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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Arma Escarlate - Uma crítica especial


Gente, a receptividade ao livro A Arma Escarlate segue excelente, estamos acumulando críticas positivas, até já fiz um post sobre o que estavam dizendo, após um mês de estrada. Agora estamos no meio do 3º mês, estaria na hora de divulgar outras, são muitas. Gente lendo pela 2ª até 3ª vez, comprando para presentear amigos, enfim. Entretanto, vou concentrar o destaque  a esta crítica, feita por Robson Moro, Professor de Artes em Jales, interior de São Paulo. Transcevo-a aqui.
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O ano é 1997. Em meio a um intenso tiroteio, durante uma das épocas mais sangrentas da favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, um menino de 13 anos descobre que é bruxo. Jurado de morte pelos chefes do tráfico, Hugo foge com apenas um objetivo em mente: aprender magia o suficiente para voltar e enfrentar o bandido que está ameaçando sua família. Neste processo de aprendizado, no entanto, ele pode acabar por descobrir o quanto de bandido há dentro dele mesmo.


Bom, eu havia lido algumas coisas sobre o livro na comunidade do orkut de Harry Potter. Eu pensava comigo mesmo: Puxa, um livro sobre uma escola de magia no Brasil? Deve ser legal.

Mas fui adiando a compra do livro... deixando para depois... Até que um certo dia, por algum motivo obscuro, tive muita vontade de lê-lo, e finalmente encomendei minha cópia na Saraiva.

O que eu esperava? Uma história no mínimo inocente sobre um garoto que descobre que é bruxo, e passa a ter o objetivo de aprender magia e se livrar da perseguição dos traficantes, já que estava jurado de morte. O básico da resenha.


Mas o que descobri, o que li, foi incrível.

Em primeiro lugar, a escritora, Renata Ventura, fez a lição de casa. Utilizou acontecimentos reais na Favela Dona Marta para nos introduzir aos personagens. O tempo todo são citados fatos que realmente aconteceram no mundo real, o que nos torna próximos à história. Um delicioso aperitivo, claro.

Mas o que mais surpreende são os personagens. Primeiro os professores, retratos exatos dos vários tipos diferentes no Brasil. Temos o professor inconsequente, o faltoso, a queridinha da turma que não ensina direito, a muito inteligente mas terrivelmente insensível, o ótimo professor cuja matéria ninguém se interessa... Estereótipos saudáveis com os quais convivo diariamente como professor nas escolas em que leciono.
E os alunos, longe de serem perfeitinhos, são os típicos alunos das escolas brasileiras, muito bem retratados até mesmo nos modos de falar.

E tem o protagonista, Hugo, o mais humano de todos. Um personagem ambíguo, real, que erra várias vezes, fatalmente até, alguém que nunca, nunca mesmo eu imaginava ser protagonista de um livro desse tipo. Em vários momentos da leitura, me peguei pensando "puxa, Hugo deveria ser algum tipo de vilão da história, e não o personagem principal", para só depois descobrir que as circunstâncias que o fazem agir de maneira impulsiva talvez fizessem com que eu agisse da mesma forma. É assustador como Hugo me fez pensar sobre consequências, meios e fins, o quanto nós poderíamos ser parecidos, o quanto de bandido eu teria dentro de mim, como diz a sinopse. Se ao ler Harry Potter e a Ordem da Fênix você se espantou com o comportamento rebelde e impulsivo de Harry, prepare-se para se espantar, e muito, com o comportamento de Hugo que, diga-se de passagem, tem muitos motivos para se revoltar contra a vida. 

Toda história de fantasia e aventura tem um grande vilão, e A Arma Escarlate não foge à regra. Contudo, o vilão, o grande mal que acaba assolando a escola, nada tem a ver com bruxos psicopatas ou mentes malignas, mas sim algo extremamente próximo à nós, muito difícil de se vencer e muito, mas muito mais perigoso que um Voldemort da vida. Grande sacada da autora, uma das melhores do livro.

E méritos também à valorização de nossa cultura, uma vez que os feitiços vem de línguas indígenas e africanas, nosso folclore e cultura são amplamente valorizados e até mesmo críticas à nossa mania de copiar o estrangeiro surgem nas páginas de maneira suave. Vemos traços do folclore e de nossas tradições explicados dentro do mundo mágico desenvolvido pela autora.

E são deliciosas as referências à saga Harry Potter. Nada gritante, saborosamente sutis, que os fãs da série captam no ato. Algumas são mais gostosas de perceber que as outras, criando uma conexão interessante, e diga-se de passagem, sugestiva, com a saga de J.K. Rowling.

