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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

I Miss Elis ...

Fui vê-la no cinema, já, já, minha crítica, 
enquanto isso aproveito para revisitar meu post ELISético
Modéstia à parte, mandei muito bem!!!
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Sinto falta de Elis Regina. 

Há 39 anos!


No dia 19 de janeiro de 1982, ela foi encontrada morta em seu apartamento, intoxicada por álcool e cocaína. Aos 36 anos de idade...

Naquela data eu ficava órfão de novo, pouco mais de 13 meses depois da partida de John Lennon. Portanto, agora, órfão musical de pai e mãe. Lembro-me do momento em que ouvi a notícia. Estava na Bahia, começando meu estágio de campo como Engenheiro de Petróleo.

Não apareceu até hoje, nenhuma cantora que se equiparasse a ela.

Algumas bateram na trave, mas faltavam detalhes, que se encontravam todos nela, uma conjunção cósmica. Uma Pelé de saia e com voz.
 
Gal? Bethania? Simone? Fafá? Zizi? Joana? Marina?

No way!!

Eu a vi, pela primeira vez, no Festival da Record de 1966, quando defendeu "Arrastão", com seus braços giratórios qual dois ventiladores anti-sincronizados, berrando 'Pra miiiiiim, olha o arrastão entrando num mar sem fim...", com um cabelo horroroso todo armado, coisa da época. Ano seguinte, no maior festival de todos os tempos (neste link), defendeu "O Cantador", ganhando o prêmio de melhor intérprete, coisa que a partir daí não necessitaria disputar nunca mais. Primeiro que não disputaria mais mesmo, segundo que, se participasse de algum concurso do gênero, seria considerada 'hors-concours', sem qualquer contestação.



A década de 1970 viu uma Elis maior que o samba e a bossa nova a que se dedicou no começo de carreira, em  que teve um de seus grandes duetos, com Jair Rodrigues. Uma Elis aprimorando seu domínio vocal até um ponto inalcançável por nenhuma outra. Uma interpretação visual diferenciada, com sentimento teatral. E um visual diferente, com cabelo curtinho. .
 
Ali, ela começava a lançar compositores que se mostrariam monstros sagrados, como Milton Nascimento "Maria, Maria!", João Bosco "O Bêbado e o Equilibrista", Ivan Liins "Madalena", Renato Teixeira "Romaria", Zé Rodrix "Casa no Campo" Marcos e Paulo Sérgio Valle "Black is Beautiful". Comprei o meu primeiro LP  de Elis em 1971, justamente o primeiro desta fase, ótimo 'ELA', aonde me marcou a interpretação da canção dos irmãos Valle, com gritos lancinantes e afinadíssimos. Como brinde, uma brilhante interpretação de "Golden Slumbers", dos Beatles.
 
Claro que os velhos  e já então consagrados compositores tinham em Elis sua maior intérprete. GIlberto Gil, Tom Jobim, Chico Buarque, entregavam a ela coisas como "Se eu quiser falar com Deus", "Águas de Março" e a espetacular "Atrás da Porta"... Isso só pra mostrar uma canção de cada um deles, que sempre a procuravam para cantar, digo, interpretar suas obras. Isso mesmo: Elis interpretava, como ninguém, sentia e transmitia o clima da música. Uma interessante exceção nesse rol de monstros sagrados foi Caetano Veloso. Sim, ele deu a ela 'Cinema Olympia', mas se não me engano, ficou quase que só nisso. Caetano privilegiava sua irmã Bethania e sua conterrânea Gal. O que não o impediu de fazer uma grande declaração. Em um festival de 1973, em que Elis foi recebida com frieza pela platéia, Caetano pegou o microfone e disse: "Um pouco mais de respeito, por favor, pela maior cantora desta Terra!"

Em 1975, Elis lançou um marco na história da música, o espetácula "Falso Brilhante", que teve mais de 1200 apresentações em São Paulo. Numa delas, teve minha presença, em 1976 quando cursava o 1º ano da Poli. Pude presenciar duas das melhores canções de Belchior, outro que ela lançou ao estrelato, as ótimas "Como Nossos Pais" e "Velha Roupa Colorida", em que ela arrasou, ainda que incomodada com "a ponta de um torturante bandaid no calcanhar" (genial sacada de João Bosco, na verdade, Aldir Blanc, o letrista da dupla).

Não se esquecer jamais das grandes interpretações que teve do celestial Adoniran Barbosa, em especial quando dava um tiro no Árvaro. E, seguindo na linha do humor, entrego aqui, neste LINK, um dueto tão inesperado quanto magnífico, dela com o humorista Chico Anysio, outro iluminado, interpretando Canto de Ossanha, aliás, uma ótima oportunidade de relembrar mais um dos deuses da música que 'usaram' Elis, Vinicius de Morais, aqui numa parceria com Baden Powell.

