o que acabáramos de assistir e aprovar, e mesmo já perdoando tudo aquilo que não vimos, acharíamos imperdoável que Casino Royale fosse o primeiro filme em que não ouviríamos ‘Bond, James Bond’. E ela veio, da maneira mais genial possível: Daniel Craig era James Bond.
O segundo filme de Craig, ‘007 - Quantum of Solace’ (Bond 22), foi ainda na mesma linha, mas muito menos brilhante, ainda sem Q e Moneypenny, mas o elenco era fraco, e o vilão, sinceramente, nem me lembro dele. A favor, o levantamento do tema da falta de água no mundo!!
O terceiro, ‘007 Operação Skyfall’ (Bond 23), foi um verdadeiro arraso, voltaram com os dois colaboradores tradicionais, Q bem jovem (Ben Whishaw), na linha ‘nerd’, e Moneypenny (Naomi Harris) em ação no começo, mas logo recolhida ao escritório. Ponto altíssimo do filme foi o vilão Silva, magistralmente interpretado por Javier Barden, mas seu desejo era ‘apenas’ vingança contra M, a chefona de 007, a sempre brilhante Judy Dench que, lamentavelmente, morre no final. O advérbio está aí apenas por pena de não a vermos mais atuando, mas foi fundamental. Seria muito triste que a atriz desaparecesse deste plano entre um filme e outro, no meio das filmagens do filme seguinte. Foi bom que ela pôde descansar no Best Exotic Marigold Hotel (pena que poucos entenderão esta minha piadinha...)
E aí veio Bond 24, com grande expectativa, pois retornava à franquia a organização criminosa que dá nome ao filme, que não víamos como inimigo principal desde ‘007 – Os Diamantes São Eternos’ (Bond 7), lá de 1971, e porque como vilão principal escalaram ninguém menos que Cristophe Waltz, o magistral ator austríaco descoberto por Tarantino em ‘Bastardos Inglórios’ e confirmado em ‘Django Livre’. Contribuindo para a expectativa, a manutenção de Sam Mendes na direção, após um magistral trabalho no Bond 23. As homenagens foram muitas, a gente ia percebendo. Está tudo de volta, o grande vilão, o grande capanga, e até o grande o plot megalomaníaco de dominar o mundo, desta vez através do controle da informação. Atualíssimo, posto que na semana anterior discutia-se o tema no próprio Parlamento Inglês, com direito a protestos de vários setores da sociedade!!
ATENÇÃO!! Aqui eu começo a falar sobre Bond 24 e eu recomendo: após este ponto, quem acha que spoiler estraga filme, pare por aqui e volte depois, pois não resisti e relato várias cenas e alguns detalhes.
Vou te dizer, se por acaso eu tivesse um piripaque logo após a cena inicial eu posso lhes garantir que haveria morrido feliz. Que perfeição!! Plano-seqüência da melhor qualidade, uma tomada só, de 5 minutos sem sair de cima!! Cidade do México, Dia dos Mortos, parada na Zócalo, gente mascarada, lembrando muito ‘007 Viva e Deixe Morrer’ (Bond 8), que se passou em Nova Orleans. Câmera em um dos mascarados acompanhado de uma morena linda (a mexicana Stephanie Sigman), câmera não sai dele, ele entra em hotel, sobe em elevador, entra no quarto, tira a máscara, pega a arma e a cena segue, magnífica, sem cortes até a perseguição em meio a milhares de figurantes, e depois ... bem, venha ver!! Arrebatadora!! Só ela já vale o ingresso!
Mas veio mais!!
 