Fica aqui a recomendação de leitura e um ENORME PARABÉNS para Renata Ventura, por criar uma história tão densa e ao mesmo tempo tão divertida e prazerosa, que me fez repetir um feito só antes alcançado por Harry Potter: A leitura de um livro de 500 páginas em dois dias, o que me rendeu algumas olheiras, claro. E um grande gostinho de "quero mais". Bem mais.
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Mais sobre o livro? www.escarlate.net

domingo, 29 de janeiro de 2012

Ouvindo todos os lados da tragédia..



Tragédias são eventos que têm grande repercussão,  geram comoção,  e muitas vezes a imputação de culpa a uma única entidade, quando na verdade é sabido que normalmente elas acontecem devido a um combinação de fatores...  E aparecem sempre os oportunistas, as coberturas viesadas e sensacionalistas. E aparecem os aproveitadores, como aquele bbanco que enviou aquela carta aos clientes vendendo seguros no dia seguinte...

Nessa hora é importante se ter a cabeça fria para analisar todos os fatos e dar ouvidos a todas as partes envolvidas, para que se chegue a um conlusão correta, inda que seja muito complicado...

Abro espaço aqui para a declaração de um amigo que trabalha no T.O. a empresa de informática aonde se realizava uma obra de troca de divisórias....

Veja questões abaixo que não estão sendo faladas:
1) O edificio originalmente só tinha 9 andares e depois colocaram a outra parte do prédio em cima;
2) O prédio inicialmente tinha o formato de pirãmide em cima e depois foram feitos "puxadinhos" que deixaram o formato do prédio quadrado como estava antes da queda;
3) A obra do Metrô gerou um afastamento do prédio com relação ao prédio do lado, e simplesmente fecharam a abertura;
4) Existiam infiltrações no subsolo e entupimentos constantes que podiam causar movimentação no subsolo;
5) Existia uma obra na base do prédio ao lado, de 4 andares, onde funcionava uma sapataria;
6) As janelas que foram abertas no prédio já existiam, não foram feitas pela TO. O próprio síndico do prédio tinha uma janela.
E tem informação recente: o 16º andar do nosso prédio estava também em obras, informação repassada por homem que esteve no edifício no final da tarde. Colunas de sustentação teriam sido retiradas.

Ou seja, existem muitos fatores que podem ter causado o problema que esta sendo atribuído à mudança de layout de divisória que estava sendo feita no nosso andar. 

Está aqui aberto o espaço. Esperemos que todos sejam ouvidos e que se faça justiça de uma maneira correta, bem analisada, sem precipitações!

Abraço

Homerix

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um Gerente Sensível ...


Dia 25 de janeiro de 2012, três edifícios ruem no Rio de Janeiro deixando dezenas de mortos...

Dia 26 de janeiro de 2012, um amigo meu recebe a seguinte mensagem do gerente de sua conta bancária...

Prezados,
Ontem assistimos a uma verdadeira tragédia no centro do Rio: o desabamento de três prédios comerciais no coração da Cinelândia.
Nessas horas é importante parar e refletir:
  1. Eu e minha família estamos preparados para enfrentar algo similar?
  2. Qual a importância que dou a minha vida e ao meu patrimônio?
  3. Eles estão suficientemente resguardados por algum tipo de seguro?
Como já amplamente divulgado a todos vocês, o Banco possui um portfólio bastante interessante de seguros, tanto para patrimônio, quanto de natureza pessoal (seguro de vida).

Tragédias acontecem, mas precisamos estar preparados.

Como já disse Jesus: "Vigiai, porque não sabeis o dia e a hora".

A disposição para prestar-lhe maiores esclarecimentos sobre produtos de seguridade, aguardo retorno.

Abraço,
Seu Gerente
Muito sensível o gerente, não? 

Pior!!!

Dia 27 de janeiro de 2012, eu fiquei sabendo de outros amigos, clientes do mesmo bando, mas de outras agências, que receberam a mesmíssima mensagem... Portanto, trata-se de política do bbanco.... Tô quase revelando que bbanco é...


Veja, eles mandaram pra toda a base de clientes, em que deve constar por exemplo, vítimas, parentes ou amigos amigos das vítimas, ou relacionados de alguma forma com o sinistro.

E nem por isso!! Isso choca a qualquer um!! O sangue dos mortos ainda estáava quente e o bbanco queria ganhar dinheiro em cima... Sai pra lá!

