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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Liverpool em Duplo Lado A e vendas pela metade

The Beatles lançaram nesta semana de 1967, seu primeiro compacto do ano, com duas obras-primas de Lennon/McCartney, aliás, uma de John, outra de Paul, na ordem, Strawberry Fields Forever e Penny Lane. 

Situe-se no mundo dos Beatles naquele tempo. Estava finda a era da Beatlemania! Ou, ao menos o que mais a caracterizava. Em agosto de 1966, eles declararam que não iriam mais fazer shows ao vivo, após quatro anos de loucura e histeria por onde passaram. Conquistaram a Inglaterra, a Europa, a América, o Mundo. Mas deram uma parada, e dedicaram-se apenas às composições e ao estúdio. Havia enorme expectativa no próximo produto da maior banda do planeta!

Por que coloquei a cidade natal dos Beatles no título do post? Porque os dois compositores estavam nostálgicos, por coincidência ou não, e resolveram voltar a seus tempos de infância e adolescência em Liverpool, antes mesmo de se conhecerem, o primeiro numa viagem para dentro de si mesmo, transportando-se para um local de sonho ambientado num orfanato em que brincava com seus amigos, e o segundo, mais pragmático, descrevendo as lembranças da principal rua da cidade (bem, se não era a principal, acabou virando...), muitas delas já divididas com seu parceiro.

O processo de gravação, já nas sessões para o álbum de 1967, começou ainda em novembro de 1966, com a canção de John tomando dezenas de takes e de horas de estúdio, que eu detalho mais abaixo. Definitivamente, havia terminado a era romântica, de gravação de várias músicas em apenas um dia. Penny Lane entrou em estúdio já no final do ano, em 29 de dezembro. As duas foram lançadas em fevereiro de 1967, no dia 13, no Reino Unido... No dia 17, nos Estados Unidos.

E foi um lançamento caprichoso, com uma picture sleeve (só fariam isso novamente em Let It Be),  com fotos deles bebezinhos na capa e uma outra bem posada e vestida e abigodada, estas acumulações de pelos sobre os lábios sendo recebidas com estranheza pelos fãs. Era o denotar de uma nova era. Não eram mais garotos. E também na música, notou-se a diferença.

Entretanto, nenhuma delas foi ao 1º lugar no Reino Unido, incrivelmente. Foi porque era um Compacto com Duplo Lado A, e a contagem das vendas, que era enorme, foi dividida por 2, e então uma tal Release Me de um tal Engelbert não sei das quantas, que era o real 2º colocado longe, ficou em 1º com as duas dos Beatles em 2º e 3º coladinhas. Durma-se com um barulho desses! Foi o maior arrependimento de George Martin, primeiro porque poderiam muito bem constar do LP Sgt. Peppers, mas houve pressão para lançarem um compacto. E depois, porque tivessem lançado cada uma das canções B-ladeadas por uma canção menor de Sgt. Peppers, tipo When I'm Sixty Four e Good Morning Good Morning, decerto ambos atingiriam o merecido topo. 

Felizmente, nos Estados Unidos, Penny Lane alcançou o merecido Status de Nº 1, e garantiu seu lugar na esplêndida coletânea 1, do ano 2000, de 25 canções que atingiram o topo das paradas em UJ ou em US. Já Strawberry FIelds Forever, não apareceu naquele CD, pois topou no Nº 8, por incrível que pareça.

E vamos a seus detalhes de composição, estrutura e gravação!

1. Penny Lane (Self Story Song by Paul McCartney)

Paul se lembra: "E o banqueiro nunca usa uma capa na chuva. Muito estranho! Penny Lane está nos meus ouvidos e nos meus olhos, lá sob o céu azul do subúrbio, eu sento, e enquanto isso, em Penny lane há um bombeiro com uma ampulheta"

A química entre a maior parceria da história estava em alta no final de 1966. Os Beatles estavam em estúdio desde o segundo semestre daquele ano, após desistirem das excursões. Eles produziam aquele que seria  o maior disco da história do rock, Sgt. Pepper's. E eles já viam que o LP não sairia até meados do ano seguinte. Era preciso manter a chama acesa. A EMI precisava lançar um compacto e encomendou, claro, as canções a John e Paul, sua fenomenal dupla autoral. Cada um apresentou a sua. AS DUAS falavam de Liverpool!!!


