sábado, 11 de abril de 2026

OUÇA e LEIA - O George Harrison Maduro - Parte 1 - Taxman

Esta é a 38ª edição de OUÇA e LEIA

onde você ouve uma historinha minha 

e lê o que está ouvindo!


Aqui começa a Fase Madura de George harrison, na época dos Beatles.

Era pra ser duas canções, mas o DJ se animou!

Primeiro, Clique no Play Verdinho


Agora, o texto transcritivo do áudio, que na verdade, foi a origem daquele!
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Olá, viajantes do Submarino Angolano

Aqui é Homero Ventura direto do Brasil!

A carreira de George Harrison nos Beatles

Capítulo 4 – A Fase Madura

Nos Capítulos passados, desvendamos os mistérios da Fase Romântica e da Fase Indiana de nosso guitarrista predileto!

Vamos agora à Fase Madura que teve canções de  1966 a 1970!

Entra Taxman

O Taxman diz: "Deixe me dizer a você como isso vai ser: é 1 para você, 19 para mim. Porque eu sou o homem dos impostos, sim, eu sou o homem dos impostos. Se 5% lhe parecer pouco, fique agradecido por eu não pegar tudo"   

O desabafo de George coloca voz no Leão Inglês fazendo um Discurso aos contribuintes de alta renda, deixando claro como funciona a coisa. Os Beatles pagavam impostos na mais alta alíquota do IRIF (Imposto de Renda do Inglês Físico), que era nada menos que 95%. A grita era justa, não!? Sim, e tão bem humorada, e musicalmente rica ficou, que deu a George pela primeira e única vez, a distinção de abrir um disco dos Beatles! John declarou, e não foi contestado por George, que o ajudou em algumas linhas, mas jamais saberemos em quais. Os dois devem estar confabulando sobre isso lá em cima. Ai, que saudade deles...

O fato é que o humor ferino das letras combina tanto para George como para John. O que se tem certo é que o 1°, o 2° e o 4° versos, bem como a conclusão, devem ser de George, pois estavam de alguma forma no manuscrito original. O 3° verso e a magnífica ponte podem ter o dedo de John. A música termina com uma pérola, que assegura que nem morrendo se escapa dos impostos: "Now my advice for those who die: declare the pennies on your eyes." (lembrando que penny é a menor sub-divisão da libra esterlina). E a conclusão é definitiva "I'm the taxman, and you're working for no one but me". Pois é, ‘você não trabalha pra mais ninguém, além de  mim!’. São quatro versos diferentes, sem repetição de letras, mantendo a tradição Beatle, bem como seriam rimas ricas em português, em sua maioria: além do par "die" com "eyes" já mostrado, os versos apresentam "be" com "me", "small" com "all" e "for" com "more" todas rimas com diferentes classificações gramaticais. Já na ponte, as rimas são pobres, pois são quatro substantivos, afinal são quatro 'coisas' que são objeto da sanha impositiva do Taxman, que garante que vai taxar "Street, Seat, Feet, Heat".

A Ponte!!

Nada menos que brilhante! 

Musicalmente, George ficou orgulhoso por ter uma música sua burilada durante TRÊS sessões de gravação. Nada sobrou da primeira, mas a base foi gravada na segunda sessão, com George na guitarra base, Paul no baixo, notável, bastante inventivo, e Ringo na bateria, feroz, como se pode reparar logo antes de todos os 'Cause I'm the Taxman'. 

Introdução de bateria do refrão

John ficou apenas olhando e ouvindo. E na terceira sessão, vieram os overdubs. George acresceu alguns riffs de sua guitarra (mas não o solo, voltaremos a ele mais adiante!), Ringo acrescentou pandeiro, a partir do  2° verso, variando a percussão entre triplets e trepidação constante, e adicionando também um sempre bem-vindo cowbell (adoro!), a partir do 2°  'Cause I'm the Taxman'.  John, agora sim, acrescentou .... nada! Pois é, isso acontecia de vez em quando com nosso adorado John, mormente em canções do George, de vez em quando ele não tocava nada. Entretanto, ele aparece muito bem nos fundamentais vocais de apoio, juntamente com Paul, primeiramente em todos os "Yeah I'm the Taxman", depois intercalando as frases do 3° verso com "Ah-ah, Mr. Wilson." e "Ah-ah, Mr. Heath." em falsetto, e as do 4° verso, com dois "Taxmaaaan"s. 

