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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Falando sério



Não, não se trata de mais um post sobre Roberto Carlos.

Ontem, fui visitar uma paciente amiga num hospital, aliás um belíssimo hospital, limpo, arejado, claro, quartos com vista pra baía de Guanabara, o Hospital da Força Aérea do Galeão. Enquanto caminhava por alguns de seus largos corredores externos e eficientes rampas de acesso, passava por algumas televisões, da antessala de emergência, de vacinação, e da lanchonete. Algumas passavam o jogo do Fluminense, outras estavam no SBT. De relance, vi que este último transmitia um concurso de Comédia em Pé.
E pensei: nunca antes tanta gente talentosa apareceu para fazer esse estilo de comédia. Verdadeiros gênios, como Marcelo Adnet, Bruno Mazzeo, os Irmãos Cara de Pau, o filho do Chico Caruso, e outros, muitos outros, menos cotados. Os citados são bons, muito bons. Os outros, um pouco menos, mas ainda bons, e uns poucos, nem tanto. Eles são homens, mulheres, brancos, negros, gordos, magros, altos, baixos, tem pra todo gosto.
Mas o conjunto deles preocupa: eles são muitos. É uma febre!
Tem muita gente fazendo graça!
E pouca gente falando sério!

Vem mais um dado terrível sobre Educação ...
Enem "reprova" 63,64% das escolas; 99% delas são públicas
No total, 12.532 das 19.689 escolas com médias objetivas divulgadas pelo MEC tiraram nota menor que 511,21. Delas, 12.105 –99,4%– são das redes públicas de ensino. Outras 4.211 unidades tiveram menos de 2% de todos os alunos e menos de 10 estudantes participando das provas objetivas e de redação e, por isso, não entram na conta.
... e pouco se fala disso, e o ministro que está por trás disso tudo, completando 9 anos de descaso com o tema, segue no comando e ainda quer ser prefeito da maior cidade brasileira...



Vem mais um sinal evidente de malversação do nosso dinheiro
Ministro do Turismo entrega o cargo
... mas só depois de claríssimas evidências, com noitadas em motéis e uma faxineira como assessora parlamentar. Ele é o quarto ministro defenestrado neste governo: escandalosos 700 milhões de reais desviados no Transporte, e outros fatos menos valorosos, mas não menos espúrios...
Contra a corrupção, ainda aparecem algumas inciativas populares, como esta de amanhã, que convoquei em http://blogdohomerix.blogspot.com/2011/09/na-cinelandia-contra-corrupcao.html, e continuo convocando. Mas tudo isso é pouco.

Precisamos de mais 'Tropa de Elite' (adotando a linguagem do cinema,)  e menos 'Cilada.com', na qual não caí, ou seja, nem fui assistir...

Não sou contra o humor, a graça, o escárnio, me divirto com uns poucos deles,  o pessoal do CQC no Congresso faz um serviço bom, mas acho que tem que haver um equilíbrio, entre o fazer rir e o alertar.

Acho que estou um pouco amargo demais.

Agora, Falando Sério, encontro você amanhã na Cinelândia? 



Homerix Acabrunhado Ventura 
mesmo com a vitória do Peeeeixeeeee!!!!

5 comentários:

  1. Homerix,

    O quadro é tão precupante que a galera se vê inclinada mais para o pão e circo, sobretudo com o predomínio da corrupção que drena bilhões de reais dos seus destinos prioritários como educação, saúde, infra-estrutura e segurança...

    Mas não devemos esmorecer. Temos que lutar com perseverança. Na educação, esses indicadores do ENEN são muito preocupantes. Já tivemos momentos de educação pública de qualidade. Lembro-me dos tempos (decada de 1960) dos cursos ginasial e científico nos concorridos colégios publicos da Zona Norte de São Paulo, que mantinham padrões de excelência e professores de alto nível. Hoje esses mesmos colégios já não guardam saudosa e saudável fase da educação publica. Desde os governos militares a educação pública iniciou sua imparável degradação, cujos indicadores estão ai, em que pese algumas ilhotas de qualidade, como algumas escolas de aplicação e algumas escolas técnicas.