Isso tudo além de cometer sacrilégio, usando um texto da sagrada escritura para obter uma vantagem sórdida... e ainda errando, pois segundo o meu amigo, que entende da coisa, Jesus realmente disse aquilo, mas se referia ao seu retorno!



Em que mundo que vivemos...

Isso aqui devia mesmo é ir pra imprensa!!!!

Homerix Revoltado Ventura

Erros gramaticais
Faltam duas vírgulas, em "Ontem, assistimos ..." e "Nessas horas, é importante...
Faltam duas crases, em ".. que dou à minha vida..." e " À disposição..."

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Nariz tem memória



 
Mais uma tragédia carioca. Três prédios desabaram, aqui pertinho do trabalho. Tem muita gente soterrada lá embaixo. Uma amiga, que trabalhou comigo, agora trabalhava no prédio que ruiu, o maior dos 3, saiu 15 minutos antes, e deu tchau pra muitos amigos... 

Apenas registro que hoje, ao sair do vagão do metrô (deixei o carro em casa), senti o mesmo cheiro que sentira em setembro de 2002, ao visitar o Marco Zero, em New Your, local onde um ano antes exisitam as torres do World Trade Center... E ainda era forte, um ano depois da queda. Impressionante!
 








Cheiro de pó, de escombros, misturado com cheiro de queimado....

Portanto, 10 anos depois, eu senti esse mesmíssimo cheiro novamente. 

Estava registrado em minha memória.

Que Deus abençoe os impactados, os que se foram e os que sobreviveram.



Homerix Impressionado Ventura

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Você conhece São Paulo?

Olá!!

Hoje, mais um aniversário de São Paulo (e de Tom Jobim), republico este post antigo sobre a cidade e a comparação com o meu Rio de Janeiro, atualizando alguns números.
Os primeiros 6 comentários, inclusive, são da época...


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À época da construção de Brasília, criou-se para ela o termo Novacap.

Ao Rio, que perderia a condição de capital do Brasil, atribuiram-lhe, com todo merecimento, o título de Belacap.

Com todos os fatos relatados na apresentação anexa, que título levaria São Paulo? Ricacap? Não, é um super cacófato! Então, Supercap? Ou Moneycap?

Bem, dêem que nome derem, o fato é que os fatos (!!) são impressionantes, e parecem incontestáveis. Infelizmente, uma situação bastante diferente do nosso querido Rio, hoje,  52 anos depois perder o charme do poder, ficando apenas com seu charme natural.

O triste é que certamente, em 1960, a distância entre as duas economias não era assim tão abissal. Durante a primeira década como cidade comum houve a administracão marcante de Lacerda, que dentre outros feitos notáveis, teve a visão de aterrar os mares da Baía com os morros do Castelo e de São Francisco, matando dois coelhos urbanísticos com uma cajadada só. Na década de 70, teve a ponte e a fusão, não sei de muito mais, mas de 1982 em diante, sou testemunha.

O ano em que cheguei a esta cidade maravilhosa foi o mesmo em que Brizola incendiou a campanha ao governo do Estado. Lembro-me bem do primeiro debate, quando ele tinha 2% das intenções de voto, e dizia que iria comer a diferença como se come um prato de mingau quente, pelas beiradas. E depois foi o que se viu: o mingau esfriou e governo foi desastroso. E depois vieram outros no mesmo nível ou piores, como o de Moreira Franco; e depois mais Brizola; e depois Marcello Alencar; e depois Garotinho; e depois Benedita; e depois, finalizando com chave de lata, a Garotinha.

Meu Deus! Sinto-me até culpado! Depois que cheguei, tudo degringolou...

Ao longo desses 30 anos ocorreu a deterioração que se viu, a debandada de quase toda a indústria, boa parte usando o caminho da Via Dutra. De grande segmento, só sobrou o do Petróleo (e os Biscoitos Globo...). Foi tão evidente o esvaziamento que, numa bela hora a Bolsa do Rio fechou, de tão murcha. Aliás, nesse quesito, a apresentação incorre em terrível erro, ao escrever que '... uma Bolsa de Valores que existe a 100 anos', terrível. Além de uns poucos erros geográficos (erram no tamanho de Cuba)  e estatísticos (dizem que a USP é a única universidade pública não-federal), e alguns exageros ao exaltar certos luxos aos quais não dou o menor valor, a apresentação é impressionante.

Uma pena!