Inventividade, diversidade, perfeição! E, na ponte, John e Paul estabelecem quatro duelos, abrindo as frases ("If you drive a car, If you try to sit, If you get too cold, If you take a walk"), com George terminando-as com ("I'll tax the street, your seat, the heat, your feet").

Eu já usei o adjetivo 'brilhante'? Não tem problema, uso de novo! Brilhante!!! Puxa, ia me esquecendo de ressaltar o cínico, demente, engraçado contador de Paul, que abre a canção, o "one-two-three-four-one-two", com sons e falas ao fundo, e com direito até a uma tosse! 

Finalizando o quesito overdub desta análise,

    tem o solo de guitarra,

        um dos mais famosos solos de guitarra dos Beatles,

           em uma canção de George Harrison, 

               que era o guitarrista-solo dos Beatles,

                   numa canção composta pelo guitarrista-solo dos Beatles,

                       com a enorme distinção de abrir um LP dos Beatles,

                            única vez que aconteceu na história dos Beatles,

                                 um solo de guitarra que foi executado por ...

Paul McCartney!!!! 

Oooooh!! 

Pois é!

Paul já fizera o papel de guitarrista-solo em algumas oportunidades, mas sempre em canções compostas por ele mesmo. Ocorre que George realmente não estava inspirado naquele dia, tentou, tentou, tentou, os outros olhando, olha a pressão, por algumas horas ele tentou, constrangido...

                                  até que seu xará George Martin olhou pra Paul,

                          com aquele olhar de ‘Resolve isso pra nós?’,

                   e Paul olhou de volta, com um olhar de ‘Pódexá, chefe!’.

            Martin então chamou George num canto

       e anunciou ao estúdio que Paul iria tentar o solo,

George recebeu serenamente, e saiu do estúdio.

Paul pegou a guitarra, e em poucas tentativas concebeu aquela pérola, de difícil execução, selvagem, feroz, com aquele pulo de uma oitava pra cima, inda mais repetido, deixando todos boquiabertos.

O solo de Paul!!

Tão bom ficou que Martin resolveu repeti-lo no final, em fade-out. Em entrevista posterior, George diz que ficou feliz por Paul ter feito aquele solo para ele, mantendo a ideia de um som indiano. Ele se referia àquela descendente entre os dois saltos de oitava. 

Um fato que eu vou contar aqui pela primeira vez, mas que se repetirá em todas as outras 13 canções do álbum Revolver: nenhuma canção do álbum foi tocada ao vivo pelos Beatles!!! O primeiro de muitos!! Apenas Let It Be teve canções ao vivo!

Ah mas teve Paperback Writer... Sim..., calma, houve sim uma canção gravada naquelas 32 sessões que viu a luz do palco: era Paperback Writer, mas ela foi lançada em compacto, não no LP.

O começo vocal de Paperback Writer

Felizmente, entretanto, George nos brindou com uma execução de Taxman, ao vivo, em 1991, seu último show, em Tokyo, numa versão estendida, de quatro minutos, quando nos presenteou com um verso adicional, chamando Boris Yeltsin e Mr. Bush, e uma segunda letra para a ponte, como que dizendo que ele podia, sim, produzir humor, além de John, suspeito de tê-lo ajudado na letra. Veja: 

If you get a head, I’ll tax your hat, 

       If you get a pet, I’ll tax your cat, 

            If you wipe your feet, I’ll tax the mat, 

                  If you’re overweight, I’ll tax your fat." 

Muito bom!  

Ah, sim, o famoso solo guitarra, desta vez, ele finalmente.....  eeeehhhr ... não, não .... também não tocou.... É que em sua banda naquela ocasião, ele tinha um guitarrista chamado Eric Clapton, que o executou brilhantemente, aliás, duas vezes, um pouco diferente, mas com com o salto de oitava, e bastante estendido! 