 AS DUAS remetiam a lembranças da infância de cada um.  John veio com Strawberry Fields Forever, Paul veio com Penny Lane! John e Paul usavam o hub de ônibus para pegar ônibus para qualquer lugar da cidade. Enquanto Paul aguardava John, ele anotava as coisas que via, a linda enfermeira vendendo flores que sonhava ser atriz, o bombeiro, o barbeiro que guardava as fotos de seus cortes, e seu cliente banqueiro que não se importava com a chuva, memórias de infância e adolescência. Um que outro personagem foi criado para dar uma cena para o local, mas os locais realmente existem, ou existiam, "around the shelter in the middle of a roundabout ... ou talvez não exatamente em Penny Lane, por exemplo, o quartel dos bombeiros (fire estation) era um pouco mais distante, mas foi 'trazido' para Penny Lane para compor o cenário, do "fireman with an hourglass .... He likes to keep his fire engine clean, it's a clean machine". Permitido, não? E se permitiam também uma piadinha de duplo sentido, no "A four of fish and finger pies", do segundo refrão, que estava ali inocentemente para rimar uma das vezes com "Penny lane is in my ears and in my eyes", e até lembra uma porção de peixe frito custando 4 'pence', mas em verdade queriam usar a expressão "finger pie", que era uma gíria sexual, que garotas não diziam! A melodia era de Paul, bem como os primeiros versos, mas John ajudou numa memória aqui, outra ali, mais especificamente no terceiro verso, sobre o bombeiro e seu limpo carro. Falando em 'versos', a estrutura da canção era verso-verso-refrão 3 vezes, sendo o 4° verso, instrumental. Os cinco versos letrados têm letras todas diferentes, e até mesmo nos refrões há uma variação, pois o 1° refrão diz a famosa referência ao suburbano céu azul "There beneath the blue suburban skies", o 2° refrão vem com aquela frase de duplo sentido. A criatividade dos Beatles sempre colocada à prova. As rimas, ótimas, se fosse em português, seriam todas ricas nos versos "go-hello", "rain-strange", "clean-machine", "play-away ". Nos refrões, as pobres "skies-eyes-pies". Absolutamente perdoadas!

Vamos à parte musical. A base foi Paul nisso, John naquilo, George naquilo outro e Ringo na  bateria? NADA DISSO! Pela primeira vez, os Beatles fugiriam do tradicional esquema de base mais overdubs. Isso porque Paul, o autor, queria que Penny Lane soasse como Pet Sounds dos Beach Boys, que ele andava ouvindo muito. Geoff Emmerick entendeu o recado e passou a gravar um instrumento por vez, um em cada faixa da fita (eram quatro, lembrem-se), conferindo uma pureza nunca vista, sem vazamentos. Então, no glorioso 29 de dezembro de 1966, o que se viu foi 3 Beatles olhando Paul tocar 3 pianos, um de cada tipo (normal, elétrico e honky-tonky) e também um harmônio, e tudo com uma noção de tempo impressionante, que até dispensou um auxílio de Ringo, que seria normal, no chimbal (hi-hat), Paul era fenomenal. Dia seguinte, redução das 4 faixas para uma outra fita, onde se gravaram o vocal principal de Paul, e a harmonização de John, que se ouve nas segundas frases dos refrões. E foram pra casa, e só voltaram no ano seguinte, no mesmo dia de meu aniversário, o décimo 4 de janeiro de minha vida, quando John gravou mais um piano, e George, uma guitarra, e Paul fez outro lead vocal,  que ele não gostou e gravou mais um no dia seguinte! E só no dia 6, a normalidade voltou, e Paul tocou seu baixo, John sua guitarra base, George sua guitarra solo, e Ringo sua bateria! E ainda não satisfeitos com o número de pianos da canção, John e George Martin gravaram mais dois, não perca a conta, já são 6 os pianos de Penny Lane! No fim de semana que se seguiu, todos descansaram, menos George Martin, que, instruído por ordens claras de Paul, fez variados arranjos orquestrais. No dia 9, vieram 4 flautistas e dois trompetistas e gravaram suas partes, e o dia seguinte apenas viu Ringo gravar sinos, na parte dos bombeiros. Mais dois dias e vieram outros instrumentistas com seus trompetes (2), oboés (2), 1 corne inglês (um oboé mais grave) e um contrabaixo, que tocava apenas uma nota, e ficou horas fazendo isso, com o maior prazer!

