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sábado, 30 de maio de 2026

Joana D'Arc Médium, by Léon Denis

Hoje, completa 595 anos do suplício de Joanna D'Arc, em Rouen, na França

Hora de relembrar minha resenha épica sobre a épica sobre a vida da Virgem de Orleans, na ótica descrita por Léon Denis (fala-se "leÔN deNÍ") no começo do século passado.

Foi surpreendente!

Sempre soube de sua grandeza, vi um filme, de Jean Luc Besson, mas dele não me lembro, então me espantaram sobremaneira os detalhes de sua vida e paixão, sim, o sofrimento que passou tem gente que o compara ao de Jesus Cristo...

Por ter sido uma vida épica, usei como estrutura poética, a 'oitava épica' que Camões criou em Os Lusíadas. Usei também Versos Decassílabos.

Vamos lá?

Olha, declamei em estúdio, editei e inseri trilha sonora.

OUÇA, clicando 

no Play Verdinho abaixo 

LEIA a seguir os versos 

com ilustrações 

e informação sobre a trilha sonora

(se está no celular, coloque-o na horizontal)

_____________________


Joana D’Arc Médium

Léon Denis

1ª Parte

VIDA E MEDIUNIDADE DE JOANA D'ARC


Entra Bolero, de Ravel


1

Personagem crucial de uma guerra,

Que só de anos durou mais de 100.

Muito jovem, defende sua terra,

Inspirada por mensagens do Além.

Vive uma jornada que encerra

Sem nunca temer nada e ninguém.

Convido então que já você embarque

Na incrível saga de Joana D’Arc.


2

Quem a nos desvenda é Leon Denis, 

Emérito seguidor da doutrina

Que Kardec nos deixou por aqui,

Aquela que nos instrui e ensina

Que a nossa vida não termina em si,

Que depende de nós nossa sina:

Que, para termos firme evolução,

Fora da caridade, não há salvação.


3

Na introdução, Denis nos alerta,

Da variada gama de versões,

Muitas antes daquela descoberta.

Elas diziam que suas visões

Eram coisas de sua mente incerta,

Eram nada mais que alucinações.

Eles não sabiam que, na verdade,

Tudo era fruto da mediunidade.


4

No Século XV, gente assim

Assustava as pessoas e mormente

Muitos acabavam com triste fim.

Pra Joana, vinham em sua mente

Imagens de santos e querubims,

Incitando que fosse diligente,

Pois ela vinha com nobre missão,

De salvar a França da opressão!

 

5

Denis nos conta do estado premente,

Em mil quatrocentos e vinte e nove,

Em que o Rei Carlos VI, demente,

Subjugado ao Rei inglês que promove

Destruição à França decadente,

Que nada e ninguém sequer demove,

Renega o próprio filho, o Delfim,

Relegando o país a triste fim.

 

6

Em Donremy, havia uma menina

Que tinha visões, de nome Joana.

Aos 13 anos, a história ensina

Rezando ao lado de sua choupana,

São Gabriel inspira sua sina.

Santa Missão, ela aceita com gana!

Aos 17, a donzela entra em cena.

A França encontra a Virgem de Lorena.

 

7

Ela não sabe ler nem escrever,

Dedica-se à vida camponesa.

Jamais se poderia antever

Que pudesse assumir a defesa,

Sempre sabendo o que fazer,

Pra liderar seu país, fácil presa.

Era o Alto que a orientava.

Joana D’Arc não pestanejava!

 

8

Naquele tempo, quem ia pra guerra

Eram mercenários em batalhões.

Joana fez que a defesa da terra

Ficasse robusta em seus corações.

Em discurso firme, Joana descerra

Um almanaque de nobres lições,

E transforma bandidos idiotas

Em irrepreensíveis patriotas.

 

9

Era comprovadamente donzela.

Iletrada, confundia doutores.

Frágil, passava horas sobre a sela.

Exarava bordões superiores.

Durante os processos contra ela,

Revelava aos investigadores:

Há, nos livros de Nosso Senhor,

Bem mais do que tu és sabedor!

 

10

Seus santos são com ela até o fim:

São Miguel, nunca nomeou-se a si.

Santas Margarida e Catarina, sim.

Aparecem sempre, aqui e ali.

A confiança é cega, outrossim,

A mente em frequente frenesi.

“Vai e aconteça o que acontecer,

Ajuda-te a ti, Deus é com você!”

 

11

Quando Joana deixa Donremy,

Madrugada, não diz nada a ninguém!

Temia que a prendessem ali.

Seu destino, o pai sabia também.

Beija-lhes as frontes, apenas sorri,

Parte pra Vaucouleurs e muito além.

Mesmo se tivesse 100 mães e pais,

Eu seguiria sem olhar para trás...

 

12

Seu tio Durant ajudou, foi com ela.

Único parente a acreditar.

Robert, o capitão da cidadela,

Comanda o Cura a exorcizar,

É convencido das intenções dela

E dá-lhe escolta para cavalgar.

Em pouco tempo, tenho fé, bem sei,

Estarei na nobre presença do Rei!

 

13

Le Dauphin era jovem qual Joana

Era iludido, enganado, traído.

Entregue ao prazer da vida mundana,

Carlos teria que ser convencido.

Teria ao lado força sobre humana,

Aquela menina trazia o bramido:

Venho da parte do Reino do Céu

De lá vem socorro, tinta e pincel!

 

14

O caminho até Chinon é perigoso.

Perigos rodeiam a caravana,

Mas já ocorria algo espantoso,

Pois prestes a atacarem Joana,

Bandidos grudam no chão lodoso.

Decerto era mais que uma lenda urbana.

As visões afastavam o perigo:

“Vai, sim, filha de Deus, estou contigo!”

 

15

Na pré-sala do Delfim, ela era

Olhada com muita desconfiança

Respondia a tudo direta e austera

E virava o jogo da esperança.

A mensagem que vinha era sincera

Havia chance para a amada França.

“Nela não se encontra qualquer maldade,

Apenas nobreza e simplicidade.”


16

O herdeiro, tímido e fanfarrão,

Colocou um cortesão no trono

E foi esconder-se na multidão.

Mas ela sabia seu real dono,

E a ele marchou com exatidão.

De joelhos, contou-lhe em baixo tono

Segredos íntimos do fundo da arca.

Resplandeceu a face do monarca.

 

17

Ela disse o que só ele sabia,

Da dúvida sobre a filiação,

E que na verdade ele só queria

Escapar, ver-se livre da prisão,

Ter vida tranquila na boemia,

Mesmo fosse longe da Nação.

A sala toda entrou em catarse...

Um milagre acabara de operar-se.

 

18

A fama de Joana era um rastilho

Mas não a livrou de humilhações.

Em Poitier, repetiu o estribilho:

De 20 teólogos, mais questões

Mas firme ela não saía do trilho

E ia angariando corações.

Mas ainda sofria a maratona

De provar sua pureza às matronas.


19

Ela saiu triunfante com louvor

Mas só foi batalhar após um mês.

Ainda duvidavam-lhe o valor.

Tours seria próximo alvo do inglês.

Ela fez lá seu traje lutador

O estandarte a conferir altivez:

Deus a abençoar as Flores de Liz

"Jhésus Maria" a dar a diretriz.


20

A inspiração vinha sempre do Céu. 

A armadura era branca cintilante,

A espada era a de Carlos Martel.

A completar o conjunto radiante,

Um fogoso, lindo, negro corcel.

Joana estava pronta, confiante.

Para, com suas tropas, avançar,

Colocar o Rei em seu lugar.


21

Tão só com Orléans desesperada,

O comando autorizou a partida.

Capitães de posição elevada

Sob ordens da menina destemida.

Tropa inglesa parecia entrevada.

A heroína se arroja a toda brida.

A bandeira desfraldada à frente,

Mais determinada que toda gente.