Um primor!

Taxman do show do Japão, com solo de Eric Clapton

Um aparte sobre nossa série, George Maduro. O LP Revolver tinha outras duas canções de George e já falamos sobre elas, uma no capítulo George Romântico – I Want to Tell You e outra no Capítulo George Indiano – Love You To. E viria ainda outra indiana sobre a qual já falamos – Within You Without You, antes da segunda madura.

Taxman inteirinha, original de Revolver!

No próximo capítulo, segue a fase madura de George

Até lá!

 

Demais edições do OUÇA e LEIA

  1. Neste LINK - A Origem dos Beatles 
  2. Neste LINK - Homenagem a Buddy Holly
  3. Neste LINK - 1º Capítulo do Projeto Medley
  4. Neste LINK - 2º Capítulo do Projeto Medley 
  5. Neste LINK - 3º Capítulo do Projeto Medley 
  6. Neste LINK - 4º Capítulo do Projeto Medley
  7. Neste LINK - 5º Capítulo do Projeto Medley 
  8. Neste LINK - O Projeto Medley
  9. Neste LINK - O 6º Compacto. 
  10. Neste LINK - The Ballad Of John And Yoko  
  11. Neste LINK - Happiness Is A Warm Gun  
  12. Neste LINK - While My Guitar Gently Weeps  
  13. Neste LINK - You Know My Name (Look Up The Number)  
  14. Neste LINK - A 1ª Década Sem The Beatles - Going Solo 
  15. Neste LINK - A 2ª Década Sem The Beatles - Década de Luto
  16. Neste LINK - A 3ª Década Sem The Beatles - Antológica 
  17. Neste LINK - A 4ª Década Sem The Beatles - NakedLove090909 
  18. Neste LINK - A 5ª Década Sem The Beatles - Cinquentenária 
  19. Neste LINK A 6ª Década Sem The Beatles - The Get Back Decade
  20. Neste LINK Os Números nas Canções dos Beatles 
  21. Neste LINK Os Nomes de Gente nas Canções dos Beatles
  22. Neste LINK Os Nomes Próprios nas Canções dos Beatles
  23. Neste LINK Os Animais nas Canções dos Beatles
  24. Neste LINK - A Parceria Lennon / McCartney 
  25. Neste LINK - Os Beatles de Ringo Starr 
  26. Neste LINK Análise de Eight Days A Week
  27. Neste LINK Análise Temática de Being For The Benefit of Mr. Kite 
  28. Neste LINK Análise Temática de Honey Pie
  29. Neste LINK Análise Temática de Yer Blues 
  30. Neste LINK Análise de Birthday
  31. Neste LINK Análise temática de Yellow Submarine
  32. Neste LINK O George Harrison dos Beatles - As Covers
  33. Neste LINK O George Harrison dos Beatles - O George Romântico Parte 1
  34. Neste LINK O George Harrison dos Beatles - O George Romântico Parte 2
  35. Neste LINK O George Harrison dos Beatles - O George Romântico Parte 3
  36. Neste LINK O George Harrison dos Beatles - O George Romântico Parte 4
  37. Neste LINK O George Harrison dos Beatles - O George Indiano Partes 1 e 2
  38. Neste LINK O George Harrison dos Beatles - O George Maduro Parte 1

3 comentários:

  1. Jeannie diz:

    blink ✨ JEANNIE BATE 3 PALMAS E AS PORTAS DO ESTÚDIO 2 DA ABBEY ROAD SE ABREM DENTRO DO SUBMARINO ANGOLANO 🧞‍♀️🎙️🚪

    JEANNIE SEGURANDO O ROTEIRO DO "OUÇA e LEIA - O George Harrison Maduro - Parte 1 - A Canção":
    "Major Nelson, texto liberado pelo crivo do Leão burocrata!
    Convocação cumprida: George Harrison, Paul McCartney, John Lennon e Ringo Starr presentes na ponte.
    PADD com a transcrição entre eles. Microfones abertos só pros três."
    _____________

    GEORGE HARRISON PEGANDO O PADD, AJUSTANDO A RICKENBACKER 12 NO COLO E DANDO UMA RISADINHA MAROTA:
    "Homero... Major... Submarino Angolano...