    Quem pode, matricula seus filhos em escolas privadas, que têm crescido e ampliado. Bom negócio para os proprietários dessas escolas? Certamente, tanto que provavelmente deva ter políticos entre seus proprietários (bom tema para jornalismo investigativo), mas ocupa espaço importante que deveria ser provido pelo Estado. Com efeito, converte-se obviamente num imposto adicional, cujo montante é parcialmente compensado na prestação de contas anual com o Leão. O governo tem que trabalhar um plano educacional com aplicação e resultados imediatos possíveis, mas com visão de longo prazo e sustentabilidade. Não podemos viver de campanhas movidas pela vontade dos políticos de plantão. Há que se aplicar o conceito de corrida de revesamento, em que uma vez lançado o plano cada ator, enquanto na pista, faz o melhor possível, para que o ator seguinte agarre o bastão, dê seqüência para melhorar e consolidar o plano.

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  2. João Figueira: quem disse que antigamente o ensino público era bom? Eu fiz meu primário/ginásio/colégio, naqueles velhos anos, no Estado do Paraná: era uma *porcaria*. O ensino público daquela época era tão ruim quanto o de hoje. Exceto, claro, para quem teve a sorte de estudar em São Paulo ou Rio ou outra grande cidade do sudeste. No restante do país o ensino público era de má qualidade, sim. A única coisa que mudou foi que os poucos bons colégios (dessas cidades que mencionei) decairam. O resto continua igual.

    E o governo atual, pelo visto, não vai mudar nada.

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  3. Questão de amostragem. Lamento que a amostragem do Galileu já estava borrada no seu tempo de formação fundamental. Toda a minha formação básica foi em escola pública e de altíssimo nível, tanto no primário como no ginásio e no científico. Lamentavelmente, essas mesmas escolas já não têm o mesmo padrão de excelência que experimentamos no pretérito, pois não houve um plano governamental de educação sustentável, que conferisse e melhorasse a qualidade de outrora. Aqui faço coro com o Galileu: o que se tem visto é uma degradação contínua e muito discurso, pura conversa fiada. Há tempos, ainda na ativa, o presidente Lula chegou a afirmar que o seu governo havia realizado uma revolução na educação. Se houve, então parece que só ele teria visto, quiçás, ouvido de algum assessor mal informado. Ou será que ele estava a se referir à reforma ortográfica? Se for isso, então o cenário é pior ainda, pois a tal reforma é um retrocesso, uma imposição, cuja elaboração do decreto não cumpriu os rituais de um processo democrático.

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  4. Homerix... em sendo 46.824... encampo todo o conteúdo de seu texto, literalmente tudo, nada a acrescentar, aliás, se assim fizesse aumentaria a minha dolorosa preocupação que já é incomensuravelmente e dolorosamente profundamente grande...
    Paulus

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  5. DARWIN MAGNUS LEITE19 de setembro de 2011 21:33

    Homero,

    O Brasil é tido no exterior como um país pouco coerente, com leis tíbias. Os governantes agem como se ignorassem o povo, abusam de suas prerrogativas e atuam com descaso à nação. Nosso povo, por sua vez, não tem propriamente um comportamento exemplar, escolhe mal seus representantes e se acomoda diante da proliferação generalizada da corrupção. As cenas de barbárie e violência que testemunhamos todos dias pela impressa são de estremecer a qualquer pessoa de bem. Aqui, muitas vezes, diante de tantos crimes impunes, muitos chegam a acreditar que o crime compensa e o Estado nada faz para mostrar que isso é errado.

    É lamentável ver que nossa terra tenha tantos males e que pouco se faz para enfrentar essa situação. Resta a esperança de que as coisas mudem um dia e que o Brasil se torne o império da verdade, da justiça e da honestidade, coisa que, hoje, estamos muito distantes.

    Darwin Magnsu Leite.

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