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domingo, 20 de dezembro de 2009

Um 2009 Azul ou Vermelho?

Compartilho o que escrevi
Para provocar reflexão.
Aos votos que já recebi
Agradeço de coração!
 
Mais um Natal bombando
Nem dá pra acreditar!
Esse tempo tá passando ....
A gente tem que se ligar!
 
Outro ano chega ao fim.
Tempestade e bonança.
Mais pra bom ou pra ruim?
Vou pôr tudo na balança!

 
Tanta coisa aconteceu!
Foi impossível um alvo fixo.
Não foi desta vez que eu
Pude evitar ser prolixo.
 
Então trate de desenvolver
Sua paciência de monge.
Se tiver disposição de ler,

Relaxe, que a coisa vai longe.
 
Começou com a indecência,
De uma imposição maldita:
Foi o inicio de vigência
Da reforma da escrita.

 
Será que alguém compactua
Com essa bobagem sem igual
Descontando quem atua
No mercado editorial?
 
Vão tirar bom dinheiro,
Com a maior facilidade,
Do bolso do brasileiro,
Sem a menor necessidade .
 
Lá fora aconteceu a posse
Inesquecível de Barack Obama
!
Mas a alegria foi precoce:
Ele acabou o ano na lama.


Começou uma luta tenaz
Pra dar jeito nos males da Terra.
Até levou Prêmio Nobel da Paz,

Mas mandou 30 mil pra guerra
!
Prometeu a tortura abolir,
Seu objetivo é magnânimo.
Mas tão cedo não vai conseguir
Lacrar o lar de Guantánamo.
 
É certo que pegou o bonde
Em meio a uma grande crise.
Está tentando fazer por onde.
Sem que o país paralise.


Aqui, não dá pra negar
Que a crise ficou no croqui.
Deu até pra emprestar
Uns trocados ao FMI!


Poucos momentos brilhantes,

Outros tramados em covis.
Falcatruas como ‘nunca antes
Na história desse país’.

Tivemos que testemunhar
O decoro abandonado,
Coisas de aterrorizar,
Na câmara e no senado.



A mansão de Agaciel Maia
O celular de Tião Viana
Tudo gente da mesma laia
Que devia estar em cana.

 
Diretores em profusão,
Cada senador tinha três.
Sabiam da aberração
Na maior desfaçatez.
 
Mais de mil atos secretos
De Sarney, o rei do truque,
Favorecendo amigos, netos
Salvo pelo aético Duque.

A viagem da modelo,
Paga pelo deputado,
Desfiou podre novelo
De deixar Maluf chocado.

 
Até mesmo gente decente
Achou que era coisa normal:
Dar passagem a parente
Na maior cara de pau.

E foi verba indenizatória;
E foi castelo do Edemar;

A gente tem que ter memória!
Eles tem que indenizar!

 
E foi hora extra no recesso;
E foi nepotismo descarado;
Tem que instaurar processo
Nesse congresso achincalhado. 

O Gilmar Mentes poderia
Render estrofes tantas:
Continuou com a vil mania
De proteger Daniel Dantas.

E depois da decisão
De extraditar o Battisti,
Acabou com a população
Pondo-lhe o dedo em riste,

Pois libertou da prisão
O ginecologista tarado,
E devolveu ao Grande Irmão
O pobre Sean atordoado.

 
Pra compensar, teve o Pré-Sal,
Confirmando bilhões de barris.
Descoberta fenomenal

A despertar interesses vis.

 
São benefícios a granel

Repartidos num empório.

Em vez de Marco Maciel,
Temos o marco regulatório.

 

Piadas sem graça à parte,
Sei que temos capacidade
De usar cabeça e arte
Pra tornar tudo realidade.


Lá fora, o Lula é O Cara,

Quase uma unanimidade.
Mas tropeça quando declara
O apoio a Ahmadinejad.
 
E mantém o mau costume
De apoiar bolivarianos,
Aceitando sem queixume
Chávez y sus hermanos.
 
Rafael Correa e Morales
Já causaram derrotas duras.
E se não bastassem os males,
Apareceu o cara de Honduras.
 
Zelaya exilou de pijama
Mas aqui ganhou guarida,
E veio inscrever sua cama
No programa Su Casa, Mi Vida . (*) 

O Sílvio Santos italiano
De momentos teve uns quatro,
Pois passou todo o ano
Qual ator em anfiteatro.

