Esta é a 41ª edição de OUÇA e LEIA (original de novembro de 2022)
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Olá, viajantes do Submarino Angolano, aqui é Homero Ventura, direto do Brasil
Veio 1968 e George lançou mais uma canção indiana, logo no início, que foi lançada em single, com a primeira presença do compositor num compacto dos Beatles, com The Inner Light fazendo o Lado B de Lady Madonna.
O ano de 1968 foi especial para George Harrison. Foi o ano em que ele mais lançou canções durante a curta vida dos Beatles.
Foram 4 canções no único álbum do ano, o assim chamado Álbum Branco,
Hoje, falamos sobre Piggies
Início de Piggies
Em sua segunda de quatro canções do Álbum Branco, George dá mais uma mensagem: agora criticando os consumidores ricos (O Grupo), e lembrando the little piggies (os pobres) que chafurdam na lama, com a vida cada vez pior! A canção foi feita cerca de dois anos antes, quando George estava afiado em sua crítica de costumes, vide Taxman arrasando com os minnistros de estado. Aqui, é uma magnífica crítica social, com humor satírico da melhor espécie. Em outro trecho da letra, lembra dos 'bigger piggies' com seus colarinhos brancos esgrimando facas e garfos, jantando seu próprio bacon, uma ideia de John, decerto inspirado na Revolução dos Bichos de George Orwell, até porque um rascunho da letra fala em Pig Brother, lembrando Big Brother, o Grande Irmão, do clássico 1984.
Após uma introdução barroca, vem uma letra riquíssima, simétrica, com dois versos, uma ponte central, e mais dois versos, sendo um deles instrumental. Na ponte, fala dos porcões, que não estão nem aí para os que vem de baixo ("They don't care what goes on around"), têm um olhar vazio e precisam é de uma boa palmada ("In their eyes there's something lacking. What they need's a damn good whacking"), citação sugerida por sua mãe, Elsie.
Trecho da Demo de Piggies em Esher
Os porcos entraram no Estúdio 2 de Abbey Road, num 19 de setembro, e foram 10 takes, com George ao violão e numa guia vocal, Paul no baixo, Ringo no bumbo e pandeiro..
Chris Thomas, de apenas 21 anos, produzia a sessão pois George Martin estava de férias, e disse que um cravao estava por ali, de bobeira, e propôs tocá-lo. George aprovou!
Eu tentando imitar um cravo
Chris Thomas, no cravo
Toque de classe na canção! No dia seguinte, George gravou o seu vocal principal, em três estilos: nos dois primeiros versos, um menestrel medieval, na ponte, uma voz filtrada, super anasalada, de megafone, efeito conseguido pelos astros da EMI e no último verso, em coro, com Paul e John harmonizando, com o último fazendo uma voz duas oitavas abaixo, ótimo!
John também foi o responsável por colocar os grunhidos dos porcos. Finalmente, 10 dias depois, já com George Martin de volta, quatro violinos, duas violas e dois violoncelos gravaram seu magnífico arranjo, com direito a um grand finale, após o "One more time!". Simplesmente impecável!
Ela foi lançada em 22 de novembro de 1968, no Lado 2 do Álbum Branco, e nunca foi tocada pelos Beatles. A canção foi adotada pela contracultura, de imediato.
Venha comer um bacon com a gente em Piggies.
Piggies, na íntegra!
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É o grande Harrison despertando o seu imenso potencial! Excelente análise Homerix!! Armando Barros
ResponderExcluirHomerix eu fico envergonhado quando vejo uma história como essa de uma das músicas do George tão bem explicada por você sem comentário meu. Achei sensacional. Abraços do Gerson Braune
ResponderExcluir*Homero,*
ResponderExcluirEsse texto do Harrison maduro caiu como _Hey Jude_ na alma: "take a sad song and make it better".
Fiquei pensando nos 11 porcos da Inglaterra e nos 11 do Congo.
Os da Inglaterra cantam _Hey Jude_ no Wembley lotado, com grama perfeita, VAR, patrocínio e pressão de 60 milhões.
Jogam pra manter império, pra estatística, pra capa de revista.
Os do Congo jogam com o campo esburacado, chuteira remendada, e a torcida é a família inteira que juntou dinheiro pra ver o jogo na TV. Jogam por dignidade, por bandeira, pra provar que existem.
No apito inicial os 22 viram iguais. Correm, caem, levantam, suam. Mas fora das quatro linhas a parada é outra...O "TAXMAN" só queria melhorar as coisas pra todo mundo.
É o Harrison e o Orwell juntos: uns porcos de colarinho branco, outros porcos da lama. Mesma bola, mundos diferentes.
E no fim a música que une tudo é a mesma: _Hey Jude_. Porque futebol e música são os únicos lugares onde rico e pobre cantam junto.
Excelente post. Valeu por lembrar do Harrison maduro que só devia entender melhor que o TAXMAN só queria mais impostos pra equilibrar mais as partidas de football na Inglaterra.
Abraço!
Dylmar Gomes
Uma música perfeita. E agora, sabendo mais detalhes, fica ainda melhor. Agora sei duas grandes tiradas de John, A do bacon, irmao comendo irmão, e dos grunhidos no final. E aquele encerramento? Maravilha.
ResponderExcluirPorém, disponso o bacon, viiu? Fui com você curtir Piggies pra valer. Fiquei a seu lado curtindo adoidado.todo o tempo. Sem bancon. Ou teria opção vegana? kkkk