-

quarta-feira, 1 de dezembro de 2004

Estou Condenado

         Fiquei em dúvida quanto ao título para o assunto desta mensagem. Pensei em “Meta Revisada”, “Ditadura da Saúde”, “Empregado: Parte Interessada”, “Mudança de Unidade”, “Diminuindo a Carga” e alguns outros menos cotados. Acabei optando pelo assunto ora expresso ali em cima. Ao longo do texto, as razões para todos eles virão à tona.
         A motivação para este texto começou em junho de 2004, quando chegaram os resultados de meu exame periódico. Apesar de aliviado por meu colesterol total estar abaixo dos famosos 200 sei lá o quê, uma pequena alteração desfavorável em meu HDL, o colesterol do bem, fez com que o médico avaliador me recomendasse um programa de exercícios. Nada melhor do que aproveitar o Centro de Prevenção de Saúde - CPS, programa que a empresa implementara havia alguns meses.
         Ao comparecer à Avaliação Funcional agendada, fiquei impressionado. Mediram-me de cima a baixo, pinçando as gordurinhas em todas as dimensões possíveis, detalhando sem perdão todos os desvios vertebrais e posturais que eu sabia ter mas não sabia quantos, enfim, não deixaram pedra sobre pedra, serviço de profissional! Depois, o estabelecimento dos programas de exercícios de musculação e aeróbicos em equipamentos de primeiríssima geração. Fui então agraciado com a abençoada chavinha TGS, companheira inseparável das sessões de ginástica, que incansavelmente não me deixa esquecer o que a professorinha programou (e que eu tento sempre superar). Depois, o vestiário: tudo novinho e funcional, duchas individualizadas, com muita água, fria e quente, pressurizada, saco plástico para guardar roupa molhada. Além disso, ainda temos acompanhamento da dieta alimentar com recomendações de uma nutricionista.
         Junte-se a isso professores dedicados, recepcionistas e faxineiros eficientes e simpáticos e está instaurada a fórmula da saúde para todos. E tudo logo ali, à distância de alguns andares, de elevador, sem o desgaste de ter que pegar o carro, enfrentar trânsito, estacionar e agüentar flanelinha. Ah, há também sessões de aeróbica, alongamento e até spinning (para quem já é atleta)!
         Iniciado o programa, inicialmente estabelecido em 3 sessões semanais, comecei a me sentir tão bem que resolvi unilateralmente aumentar para 5 sessões, ou seja, todos os dias! E assim tenho feito, sempre que possível. Administro minha agenda conforme a necessidade. Elegi o horário matutino como preferencial, porém, quando não posso, vou ao longo do dia ou mesmo no expresso noturno.
         Ao longo destes 5 meses ouvi as mais variadas desculpas dos colegas que, apesar de indicados para o CPS, não conseguem manter uma regularidade.
         “A academia é muito cheia e não tem esteira disponível!”
         Ora, ora, se não tem esteira, coloque o nome na fila coordenada por um professor e vá fazer outro exercício! Ou ainda, programe o Rotex, o meu eleito para o exercício aeróbico, que parece contar com um certo preconceito da galera, tem sempre algum disponível. Posso estar dando um tiro no próprio pé, mas eu considero este aparelho o mais completo para se queimar caloria em pouco tempo e sem provocar lesões em joelhos e tornozelos.
         “ No horário que eu posso ir tem fila para pegar armário no vestiário!”
         Ora, ora, um pouquinho de paciência não faz mal a ninguém. Ou, procure outro horário! Alguns alegam que não tendo STIF liberado, fica mais difícil. Ora, ora, nada que uma negociaçãozinha com seu chefe não resolva. Tenho certeza que ele não se furtará a abonar seu horário para tratar de sua saúde, num programa incentivado pela empresa.
         “Às vezes só sobram uns armários minúsculos no vestiário”
         Ora, ora, se não dá para colocar o terno pendurado dentro do armário, pendure-o no cabideiro disponível fora do vestiário. Ninguém vai roubar!
         “Não tem mais água quente e não se faz nada!“ (mais recentemente)
         Ora, ora, cá entre nós, uma ducha gelada é muito mais adequada para quem sai encharcado de suor depois de uma hora de esforço!
         Enfim, acho que não há desculpa para deixar de encarar este desafio de frente. Ademais, estaremos contribuindo para a diminuição de carga sobre as lajes do edifício.
         Quando comecei a ver, ou melhor, sentir os resultados, depois de 1 mês, estabeleci uma meta: mudar de unidade até meu 47º aniversário! Explico: meu peso teimosamente insistia em se manter acima dos 100 kg durante os últimos 10 anos, tendo se estacionado em perigosos 115 kg no primeiro semestre de 2004. Ora, quando se está neste nível, já é significativo se referir ao próprio peso em toneladas e assim o fazia: eu sempre dizia que pesava 0,11 ton. Pois bem, meu objetivo era chegar aos 99 kg em 4 de janeiro, mudando, assim, de unidade (de tonelada para quilo). Associei os exercícios a um controle alimentar leve, que se resumiu a deixar de comer bobagens tipo sorvete, doces e refrigerantes. E consegui meu objetivo! Portanto, hora de revisar a meta!
         Para comemorar, me permiti me entregar às guloseimas de aniversário, incluindo bolo e brigadeiro e abandonei o CPS por 2 dias …. Apenas 2 dias! E ganhei 2 quilos! E lá se foi minha meta inicial. A esta altura, já consegui me recuperar mas o episódio serviu como um aviso: estou condenado a cuidar de minha saúde! E a sentença é: visitas freqüentes ao CPS e controle alimentar diário … de preferência, com poucas escapadas. É a saudável ditadura da saúde! O preço da boa saúde é a eterna vigilância!
         Com este investimento, a empresa atende às boas normas de administração moderna: uma empresa socialmente responsável deve zelar pelos os interesses de todos os seus stakeholders, palavrinha inglesa, da moda, que não encontrou tradução melhor que “partes interessadas”. Por “partes interessadas” entenda-se os clientes da empresa, seus fornecedores, seus acionistas, as comunidades afetadas por ela e os seus empregados (se esqueci alguma, perdoe-me!). Pois a empresa, com a iniciativa do CPS, deu um passo decisivo para preservar a saúde de uma de suas partes interessadas, os seus empregados, para que, assim, estes últimos possam contribuir melhor para a “saúde” das demais partes interessadas, seja social, financeira ou ambiental! A empresa investiu pesado na saúde do empregado da sede. Resta a nós, fazermos nossa parte!
         Para finalizar, em uma das últimas visitas ao CPS, resolvi dar uma olhadinha na aula de alongamento, só que cheguei na hora do relaxamento, quando a professora conclamava os alunos a entoar um mantra em português que dizia:
         Aceito  …..  Entrego  …. Agradeço 
         Achei interessante a coincidência pois já vinha pensando em escrever este elogio e o mantra veio bem a calhar para o que sinto em relação a este momento:
         Aceito o desafio de preservar minha saúde …
         Entrego o bastão ao CPS…
         Agradeço à empresa pela oportunidade!

         Obrigado

Um comentário:

  1. Muito bem escrito, elucidativo, esclarecedor, objetivo. De fato, só não se cuida quem não quer e sofre do "complexo de Superhomem".
    Obrigada por me indicar o texto, gostei muito. Boa sorte na investida!
    Marilia

    ResponderExcluir