Disse às vítimas do terremoto:
“Aproveitem o acampamento!”
E provou ser um devoto
De prostitutas no aposento.

Tanto destaque no jornal
Teve sangrento desenlace.
Passou um tempo no hospital
Após catedralada na face.




De volta ao lado anil,
Um elogio que procede:
Grandes shows no Brasil
De Elton, Kiss e Radiohead.

Também teve o piloto mágico:
Num Airbus sem turbinas,
Evitou um fim trágico
Em águas novaiorquinas.



Azul também foi o esporte.
Faltou pouco pro Barrichelo;
E a galera nadou forte,
No comando, Cesar Cielo.
 
No atletismo, enorme pane.
O doping foi o tormento,
E pegou até a Daiane
Num infeliz tratamento.
 
A Olimpíada será no Rio!
Em princípio, uma alegria,
Mas me dá até calafrio
Só de pensar na sangria.
 
Foi assim no PanAmericano,
Com obras superfaturadas,
Dez vezes mais que o plano,
E ninguém cobrando nada.
 
Mas sei que vai dar certo.
É só encarar desafios
E ficar de olho aberto
Pra combater os desvios.
 
O caos aéreo se acalmou,
Mas acabou mal o romance:
Muitos brasileiros levou
O tubo de Pitot da Air France.
 
Em meio a todos os fatos
Houve notáveis celebrações.
Carreiras, momentos, atos;
Ciência, esporte, emoções.
 
Roberto Carlos comemorou
O jubileu de seu reinado;
Fez 40 o milésimo gol
Do Rei Pelé, iluminado!

Entraram também nos 'enta'
O homem pisando na lua,
E, em célebre vestimenta,
Os Beatles cruzando a rua.

 
E aqueles eternos rapazes
Continuam surpreendendo
Com lançamentos audazes

Sempre vendendo, vendendo.
 
Michael Jackson está morto
Deixou nos fãs uma ferida.
Tudo culpa do jeito torto
Com que levou sua vida.
 
Ide em paz, Rei do Pop!
Grato por sucessos sem fim:
Ben, Thriller, Bad, Don’t Stop
Till You Get Enough, Billy Jean.
 
Segue bem viva Madonna
E desta vez não mandou carta:
Veio visitar a sogrona
E a UPP do Dona Marta.
 
Os Titãs seguiram inovando
Com um melhor ator no menu.
A música pouco revelando
A melhor é Maria Gadú.
 
No telona, um gênio ferino
Brindou legião de felizardos:
Nos abençoou Tarantino
Com seus inglórios bastardos.
 
E a Índia voltou à cena,
Que discorde quem puder,
Com o melhor do cinema,
Em Slumdog Millionaire.
 
Pra mim, em particular,
Que sou fã desde moleque,
Tive muito o que celebrar
Com a volta de Star Trek.

Mas voltou à baila Brasília,
Com o esquema do Arruda:
Comandando uma quadrilha
Que embolsava grana graúda.

E foi bolsa, cueca e meia,
A nos deixar indignados.
Será que a coisa permeia
Em todos os outros estados?

Arruda ia sair atirando
Mas o partido é muito coeso.
Foi melhor ficar enrolando.

Estão todos de rabo preso.
De Sanctis e a guerra santa:
Colarinho branco na cadeia!

Se antes combatia o Dantas
Agora é a Camargo Correia.
 
O grande Joaquim Barbosa
Seguiu em posições coerentes
Em oposição corajosa
Ao duvidoso Gilmar Mentes.
 
Na saúde, atendimento sinistro,
E ultrapassamos a Argentina,
Cravando triste registro:
500 mortos por gripe suína.
 
ENEM foi grande vexame!
Sucumbiu a um trambiqueiro
Logo antes do exame.
Credibilidade pelo bueiro.
 
Tudo nos mostra a telinha:
Notícia, humor, dramaturgia,
Coisa séria e abobrinha,
Constantes no dia-a-dia.
 
Casseta acabou muito fraco;
Pânico é impossível ver;
Quem botou todos no saco,
Foi o ótimo CQC!
 
Teve Maysa e os espinhos
De uma vida tortuosa;
Das Índias, teve os Caminhos
Sob uma ótica auspiciosa.
 
Glória Peres segue sendo
Audaciosa nos roteiros.
E continua nos trazendo
Retratos do mundo inteiro.
 