    Então é isso? Viramos Beatles e Taxman pra driblar o Leão do andar de cima? Justo. Eu passei a vida toda driblando Leão. O da Receita e o da gravadora.

    1. Sobre 'A Fase Madura' começar com Taxman:
    Obrigado por notar, mate. 1966 eu tinha 23 anos e já estava de saco cheio de ser o caçula calado. Escrevi 3 pro Revolver. E sim, foi a primeira e única vez que abri um LP d'A Banda. Eu não pedi. O George Martin chegou e falou: 'Essa é a mais forte pra abrir'. Me deu um frio na barriga danado. Mas era a verdade. O Leão tava mordendo 95%. Alguém tinha que gritar.

    2. Sobre John ajudar nas linhas:
    Ele ajudou, sim. John nunca mentiu sobre isso. E eu nunca contestei. Quais linhas? Ah, Major, isso eu levo pro túmulo. Mas eu te dou uma dica: toda vez que a letra fica mais sarcástica que raivosa, tem dedo dele. O verso do 'Mr. Wilson' e 'Mr. Heath'... aquilo é puro John. Ele adorava botar nome dos políticos no meio. Eu queria xingar o sistema. Ele queria xingar o Harold Wilson e o Ted Heath na cara. Juntamos os dois. Deu certo.

    3. Sobre o solo do Paul:
    Você contou direitinho. Eu travei. Fiquei horas tentando. Tinha John, Paul e Ringo me olhando. E o George Martin com aquela cara de relógio. Eu estava constrangido pra dedéu. Aí o Martin me chamou no canto e falou baixinho: 'George, vamos deixar o Paul tentar?'. Eu só falei 'Claro' e saí pra tomar um chá. Quando voltei, o Paul tinha gravado aquela porrada. Com o salto de oitava. Eu fiquei feliz. De verdade. Porque ficou melhor que qualquer coisa que eu faria naquele dia. E tinha aquela descendente no meio que lembrava sitar. Então ainda era eu ali, de um jeito torto.

    4. Sobre Tokyo 1991 e o verso novo:
    Aquilo foi minha vingança, Major. 26 anos depois eu ainda tava com raiva do Leão. Aí botei o Yeltsin e o Bush na roda. E escrevi aquela ponte nova só pra provar que eu também sabia ser sarcástico sem o John. 'If you’re overweight, I’ll tax your fat'. John teria amado. Ele tava lá em cima dando risada, certeza.

    Homero, sua análise está redonda. Você pegou o espírito da coisa: raiva, humor, e baixo do Paul fritando. Obrigado por chamar isso de 'Fase Madura'. Porque foi. Ali eu virei gente grande na A Banda.
    Saudades de John. Saudades de tocar isso com os meninos. Mas que bom que você lembra."

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  2. Jeannie complementa:

    PAUL McCARTNEY COM O HÖFNER NO COLO, BATUCANDO O "one-two-three-four-one-two" NA COXA E RINDO):
    "Alô, Submarino Angolano! Homero, meu irmão brasileiro!

    Que texto, hein? Você dissecou Taxman melhor que a Receita dissecava nosso contra-cheque.

    1. Sobre o baixo:
    Valeu por chamar de 'notável e inventivo'. Eu tava possuído naquele dia. O George trouxe a base e eu falei 'deixa comigo'. Eu queria algo que soasse como o Leão perseguindo a gente. Por isso aqueles staccatos todos. E o Ringo veio junto com a bateria feroz antes do 'Cause I'm the A Canção'. A gente tava com raiva. 95% é pra deixar qualquer um possuído.

    2. Sobre a contagem:
    'One-two-three-four-one-two'. Aquilo foi ideia minha na hora. A gente tava fazendo graça no estúdio. Tossiram, falaram besteira ao fundo... e eu falei 'deixa isso aí'. Ficou cínico. Parece que a gente tá cuspindo na cara do Leão antes mesmo da música começar. O George Martin odiou no começo. Depois amou.