Pra começar, a surpreendente e última (será?) aparição de um personagem querido, justificando o ato mexicano de Bond e também o resto do filme, e à revelia da nova ordem que se instalava, que dispensava os agentes 00 (dâbolou como eles dizem), que têm permissão para matar, ora, ora, o que é que eles pensam... O filme começa realmente numa Londres pós-atentado à MI-6, a agência de espionagem britânica e portanto, Bond apresenta-se ao novo M (Ralph Fiennes, introduzido em Skyfall) na nova sede, um verdadeiro buraco, em um momento em que o posto do chefe está ameaçado por um almofadinha atrevido da MI-5, que agora comandaria a fusão. E aí entra o nerd Q, com ótimas falas, mostrando o novo bólido, um Aston Martin não destinado a ele, entregando-lhe como compensação seu novo relógio Omega, que apenas marca as horas  ... duvido!



E ainda mais, na Itália, com a deslumbrante presença da mais velha Bond Girl da história, a cinquentona e linda Monica Bellucci, pena que aparece tão pouco. Ela dá a dica para Bond comparecer à reunião da Spectre, e então chega a tão sonhada aparição do vilão Ubermeyer, marcante e surpreendente, vem o enfrentamento com Mickey Mouse (só vendo pra entender!), e o ritmo segue alucinante, numa perseguição pela Roma milenar, com o novo Aston Martin super-equipado, mas com nem tudo funcionando. Note as teclas de acionamento idênticas às do Aston Martin de ‘007 Contra Goldfinger’ (Bond 3), lá de 1963. E o assento ejetor, desta vez com outro objetivo!!!!


A coisa esfria, mas só na temperatura, a dos Alpes austríacos, onde Bond encontra seu mais recorrente inimigo, desde Casino Royale, um Mr. White terminal, com quem trava um espetacular diálogo, em cena mais que marcante, e que o leva a conhecer Madeleine Swann, num spa nevado que lembra muito o cenário suíço de ‘007 A Serviço de Sua Majestade’ (Bond 6), lá de 1968.
Próxima etapa, Tanger, em Marrocos, uma casa abandonada cheia de segredos, e habitada por um ratinho que faz Bond proferir duas das melhores falas do filme, aliás, mais uma reminiscência, afinal não a primeira vez que ele trava um monólogo com um rato (ver Bond 7); em seguida, um trem... e assim que ele aparece, singrando o deserto, você, como fã emérito, se lembra imediatamente de ‘Moscou contra 007’ (Bond 2), lá de 1963, e, bingo!! Uma bela hora, aparece o capanga Mr. Nynx (o gigante Dave Bautista), só um pouco menor que o inesquecível Jaws (Bond 11 e Bond 12), e Bond trava com ele uma briga espetacular como a que Sean Connery travou com Robert Shaw, na pele de Red Grant, uma das mais antológicas cenas da franquia.  
Nesse trem, um pouco antes da briga aparece a cena que justifica a presença de Lea Seydoux como Bond Girl. A atriz, que já havia sido a bandida de Missão Impossível IV, diz ao que veio ao adentrar o vagão restaurante num estonteante longo azul, talvez referência ao seu filme ‘Azul é a Cor Mais Quente’, pelo qual ganhou vários prêmios. E, claro, também ao ajudar o agente num momento sinistro. Tudo isso antes de consumar seu papel de Girl de Bond....
Ao desembarcarem, literalmente no meio do nada, a revelação de um mistério de 50 anos de franquia: ficamos sabendo de onde vêm os diversos trajes que Bond veste, que aparentemente apareciam do nada!! James Bond usa mala!!! A cena dele e de Madeleine assistindo à partida do trem, cada um ao lado de sua malinha entra para a história do cinema!!!!
E no meio do nada aparece a condução, um Rolls Royce, que os levará, finalmente à imensa base secreta da Spectre, como estávamos saudosos de ver, e os entrega à magistral presença de Ubermeyer, revela ser na verdade Ernst Stavros Blofeld. E vemos o seu famoso gato branco que apareceu nos Bond 2, 4, 5, 6, 7 e 12, impressionante como ele não envelhece.... Na linha do ‘Eu vou te contar tudo, já que você vai morrer, hahahahah!’, (quer dizer, felizemente não tem essa risada), Blofeld conta que ele é a prigem de todo o mal que atingiu Bond nos últimos anos, afinal Le Chiffre (Bond 21), Dominic Greene (Bond 22) e Raoul Silva (Bond 23) eram seus comandados, em última análise. Afora isso, uma relação ente os dois, herói e vilão, jamais pensada, é revelada. A cena de tortura que se segue é realmente torturante, mas aí se descobre a real capacidade de seu novo Omega. E a excelente pontaria de 007!
Depois, de volta a Londres para desmascarar C, as in ------ (NÃO CAPTEI!), evitar a submissão do mundo à Spectre, salvar Madeleine mais uma vez, fazer mais uma perseguição espetacular e, pronto, deixar a deixa para o próximo filme.
E deixar a grande dúvida: continuará Daniel Craig no papel? Dizem que assinou um contrato para dois filmes, sendo ‘007 Contra Spectre’ o primeiro, pela bagatela de £ 31 mm, mais ou menos R$ 180 milhões, cotação de hoje. E eu sinceramente espero que volte, afinal espero ver mais do relacionamento de Bond com Blofeld, que eu achei que não foi bem explorado aqui, acho que Waltz pode entregar mais no Bond 25. Isso tira meio ponto da nota final.
E o ponto mais fraco para mim, que ajuda muuutio o meio ponto que o filme  perde foi a música-tema. Fraquíssima uma verdadeira ducha de água fria, ainda mais se comparada com a penúltima, brilhantemente composta e interpretada por Adele, em Skyfall, que tinha o clima da franquia e ganhou até Oscar! Não vou nem dizer o compositor e o intérprete desta última pois quero esquecer.

