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terça-feira, 30 de outubro de 2007

Nara Leoa

Vocês já devem estar achando: lá vem ele de novo, incomodando -nos com seu bla bla bla. Fazer o quê? Os motivos para escrever têm aparecido!!!
Agora, foi o último programa da série "Por toda minha vida", da Globo. Depois de Elis Regina, que eu vi e não gostei, e de Renato Russo, que eu não vi e não gostaram, veio o de Nara Leão, que eu vi, gostei, e me emocionei!                                                                                                                    
O interessante é que eu sou fã de Elis e Renato, mas apenas admirador de Nara. Bem, talvez até mesmo por isso, vai ver que eu fui muito exigente com o da Elis. Ou talvez pela surpresa de saber da importância daquela cantora dentucinha na música brasileira. Aliás, tivesse ela nascido 30 anos depois, certamente ela não teria convivido com aquela configuração bucal explícita, como fez 'Por Toda Sua Vida. Hoje em dia, por muito menos, as pessoas estão vestindo aquele sorriso metálico; virou uma febre, pra felicidade dos ortodontistas!
Conheci Nara naquele festival de 1966 da Record em que cantou "A Banda", acompanhAda pelo Chico Buarque, o compositor, e de uma bandinha, de verdade! Eu era torcedor absoluto de "Disparada", de Geraldo Vandré, defendida por um improvável Jair Rodrigues, mas não fiquei chateado com o empate, em primeiro lugar com a adorável marchinha do Chico. Aqui, neste link, o desempenho dos dois, já como campeões, com a presença intrometida e simpática de Jair. Era difícil resistir ao charme daquela cantorazinha de voz fraca, mas límpida, desafinadinha ao vivo, mas que deu uma mensagem muito singela, interpretando a vida da pacata cidade, abalada pela passagem da bandinha, os sonhos, os delírios e desejos da humilde população.
Mal sabia eu, descobri agora, que aquela vozinha foi responsável, ou no mínimo esteve presente e foi fundamental para a criação da Bossa Nova, da MPB,  do teatro Opinião, e da Tropicália.
A Bossa Nova começou na casa dela, em Copacabana, ponto marcado de jovens como Menescal, Lira, Bôscoli, para tocar violão, com uns acordes meio esquisitos,  marca registrada daquele movimento.
Por paradoxal que seja, ela só foi gravar o primeiro disco quando já havia rompido com a Bossa Nova. Ela decidira conhecer algo diferente do mundinho burguês em que vivia, e subiu o morro. E aí ajudou a popularizar compositores como Zé Keti, Nelson Cavaquinho, Cartola, e outros como João do Vale, ajudando a começar aquilo que seria conhecido como MPB.       
Veio a Revolução, e a repressão e, apesar de não ser compositora, ela era a porta-voz de canções de protesto disfarçado, e embarcou no show Opinião, em que cantores atuavam cantando, o que não era nada comum. Uma das canções era 'Carcará' (pega, mata e come!): Nara ficou afônica uma temporada e importou uma certa Maria, da Bahia, cuja mãe só deixou que viajasse se trouxesse junto seu irmão, um certo Caetano. É isso, Nara foi responsável pela introdução dos filhos de Dona Canô no cenário artístico. Não perca, neste link, o extraordinário desempenho de Maria Bethania, em sua estréia, e com um visual que você não conhecia!!!
Sua língua ferina ("Os militares podem entender de canhão ou de metralhadora, mas não 'pescam' nada de política") a transformou em perseguida do regime e dizem que só não foi presa devido a um poema de Carlos Drummond de Andrade ao presidente Castelo Branco, que dizia.


Meu honrado marechal
dirigente da nação
venho fazer-lhe um apelo:
não prenda Nara Leão! (...)

A menina disse coisas
de causar estremeção?
Pois a voz de uma garota
Abala a revolução? (...)

Será que ela tem na fala,
mais do que charme, canhão?
Ou pensam que, pelo nome,
em vez de Nara, é Leão? (...)


Estas e muitas outras histórias e depoimentos tocantes estão no especial, que termina com um dos filhos, hoje com mais de 30, e ainda se emocionando (e a nós) quando se lembra da mãe que se foi há 18 anos, vítima de um tumor inoperável.

Recomendo, sem sombra de dúvida qualquer esforço. Se não quiserem esperar o lançamento que certamente acontecerá, o YouTube está aí pra isso!!       

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Seu fanfarrão, ...