22

Orléans é libertada em três dias.

O general inglês cai prisioneiro.

A cidade festeja a alforria.

A virgem venerada por inteiro.

A notícia da enorme ousadia

Espalha-se como fogo em palheiro.

Muitos relatos de premonição.

Até ventos mudam de direção.


23

A primeira profecia é cumprida.

Levar o Delfim a Reims é preciso,

Mas é grande a distância a ser vencida

E ele é indolente e indeciso.

Sua entourage controla-lhe a vida

E afeta de fato o seu juízo.

Só que o clamor popular é forte

E 12 mil homens partem ao norte.


24

Em Troyes, vem o primeiro empecilho:

A citadela fortemente sitiada!

O Rei pergunta: seguimos no trilho

Ou voltamos em fuga desabalada?

Mas Joana está firme no estribilho:

"Seguiremos, sim, nossa jornada!"

De noite, incita jornada frenética..

De manhã, vem a rendição patética.


25

Assustaram-se com o poderio,

Artilharia armada e bem postada,

Arqueiros e besteiros por um fio

À sua frente, a líder montada,

A espada a comandar 12 mil.

Pediram rendição negociada.

Chalon e Reims caíram em seguida

Joana trazia um Rei a dar vida!


26


Em Reims, ocorreu a coroação.

Joana cumpria a segunda parte

De sua nobre e sagrada Missão.

Via-se seu valoroso estandarte

De todos os pontos da sagração.

Aos pés do Rei fez firme aparte:

Fiz o que foi do agrado de Deus.

Agora, reinas os súditos teus!


Entra Noturno 9, de Chopin

27

Joana encanta todos onde passa.

Junta-se aos humildes e desvalidos.

A fama dela, à do Rei ultrapassa.

Criam-na vinda dos Santos ungidos.

Diziam voltaria à sua praça

Pois seus desígnios estavam cumpridos.

Só que não! Ela falou aos ingleses:

"A minha França é só para os franceses!"


28

Então, "Rumo a Paris!" ela falou,

No dia seguinte à Coroação.

Seria o melhor momento, afirmou.

Os ingleses estavam sem ação.

Entretanto, o Rei fraco negou.

Ouviu o conselho dos cortesãos.

E seis semanas então se passaram

E aí, os ingleses se reforçaram.


29

A estrela de Joana empalidece.

Ingleses são menores inimigos.

Pois é a inveja da corte que cresce,

Vêem na glória dela um perigo.

A igreja também não aquiesce 

À fama de Santa que traz consigo.

Generais feridos em seu orgulho

Tramam dar à Guerreira seu esbulho.


30

Na Porta de Saint Honoré, previu:

"Amanhã, sairá sangue de mim!"

E, de fato, uma besta a atingiu.

Ficou fora de combate e assim

Um recuo pra Saint Denis sobreviu.

Ao melhorar, queria atacar, sim

Porém, o Rei mandara destruir

Pontes por onde poderia ir!


31

Sucederam-se oito meses ruins.

O resultado foi assim-assim

Vence em St.Pierre Mouthier,

Sendo derrotada em Charité.

É chamada à corte do Ex-Delfim

E encontra um real fuzuê.

Seus guias lhe dão dura previsão:

"Serás detida antes do São João!"


32

De seu futuro ela estava ciente:

"Nada temo senão a traição..."

O boicote já estava evidente.

Em Compiégne, a situação.

Foi presa a guerreira inclemente!

Não se sabe de premeditação.

Decerto aproveitaram o gatilho

Para livrarem-se do empecilho.


33


Nada se fez pra salvar a heroína.

Entrou no calvário de sua sina.

Foi de prisão em prisão por 6 meses.

Por 10 mil libras, vendida aos ingleses.

Sem lutar, sentia-se pequenina.

Depressão vinha-lhe algumas vezes

Em Beaurevoir, se joga da torre,

Mas, sabe-se, não é assim que morre.


34 

Em Le Crotoy, ela vê o mar,

Apenas pela grade da prisão.

Como os ingleses iam lhe tratar

É sua maior preocupação.

Ali não teve nada a reclamar.

Mas em Rouen, a abominação:

Gaiola em correntes, como as galés

Pescoço e cintura, mãos e pés.


35

Ainda na costa da Normandia

Quando chorava seu triste fado,

Um de seus caros guias lhe dizia:

"Filha, recebe tudo de bom grado!"

Mas foi em Rouen a real agonia.

Um tratamento cruel lhe foi dado.

Seis meses de verdadeira paixão,

De escandalizar qualquer coração.


36

A súcia de soldados brutos, vis, 

Usam toda sorte de maus tratos

Estuprá-la, tentam seus corpanzis.

Ela denuncia sem sucesso os fatos

As visitas não lhe são mais gentis,

Eles escarnecem-na com seus atos.

Encontram seu rosto pisado, inchado.

Seu corpo sempre em péssimo estado.


Entra Claire de Lune, de Debussy

37

Eis um bom momento pra mencionar

Sobre os trajes masculinos de Joana,

Em paz ou em guerra a ostentar.

Se antes, para dar aura espartana.

Cá, impedia-os de a desnudar,

Preservando sua aura improfana.

Mas a última visão da guerreira.

É feminina, amarrada à fogueira.


38

A menina suporta com galhardia,

Inda é interrogada pro julgamento.

E ali tabém seguia a covardia.

Não havia defesa a seu fomento

Contra ela, uma falsa alegoria

A incentivar o seu tormento.

Eram 71 homens da igreja,

Fariseus de má intenção sobeja.


39

À igreja, juntou-se a Academia:

A Universidade de Paris

Fez injunções desde o primeiro dia.

Tinha intenções nem um pouco sutis.

Guardiã dos processos de heresia,

Queria apontar os próprios fuzis.

E Joana ainda enfrentou seu clone

Na figura da "egrégia" Sorbonne!!!


40

Joana suportou com altivez.

Estava abandonada à própria sorte.

O Rei que ela resgatou nada fez.

Dizia que se Deus queria sua morte

Era culpa dela, vejam vocês...

Até o fim negou qualquer suporte...

Décadas depois se arrependeu

A reabilitação promoveu.


41

A admoestação era constante.

Levavam-na à sala de torturas.

Chegavam a usar ferro flamante.

Evitavam sevícias mais duras

Para evitar a morte liberante.

As intenções eram mais obscuras:

Esperavam condená-la à fogueira,

Acusando-a como feiticeira.


42

A argumentação contra a guerreira

Ia aos píncaros do indecente.

Um bispo disse-a não merecedeira

Da orientação de um Deus Clemente

Por sua baixa condição financeira.

O que dizer? Ora, francamente!

Tamanho contrassenso cheira a pus.

Lembre-se os apóstolos de Jesus!


43

Eram longos os interrogatórios 

De 3 horas, um ou mais por dia.

Ambiente opressor, vexatório.

Pesadas correntes... uma agonia...

Ela estava em constante purgatório.

Sempre altiva, a tudo respondia.

"Dizeis que sois meu juiz, pois não sois!

Cuida! A punição virá depois!"


44

Sua serenidade impressionava.

Mesmo sob o peso das correntes.

Com firmeza, a posição afirmava.

Chegava a encantar os presentes.

Seu olhar, lampejos despejava.

Erigia-se bela, imponente.

Entretanto, nada disso evitou

O fim que a ela se programou.


45

Mas o terrorismo seguia, vil.

Detalham o suplício na fogueira.

Ela preferia, dez vezes mil,

O fim na guilhotina derradeira.

Mas segundo aquela corja hostil

Não poderia sobrar nem caveira,

Nem um resto sequer a ser cultuado,

Em um mito eterno a ser cultivado.


46

No final, é levada a um cemitério.

Para abjurar em favor da igreja.

Em estado físico deletério,

Nosso santo anjo afinal fraqueja.