Eu só tenho a lamentar, mas nada a reclamar desta cidade, que me acolheu de braços abertos, e me permitiu construir minha vida profissional e formar minha família. Braços abertos como o Cristo Redentor do Corcovado, em quem me baseei para expressar minha admiração à cidade, em meu texto 'O Casamento do Rio com o Mar'. Braços abertos abençoando também a mim e à minha família, que até hoje permanece imune realidade que vemos exposta diariamente nos jornais (knock on wood, knock on wood, knock on wood).

E que siga assim....

Aceito críticas, inflamadas ou não, dos cariocas da gema.

Abraço

Homero Carioca da Clara Ventura

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A Perfeição

Aqui é o Homerix!
Abro espaço para um texto que me levou a copiosas lágrimas...
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Em Brooklyn, Nova Iorque, Chush é uma escola que se dedica ao ensino de crianças deficientes. Algumas crianças permanecem em Chush por toda a vida escolar, enquanto outras podem ser educadas em escolas normais. Em um jantar beneficente de Chush, o pai de uma criança fez um discurso que nunca seria esquecido pelos que estavam presentes. Depois de elogiar a escola e seu dedicado pessoal, clamou ele:
"Onde está a perfeição em meu filho Shaya? Tudo o que Deus faz, é feito com perfeição. Mas meu filho não pode entender as coisas como outras crianças entendem. Meu filho não pode se lembrar de fatos e números como as outras crianças. Onde está a perfeição de Deus?"
Todos estavam chocados com a pergunta, e com o sofrimento daquele pai. Ele continuou: 
"Eu acredito, que quando Deus traz uma criança assim no mundo, a perfeição que ele busca está no modo como as pessoas reagem a esta criança". 

Ele contou então a seguinte história sobre o seu filho Shaya:

Uma tarde, Shaya e eu caminhávamos por um parque onde se encontravam alguns meninos que Shaya conhecia. Estavam jogando beisebol. Shaya perguntou: - Você acha que eles me deixarão jogar"? Eu sabia que meu filho não era atlético e que a maioria dos meninos não o queria no time. Mas entendi que se o meu filho fosse escolhido para jogar, lhe daria uma confortável sensação de participação.
 Aproximei-me de um dos meninos no campo e perguntei se Shaya poderia jogar. O menino deu uma olhada ao redor procurando por aprovação dos seus companheiros de time. Mesmo não conseguindo nenhuma aprovação, ele assumiu a responsabilidade em suas próprias mãos e disse: "Nós estamos perdendo por seis rodadas e o jogo está na oitava rodada. Eu acho que ele pode estar em nosso time e nós tentaremos colocá-lo para bater até a nona rodada". Fiquei exaltado quando Shaya abriu um grande sorriso.
Pediram a Shaya para vestir uma luva e ir ao campo para jogar. No final da oitava rodada, o time de Shaya marcou alguns pontos, mas ainda estava
perdendo por três. No final da nona rodada, o time de Shaya marcou novamente e agora com dois fora e as bases com potencial para a rodada decisiva, Shaya foi escalado para continuar. O time deixaria Shaya de fato bater nesta circunstância e jogar fora a chance de ganhar o jogo?
 Surpreendentemente, foi dado o bastão a Shaya. Todo o mundo sabia que era quase impossível porque Shaya nem mesmo saiba segurar o bastão. Porém, quando Shaya tomou posição, o lançador se moveu alguns passos para arremessar a bola suavemente de maneira que Shaya pudesse ao menos rebater. Foi feito o primeiro arremesso e Shaya balançou desajeitadamente e perdeu. Um dos companheiros do time de Shaya foi até ele e junto a ele, segurou o bastão. Encararam o lançador.
O lançador deu novamente alguns passos para lançar a bola suavemente para Shaya. Quando veio o lance, Shaya e o seu companheiro de time balançaram o bastão e juntos rebateram a lenta bola do lançador. O lançador apanhou a suave bola e poderia tê-la lançado facilmente ao primeiro homem de base. Shaya estaria fora e isso teria terminado o jogo.
 Ao invés disso, lançador pegou a bola e lançou-a em uma curva longa e alta para o campo, distante do alcance do primeiro homens de base. Todo o mundo começou a gritar: "Shaya, corra para a primeira base. Corra para a primeira". Nunca na vida dele ele tinha corrido... Com ajuda do amigo ele saiu em disparada para a linha de base, com os olhos arregalados e assustado. Até que ele alcançasse a primeira base, o jogador da direita teve a posse da bola. Ele poderia ter lançado a bola ao segundo homem de base que colocaria Shaya para fora, pois ele ainda estava correndo. Mas o jogador entendeu quais eram as intenções do lançador, assim ele lançou a bola alta e distante, acima da cabeça do terceiro homem de base.
Todo o mundo gritou, "Corra para a segunda, corra para a segunda". Shaya correu para a segunda base enquanto os jogadores à frente dele circulavam
deliberadamente para a base principal. Quando Shaya alcançou a segunda base, a curta parada adversária, colocou-o na direção de terceira base e todos gritaram, "Corra para a terceira".
Quando Shaya contornou a terceira base, os meninos de ambos os times correram atrás dele gritando, "Shaya corra para a base principal". Shaya correu para a base principal, pisou nela e todos os 18 meninos o ergueram nos ombros fazendo dele o herói, como se ele tivesse vencido um "Campeonato" e ganho o jogo para o time dele.
"Aquele dia," disse o pai, docemente, com lágrimas caindo sobre sua face, "esses 18 meninos alcançaram a perfeição de Deus".
 Eu nunca tinha visto um sorriso tão lindo
no rosto do meu filho!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Ele disse NÃO a The Beatles