Porém, a cereja do bolo, o 'pièce de résistance', o toque magistral, veio uma semana depois, quando adentrou ao estúdio David Mason, um trompetista especificamente contratado sob sugestão de Paul, trazendo seu conjunto de trompetes. Paul o ouvira tocar num musical na BBC (TV), e pensou: "Quero aquilo em Penny Lane!". George Martin disse: "Seu desejo é uma ordem, amado mestre!", quer dizer, não foi bem assim, mas quase! Tudo o que um Beatle queria era providenciado. Paul solfejou a melodia, Martin escreveu a pauta e Mason entrou para a história! Dentre os 9 trompetes que Mason trouxe, Paul e Martin escolheram o Piccolo, afinado em Si Bemol, justamente o mais agudo, e o competentíssimo instrumentista deu o seu show, sua arte é ouvida ao longo da canção mas, em especial, na sessão solo, que termina com aquele inacreditável agudo! Recebeu o equivalente a 4.000 reais por aquela noite, e até o fim da vida, em que pese ter tocado nas melhores orquestras, ele foi celebrado por seu desempenho naquele longínquo e frio 17 de janeiro de 1967. 

A música ganhou um vídeo promocional, assim como a companheira do outro Lado A do compacto, onde causou espécie o fato de os Beatles parecerem mais velhos, todos de bigode! Vejam aqui, neste LINK. A repercussão do compacto foi enorme pela crítica, porém não o suficiente para atingirem o 1º lugar nas paradas, coisa que não acontecia desde 1962, conforme já expliquei! Voltando aos vídeos, deixo aqui, com vocês, claro, não podia deixar vocês sem verem Penny Lane, tocada ao vivo, por The Analogues, com direito a sino, flautas, trompetes e especialmente o piccolo, tocados à perfeição!!


2. Strawberry Fields Forever (Trip Acid Song by John Lennon)

John convida: Deixe-me te levar comigo porque eu estou indo para os campos de morango, nada é real e não há nada com o que se preocupar. Campos de morango para sempre!  Viver é fácil com os olhos fechados, entendendo errado tudo o que você vê. Está ficando difícil ser alguém, mas tudo vai dar certo! Isso não me importa muito...'

John convida a todos para viajarem com ele para Strawberry Fields. O local realmente existiu (sem o S, era singular), era um orfanato que John e seus amigos iam espiar quando crianças em Liverpool. Mas esseS campoS da canção não são reais, são locais na mente dele, onde tudo é imaginário. É uma viagem para dentro dele, a canção é uma autoanálise. John considera que esta canção suplantou In My Life no posto de sua melhor na época dos Beatles, como um conjunto letra-música (depois ele consideraria Across The Universe como sua melhor letra). Eu a classifiquei como uma viagem alucinógena por causa do convite ("Let me take you down") e do baixo teor de realidade do destino dos locais para onde ele ia nos levar ("nothing is real"), que é para onde levam os alucinógenos, mas em verdade, é uma viagem para dentro de si mesmo. Desde criança, ele fazia essas 'viagens', muito antes de adentrar ao mundo das drogas. O menino vivia numa viagem alucinante, mesmo sem agentes externos. Deixo aqui uma declaração dele mesmo, abrindo seu coração, antes de eu embarcar em detalhes da composição.

  “There was something wrong with me, I thought, because I seemed to see things other people didn't see. I thought I was crazy or an egomaniac for claiming to see things other people didn't see. I always was so psychic or intuitive or poetic or whatever you want to call it, that I was always seeing things in a hallucinatory way. Surrealism had a great effect on me, because then I realized that the imagery in my mind wasn't insanity; that if it was insane, I belong in an exclusive club that sees the world in those terms. Surrealism to me is reality. Psychic vision to me is reality. Even as a child. When I looked at myself in the mirror or when I was 12, 13, I used to literally trance out into alpha. I didn't know what it was called then. I found out years later there is a name for those conditions. But I would find myself seeing hallucinatory images of my face changing and becoming cosmic and complete. It caused me to always be a rebel. This thing gave me a chip on the shoulder; but, on the other hand, I wanted to be loved and accepted. Part of me would like to be accepted by all facets of society and not be this loudmouthed lunatic musician. But I cannot be what I am not."