Não tendo aprendido em magistério,

Sem ler, firma qualquer papel que seja..

De noite, seu anjo diz ser traição, 

Ela faz última retratação!


47

É o sinal pra sua condenação:

Herética, inspirada pelo inferno.

Pois ninguém entendeu sua Missão,

Seu olhar simples, leal, franco, terno.

Vai morrer no fogo, sem remissão.

Sozinha, vai partir para o eterno.

Trinta de maio é o seu debrum,

Mil quatrocentos e trinta e um.


48

Quando Joana sabe de seu fim, 

Ela exclama chorando: "Ai de mim!

Tratam-me horrível e cruelmente"

Impressiona-a cruciantemente

O suplício do fogo, mesmo assim

Seguiu firme, forte e honradamente.

Levada por 800 soldados

E mais todos seus juízes prelados.


49

Leem o acusatório libelo...

São 70 artigos de baixo a cima.

Um estupor! E por isso, cancelo,

Apenas por um momento, a rima.

De vergonha, eu até fico amarelo.

Pra poesia, não há menor clima.

Então, ao final, apresento o derrame

Dos componentes dessa lista infame.


Entra A Day In The Life, dos Beatles

50

A fogueira vil era gigantesca!

Joana presa ao poste no pescoço!

Uma imagem realmente dantesca!

E em meio a um enorme alvoroço,

Dirigiu-se à cruel soldadesca

E fez um último desejo ao moço:

"Procure em alguma igreja uma Cruz!

Quero morrer olhando pra Jesus!"


52

Inclemente fogo já crepitando,

Com seu povo gritando e chorando,

Com suas roupas já a fumegar,

Encontra ainda força pra gritar,

A verdade das visões afirmando,

Retrato da história lapidar.

"Nada do que falei era mesmo meu.

Tudo veio do Alto e de Meu Deus!"


53

Em seu derradeiro sopro de vida,

O último grito foi para a Cruz

(Era o vínculo de toda uma vida

Em todos os momentos, era a Luz

A fonte de sua alma aguerrida),

Os pulmões já fervendo, foi: "Jesuuuus!"

Sim, sua dor foi enorme, foi tanta.

Séculos depois, ela virou Santa

____________________________________________________

 

Não achei mais a lista das 70 acusações contra ela mas era isto aqui que estava escrito numa placa, na hora da consumação pelo fogo.

'Joana, que se fez nomear a Donzela, mentirosa, perniciosa, abusadora do povo, advinha, supersticiosa, blasfemadora de Deus, presunçosa, que não professa a fé de Jesus Cristo, vingadora, idólatra, cruel, dissoluta, invocadora de demônios, apóstata, cismática e herética.'

O pai morreu logo, de desgosto

A mãe brigou anos pela revisão do processo.

O Rei, temeroso de ficar marcado pelo crime, deu ouvidos à voz pública e começou o processo de reabilitação, o que só conseguiu em 1455, quando foi anulado o julgamento.

Aliás, 

a Guerra dos CEM ANOS (que durou 114), 

terminou em 1453, 

vencida pelos FRANCESES, 

cujo REI era Carlos VII, 

que foi o REI que a menina JOANA D’ARC COROOU.

Simples assim!!

Porém, séculos se passaram sem que lhe cultuassem a vida, quando uma febre começou, de investigação de pergaminhos e bibliotecas poeirentas, foram revistas muitas partes da história, que haviam sido acobertadas na época do julgamento e pós-morte.

Joana D’Arc foi canonizada em 1915 e santificada em 1920.




Entra The End, dos Beatles


quarta-feira, 27 de maio de 2026

Pangea ... Do Rio a Liverpool, sem avião!!



Pangea ... Do Rio a Liverpool sem avião!!

Há 140 milhões de anos, a Terra era assim.

Chamava-se Pangea.

Era um grande e único continente.

Que a África se encaixava com a América do Sul, muito provavelmente você deve ter percebido ou ouvido alguém falar. 

Aquela história de ter um pezinho na África, era só dar um passo!


Mas bem menos gente imaginava que a África Setentrional se encaixava com a América do Norte.
Humphrey Bogart podia ir de trem a Casablanca
Agora, com certeza, quase ninguém poderia conceber que a Índia estava lá grudada com o sul da África e empreenderia uma vigorosa viagem rumo ao Norte, tão veloz (!!), que ao encontrar-se com o Sul da China, com força tão tremenda, ...
Que formaria o Himalaia!!!

E nesse meio tempo, a Península Arábica se descolaria da África para formar o Mar Vermelho.... 
Moisés economizaria um milagre!

E a Turquia viajaria ao Norte para formar o Mar Cáspio.

E que o Tibet tem razões geológicas para proclamar sua independência da China.

E que o Golfo do México era um lago.

E que os Estados Unidos tinham quase fronteira com o Brasil... 
Era o sonho da Disney logo ali, sem avião...

E para nós, Beatlemaníacos, ir a Liverpool seria apenas uma longa viagem de carro, passando por Nigéria, Níger, Argélia, Espanha, França até chegar à Inglaterra! Foi o roteiro que coloquei ali!

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

A Vida Começa aos 40

CLique no Play Verdinho
Para ouvir quase tudinho
o que ves escrito depois

Bem, se o ditado popular está correto, minha idade é de 27 anos!!!

Bem, é que achei ser um bom título para este post, que é uma ode ao Nº 40, que eu fiz em 2020.

Antes, por que me lembrei daquelas estrofes?

Descobri que eu era o Nº 40 na lista dos participantes de uma celebração que ocorrerá em 2026: os 45 anos da Turma na Petrobras, onde trabalhei durante 35 anos.

Foi o estopim da lembrança!!

Era 2020 e eu mantinha, no início da pandemia,  um duelo de poesia com dois lídimos e lautos representantes da capacidade de versejar. Paramos um tempo depois, mas coletamos quase 200 estrofes... Curiosidade? Aqui, neste link.

Havia acabado de aparecer a Estrofe Nº 40 e me dirigi a ele como campeão do desafio de fazer a Estrofe 40!!

E ficaram assim, então, as estrofes 41 a 43.


41

Então, foi confirmado o belo show!

Tal qual o garboso Napoleão,

Que 40 séculos contemplou,

Ou como Ali Babá, breve ladrão.

Que 40 larápios enfrentou,

Foste tu, emérito campeão,

Desta enorme e profícua quarentena,

Que pros 40, deu tchau e acena!


42

Quarenta é um número encantado 

De várias lendas o facho que conduz

Cabalístico, divino, venerado

40 dias no deserto andou Jesus

Quarenta anos Moisés com sua luz

Guiou a Canaã seu povo amado

E até 2020 nos atenta

Porque vinte mais vinte dá 40



43

Isso está um verdadeiro filé

Mas não finda essa saga quarentana:

40 dias, dilúvio, Noé

40 horas laborais, semana

E 40 semanas, termo é

De uma boa gravidez humana.

E concluindo este ciclo que se encerra

Quarentanos viveu Lennon na Terra.



domingo, 3 de agosto de 2025

Rock Parceria e Poesia - Os áudio todin...

Rock Parceria e Poesia

Uma conversa sobre a Parceria Lennon/McCartney


Parte 1 de 4: LINK
Parte 2 de 4: LINK
Parte 3 de 4: LINK
Parte 4 de 4: LINK
Todas Juntas: ESTE

Parte 1 de 4

 Clique acima para ouvir o que está escrito abaixo


Olá, amigos do Submarino Angolano
Aqui é Homero Ventura, directo do Brasil


Entra Ave Maria, de Schubert

Muitos, com certeza, já ouviram falar da parceira Lennon/McCartney mesmo não sendo fãs dos Beatles. Responsáveis pela composição por quase 90% das músicas autorais da banda, John Lennon e Paul McCartney certamente colocaram seus nomes na lista de TopTen Composers de qualquer especialista em música, incluindo os mais reticentes. Uns poucos exagerados da imprensa especializada da década de 60 diziam que Lennon e McCartney eram os melhores compositores desde Schubert (!!).