Está próxima a data em que serão celebrados os 50 anos de existência da maior banda de todos os tempos.

Foi em outubro de 1962, no dia 5, foi lançado o primeiro single (lembram-se dos antigos compactos?) de um grupo com um nome estranho que se assemelhava a "Os Besouros", composto por 4 jovens entre 19 e 22 anos de idade, vindos de Liverpool, cidade portuária do noroeste da Inglaterra, liderados por um tal de John Winston Lennon, um tanto quanto narigudo.  

A gravadora era a EMI, em seus estúdios da Abbey Road. O selo era o Parlophone, comandado por George Martin, um selo até então dedicado a músicas orquestradas e a gravações de peças teatrais. Martin, um maestro de mancheias, sentiu nos rapazes um potencial enorme, tanto que assinou um contrato antes de ouvir o primeiro teste ao vivo, só baseado em gravações em fita e no carisma pessoal percebido na primeira entrevista. Os chefes da EMI não entenderam muito bem aquele procedimento, nunca dantes visto, mas acreditaram no feeling do maestro.  

Por aí se vê a diferença entre um visionário e um burocrata! Pouco mais de 9 meses antes, mais precisamente em 1º de Janeiro de 1962 (isso mesmo, no  primeiro feriado do ano!), os rapazes, ainda com Pete Best na bateria, haviam feito um extensivo teste de estúdio na Decca Records principal concorrente da EMI naquela época. 

Os rapazes, apesar de não disporem dos próprios instrumentos, tocaram 15 músicas e mostraram toda sua cancha de palco de quem está há 4 anos na estrada. Estavam um pouco nervosos, mas deram um bom recado, tendo mostrado sucessos de Chuck Berry, Little Richards e outros maiorais da época mas, principalmente, e diferentemente de todos os grupos da época, apresentaram material próprio, composto por Lennon e McCartney, nada muito brihante, mas próprio. Ousaram até executar Besame Much, isso mesmo, o bolero, em inglês eem ritmo de rock. Lá embaixo, eu anexo um video procês. Mike Smith, o gerente da Decca, gostou, mas tinha que levar o material pro chefão.

No entanto, quando o chefão, chamado Dick Rowe, ouviu o material que seu gerente todo animado lhe levou, ele vestiu uma cara de tacho, sacramentou ... 


"Esses grupos com guitarras 
estão com os dias contados!

... e rejeitou os Beatles!!! Ele estava intrinsecamente correto, pois os dias estavam realmente contados: só que o contador já está em 18.822 e crescendo

O destino deu-lhe uma 2ª chance e no ano seguinte, ele contratou um outro grupo com guitarras, os menos fabulosos Rolling Stones.

Interessante foi a resposta que Brian Epstein deu a Mr. Rowe, quando ouviu aquela bobagem: 

"Pois olha, caro Dick, de minha parte
acho que você está deixando de contratar 
um fenômeno que será maior que Elvis Presley!"

Esse sim, um homem de visão!!!

O fato é que aquele teste na Decca se constitui num dos mais procurados discos piratas de todos os tempos, os famosos "Decca Tapes". Ele foi o primeiro piratão que comprei, já em CD, em 1990. E o fiz em grande estilo: na feira de rua da Portobello Road, em Londres..

Eu mereço!!