Começa meio devagar
E dá saudade quando acaba
Deixando a gente a falar
Baguan Keliê, Are Baba.
 
Se Glória quer variar,
Manoel Carlos tem o dom
De sempre nos mostrar
A vida dura do Leblon.
Pôs mais uma Helena no ar:
Deve gostar do som.
Mas pensa sim em mudar
A letra de Chico e Tom:
Sei lá-á-á ... Sei lá-á-á ...
Só sei que Se É Mayer É Bom.
 
Vimos também na TV
Um menino crivado de agulhas.
Só  mesmo vendo pra crer,
Obra de um bando de pulhas.
 
E o arcebispo de Olinda
Que excomungou a estuprada,
Colocou na berlinda
Uma igreja contestada.
 
Por que é que também não pune,
E não usa a mesma moeda,
Em vez de deixar imunes,
Os pedófilos que ela hospeda?
 
O futebol nos deu alegria,
Mas um e outro resmunga,
Pois não suporta a agonia
De ter que engolir o Dunga.
 
Ronaldo foi sensação
Da primeira metade do ano
Mas depois teve Vascão
E cariocas em primeiro plano

O Fluzão queimou a língua
Da gente que tinha prática:
Calou e deixou à míngua
A crítica e a matemática.

Foi a grande sensação
Lá do fundo da tabela.
E ainda salvou o Fogão
Em reação mais que bela,

Lá em cima, o mais querido
Levou o Brasileirão.
Foi mais que merecido
E teve sorte de campeão.


Zé Roberto ficou, ninguém quis;
Ressuscitaram o Petkovic;
Adriano vem da Itália, infeliz;
Puro planejamento, cappici?!

 
Entretanto, um último ato
Quase chegou a estragar
A imagem do campeonato:
A pancadaria no Paraná.
 
Na vizinha Santa Cantarina,
Mais um ano de má sorte
E trouxe junto em sua sina
Outros do Sul, Sudeste e Norte.
 
A chuva não perdoou
A falta de administração,
E mais uma vez quem pagou
Foi a pobre população.
 
Foi muita água este ano,
O índice dobrou geral,
Seguindo à risca o plano
Do aquecimento global.
 
Apesar de muito tentarem
Arrumar a casa em Copenhagen,
Buscavam uma McLaren
Mas levaram um Volkswagen.
 
E disseram que foi um raio
A causa do grande apagão;
Só faltou colocar no balaio
Irresponsabilidade e má gestão .
 
Algumas favelas do Rio,
Do tráfico estão isentas.
As UPPs são só elogio.
Agora só faltam 900.
 
Well, that´s enough!
Fiquemos por aqui.
Já foi muita estrofe.
Acho até que me excedi.
 
Se botar tudo no baú
Deu vermelho na cabeça.
Mas parece que está tudo azul
Não importa o que aconteça.
 
Saúde? Uma calamidade!
Educação? Molambenta!
Segurança? Nem se fala!
     E só cresce popularidade:
     Em cada 100, mais de 80!
     Parece que nada abala!
 
Com uma certeza que não treme,
E uma autoridade que aceitamos,
Se diz que vai nos tirar da ‘eme’,
É porque entende que lá estamos.
 
Agora vem 2010
Ano muito importante,
O futuro a nossos pés
Oportunidade exuberante!
 
Elegeremos presidente.
Torço pro seu sucesso.
Mas minha atenção premente
É a renovação do Congresso
 
São dois terços do Senado!
Mande os caras embora,
Junto a todos os deputados!
É essa a nossa hora!
 
Quem concorrer à reeleição,
Vamos garantir que dance.
Pra nunca mais meterem a mão!
Não vamos perder essa chance!
 
Acho que dei meu recado
Tomara não ter sido à toa.
Desculpe o tempo tomado
Espero que fique numa boa!
 
Que curta junto à família
Uma farta noite de Natal!
Que siga sempre a cartilha
Da vida digna e moral!  
 
Que 2010 seja um colosso!
Que as realizações sejam de vulto!
Use uma dose de pré-sal grosso
Pra se proteger do inimigo oculto.
 
Um abraço, com ternura,
Nesta nobre e sagrada data
De toda a Família Ventura
Homero, Neusa, Felipe e Renata
 
 
(*) Expressão de Ricardo Boechat

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