Segue Ave Maria, de Schubert

Esta parceria começou graças a um desprendimento de John, claro que associado a uma visão de futuro privilegiada. John, em sua costumeira modéstia, desde pequeno sabia que seria grande. Sempre foi o líder dos grupos em que se metia, para o bem ou para o mal. E líder ele era dos Quarrymen, uma banda de adolescentes ingleses que tocavam rock e skiffle em variados lugares de Liverpool, inclusive em pátios de igrejas. 

Entra o primeiro áudio dos Quarrymen

E foi num pátio de igreja, na tarde de 6 julho de 1957, que ele foi apresentado a Paul por um amigo comum (de nome Ivan Vaughn, a quem nós, amantes dos Beatles, agradecemos imensamente). 

Entra Twenty Flight Rock

Paul mostrou na guitarra seu conhecimento sobre o rock americano (John se impressionou por Twenty Flight Rock) e também trechos de composições suas. 

De imediato, John percebeu que estava diante de um igual. Nas 24 horas seguintes, ficou matutando, com seu imensurável ego, o dilema de continuar como estrela solitária, ou deixar seu brilho ser ofuscado pela presença de um outro talento no grupo. 

Quiseram os deuses do rock que ele optasse pela última, e assim criou-se a semente do sucesso dos Beatles. Depois, em 8 de fevereiro de 1958, Paul trouxe George Harrison 

Entra Something, de George Harrison 

E, por último, chegou Ringo Starr, 

Entra Octopuss Garden, de Ringo Starr. 

em 18 de agosto de 1962, já nas vésperas da gravação do 1º disco. 

O resto é história... um pouco da qual, conto aqui!

 Antes, uma Pausa para Ivan Vaughn


Entra Michelle,

Ivan era amigo de infância de John e colega de Paul, e tocava aquele escorredor de roupa do skiffle no Quarrymen, mas não era sempre. Os dois Beatles nunca se esqueceram dele, inclusive o colocaram na folha de pagamento da Apple por algum tempo, num projeto que não foi adiante. Outra ligação de Ivan com os Beatles foi por sua esposa Jan, professora de Francês, que foi contratada para sentar-se com Paul e John para ajudar nas partes no idioma francês da canção Michelle, de Rubber Soul, em 1965, especialment a rima para Michelle ... Ma belle... veio dela... não foi pouco não...  Ivan era nascido no mesmo dia/mês/ano de Paul e morreu cedo, aos 51 anos, de pneumonia.


John e Paul começaram a compor juntos e logo viram que, apesar dos estilos diferentes, a afinidade era grande. Tanta que chegaram logo cedo a um acordo de parceria: fosse John ou Paul o verdadeiro autor de uma canção, a autoria oficial seria declarada como de Lennon/McCartney. 

No começo, Paul tentou sugerir uma ordem diferente, algumas canções chegaram a ser registradas como McCartney/Lennon, mas a liderança de John acabou prevalecendo. A ordem inversa durou até o 2º single, com Please Please Me e Ask Me Why.

Entra Love Me Do,

Voltando um pouco... A primeira Lennon/McCartney que veio ao mundo, ainda na ordem inversa dos compositores, foi a 1ª lançada pelos Beatles, Love Me Do, mas ela  era uma canção mais de Paul. A primeira que compuseram efetivamente juntos, de fato,  foi I Saw Her Standing There, que abre o 1º LP, Please Please Me. A ideia da canção era de Paul, que começava com: Well she was just seventeen... mas ele ficou encalacrado já com a rima, já nesta 1ª linha, pois a ideia dele era: ... never been a beauty queen... não gostava de jeito nenhum, então buscou ajuda ao recente parceiro, e John veio com a DEFINITIVA e ESPETACULAR .... and you know what I mean... e foi muitas vezes assim, um vinha com a ideia, o outro complementava.


Este tipo de acordo foi repetido por inúmeras duplas famosas, 
Jagger/ Richards

Entra Satisfaction, de Jagger/Richards

... mas Paul e John ajudaram logo no  começo. Conta a história que, num encontro com Mick e Keith, eles perguntaram a John e Paul se não tinham nenhuma canção sobrando, então um olhou pro outro e disseram: "Chama a gente pro estúdio!" Diz a lenda que os dois se retiraram do ambiente por 10 minutos e, ao retornarem, entregaram a Mick aquela que seria o primeiro sucesso dos Rolling Stones: I Wanna Be Your Man

Entra I Wanna Be Your Man, pelos Rolling Stones
Claro que a canção está longe de ser uma obra-prima, ela não tem mais que 20 palavras ma letra, e nem poderia se exigir mais. Ringo gravou a canção em With The Beatles e a cantou em dezenas de shows.

Entra Quero que Vá Tudo Pro Inferno de Roberto e Erasmo Carlos.

Deste lado do Atlântico, teve outra parceria desse estilo, um faz a canção, o outro assina junto, a nossa tupiniquim Roberto e Erasmo Carlos, recentemente desfeita, com a passagem deste último para o andar de cima. 


Mas, voltando ao início, novamente. Os dois amigos tinham uma capacidade para compor invejável. Inúmeros canções foram feits olho no olho, em quartos de hoteis, em viagens daquele começo insano. Um belo exemplo foi From Me To You...
Entra From Me To You
Quer outra dos hotéis? Paul veio com She loves you.... John respondeu Yeah...Yeah...Yeah, simples e brilhante.
Entra A Hard Day's Night,
Em outro episódio, à época da filmagem de seu primeiro longa-metragem, deram outra mostra dessa capacidade. O filme tinha o título baseado num suspiro de Ringo Starr após um dia intenso de filmagens, ele disse: Well, it's been hard day...’s night! Os produtores ainda tinham título. John falou o tradicional: É esse, deixa comigo! …. E foi para casa. Na manhã seguinte, mostrou o que tinha conseguido a Paul, que cantou o a ponte “When I’m home, everything seems to be right …”. pois ele, John, não conseguia cantar tão alto E entregaram A Hard Day’s Night, aquela que seria um de seus maiores sucessos. A canção abre  o Lp de mesmo nome, a melhor abertura de todos os tempos, que choca o mundo com aquele acorde intrigante, que leva todas as notas em sua descrição, menos o MI
Entra o acorde inicial de A Hard Day's Night
Lennon/McCartney assinam todas as canções de A Hard Day's Night, após dois LPs em que mesclavam com covers de artistas americanos
Quer mais um episódio (há dezenas deles): Paul conta que sonhou com a melodia de Yesterday, acordou, e achou tão linda que duvidou da própria arte, e foi conferir, com John, com George, com o outro George, o Martin, até que se convenceu que era uma McCartney original, e foi buscar a letra. Ocorre que, a única coisa que lhe vinha à mente, ao invés do famoso “Yes-ter-day .... All my troubles seemed so far way não, ainda não era isso, era “Scram-bled-eggs .. oh my darling how I like your legs....”Claro que, rapidamente, ele colocou uma letra mais apropriada e concluiu aquela que seria a canção mais re-gravada de todos os tempos. Nesta última, John pouco contribuiu,parece que a única contribuição foi que ela tivesse nome único, o que não deixou de ser uma ótima sugestão!
Aquele acordo de parceria fez com que muitos pensassem que todas as canções com o rótulo Lennon/ McCartney fossem compostas sempre por John e por Paul em um trabalho conjunto. Isso, na verdade, somente aconteceu nos primeiros anos da dupla e mesmo assim, somente em algumas poucas canções como She Loves YouI Wanna Hold Your Hand, Do You Want To Know A Secret?From Me To YouPlease, Please MeThis Boy e outras), e uma ou outra quando estavam mais maduros (With a Little Help From My Friends e A Day in The Life). 
Entra With a Little Help From My Friends
Nas demais, o trabalho é mais de 3/4 individual, no máximo um dava um palpite num verso aqui, uma ponte ali uma sugestão de rima ou harmonia acolá. Havia uma disputa saudável entre os dois: um usava o outro como estímulo para compor cada vez mais e melhor e não ficar para trás na preferência dos fãs.
Uma característica de qualidade da dupla é que, com a exceções de duas canções logo no início da carreira eles nunca mais compuseram canções com versos repetidos na base, quer dizer, um verso ou outro poderia ser repetido mas somente após uma ponte, ou um refrão, como finalização da canção.