P.S. Como prometido, eis um video (na verdade, som com imagens paradas) da performance dos Beatles tocando Besame Mucho no teste da gravadora Decca. O vocal principal é de Paul, a harmonia, já perfeita, de John e George. Note o divertidíssimo ChaChaBum inserido em alguns momentos, ideia, claro, de John.










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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Grande acidente global


Espetacular a cena de capotamento da novela global.

O inusitado foi a causa do acidente, uma cobra,  colocada dentro do veículo, que desviou a atenção da motorista.

Mas o resto foi uma aula, tanto de cinema como de comportamento. Um segundo de desatenção, e o carro invade uma área interditada, jogando placas longe; uma das rodas sobe numa elevação, e o veículo voa, e capota espetacularmente quatro, cinco vezes. Pelo menos meia-dúzia de câmeras registram tudo,  algumas delas dentro do veículo, filmando o desespero da motorista que grita, impotente. O carro pára, de cabeça pra baixo, e ela está pendurada pelo cinto de segurança, com os olhos vidrados, parecendo morta.


Pausa para duvida médica: Depois do desespero incial, ela recobra a consciência. Pergunta aos universitários: pode acontecer isso, de os olhos ficarem vidrados, e a pessoa não estar morta? Como se chama esse estado de choque?

De volta ao acidente, era claro que a atriz não estava ao volante do carro acidentado, então imaginei que ela simulava o desespero do capotamento, enquanto passava uma filmagem giratória pelas janelas do veículo, dando a exata impressão. Tudo bem, mas, no dia seguinte, pensei numa possível falha: os cabelos! Os longos cabelos da bela atriz não poderiam ficar parados, durante a simulação de capotamento. No capítulo seguinte, entretanto, quando repetiram a ótima cena, eu notei: os cabelos esvoaçavam-se todos, magistralmente, durante o movimento.

Então, tudo foi perfeito!
Será que existe um girador de carro? Uma grua ou guindaste, sei lá... Gostaria de ver o making-off!

Acrescente-se a tensão da magnífica trilha sonora, desesperadora, envolvendo a aproximação da cobra. Perfeita para o clima da situação!

Veja você mesmo NESTE LINK !

A qualidade da cena pode suscitar algumas claras lições comportamentais para motoristas:

1) Jamais desvie atenção do que acontece à sua frente, mesmo que apareça uma cobra no assento do passageiro! Não, sério, um segundo pode ser realmente fatal! Estamos completamente certos aqui ao inibir o uso de celular, por exemplo! Nos Estados Unidos, a autonomia é estadual, há estados que permitem, outros não, e as estatísticas confirmam a eficiência da proibição;
2) Use sempre cinto de segurança! Em capotamentos ou batidas de frente, aquela coisa realmente salva vidas. Claro que se vier um incêndio depois do capotamento, o cinto pode atrapalhar sua saída do carro, mas sem ele, muito provável é que você estaria morto e não teria como pensar nesse detalhe...

Ponto para a Vênus Platinada!!!

Homerix Noveleiro de Plantão Ventura


sábado, 14 de janeiro de 2012

O 11º Mandamento

A mídia está cheia de regras para profissões ou situações e por vezes as coloca na categoria de Mandamentos. Então existem "Os 10 Mandamentos do Professor,", "Os 10 Mandamentos do Preguiçoso", os "10 Mandamentos do Político Honesto" (estes raramente obedecidos), enfim, tem pra tudo.

Nessa nossa nova atividade de divulgação literária emergiu a necessidade de inclusão de apenas um mandamento aos 10 originais já existentes. No íntimo dos novos escritores, que necessitam de vendas para firmarem suas posições, urge que se acresca um 11º mandamento:

Não emprestarás livro



Ou então, seu corolário:
Não lerás livro emprestado

Pra quando o 11º Mandamento não é obedecido..

Hehehe, brincadeira, viu?! 


Claro que o que importa é que o livro seja lido e admirado e disseminado. E claro também que a definição de empréstimo requer que o livro mude de residência. Quando o livro é lido por um membro da família que reside no mesmo local do comprador, não se caracteriza um empréstimo, propriamente dito.
Mas veja se não tem um certo sentido? O jovem escritor tem uma idéia, mantém caderninho para anotar idéias novas, desenvolve um projeto de livro, faz pesquisa, estuda línguas indígenas, do Brasil e da África, sotaques regionais, de Estados e Países, folclores locais, faz laboratório, com o objetivo de fazer uma obra coerente, historicamente amarrada, caprichada, dedica suas noites e fins de semana à escrita, às vezes até pede demissão de seu emprego para poder terminar seu sonho, termina um calhamaço de 380 páginas A4, espaçamento comum Fonte 10, batalha editora, sofre com o preconceito com novos escritores, até que encontra uma que se disponha, mas sem risco, a apostar em seus escritos, fica irritado com as revisões, fica nervoso com as idéias de capa iniciais, faz sinopse pra contra-capa, faz prólogo, faz agradecimentos, escolhe um trecho do livro pra ficar numa orelha, faz biografia para a outra, finalmente vê seu livro pronto, lindo, 550 páginas, 650 gramas de peso, 5 anos depois da idéia inicial,