Então é isso!
007 Casino Royale: Nota 10,0
007 Quantum of Solace: Nota 8,0
007 Skyfall: Nota 9,5
007 Spectre: Nota 9,5
Em suma, não deixe de ir ao cinema
para ver o último James Bond!!!







15 comentários:

  1. Concordo plenamente com cada palavra.

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  2. Duas considerações apenas: "Cassino Royale" tem duas vantagens sobre os demais filmes estrelados por Craig: a primeira delas, Eva Green, mulher estonteante, daquelas que fazem a gente jogar tudo pro alto. A segunda, o vilão interpretado pelo excepcional ator dinamarquês Mads Mikkelsen, de quem sou fã incondicional.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Concordo contigo em tudo, especialmente quanto à música tema, tão inexpressiva que já esqueci.
    A cena dos dois na "estação" no meio do nada me lembrou Butch Cassidy & the Sundance Kid chegando de trem à Bolívia.
    Ainda acho Cassino Royale o melhor Bond da série Craig. Apesar da música não ser marcante, a apresentação foi espetacular.
    Deve ser visto como a 1a história da série, apresentando Bond como novato. Ao longo do filme ele comete vários erros dentre os quais o pior foi se apaixonar e sevdar mal pir isso. Ao perceber isso ele finalmente se torna Bond, James Bond e é por isso que só se ouve a fala icônica no fim do filme, seguida da música tema da série.
    Apesar de Craig ter garantido que Spectre seria sua última atuação como Bond, ele aparece nos créditos como produtor.
    E nos créditos finais não há menção à próxima história, apenas "James Bond will return".

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  5. As usual, só lerei depois... Mas amanhã tou lá !!!

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  6. Homero, foi muito esclarecedor e me ajudou muito seu texto. Também gostei do atual filme,mas colocaria o Skyfall e Quantun of Solace na frente em minha classificação. Conforme já conversamos, coloco Cassino Royale como um dos clássicos dos clássicos da serie 007.
    No Spectre senti falta de uma musica a altura do 007 e por vezes me pareceu que as cenas foram cortadas para seguir em outro plano, mas no geral é um filme bom. Como sempre, 007 sempre será imperdível,
    Creio que o Daniel Craig será uma das personificações mais marcantes do agente . sds

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  7. Adorei. O ponto fraquíssimo foi a música. O compositor da trilha desprezou a harmonia característica que surge a cada filme. Só James Bond pode apanhar 15 minutos sem apresentar arranhão ou inchaço depois da briga. E que loura!