Vida pessoal? Complicada, muito por sua língua ferina, honrando seu apelido de 'Pimentinha'. Do primeiro casamento, com Ronaldo Bôscoli, que não deve ter sido fácil, como vimos no seriado "Maysa", teve um filho, João Marcelo. Do segundo, com César Camargo Mariano, teve os filhos Pedro e a hoje famosa Maria Rita, que até tem o mesmo timbre da mãe, mas a potência, quanta diferença!!!

Encontramos um novo Pelé? Não!

Encontraremos um novo Pelé? Não!
 
Se trocar Pelé por Elis,
e adaptar-se o gênero
nas duas frases acima.
Pra mim, sem dúvida.


 Homerix Lembrando Elis Ventura

16 comentários:

  1. E eu vi a primeira vez, no beco das garrafas... ela esta cantando com um guarda chuva aberto e eu na primeira fila levei com ele na cabeça num certo momento!!!!
    Paulus Erectus

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  2. Homero, concordo com vc...só de ler dá arrepios.
    Vc tem um diário?! Acho fantástico os detalhes de suas lembranças... Muito legal. Saudosos de Elis, abraços.

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  3. Grande Homerix! Que saudades da Elis! Abs, Camargo

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  4. Assisti a uns dez shows da Deusa.
    Falso Brilhante, Teatro Brigadeiro, três vezes!!!
    O show que ela dá na interpretação de Brincadeira de Roda, no TUCA, beira a perfeição absoluta. Por falar nisto, vou ouvir agora...

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    1. Também vi três vezes o Falso Brilhante. Um êxtase! Também a vi no Maria Della Costa, quando Bôscoli tentou criar uma Elis internacional. Não precisava: ela já era uma das maiores do mundo! Eu era amigo do Pedrinho, iluminador do show, e assisti da cabine. Vi Elis chegar e sair do teatro: nunca pensara wue aquele gigante era uma pessoa tão pequenina...
      Não imagino ninguém sendo tão grande como Elis.

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  5. Amei a retrospectiva Homero, obrigada! Teremos hoje, em Maceió, teremos um espetáculo para homenagear Elis, com grandes cantoras e cantores alagoanos interpretando seus maiores sucessos. Abraços, Tania

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  6. Realmente oportuna a lembrança e muito boa a resenha. Ela era fantástica!

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  7. Nossa,através de sua retrospectiva fui voltando no tempo.....Obrigado.....E viva a eterna ELIS!!!!!!

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  8. Linda retrospectiva , gosto muito da musica "O bebado e o Equilibrista" por ela cantando, deixou sim muitas saudades a nossa querida e insubistituivel "ELIS".

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    1. fantastica,elis
      unica!
      na musica brasileira!

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  9. Realmente, era uma grande artista! Faz falta no cenário musical...
    Abraço

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  10. #fato,Elis deixou uma grande marca em todos nós!
    naquele tempo a musica era uma das maneiras da gente viajar...
    sonhar...portanto ficamos perdidos por um tempo...
    hoje graças a midia..web..podemos ter acesso a ouvir musicas que
    marcaram um tempo bom...
    e reviver com saudades...
    mas uma saudade boa!!porque a musica,
    sempre deve nos fazer bem!
    abraços pra vc Homerix,sempre trazendo assuntos intereantes!!
    um abraço da lady..ahhh

    o rio de janeiro continua lindoooo!!

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  11. Jah que voce reabriu o blog devo dizer que em materia de cantora interprete nunca haverah uma outra Elis...ela foi o meximo e perde-la para uisque e drogas num coquetel criminoso so me faz lembrar que ela deveria ter ficado no uisque com guarana tao bem interpretado por ela diversas vezes.

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  12. Eu também me lembro exatamente aonde estava w o que fazia quando recebi a noticia da morte dela. Cantora insuperavel

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  13. Também vi três vezes o Falso Brilhante. Um êxtase! Também a vi no Maria Della Costa, quando Bôscoli tentou criar uma Elis internacional. Não precisava: ela já era uma das maiores do mundo! Eu era amigo do Pedrinho, iluminador do show, e assisti da cabine. Vi Elis chegar e sair do teatro: nunca pensara wue aquele gigante era uma pessoa tão pequenina...
    Não imagino ninguém sendo tão grande como Elis.
    Hoje escuto suas canções e continuo pasmo: como alguém consegue respirar daquele modo perfeito (e era fumante!), soltar uma nota aguda direto, sem fazer escada de tom (como o "Não VOU, eu não sou ninguém de ir"- Canto de Ossanha) ou cantar Saudosa Maloca do modo corteto e Iracema, ao lado do Adoniran?
    Ser iluminado.
    Complicada, chatinha. Deu alta à sua psicanalista, quando esta lhe disse que ela cantava daquele jeito por causa de sua ansiedade ou algo assim:
    - "Larguei o tratamento! Já pensou se ela me cura e eu não consigo cantar mais?
    A definitiva de Elis:
    - " Sou a maior cantora do Brasil e ai da tenho que ser uma pessoa legal?"
    (Todas citações de memória)

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