Outra pausa para Estrutura Musical...

Versos, em composição musical são aqueles conjuntos de duas ou mais frases que fazem a narrativa principal logo no início. Um 2º verso complementa a história. Normalmente vem uma ponte ou um refrão depois de dois versos.Um bom exemplo de versos, que contam a narrativa está em No Reply. Os verso vêm mornos, 
This happened once before
When I came to your door, no reply
They said it wasn't you
But I saw you peep through your window
I saw the light I saw the light
E Ponte? É um elemento de ligação, como toda boa ponte, entre um verso e outro ou entre verso e refrão. Normalmente, a ponte aumenta a tensão do clima, quando os versos são mais mornos, ou diminui a tensão quando os versos são mais intensos. na mesma No Reply, logo depois do Verso 1, tem outro verso e vem a Ponte, ameaçadora:
If I were you, I'd realize that I
Love you more than any other guy
And I'll forgive the lies that I
Heard before, when you gave me no reply

Bem, ainda sobre estrutura, tem os Refrões, você já deve saber o que é, chama-se aqui também de estribilho ou coro, é aquela parte mais curtinha, vibrante, que cola no ouvido, uma mensagem forte, normalmente com o t+itulo da canção
Entra o refrão de She Loves You
Entra o refrão de Can't Buy Me Love
Entra o refrão de Ticket To Ride
Entra o refrão de You've Got To Hide Your Love Away
Entra o refrão de Yellow Submarine
Interessante que Refrões são muito mais conhecidos que Pontes, mas não eram primordiais para Lennon/McCartney, mais da metade de suas composições têm apenas Versos e Pontes. 
Em tempo, George Harrison bebeu daquela fonte, integralrmente, apendeu com os maiorais e em nenhuma de suas composições ele repete Versos. O mesmo para Ringo Starr, em todas as suas DUAS composições na época dos Beatles.
Em tempo (2), as duas canções que repetem versos no início da carreira foram Love Me DoDo You Want To Know A Secret, pode reparar, um único verso é repetido duas vezes, se bem que esta última tinha uma peça estrutural diferente, uma introdução fenomenal
Entra Do You Want To Know A Secret
Na próxima semana mais sobre a Parceria Lennon McCartney
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Parte 2 de 4



Muitos, com certeza, já ouviram falar da parceira Lennon/McCartney mesmo não sendo fãs dos Beatles. Responsáveis pela composição de quase 90% das músicas autorais da banda, John Lennon e Paul McCartney certamente colocaram seus nomes na lista de TopTen de qualquer especialista em música, incluindo os mais reticentes. 

Quando se tem um pouco mais de familiaridade com as músicas dos Beatles, logo se percebe quem fez qual música:

1. O primeiro sinal é o cantor: geralmente quem compôs, canta a voz principal na gravação. E, com um pouco de treino auditivo, você distingue a voz mais ácida de John da voz mais suave de Paul... uma ótima exceção é Eight Days a Week, que é mais de Paul do que John, mas é este quem canta o vocal principal...

Entra Eight Days A Week

2. Se, ainda assim está difícil, vá pelo estilo: Paul é mais baladeiro, John mais roqueiro. Claro que há exceções memoráveis. Algumas das mais bonitas baladas dos Beatles, como In My LifeGood NightGirlNorwegian Wood, são de John 

Entra Norewgian Wood
e sem esquecer de Because, uma linda harmonia tripla, obra-prima, de John Lennon
Entra Because

e alguns dos rocks mais dançantes, como I’m DownBirthdayCan’t Buy Me LoveBack In The USSRHelter Skelter (este, pra lá de pesado!), são de Paul; 

Entra Helter Skelter

Interessante que eu falo do estilo de um e mostro o exemplo do que é mais o estilo do outro... esssa é a riqueza de Lennon / McCartney

3.  Se o estilo musical não foi suficiente pra definir, em canções românticas, vá pela letra: Paul é mais up beat, otimista, como em Another GirlAll Together NowGetting BetterHello Good ByePenny LaneGood Day Sunshine

Entra Good Day Sunshine

John é mais down, pessimista, como em Run For Your LifeI Don’t Want to Spoil the PartyNo ReplyI’m So Tired e ainda passando por crises existenciais como em I’m a Loser, ou Help, e até Nowhere Man,  e Yer Blues ;

        Entra Yer Blues

4.  Se a canção não é romântica, aqui vai uma dica: Paul adora contar histórias, repare em Obladi ObladaRocky Raccoon (com aquele inesquecível honky tonky piano), Maxwell’s Silver HammerPaperback WriterShe’s Leaving Home, (esta, uma verdadeira obra-prima!); e jamais se esquecer de Eleanor Rigby, uma obra-prima de Paul McCartney

Entra Eleanor Rigby
John tinha algumas mensagens a dar, como em All You Need is Love e The Word Revolution
Entra Revolution

e ainda viajava junto com as drogas em canções como em Lucy In The Sky Wiith The DiamondsI Am The WalrusRain e Tomorrow Never Knows
Entra Tomorrow Never Knows
Além disso, adorava se inspirar em posters de propaganda como em For The Benefit Of Mr. Kite ou em notícias ou anúncios de jornal como em A Day In The Life (cuja idéia central era dele, com participação de Paul, ao final - Woke up, got out the bed ...) e Happiness Is A Warm Gun;
Entra Happiness Is A Warm Gun


5.       Se nada disso funcionou, vá ao detalhe da poesia:

 
John adorava os jogos de palavras como em ….

          “It won’t be long, till I belong to you”,
de It Won´t Be Long misturando a expressão "Be Long" que quer dizer "Não se demore" com o verbo "belong" que é pertencer ou seja Não se demore até eu pertencer a você,
        E também em Please Please Me

          “Please, please me oooh yeah like I please you”,
          

        Entra Please Please Me 
 
... misturando dois verbos com a mesma escrita e significados diferentes: o 1º Please ... Por favor...  o 2º é ... Me agrade, com muita conotação sexual     
 
E tem  It´s Only Love... olhe só a quantidade de rimas em "Ai" 
I get high when I see you go bymy oh my 
When you sighmymy inside just dies, butterflies 
Why am I so shy when I’m beside you”

          Entra It's Only Love 

             Nas próximas edições, mais sobre a Parceria Lennon/McCartney

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Parte 3 de 4



 Clique acima para ouvir o que está escrito abaixo


Olá, amigos do Submarino Angolano
Aqui é Hoemro Ventura, directo do Brasil


Entra 12 Bar Original, de Lennon/McCartney/Harrison/Starr


Muitos, com certeza, já ouviram falar da parceira Lennon/McCartney mesmo não sendo fãs dos Beatles. Responsáveis pela composição de quase 90% das músicas autorais da banda, John Lennon e Paul McCartney certamente colocaram seus nomes na lista de TopTen de qualquer especialista em música, incluindo os mais reticentes. 