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  8. Adorei. O ponto fraquíssimo foi a música. O compositor da trilha desprezou a harmonia característica que surge a cada filme. Só James Bond pode apanhar 15 minutos sem apresentar arranhão ou inchaço depois da briga. E que loura!

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  9. Adorei. O ponto fraquíssimo foi a música. O compositor da trilha desprezou a harmonia característica que surge a cada filme. Só James Bond pode apanhar 15 minutos sem apresentar arranhão ou inchaço depois da briga. E que loura!

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  10. Homerix,

    Excelente resenha. Não vi ainda, mas está na minha programação, sobretudo depois da sua postagem.

    No dia 2 de novembro, dia de finados, houve o lançamento do filme, em que a Cidade do México foi a sede da Premiere of the Americas, com a presença do elenco no Auditório Nacional, absolutamente lotado.

    Sobre o Spectre, veja as notas publicadas no El Universal:
    http://www.eluniversal.com.mx/articulo/espectaculos/cine/2015/11/1/daniel-craig-promueve-spectre-en-mexico
    http://www.eluniversal.com.mx/articulo/espectaculos/cine/2015/11/5/daniel-craig-emocionado-por-estreno-de-spectre



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  11. Parabéns por mais uma EXCELENTE RESENHA. Concordo com a maioria das afirmações e comentários, embora tenha uma crucial: não posso concordar com a sua qualificação acerca do ator principal (D.C). Apesar disso, adorei a sua "resenha", tão bem resumindo os 4 filmes com ele. Obviamente, não confiando em seu alerta providencial, deixei para ler tudo somente hoje, depois de ter ido ver o filme. Excelente - 9,5 com louvor - concordo que realmente a música deixou um pouco a desejar. Aqueles tiros que nunca o acertam, o sofá, a briga no helicóptero, a leveza magistral, típica de S.M. e/ou D.D. sobre os tetos dos prédios mexicanos, e o colarinho perfeitamente alinhado após a luta cascuda contra o JAWS II, já fazem parte do folclore e precisam ser relevados (ou curtidos !)...apenas uma outra ressalva: você poderia ter qualificado a maravilhosa Mônica Bellucci como a mais "experiente" ou mais "vivida", etc.... Mas como "mais velha", considerei um pouco "unpolite"... E tenho que concordar com você e W. que apesar dos parquíssimos minutos na tela, foi algo REALMENTE EXUBERANTE. Para mim, ainda conseguiu superar a Seydoux (?)...Ah, e o "C", já lhe respondi, in private...Abçs, A2

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  12. A-do-rei a sua resenha, Homero.
    Nas homenagens/referências aos filmes anteriores eu gostaria de destacar mais uma, logo após a sequência inicial no México, no início da apresentação dessa musiquinha insossa que, absolutamente, não representa um filme de 007, a presença na tela de um imenso... polvo que, de cara, nos remete ao filme de 1983 (o 13º), "007 contra Octopussy"!
    Abraço grande

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  13. Ainda bem que assisti o filme antes, pois mais uma vez tenho que elogiar suas resenhas. Perfeita.
    Gosto muito da série, mas acho que está na hora de colocar um pouco de "amarrotação" na vestes e no rosto de Bond. A luta no trem e sair sem um arranhão e a camisa impecável!

    Itamar

    aqui.

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  14. Homerix, meu caro Bond Expert ! É muito legal esta sua crônica. Eu vi o filme ontem, e como um fã dos filmes 007 ... curti muito tudo. Ótima leitura, divertida.
    Abraços,
    Sergio Garcia

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