-

terça-feira, 4 de julho de 2017

Primavera nos Dentes é Secos & Molhados na Veia

Além da Baleia, seu carro-chefe, o Felipe contribui com várias outras bandas, dentre elas, a do Cícero Rosa Lins, a do Vitor Araújo, O Terno, Xóõ, Jullie, e agora chega ao mercado uma nova incursão interessantíssima!!

Charles Gavin, dos Titãs, teve uma idéia, compartilhou com o parceiro guitarrista Paulo Rafael (com Alceu Valença há 40 anos), que convidou o baixista Pedro Coelho, um pouco antes chegara a vocalista Duda Brack, que acabou chamando o Felipe (com seu violino e guitarra 'criativos', como diz Gavin), o projeto agradou a um produtor, eles criaram, e saiu!!!

Vem aí "Primavera nos Dentes", uma recriação de 12 canções dos álbuns dos Secos & Molhados, lá de 73 e 74, depois a formação original se desintegrou e deixaram 40 anos de saudades!

O som está sensacional!! Quando entrar setembro.....

Eis a banda "Primavera nos Dentes"!!!



Pedro, Rafael, Duda, Felipe, Charles

A descrição do projeto está transcrita abaixo:

Charles Gavin explica Primavera nos Dentes:
MARÇO, 2016
A ideia era sair tocando de primeira aquelas canções, com seus arranjos originais, sem preocupações e reflexões estéticas para simplesmente colocá-las no palco o mais rápido possível. Mas logo percebemos que, sem querer, havíamos formado um coletivo autoral, ainda que como ponto de partida estabelecêssemos o que eu chamaria de "o clássico dos clássicos" de nosso cancioneiro pop setentista: o repertório que foi gravado nos dois álbuns dos Secos e Molhados, lançados em 1973 e 1974, respectivamente.
 
Os ensaios iniciais deixaram claro que o caminho que nos cabia era o da releitura, da experimentação, livre da obrigação de sermos fiéis àquelas gravações singulares que, há décadas, fazem parte da “trilha sonora da minha vida” de todos nós.
 
A primeira pessoa com a qual conversei sobre este projeto foi Paulo Rafael - mesmo sem sermos próximos, eu já admirava, há muito tempo, este raro guitarrista brasileiro de linhagem nobre, integrante do lendário grupo recifense Ave Sangria e que, há mais quatro décadas, faz a direção musical da banda de Alceu Valença. Na sequência chegou - cheia de personalidade - a cantora gaúcha Duda Brack, indicada pelo preparador vocal Felipe Abreu. De certa forma, eu já a conhecia: em 2015 ela chamou a atenção com o visceral É, seu álbum de estreia, recebendo elogios de músicos e da imprensa. Algumas semanas depois, Paulo Rafael trouxe Pedro Coelho, baixista talentoso e experiente, integrante da banda de Cássia Eller, O musical - que estava fazendo muito sucesso no Rio de Janeiro. Por fim, Duda nos apresentou Felipe Pacheco Ventura, inventivo violinista e guitarrista do sexteto Baleia, destaque da cena independente do rock carioca, já com dois respeitáveis discos lançados.
 
E assim, nosso grupo fechou, se completou - por mais de um ano e meio, ensaiamos em meu pequeno home studio recriando arranjos, gravando demo tapes, avaliando nosso progresso e aguardando o momento ideal de nos lançarmos ao palco. Não tínhamos planos de gravar um disco tão cedo. Mas…
 
DEZEMBRO, 2016
 
Rafael Ramos, produtor da vários discos importantes nos últimos anos (Ptty, Los Hermanos e Cachorro Grande são apenas alguns), soube de nosso projeto e procurou Paulo Rafael, dizendo que gostaria de ouvir o que estávamos fazendo. Na verdade, Rafael foi a primeira pessoa, fora nós, a escutar nosso trabalho. Bem, poucos dias depois, recebemos com muito entusiasmo e alegria, o convite para gravar um álbum na Deckdisc - um brinde!!!
 
ABRIL, 2017
Com o projeto já devidamente batizado de Primavera Nos Dentes (título de uma faixa do 1º LP dos Secos & Molhados), entramos no estúdio Tambor, no Rio de Janeiro, com produção do próprio Rafael Ramos, para registrar nossas releituras de treze canções. Neste repertório não poderiam faltar as emblemáticas Sangue Latino, Fala, O Patrão Nosso de Cada Dia, O Vira, Rosa de Hiroshima, O Doce e o Amargo e outras canções clássicas. A sonoridade e os arranjos se distanciaram bastante dos originais - diria que cada versão que fizemos tem a assinatura de cada um de nós. É pop? É rock? O que é? Não sabemos dizer... Por outro lado, foi surpreendente constatar o fato de que a poesia das letras permanece extremamente atual e assertiva após décadas - deliciosamente doce e ácida, ingênua e politizada ao mesmo tempo, conectando-se com pessoas de qualquer geração e de qualquer lugar. Isso é fato.
Nosso objetivo - criar e performar um espetáculo que, com nossa visão, contemple devidamente a importante obra dos Secos & Molhados, próxima de completar quarenta e cinco anos, que segue em frente, agora mais firme ainda: o primeiro disco do Primavera Nos Dentes será lançado no formato digital, em Agosto de 2017, e em LP, com lançamento previsto para Setembro de 2017. 
SETEMBRO, 2017
O show não apenas apresentará as canções que gravamos - nele tocaremos outras que não foram registradas ainda, caso das clássicas Assim Assado, Prece Cósmica e Mulher Barriguda, entre outras.
Interessante observar que boa parte deste repertório não é tocado ao vivo desde o final prematuro dos Secos & Molhados, em 1974. Diante disto, uma pergunta oportuna se coloca: como explicar a ausência deste patrimônio cultural da música brasileira nos palcos?
Talvez a resposta esteja na estrofe da canção Primavera Nos Dentes:
“Quem tem consciência para ter coragem .
Quem tem a força de saber que existe”
Será? É isso que vamos ver.