John e Paul começaram a compor juntos e logo viram que, apesar dos estilos diferentes, a afinidade era grande. Tanta que chegaram logo cedo a um acordo de parceria: fosse John ou Paul o verdadeiro autor de uma canção, a autoria oficial seria declarada como de Lennon/McCartney. Os dois amigos tinham uma capacidade para compor invejável. Inúmeras composições foram feitas olho no olho, em quartos de hotéis, em viagens daquele começo insano.

Aquele acordo de parceria fez com que muitos pensassem que todas as canções com o rótulo Lennon/ McCartney fossem compostas sempre por John e por Paul em um trabalho conjunto. Isso, na verdade, somente aconteceu nos primeiros anos da dupla e mesmo assim, somente em algumas poucas canções  e mais no futuro, uma ou outra quando estavam mais maduros.

Nas demais, o trabalho é mais de 3/4 individual, no máximo um dava um palpite num verso aqui, uma ponte ali uma sugestão de rima ou harmonia acolá, etc. Havia uma disputa saudável entre os dois: um usava o outro como estímulo para compor cada vez mais e melhor e não ficar para trás na preferência dos fãs.


Quando se tem um pouco mais de familiaridade com as músicas dos Beatles, logo se percebe quem fez qual música:

1. O primeiro sinal é o cantor: geralmente quem compôs, canta a voz principal na gravação. E, com um pouco de treino auditivo, você distingue a voz mais ácida de John da voz mais suave de Paul... 

2. Se, ainda assim está difícil, vá pelo estilo: Paul é mais baladeiro, John mais roqueiro. Claro que há exceções memoráveis. Algumas das mais bonitas baladas dos Beatles são de John, e alguns dos rocks mais dançantes são de Paul. Essa é a tiqueza de Lennon/McCartney

3. Se o estilo musical não foi suficiente pra definir, em canções românticas, vá pela letra: Paul é mais up beat, otimista, John é mais down, pessimista, e ainda passando por crises existenciais e ainda viajava junto com as drogas

4.  Se a canção não é romântica, aqui vai uma dica: Paul adora contar histórias. John tinha algumas mensagens a dar, além disso, adorava se inspirar em posters de propaganda ou em notícias ou anúncios de jornal.

5. Se nada disso funcionou, vá ao detalhe da poesia: John adorava os jogos de palavras.

Querem mais jogos de palavras de John?

Everybody's green'Cause I'm the one, who won your loveBut if they'd seenYou're talking that way they'd laugh in my face

So please listen to me, if you wanna stay mineI can't help my feelings, I'll go out of my mindI'm gonna let you down (let you down)And leave you flat (gonna let you down and leave you flat)Because I've told you beforeOh, you can't do that

O Melô do Ciumento - You Can't Do That - repare como o sujeito é ciumento até o âmago - repare ali no meio - the one, who won - as palavras "one" e "won" têm quase a mesmíssima pronúncia mas são escritas de forma diferente equerem dizer coisas completamente diferentes, alé de ser uma rica que em Português chamaríamos "rica", um verbo com um numeral, no caso da letra,com um substantico, e foi nessa letra que eu descobri de onde veio a nossa expressão "Ele está verde de inveja!". 

Na canção, John diz: "Estão todos veeerdes, fui eu quem ganhou teu amor!" Verdes... de inveja! 

E parece que John tinha fixação em cores, veja em Baby's In Black, John diz: 

Oh dear, what can I do?Baby's in black and I'm feeling blueTell me, oh what can I do?
She thinks of himAnd so she dresses in blackAnd though he'll never come backShe's dressed in black

Ele joga com cores, embora a segunda cor da frase não tenha nada a ver com a Cor Azul... é que Blue em inglês é a cor da tristeza, como verde é a da inveja... até por isso aquele ritmo americano, o Blues, sempre vem com temas tristes!!

Falando em temas tristes, dizem as más línguas que John pensava em Astrid Kircherr quando fez a canção, a fotógrafa dos tempos românticos de Hamburgo, namorada de seu melhor amigo Stuart Sutcliffe, membro de primeira formação dos Beatles que abandonou a banda pra ficar com ela, e que morreu de um aneurisma cerebral ainda antes do sucesso...

Este trecho entrega bem essa situação:

She thinks of him (Astrid pensa em Stuart)

and so she dresses in black, (porque Astrid está de luto)

ant though he’ll never come back (porque Stuart mórreu)

She’s dressed in black

 E aqui, tem mais uma ponte que eleva o clima da canção

“Oh how long will it take till she sees the mistake she has made”

Dear, what can I do?
Baby's in black and I'm feeling blue
Tell me, oh what can I do?

Além disso, John mostra todo seu apuro literário quando pôs, pela primeira vez na história do rock, a palavra "trivialities", que foi buscar para fazer rima rica com "please" em When I get Home.


Come on, if you please, I’ve got no time for trivialities, 

I've got a girl who's waitng home for me tonight

Whoa, Whoa,             I got a whole lot of thing to tell her            When I get home

Quer saber de uma coisa, Paul gostava de uma DR... Sabe o que é uma DR?

É como chamamos aqui a Discussão de Relacionamento, normalmente dentro de um casal. Não que ele gostasse, mas ele mandava recados para Jane Asher, sua namorada, para expressar seu sentimento.

Já no single de final de ano de 1965, veio We Can Work It Out, uma DR das boas

Se você pensa assim, corre-se o risco de nosso amor terminar.

Podemos solucionar... Podemos solucionar

Reconheceu?


Try to see it my way

Do I have to keep on talking till I can't go on?

While you see it your way

Run the risk of knowing that our love may soon be gone

 

We can work it out

We can work it out

Think of what you're sayingYou can get it wrong and still you think that it's alrightThink of what I'm sayingWe can work it out and get it straight or say good night
We can work it outWe can work it out

 Na ponte, ele diz que a vida é curta, que é um crime viver brigando!

Life is very short, and there's no time

For fussing and fighting, my friend

I have always thought that it's a crime

So I will ask you once again

No LP Rubber Soul, a DR continuou firme!

Em You Won’t See Me, ele reclama que que ela se esconde, que as mãos dele estão amarradas e que se continuar assim, ela não vai mais vê-lo.

I don't know why you

Should want to hide

But I can't get through

My hands are tied

I won't want to stay

I don't have much to say

But I can turn away

And you won't see me (You won't see me)

You won't see me (You won't see me)

Sabe o que é… nesse tempo, Jane, que era atriz respeitada, viajava muito pela Inglaterra e ele reclamava disso. E era interessante pois ele morava na casa dos pais dela em Wimpole Street, e era mesmo esquisito ele estar lá com os pais dela enquanto ela viajava...

No mesmo Rubber Soul tem mais outra DR,  I’m Looking Through You, em que Paul reclama nos dois primeiros versos que ela está mudando com ele.... que ele nem consegue ouvir o que ela fala.

Your lips are moving, I cannot hear

Your voice is soothing, but the words aren't clear

You don't sound different, I've learned the game

I'm looking through you, you're not the same

Na ponte, Paul reclama que ela não o trata bem e ele ameaça que o amor pode acabar do dia pra noite!

Why, tell me why, did you not treat me right?

Love has a nasty habit of disappearing overnight

E no verso seguinte (veja bem, 3 versos diferentes, uma riqueza de letra),  Paul reclama que a procura, mas ela não está em lugar nenhum

You're thinking of me, the same old way

You were above me, but not today

The only difference is you're down there

I'm looking through you, and you're nowhere

Em 1967, quase não houve tempo para amores, afinal, eles estavam mudando o mundo da música em Sgt Pepper’s, mas o ano não acabou sem a mais definitiva pérola da DR no single de maior sucesso da carreira britânica. Veja se não... 

Homens e Mulheres estão sempre em campos opostos. Ele diz sim, ela não, Ela diz Pare ele diz Vá Vá Vá... Ele lá no alto, Ela cá embaixo....E homens não gostam de discutir o relacionamento... Ela pergunta por que e ele diz que não sabe!! Simples assim!!! Sempre assim...