...maconheirozinho de merda, filhinho de papai, tu é que financia essa porra de tráfico!!!
Meu filho falou esta singela frase para 5 amigos dele no último fim-de-semana, misto de brincadeira e aviso sincero.
Ele ouvira a frase no filme sensação da temporada 'Tropa de Elite', que havia assistido na sexta-feira. Ao perguntar-lhe o que achou do filme, respondeu-me: "É impossível sair desse filme sem ficar abalado, de alguma forma".
Já vi, e fiquei. Concordo plenamente. Seja pela violência ou pelo realismo das situações, mas principalmente, por causa da forma como os viciados são considerados, expressa nos tocantes adjetivos e no educado linguajar da sentença.
Disse-me ele que, as proporções do filme são reais. A maior parte de seus amigos puxa unzinho, no mínimo. E eu perguntei: "E sua banda!" E ele: "Não, só 75%!". E são 4 os componentes!! Ele conta nos dedos, de uma mão, estourando duas, os amigos clean que tem! A classe é de média a alta, zona sul, enfim, o meio que conhecemos.
Quando ele se tocou do ambiente, tentou fazer um certo patrulhamento, mas acabou desistindo, para não se tornar um chato. Agora, ele aproveitou o momento para voltar à carga.
Outro 'piece of advice' que ele usou com os amigos foi:
"A cada tragada que você der, pense que alguém pode estar, naquele exato momento, experimentando um micro-ondas, por causa disso!"
Se você não sabe o que é esse 'equipamento', assista ao filme!
Ele sabe que daqui a pouco, tudo volta ao normal! Ou ao anormal, eu diria!!
A idéia desta mensagem é, além de recomendar o filme, magnífico, realista e muito bem interpretado, também que sirva de alerta sobre a juventude que estamos criando.

O Poderoso Thor Deu Sua Martelada

No último GP de Fórmula 1 presenciamos uma reviravolta pouco vista! O último, de três, que tinha chances de ser campeão emplacou! Inacreditável!
Depois, vimos o Presidente apertando as mãos de Kimi. Infelizmente, ele depois apertou a dos demais. Ele devia ter guardado aqueles fluidos por mais um tempinho. É bem verdade que o campeão fez sua parte vencendo a corrida, mas o Poderoso Thor, aquele deus nórdico, deve ter ajudado seu fiel devoto finlandês, dando umas marteladas nas intenções dos outros candidatos! Lembram-se daquele desenho Marvel, que foi lançado juntamente com Capitão América, Homem de Ferro e Nabor, o Príncipe Submarino? Fazer o Hamilton largar mal E passear na grama numa ultrapassagem atrapalhada E errar troca de marchas, depois não deixar o Rosberg e o Kubica baterem na disputa pelo 4º lugar E além de tudo, fazer a equipe McLaren colocar um motor fraco no carro do Alonso, tudo isso junto, só pode ser coisa divina.
Bem, ao menos, o presidente não fez o papelão do governador de SP, que ia entregando o troféu do Massa (2º colocado) para o Alonso (o 3º), e assim o faria, não tivesse sido avisado por este último, com uma discreta apontadinha com o dedo, após perceber que o idiota havia passado pelo brasileiro. Será que está tão desligado do mundo que não conhece a cara do Massa?
Pior que o Serra, só mesmo a do Rei Pelé, que esqueceu-se de dar a bandeirada final no Grande Prêmio de 2002, o pobre piloto continuou correndo como se a corrida não tivesse acabado. Mas, desse, a gente perdoa tudo!!!
E seguimos!!!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

O Brás em Pasárgada

Ontem, experimentei uma experiência nunca dantes experimentada (uau!).
Estive no HC em São Paulo! Calma, não se trata de Hospital das Clínicas, estou bem, o coração está ótimo!
  H de hospitalidade, C de Centro! É, podia ser CH, se não estivéssemos dominados pelo uso obrigatório de termos inglesados, para tornar as coisas mais chiques! Tudo bem, é o mundo em que vivemos! E o que conta é que o Centro em que fiquei foi realmente repleto de Hospitalidade brasileira .... E petroleira!!!!
Assisti pela primeira vez a um GP de Formula 1. Num dos mehores locais de visualização, com farta cobertura gastronômica, e, o que é melhor, cercado de amigos. Só esta configuração já seria suficiente para garantir um caso de sucesso! Mas, foi ainda melhor, presenciamos uma reviravolta jamais vista! O último que tinha chances de ser campeão emplacou! Inacreditável! Vi nosso presidente apertando as mãos do vencedor. Infelizmente, ele também apertou a dos demais. Disse a ele que ele devia ter guardado aqueles fluidos por mais um tempinho. É verdade que o campeão fez sua parte vencendo a corrida, mas o poderoso Thor deve ter dado umas marteladas nas intencões dos outros candidatos!
Bem, tudo isso é uma introdução a um agradecimento.
A comunidade do buraco é, para mim, equivalente ao Reino de Pasárgada, do poema de Drummond: lá, sou amigo do Rei!!! Ou melhor, dos Reis! Venci minha timidez, e pedi a um deles, amigo de 25 anos, que infelizmente não poderia ir, e remeteu-me ao outro, amigo mais recente! Em outro ditado, a plebe diz: aproveita enquanto o Brás é tesoureiro! No meu caso, comecei pelo tesoureiro!
E tudo deu certo, milimetricamente!
Muito obrigado pela oportunidade, que ficará em nossa memória por muuuitos anos!!
Abraço aos dois!!!