Direção: Kevin Macdonald
Veredito: Obra-prima visceral. ~
O documento definitivo do casal Lennon-Ono em 1972, sem filtro e sem maquiagem.
Análise: O filme é o registro completo dos shows beneficentes do Madison Square Garden em 30 de agosto de 1972. Restaurado em 4K com áudio Dolby Atmos supervisionado por Sean Lennon, mostra John e Yoko como uma unidade artística e política indivisível.Pontos altos: Parceria radical no palco:
Yoko comanda 4 faixas completas: Move On Fast, We're All Water, Open Your Box e Don't Worry Kyoko. Não é participação especial. É co-autoria. Open Your Box é punk antes do punk, e Don't Worry Kyoko são 15 minutos de catarse sobre a perda da guarda da filha. John banca tudo na guitarra.
O detalhe que define o filme: Em Born In A Prison, John assume o backing vocal no refrão. Ele não precisava. É John Lennon. Mas está ali, dedicado, sustentando a voz e a mensagem feminista de Yoko. É a maior declaração de amor do show. Parceria é isso: dividir o tom, não só o palco.
Desconstrução corajosa: Até em Hound Dog, Yoko interfere com backing vocals gritados. É Fluxus invadindo Elvis. Ela recusa a nostalgia fácil e transforma o clássico em comentário. John ri e toca junto. É arte de vanguarda no templo do rock.
John elétrico: Well Well Well, Instant Karma!, Mother, Come Together, Imagine, Cold Turkey. Ele nunca soou tão cru e urgente pós-Beatles. A Elephant's Memory dá a ele o som de garagem que Nova York pedia.
Conclusão: One to One não é um show do John com Yoko de penetra. É o show do John e da Yoko. Sean Lennon foi honesto ao manter tudo. Cortar qualquer segundo seria mentir sobre quem eles eram em 1972: dois artistas em guerra contra o mundo, usando até latido como arma.
Nota: 10/10.
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