Digo sim, você não!

Cê quer parar, Eu digo não, não não  oh não

Você diz adeus, eu digo alô

Alô Alô não sei por que cê diz adeus eu digo alô

 Agora, na voz deles!! 

I You say yes, I say no

You say stop and I say go go go, oh no

You say goodbye and I say hello

Hello hello

I don't know why you say goodbye, I say hello

Hello hello

I don't know why you say goodbye, I say hello

 

I say high, you say low

You say why and I say I don't know, oh no

You say goodbye and I say hello

(Hello goodbye hello goodbye) Hello hello

(Hello goodbye) I don't know why you say goodbye, I say hello

(Hello goodbye hello goodbye) Hello hello

(Hello goodbye) I don't know why you say goodbye

(Hello goodbye) I say hello/goodbye

VOltando a falar de rimas Paul procurava rimas internas,  como em You Won´t See Me

Though the days are few, (oh, la la la)
They're filled with tears, (oh, la la la)
And since I lost you, (oh, la la la)
It feels like years, (oh, la la la)

Repararam a genialidade?

Though the days are few, (oh, la la la)They're filled with tears, (oh, la la la)And since I lost you, (oh, la la la)It feels like years, (oh, la la la)Yes, it seems so long, (oh, la la la)Girl, since you've been gone, (oh, la la la)And I just can't go on, (oh, la la la)
If you won't see me, (you won't see me)You won't see me, (you won't see me)

 E... falando em YEARS!!!

Paul inventou a rima interplanetária, veja bem, em Sgt Pepper’s, aliás, antes, tenho que ressaltar que essa canção, que é integralmente de Paul, tem uma estrutura espetacular, um verdadeiro PALÍNDROMO, em 7 peças, ou 7 degraus de um pÓdium de 7 lugares, 

1. A introdução instrumental

       2. O Verso 1, It’s Twenty years ago today...

          3. A Ponte 1, instrumental, pa pa pa pa pa pa pa pa pa pa

              4. O Refrão “We’re SPLHCB... we hope you will enjoy the show…

         5. A Ponte 2, cantada... It’s wonderful to be here I’s certainly a thrill...

     6. O Verso 2, I don’t really want to stop the show…

7. A Conclusão, instrumental

Ah, sim, a rima interplanetária, ia me esquecendo.... Eu que dei esse nome, porque uma coisa impressionante. É que Paul rimou a frase final do Verso 1 no começo da canção

The act you’ve known for all these years

Com a frase final do Verso 2, lááá no final da canção

The one and Only Billy Shears

E ele diz que escolheu o nome do alter-ego de Ringo, Billy Shears justamente para rimar com o Years lá do começo...

Ainda sobre Sergeant Peppers, vou aproveitar para voltar ao tema da estrutura de canções.. e comentar sobre a Ponte, que aparece duas vezes na canção, uma apenas instrumental e outra com letra.

Note que a Ponte de SP exemplifica a outra situação que expliquei aqui, lá atrás.

Em No Reply, a Ponte vem botar fogo em versos inicialmente mornos.

Esse era um dos motivos de um Ponte.

Em SP é o oposto! Os versos começam lá no alto, intensos... com o anúncio da chegada triunfal da banda no palco

E a ponte vem amenizar... com o Sargento Pimenta conversando calmamente com a plateia:

Vocês são a-do-rá-veis, me dá um arrepio,

a gente gostaria de levar vocês pra casa, gostaria de levar


I don't really want to stop the show
But I thought you might like to know
That the singer's going to sing a song
And he wants you all to sing along
So let me introduce to you
The one and only Billy Shears
And Sergeant Pepper's Lonely Hearts Club Band

Legal, né...

E Paul é mestre em rimas internas como em fez nada menos que 5 vezes em Hey Jude

1. Hey Jude, don't make it badTake a sad song and make it better2. Remember to let her into your heartThen you can start to make it better
3. Hey Jude, don't be afraidYou were made to go out and get her4. The minute you let her under your skinThen you begin to make it better
5. Hey Jude, don't let me downYou have found her, now go and get her
ENTRA HEY JUDE E VAI ATÉ O FINAL

Nas próximas edições, mais sobre a Parceria Lennon/McCartney

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Parte 4 de 4


 Clique acima para ouvir o que está escrito abaixo

Entra 12 Bar Original, de Lennon/McCartney/Harrison/Starr


Muitos, com certeza, já ouviram falar da parceira Lennon/McCartney mesmo não sendo fãs dos Beatles. Responsáveis pela composição de quase 90% das músicas autorais da banda, John Lennon e Paul McCartney certamente colocaram seus nomes na lista de TopTen de qualquer especialista em música, incluindo os mais reticentes. 

John e Paul começaram a compor juntos e logo viram que, apesar dos estilos diferentes, a afinidade era grande. Tanta que chegaram logo cedo a um acordo de parceria: fosse John ou Paul o verdadeiro autor de uma canção, a autoria oficial seria declarada como de Lennon/McCartney. Os dois amigos tinham uma capacidade para compor invejável.

Quando se tem um pouco mais de familiaridade com as músicas dos Beatles, logo se percebe quem fez qual música:

1. O primeiro sinal é o cantor: geralmente quem compôs, canta a voz principal na gravação. E, com um pouco de treino auditivo, você distingue a voz mais ácida de John da voz mais suave de Paul... 

2. ·   Se, ainda assim está difícil, vá pelo estilo: Paul é mais baladeiro, John mais roqueiro. Claro que há exceções memoráveis. Algumas das mais bonitas baladas dos Beatles são de John, e alguns dos rocks mais dançantes são de Paul. Essa é a magi ados Beatles

3. Se o estilo musical não foi suficiente pra definir, em canções românticas, vá pela letra: Paul é mais up beat, otimista, John é mais down, pessimista, e ainda passando por crises existenciais e ainda viajava junto com as drogas

4.  Se a canção não é romântica, aqui vai uma dica: Paul adora contar histórias John tinha algumas mensagens a dar, além disso, adorava se inspirar em posters de propaganda  ou em notícias ou anúncios de jornal 

5. Se nada disso funcionou, vá ao detalhe da poesia: John adorava os jogos de palavras, olha só o que ele fez em Please Please Me, aquela mesma do jogo de palavras.

I don't want to sound complaining
But you know there's always rain in my heart (in my heart)
I do all the pleasing with you... It's so hard to reason with youuuu

whoa yeah, why do you make me blue?

... percebeu? "Complaining" rimando com "rain in", uma rima composta de um verbo com uma expressão.

Ou, em Good Morning, Good Morning, uma sucessão de versos com rimas incríveis internas e bem casadas com o requinte dos finais também casarem, um primor. A canção abre com:

Good morning, good morning

Nothing to do to save his life, call his wife in
Nothing to say but what a day, how's your boy been?
Nothing to do, it's up to you
I've got nothing to say but it's okay

Good morning, good morning

Reparam? Rimou "life" com "wife" na 1ª frase, "say" com "day" na 2ª, e as duas frases terminam rimando, "in" com "been"... e lá no meioda ponte, vem:

Everybody knows there's nothing doing
Everything is closed, it's like a ruin
Everyone you see is half asleep
And you're on your own, you're in the street

After a while you start to smile, now you feel cool
Then you decide to take a walk by the old school

Aqui, ele rima "while" com "smile" na 1ª frase, "decide" com "by the" (old school) na 2ª, além de rimar, "cool" com "school"... olha.. preciso, não?

E, mais que rimas, muito além de rimas, John era mais poético, em imagens, mesmo não rimando... Across The Universe é uma pérola em sucessão de imagens... e olha que ele fez isso sóbrio, em uma ou duas horas, após uma discussão com sua esposa Cynthia. 

Words are flying out like endless rain into a paper cup...