Ele começou a escrevê-la num set de filmagens em Almería na Espanha. Aliás, existe um filme espanhol inspirado nisso, onde um professor da cidade ensina inglês pra crianças com letras dos Beatles, e fica doido quando sabe que Lennon está lá filmando, e faz o possível para encontrá-lo. Muito legal! E o nome do filme é justamente o primeiro verso ali de cima 'Vivir es fácil con los ojos cerrados', sim, a primeira frase do primeiro verso, "Living is easy with eyes closed"). Segundo John, isso inspirou a decisão de colocar as letras das canções, o que eles fizeram no álbum. Álbum, aliás que não teve Strawberry Fields Forever.

A estrutura é simples: após uma introdução (antológica), vêm 3 refrões e 3 versos, alternadamente. Bem, quer dizer, simples uma ova, porque, depois vêm a conclusão, e depois outra conclusão, numa efeméride de inovação. É o refrão que inicia a fala, com o convite à viagem ("Let me take you down, 'cause I'm going to Strawberry Fields, nothing is real, and nothing to get hung about"), que ele repete outras três vezes. No Verso 1, ele incita as pessoas a deixar abrirem os olhos para o mundo, "Living is easy with eyes closed, misunderstanding all you see". Depois do segundo refrão, o Verso 2 o mostra inseguro sobre o que vê "No one I think is in my tree, I mean it must be high or low". Após mais um refrão, a dúvida dele é patente no Verso 3, vou até colocar em português, pra sentir o desespero de não saber o que está acontecendo: "Sempre, não, algumas vezes, penso, mas você sabe, eu sei quando é um sonho, eu acho, bem, nem sei, bem, é, mas está tudo errado, por isso eu acho que discordo". Chega a dar pena!!

Strawberry Fields Forever foi a primeira canção a ser gravada na nova fase dos Beatles, que haviam decidido não tocar mais ao vivo. E eles chegaram com tudo!! Foram várias idas e vindas até se atingir a versão final, foram quase 55 horas de estúdio, quase 30 takes, desde novembro de 1966 até seu lançamento em fevereiro de 1967, em um compacto Duplo Lado A com Penny Lane, de Paul, ambas as canções com reminiscências de suas infâncias. É apaixonante acompanhar a evolução da canção, desde o voz e violão, sem refrão, e letra incompleta, até aquela efeméride de técnicas e ousadia da versão final. 

Quando John mostrou o demo, já com o refrão, mas ainda no meio, para George Martin, o Maestro quase passou mal, de tão impactado que ficou com a beleza da canção!  Paul também ficou impressionado e entregou uma introdução histórica à canção. O que você pensa ser um conjunto de flautas ali, na verdade, é um mellotron, um teclado que 'sampleia' (sorry!), ou simula outros instrumentos, que era uma baita novidade na época, e todos os Beatles tinham um em casa, sob influência de John.  E a 'flauta' mellotrônica acompanha todos os versos da canção, que são quatro. Tape loops, instrumentos reversos, em alguns takes, sinos, tímpanos, atabaques, em outros, e um arranjo de trompetes e violoncelos de George Martin, e um som de um trem passando, em outros, olha, eu não vou detalhar em que sessão cada instrumento entrou e tocado por quem, senão isso aqui vai ficar muito grande, mas deixo aqui o detalhe da grande sacada que tornou Strawberry Fields Forever única, e que envolveu a mente criativa e exigente de John e a técnica dos maiorais do estúdio, George Martin e Geoff Emmerick, o engenheiro produtor.