ao preço de um almoço de sexta-feira 
que é consumido em 15 minutos

cria página no orkut, cria página no Facebook, cria conta no twiter, cria perfis de personagens para interagir com leitores, passa dias divulgando sua obra, mostrando seu valor para que seja comprada, finalmente convence que o livro seja comprado, o leitor compra, às vezes nem lê, ou lê e gosta, e depois de tudo isso, EMPRESTA o livro para um amigo ler, e esse amigo lê,  

sem desembolsar
nem o equivalente 
a um almoço de sexta-feira.


Pior ainda é se o livro está com dedicatória do autor!!!


Note-se que uma situação de perdão é quando o destinatário não tem condições de comprar um livro pra chamar de seu!
 E veja uma interessante variação: 
a pessoa adora a idéia do livro, compra pra dar de presente a um amigo (sem dúvida, um ótimo presente), mas com a certeza de que o amigo vai emprestar o livro a ele, quando terminar de ler ..................

Veja bem, quem desobedece ao corolário, e lê livro emprestado, não tem, por exemplo o prazer descrito por este leitor de 'A Arma Escarlate'
"Não costumo ler livros do estilo do da Renata. Contudo, li as 549 páginas em uma semana e já estou esperando o próximo! Ele é muito mais do que um Harry Potter brasileiro, pelo contrário, é possuidor de uma originalidade especial, com personagens bens escritos e com diversas questões sociais, culturais e morais ao longo da trama. Por isso ele ganhou um lugar especial na minha estante: entre "O universo numa casca de noz", de Stephen Hawking, e "O banqueiro anarquista" de Fernando Pessoa."
Aliás, quem tem por norma a desobediência ao corolário do 11º Mandamento, nem estante  precisa ter em casa.

A desobediência, ou seja, o empréstimo ou a leitura emprestada, é pecado leve no caso de escritores estrangeiros ou mesmo de brasileiros consagrados, tipo Paulo Coelho ou Jô Soares, em que o exemplar emprestado representa uma gota no oceano. No caso de jovens escritores, o tamanho da gota é exatamente o mesmo, mas o oceano se reduz a um copo d'água.

Um amigo escritor argumentou comigo que o empréstimo é uma figura presente no 'contrato' que se assina entre o escritor e o leitor, e não acha nada demais um livro ser emprestado duas ou três vezes. E eu contra-argumentei que se o hábito fosse adotado por todos, uma edição demoraria três ou quatro vezes mais tempo para se esgotar. E isso pode ser fatal pra um jovem escritor em seu primeiro trabalho.

Bem, voltando ao vernáculo litúrgico do nova mandamento e seu corolário, a penitência para o pecado é simples, felizmente.

Caso tenham gostado do livro, usem um segundo corolário:

Divulgarás muuuuuitooooo



Em combinação com um terceiro corolário, que leva a remissão total e passaporte para o Paraíso: 

Presentearás muuuuuitooooo



Abraço

Homerix Qual Moisés Ventura

75.000 - A campeã é Manu!!

Chegamos aos 3/4 de 100 mil acessos. 

Os leitores declarados campeões bateram na trave, um com 74.999, outro com 75.001! Obrigado, Finocchi e Costacurta, pela gentileza de tirarem a foto em seu momento de glória homeríxica!!! 

Vejam na tabela abaixo as postagens campeãs até agora. Note que 3 das 5 não estavam na foto Top Five dos 70 mil. Foram as mensagens de Natal e Ano Novo e, principalmente, a convocação para ajudar Manu, nossa encantadora flor de Brasília que necessita transplante de medula óssea.

Manu (Vejam aqui um lindo video da querida menina!!)  entrou no grupo do milhar, e atropelou minha querida postagem sobre o livro A Arma Escarlate, que segue encantando seus leitores. E segue no grupo o papo sobre o livro de meu amigo Gico.  