Eu vou até traduzir... 

                "Palavras estão fluindo como chuva incessante dentro de um copo de papel..."

Pools of sorrow, waves of joy are drifting through my open mind ... 
      "Poças de mágoas, lamentos de alegria, estão vagando por minha mente aberta..."   
 
Images of broken light which dance before me like a million eyes ...

               "Imagens de luzes falhas dançam ante mim a frente como um milhão de olhos..."

Thoughts meander Like a restless wind inside a letter box... 

                   "Pensamentos vagueiam como um vento sem fim por entre uma caixa de correio.,."

 Sounds of laughter shades of love are ringing through my open ears...

                 "Sons de gargalhadas, sombras de vida estão tocando em frente à minha vista aberta..." 

Limitless, undying love which shines around me like a million suns
      "Amor imortal, sem limite que brilha ao redor de mim como um milhão de sóis"

Olha... difícil superar...

Isso sem contar com a conjunção cósmica entre os dois. QUando decidiram parar com as excursões em agosto de 66, foi cada um pro seu lado tratar da vida e, claro, compor. Quando retornaram ao estúdio, no final do ano, a primeira canção que um apresentou para o outro complementar vinha com reminiscências da época de Liverpool, sua cidade natal. 

John veio com: Entra Strawberry Fields Forever
Let me take you down'Cause I'm going to strawberry fieldsNothing is realAnd nothing to get hung aboutStrawberry fields forever
Living is easy with eyes closedMisunderstanding all you seeIt's getting hard to be someone, but it all works outIt doesn't matter much to me

Lembrando-se de um orfanato que ele, John,  menino, costumava invadir para brincar e transformou aquilo numa viagem mental 

Nothing is real

Paul veio com: Entra Penny Lane

Penny Lane is in my ears and in my eyesWet beneath the blue suburban skiesI sit and meanwhile back in
Penny Lane, there is a fireman with an hourglassAnd in his pocket is a portrait of the QueenHe likes to keep his fire engine cleanIt's a clean machine 

... lembrando uma rua central da cidade em que na juventude sempre passava, inclusive com um hub de ônibus que acessava toda a cidade.

As canções eram tão excepcionais que viraram um Single DUplo Lado A, lançado no início de 67. Sgt. Pepper's ficou pra depois.

Enfim, como são cerca de 180 canções, haverá sempre exceções aqui e ali em que regras serão quebradas. E, na verdade, nem interessava saber de quem era qual música. O importante, realmente, é o conjunto da obra. A perfeita harmonia vocal dos dois (muitas vezes com a inestimável ajuda de George Harrison), juntamente com as inovações técnicas (muitas vezes com a ajuda de George Martin), contribuía para que o verdadeiro autor se tornasse um detalhe desnecessário.

O acordo apenas veio a se desmanchar de uma maneira interessante. John voltava com Yoko de sua lua de mel cheio de idéias e chamou Paul para ajudar a gravar, somente Paul, pois os outros estavam ausentes, e saiu .... isso aqui:

Entra The Ballad of John and Yoko

Caught the early plane back to London50 acorns tied in a sackThe men from the press said, "We wish you successIt's good to have the both of you back"
Christ, you know it ain't easyYou know how hard it can beThe way things are goingThey're gonna crucify meThe way things are goingThey're gonna crucify me

John ficou tão agradecido que deu co-autoria a ele de outra canção mesmo após o final da parceria, rendendo ao amigo uns bon milhões

Era simplesmente Give Peace a Chance, um hino a paz.

E, por conta dessa parceria de presente, Paul McCartey a canta nos show atuais em seguida A Day In The Life. 

As desavenças normais que acontecem em 90% das bandas depois de longo tempo de convivência acabaram por distanciar um do outro, sem, entretanto, diminuir o nível de suas composições. E, com o final dos Beatles, cada um seguiu seu rumo, em carreira solo, sempre produzindo boas canções. 

John continuou mandando mensagens, as melhores delas em Imagine, e Working Class Hero, e seguiu-se abrindo em crises existenciais como em Mother ou em God.

Entra God 

Paul continuou sendo up beat como em Coming Up e seguiu contando suas historinhas como em Another Day

Entra Another Day 

Devido ao seu melhor tino comercial ainda que sendo algumas vezes execrado por isto, Paul teve mais retorno financeiro que John. Este, por seu lado, era mais bem recebido pela crítica do que Paul. Além disso, devido às desavenças mal resolvidas, trocavam farpas musicais, como a Too Many People de Paul ... 

        Entra Too Many People, de Paul 

... respondida duramente por John em How Do You Sleep?, 

        Entra How Do You Sleep 
e que foi educadamente respondida por por Paul  em Dear Friend

        Entra Dear Friend, de Paul 
E, com todas essas desavenças artísticas, nem Paul nem John admitiam que se falasse mal do outro, eles diziam: "Somente eu posso falar mal"

Em 1973,John e Paul fizeram as pazes, este foi visitar aquele em seu exílio na Califórnia, enfim. Porém o tempo não foi suficiente para que voltassem a reviver a velha e profícua parceria, a mais famosa da história da música. Não foi suficiente, pois John foi assassinado. 

E naquele dia, (a voz até embarga...) 8 de dezembro de 1980, na última conversa que teve com um repórter, a declaração foi sobre o grande amigo. Perguntado sobre seu relacionamento com Paul, já ‘off the record’, a caminho do estúdio onde faria sua última gravação, John disse: 
Paul is my brother! You know, as a family we always had ups and downs. But at the end of the day, there is nothing that I wouldn't do for him and I'm sure it's vice-versa!.... 

..... pausa para uma lágrima .....

Paul prestou uma última homenagem ao amigo, em 1982, com a canção Here Today, linda, linda, tocante, e ele a tem interpretado, acompanhado apenas ao violão, em todos os seus recentes shows, sempre com a voz embargada.

Entra Here Today
And if I said,
I really knew you well what would your answer be?
If you were here today

Ooh- Ooh- Ooh, here to-day.

Well knowing you,
you'd probably laugh and say that we were world's apart.
If you were here today

Ooh- Ooh- Ooh, here to-day.

But as for me,
I still remember how it was before,
and I am holding back these tears no more

Ooh- Ooh Ooh, I love you, Ooh.

Como se vê, Paul abre seu coração e admite como faz falta o velho amigo, e se lembra de como era antes, na época em que eles mudaram o mundo. 

Bem, não vou terminar isto de maneira down. É que Paul nos deu um brinde sensacional. Ele canta I've Got A Feeling. Esta é uma canção que foi lançada em Let It Be e foi uma das últimas parcerias, de verdade, entre ele e John. Na verdade, eram duas canções que os dois, em sua genialidade, jnutaram numa só, pois tinham os mesmos acordes. E ficou uma maravilha. No show, Paul começa cantar sua parte, a parte que ele cantava:
I've got a feelingA feeling deep insideOh yeahOh yeah, that's rightI've got a feelingA feeling I can't hideOh no, noOh noOh no
Yeah, yeahI've got a feeling, yeah
Oh please believe meI'd hate to miss the trainOh yeah, yeahOh yeahAnd if you leave meI won't be late againOh noOh noOh no
... depois ele canta uma ponte que só ele sabe cantar ... e então entra John cantando a música dele:
Everybody had a hard yearEverybody had a good timeEverybody had a wet dreamEverybody saw the sunshineOh yeah (oh yeah)Oh yeah, oh yeah (yeah)
Mas o Paul, no show, ele canta a parte dele, e a Inteligência Artificial que o grande Peter Jackson usou para fazer aquele documentário espetacular Get Back, coloca no telão o prório cantando a parte dele. 
É uma coisa espetacular! 
Para encher os olhos e os corações e as mentes de todo beatlemaníaco!
Obrigado, Paul Obrigado John, 
Obrigado por tudo 
         


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