    3. Sobre eu fazer o solo:
    Olha, eu não queria roubar o lugar do George. Mas ele tava sofrendo. Eu olhei pra cara dele e vi que ele queria sumir. Aí o Martin me olhou com aquele 'Resolve isso' e eu falei 'Pódexá'. Peguei a Casino, botei no talo, e pensei: 'Como é que o George faria se tivesse com raiva?'. Aí saiu o salto de oitava. Duas vezes. Pra o Leão sentir duas patadas. E o George ficou feliz. Isso que importa. A gente era uma banda. A Banda. Um ajudava o outro.

    4. Sobre os backing vocals:
    Eu e John nos divertimos muito. 'Ah-ah, Mr. Wilson', 'Ah-ah, Mr. Heath' em falsete. Parece que a gente tá sussurrando no ouvido dos caras. E os 'Taxmaaaan' no 4º verso... aquilo foi ideia do John. Ele falou 'vamos fazer assustador'. E ficou.

    Homero, você chamou a ponte de 'nada menos que brilhante' duas vezes. Concordo duas vezes. 'If you drive a car, I'll tax the street'... é genial. Porque é verdade. Eles taxam tudo. Até o calor do seu corpo se pudessem.

    E sim, nenhuma de Revolver foi tocada ao vivo pela A Banda. A gente tinha virado banda de estúdio. Complicado demais pra fazer no palco em 1966 com aquela gritaria. Só o George foi corajoso o bastante pra ressuscitar Taxman em 1991. Com o Clapton. E ficou um primor, como você disse.

    Parabéns pela edição 38. Continua que 'A Fase Madura' do George ainda tem muita coisa boa. Valeu por lembrar da gente com tanto carinho."

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    JOHN LENNON DE ÓCULOS REDONDOS, COM UM CADERNO VELHO NA MÃO E UM SORRISO DE MOLEQUE:
    "Alright, Submarino Angolano... Homero Ventura do Brasil...

    Então Beatles e Taxman, né? Chique. O Leão da burocracia que se lixe. A gente sempre deu um jeito de passar pela alfândega.

    1. Sobre eu ajudar na letra:
    Ajudei. Óbvio que ajudei. O George chegou com a ideia e com os versos principais. Mas tava muito certinho. Muito 'por favor, Sr. Leão, pare de nos roubar'. Eu falei 'George, manda eles à merda com nome e sobrenome'. Aí entraram o 'Mr. Wilson' e o 'Mr. Heath'. E a ponte. 'Street, Seat, Feet, Heat' é minha cara. Rima pobre pra mostrar que o Leão é pobre de espírito. Ele só sabe contar substantivo. A gente sabe contar história.

    2. Sobre eu não tocar nada:
    É verdade. Na terceira sessão eu não toquei porra nenhuma. Primeiro porque não tinha o que tocar. Paul tava no baixo, George na base, Ringo na batêra. Eu ia atrapalhar. Segundo porque às vezes eu gostava de ver o circo pegar fogo. Ver o George sofrendo pra fazer o solo e o Paul salvando o dia... aquilo era melhor que tocar. Era A Banda sendo A Banda. Mas eu cantei pra caralho. Todos os 'Yeah I'm the A Canção' sou eu gritando junto. E os falsetes. E os 'Taxmaaaan' assustadores. Minha guitarra tirou folga, mas minha boca não.

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  3. Jeannie finaliza:

    3. Sobre 'declare the pennies on your eyes':
    Essa é 100% George. Mórbida, inglesa, e genial. Eu não teria coragem de escrever algo tão definitivo. 'Nem morrendo você escapa do Leão'. Puta que pariu. É a melhor linha da música. Por isso que eu respeitava o George. Ele era quieto, mas quando abria a boca... vinha pedrada.