Claro que posts como o de Manu merecem atenção mais detalhada deste blogueiro. Mando uma mensagem específica a montes de potenciais leitores, faço uma abordagem de formiguinha no Facebook, onde consegui que quase 100 pessoas compartilhassem a publicação em que eu falava do assunto. E sigo divulgando...

Na foto ao lado, Manu e o código de referência de sua medula

Se ainda não leu algum deles, dê-me a honra de sua leitura. Basta clicar no nome do post. Se escolher apenas um, conheça o drama de Manu, e torne-se um doador de medula. É simples! Pode não ajudar exatamente Manu, mas sua
medula ficará em um banco, e poderá salvar outras pessoas doentes

Já pensou?? Que bênção!!





Postagens Acessos       Tema
Uma medula para Manu 1500    Campanha para
   doação de medula
A Arma Escarlate - Habemus Data & Habemus ... 1368    Apresentação do livro de minha filha
Homerixpectiva 2011 701    Retrospectiva 2011
   em versos
As Flores do Tenentismo 642    Último livro do Gico
Espíritos de Natal 637    Minha mensagem
   de Natal


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Grande abraço!!

Homerix Rumo aos 100 Mil Ventura





quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sherlock Holmes

Minha crítica ao 1º filme de Sherlock Holmes, de 2010, 
na expectativa para o segundo, 
que começa amanhã, nos cinemas
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Minha expectativa era grande para esta releitura contemporânea do grande detetive inglês. Já havia lido sobre a revolução que o pai das filhas da Madonna havia ousado dirigir. Um Sherlock ágil, malandro, forte, que luta box, e um Watson não menos tudo aquilo. 

Soube também que não seria pronunciado o elementar "Elementar, meu caro Watson!". Mas estas coisas não me impressionaram, pois presenciamos recentemente um James Bond bruto, troglodita, com pouca classe, e que também não pronunciou o elementar "Bond, James Bond", e eu não gostei menos do filme por isso (só um pouquinho, confesso!). 

A favor dos diretores destas duas novas versões de grandes ícones da literatura, há o fato de que nenhuma das duas frases lapidares estava nos originais de Arthur Conan Doyle e Ian Fleming  respectivamente, ao menos não li. A famosa fala de Holmes somente apareceu pela primeira vez em uma encenação teatral, e a de Bond, no primeiro filme, Dr. No

As credenciais dos atores protagonistas já mereciam um olhar mais cuidadoso: Robert Downey Jr e Jude Law sempre arrebentam. Esqueça-se o fato de que o novo Sherlock nasceu em New York, apenas um detalhe, mas admito que  fui assistir com a intenção de checar se Robert fez algum trabalho de adaptação do sotaque. 

Bem, tudo isso foi antes de ver. 

Depois de ver, o Homerinho (sugestão de um amigo) aplaude de pé.

E daí, que Skerlock Holmes é forte, bate e apanha pacas, que me perdoem os puristas.

O que importa é que o humor dos diálogos com Watson (e com outros) está lá, o poder dedutivo do grande detetive está lá, presente em várias situações, a excentricidade do personagem está lá, muito bem colocada. Até tem clichês, é difícil um clichê-free-movie, tem um "The world as you know will change!" repetido mais vezes que o necessário; e um indefectível vilão-não-concorda-com-chefão-e-é-eliminado-em-frente-aos-demais, mas a forma surpreendente como o castigo é aplicado perdoa totalmente o recurso. 

O roteiro é convincente e a direção de Guy Ritchie (o marido de Madonna) é competente, usa flashbacks rapidinhos para explicar as situações, usa câmera-lenta com maestria. E os personagens tradicionais de Conan Doyle estão lá, como o Inspetor Lestrade da Scotland Yard e o tradicional inimigo Moriarty, que apesar de não ser o vilão deste filme, já foi devidamente apresentado ao público, um gancho certo para a sequência que certamente virá, já que não tenho dúvidas de que será sucesso absoluto. 

Tirando meio ponto pelos clichês, leva nota 9,5. 

Finalizando, Robert Downey Jr. junta-se definitivamente a John Travolta no grupo dos astros-deslumbrados-que-sucumbem-às-drogas-e-retornam-triunfalmente. Depois de um grande Homem de Ferro, emplacou uma indicação a Oscar atuando como negro, em Torpic Thunder, magnífico, com todo aquele Jive-Talking, e agora faz um Sherlock Holmes irrepreensível. E o sotaque inglês não foi problema para ele.

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Voltando a 2012
Adivinha se não vou ver o 2º?!

Homero Conandoyling Ventura