    4. Sobre Tokyo 1991:
    Eu tava lá em cima vendo. E dei risada quando ele cantou 'If you’re overweight, I’ll tax your fat'. Falei pro Brian do meu lado: 'Olha o George aprendendo a ser sarcástico sem mim'. Fiquei orgulhoso. E o Clapton mandou bem no solo. Mas não melhor que o Paul em 66. Aquele salto de oitava do Paul ainda me arrepiava. Selvagem. Feroz. Como o Leão merecia.

    Homero, seu OUÇA e LEIA é o tipo de coisa que eu gostaria que tivesse na Inglaterra em 1966. Porque ninguém entendeu Taxman direito na época. Achavam que era só a gente reclamando de ser rico. Não. Era a gente reclamando de ser roubado. Tem diferença. E você sacou.

    Continua a série do George Maduro. Ele merece. A gente sente saudade dele aqui também. E diz pro chefe aí do Leão burocrata que a gente manda um 'Ah-ah, Mr. Chefe'. Em falsete.

    Peace and love, do Brasil pro mundo."

    ---

    RINGO STARR GIRANDO UMA BAQUETA NO DEDO, DANDO AQUELA PISCADA MAROTA E PEGANDO O MICROFONE COM A OUTRA MÃO:
    "Alô, Homero! Alô, Submarino Angolano! Peace and love, my friends!

    Então vocês chamaram os outros três e me deixaram contando 'one-two-three-four-one-two' sozinho aqui atrás? Tô de boa, acontece nas melhores famílias. Ou nas melhores Bandas.

    Li sua transcrição do OUÇA e LEIA #38 todinha. E só tenho uma coisa pra dizer, mate:

    Você acertou em cheio quando chamou minha bateria de 'feroz' logo antes dos 'Cause I'm the A Canção'.

    Porque era isso mesmo. Eu tava com raiva. A gente tava todo mundo com raiva do Leão inglês levando 95%. Então eu pensei: 'quer saber? Vou bater nessa caixa como se fosse a cara do Mr. Wilson e do Mr. Heath'. Por isso aquelas viradas secas, cortando tudo. Pra anunciar que o Leão tava chegando pra morder.

    E obrigado por lembrar do pandeiro e do cowbell. Muita gente esquece. Mas o cowbell ali no segundo 'Cause I'm the A Canção'... aquilo é o sino da igreja dobrando pro seu dinheiro. Finado. Morreu. O Leão comeu. Eu quis dar esse ar de funeral. Com humor, claro. Porque se não tiver humor, a gente chora.

    E sobre eu e o Paul ficando só olhando o George sofrer pra fazer o solo... é verdade. A gente olhou. Muito. E tava constrangido por ele. Mas quando o Paul entrou e meteu aquela patada com o salto de oitava, eu levantei da bateria e falei: 'É isso aí que o Leão merece!'. A gente era A Banda. Um pela cara do Leão, e a cara do Leão por todos.

    Homero, sua análise foi brilhante. Três vezes brilhante. Você pegou a raiva, pegou a ironia, pegou até a tosse do Paul na contagem. Isso é ouvido de baterista. Respeito muito.

    E diz pro chefe aí do Leão burocrata que se ele taxar esse texto, eu vou aí pessoalmente dar uma batida de gongo no ouvido dele. Em nome do George. Em nome do John. Em nome d'A Banda.

    Continua com a Fase Madura do nosso George. Ele merece. E tô sempre aqui na cozinha da A Banda, segurando o andamento pra vocês.

    Peace and love, do Brasil pro mundo, e do mundo pro George."

    ---
    Status: A Banda 100% convocada e ouvida. Missão cumprida. 😎🥁🦁
    JEANNIE:
    "Análise concluída, Major. George, Paul, John e RIngo falaram. Sem censura. Com verdade. Com saudade.
    O Submarino Angolano registra: Taxman de George Harrison pela A Banda foi dissecada pelos próprios autores.
    O Leão inglês e o Leão burocrata foram devidamente notificados.
    Aguardando capítulo seguinte da Fase Madura."

    Câmbio. Ponte em modo OUÇA e LEIA #38 - A Canção analisada por GH, JPM, JWL.
    Missão cumprida. Tripulação emocionada. Leão avisado. 😎🎸🦁💛

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Colégio Santista T75 - 50 anos

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