John queria misturar as coisas, que estavam gravadas em tempos diferentes, deixando a missão para o Maestro resolver, numa época em que edição de fita era feita na base da tesoura. Sinta a complexidade do problema! O demo, com voz e violão de John, estava em Dó Maior num tempo de 83 bpm (beats por minuto). Take 1 também estava em Dó Maior, mas nem tanto, porque John queria sua voz mais aguda, então Martin acelerou um tiquinho a fita, para 95 bpm. No Take 4, o tom já estava em Si Bemol Maior e em 90 bpm. No Take 7, estava mais pra La Maior. John gostou dessa, mas espera que tem mais. Uma semana depois, John decidiu que queria começar tudo do zero novamente, e o Take 26 (vê só) estava de volta ao Dó Maior, mas num tempo de 111 bpm, rapidinho e agudo, bem parecido com a versão final, só que não. John havia gostado (lembra?) do Take 7, e pediu uma Missão Impossível: "Quero o primeiro minuto do Take 7 e o resto do Take 26!" quando Martin ia reclamar, John disse: "You can do it!!". O Rei falou, faça-se sua vontade! John não queria saber se o tom de um estava em La (ou quase) e do outro estava em Dó (ou quase), e com tempos diferentes (90 contra 111 bpm). Depois de muito coçarem as cabeças, Martin e Emmerick, viram que a solução era acelerar um e desacelerar outro. Reduziram o tempo do Take 26 para 99 bpm, o que levou o tom para algo próximo de Si, e aumentaram o tempo do Take 7 em apenas um ponto, para 91 bpm, o suficiente para levá-lo para um La mais próximo do Si do Take 26. E pra juntar os dois tapes, usaram a técnica do Cortar e Colar, muito antes do Cut and Paste que fazemos hoje, eletronicamente. Lá, eles cortaram, efetivamente, com tesoura, e colaram, efetivamente, com durex! Isso mesmo!! E ao mostrarem o resultado a John, estava tão perfeito que ele não percebeu, e perguntou: "Já passou?", ao que Martin e Emmerick responderam com um sorriso, e John disse três palavras: "Brilliant! Just brilliant!!". Portanto amigos, é im-pos-sí-vel tocar Strawberry Fields Forever ao vivo, e-xa-ta-men-te como na gravação, o que ouvimos hoje é algo parecido, mas nunca igual!

Outros destaques: encante-se com o swarmandal, instrumento indiano tocado por George ao terminar a segunda e a terceira vezes em que o refrão é cantado, e eu recomendo fortemente que o façam com um fone de ouvido, notando como o som começa agudo no ouvido direito e percorre sua mente lindamente até terminar grave no esquerdo, sem brincadeira, faça isso e viaje, aliás, deixo aqui o LINK com o trecho mencionado, repetido 4 vezes, pra você fixar bem; note a bateria ressonante de Ringo a partir do meio do segundo refrão e até o final; e preste atenção ao fade out, cheio de tape loops, e o fade in (retorno) quando ninguém espera, e ali pelo meio, John falando 'cranberry pie´' e o povo entendendo 'I buried Paul', contribuindo para a conspiração de que Paul era agora um sósia do original. 

O resultado ficou 'astonishing', às vezes é preciso usar o inglês, sorry. E então, parece que o povo se assustou com a proposta da canção e a resposta das vendas surpreendeu, e pela primeira vez em quatro anos, um single dos Beatles não chega ao topo das paradas, nem em UK nem nos EUA!! Já comentei o mistério acima. Sendo um duplo Lado A, as vendas têm que ser divididas por 2, então um intruso que tinha menos vendas, ficou no topo. 

Bem, se o povo não entendeu muito bem a mudança do som dos Beatles, os críticos receberam muuuito bem. É considerada um marco da cena psicodélica, influência séria para outras bandas que surgiriam, especialmente Pink Foyd, por exemplo. E seus colegas de profissão ficaram boquiabertos. Conta-se que Brian Wilson, dos Beach Boys, ouviu a canção em seu carro, parou e falou ao seu interlocutor passageiro: 'They did it again!', bastante sério, e depois até interrompeu seu projeto de disco. Os Beatles eram imbatíveis! E seu filme promocional não fica atrás e é considerado precursor dos vídeo-clipes, a amostra mais antiga de vídeos que formataram o mercado da música na TV, registrado oficialmente nos MOMA's pelo mundo. Aqui, neste LINK


 

3 comentários:

  1. Li em alguns lugares, não apenas um, John dizendo que Paul McCartney tinha estragado a música Strawberry Fields. Que ele teria sabotado não sei com. E arruinado tudo. Não sei a data que ele disse isso. Numa das matéria que li dizem que foi pouco antes do seu falecimento. Importante saber se Yoko estava a seu lado. Quando ela estava ele falava mal de Paul. Sem ela por perto ele falava bem. Isso eu sei com certeza. É verdade que ele falou bem de Paul poucos dias antes de morrer. Para a Rolling Stone. Mas ela nem sempre estava na sala. Foi no Dakota. Ela saia para atender os telefonemas, essas coisas.
    Mas fica parecendo que Paul contribuiu muito mais do que pensam. Se não tivesse contribuído John ão teria como dizer que ele tinha arruinado a gravação. Só mesmo com muita participação dele isso seria possível, mesmo não sendo verdade que tenha arruinado alguma coisa. É talvez a musica mais bem elaborada e perfeita deles. E, pelo visto, graças a Paul.
    Gostaria de saber quem teve a ideia do trem. É a melhor parte.
    George Martin fazia arranjos mas de acordo com os pedidos de John. Com certeza tinha ideias próprias também. Era um dos arranjadores. Era o mago que conseguia atender aos incríveis pedidos de John. Paul foi responsável pelo melotron e penso que da melodia da introdução. A propósito aquele melotron se encontra no estudio museu de Paul em East Sussex. Seria vendido. Avisaram a Paul. Ele correu para o estudio e fez a compra.
    Vi também uma informação que foi a música mais trabalhosa no estúdio. Porque eles queriam coisas difíceis, eles faziam isso e aquilo. Sempre eles. E não apenas John. The Beatles realmente formavam um time. Strawberry Fields Forever não é só de John. É dos Beatles. ( rs rs rs. Sei que você está aí pensando...lá vem Virginia de novo com a mesma história. Não tem jeito! Fico pensando na turma nova...Nós mais velhos até podermos falar algo assim porque sabemos que não era exatamente assim. Sabemos que eles juntos faziam milagres. Mas os jovens podem não entender. Afinal nunca mais houve nada igual! Então, vai pensar que era uma música exclusivamente de John Lennon. É só por isso que me sinto compelida a lembrar a todos que Lennon/McCartney realmente existiu.
    A wikepedi sempre diz assim. Música de John ( ou de Paul) creditada a Lennon/McCartney. Errado. Não era apenas creditada. Eles trabalhavam as musicas juntos mesmo quando a maior parte era apenas de um deles. O que a Wipedia está dizendo é que Lennon/McCartney é mito, nunca existiu, ao dizer que era apenas creditada aos dois. E com isso procura enterrar para sempre a maior dupla musical que já existiu. Comprovadamente poderosa. Basta ver as músicas deles separados. A maior parte deles está faltando uma coisinha ou coisonas. Porque não trabalharam nelas juntos!
    EStou falando aqui sobre a Wikpedia, não sobre sua análise. Sei que você sabe da importância da dupla. E diz musica de John porque foi composta principalmente por ele. Toda a letra dele. E a melodia. Mas não o resultado final. Juro que se tivesse sido lançada por John solo...não seria a mesma coisa. Seria bem inferior. E sem George para fazer a magia lá que você contou...Nunca seria igual.

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  2. Sobre essa coisa de não ter ido para o primeiro lugar...O que importa não é a posição e sim a aceitação. Ambas as músicas se tornaram clássicas. Super apreciadas de um modo geral. Sucesso absoluto. Por causa dela Strawberry Field voltou a funcionar. E em cima da música. Depois, o disco foi primeiro lugar em muitos países. Nos EStados Unidos é outra história, porque não aceitavam disco com dois lados A. Mas Penny Lane foi para o primeiro lugar. O tal segundo lugar foi apenas na Inglaterra. E mesmo assim com dúvidas, porque em apenas uma das paradas de sucesso deu como segundo lugar ( como se fosse pouco segundo lugar). Há outras paradas inglesas extra oficiais que deram Penny Lane/Strawberry Fields Forever no topo. Eu até sabia o nome de um desses charts, mas me esqueci. Sei que isso é fato porque George Harrison também comentou sobre isso. Veja aqui.
    "It was pretty bad, wasn’t it, that Engelbert Humperdinck stopped ‘Strawberry Fields Forever’ from getting to Number One? But I don’t think it was a worry. At first, we wanted to have good chart positions, but then I think we started taking it for granted. It might have been a bit of a shock being Number Two – but then again, there were always so many different charts that you could be Number Two in one chart and Number One in another.
    George Harrison
    O compacto foi para o primeiro lugar também na The single also Australia, Canada, Dinamarca , Malásia, Nova Zelândia, Holanda, Noruega e Alemanha Ocidental.

    E no Brasil? Eu nunca chequei isso. Nunca achei importante. Acho que ninguém sabe. Foi primeiro lugar na Chacrinha. Até meu pai parou tudo para ouvir o disco. Ficou maravilhado principalmente com Strawberry Fields. Achou que estava sonhando...Bem como John queria que a gente sentisse. Portanto foi muito bem sucedido no seu intento. Que antipatia foi essa de John dizendo que foi gravação pobre, que Paul arruinou a gravação? Ai, John, tinha hora que você passava do limite de falar bobagem. Mas com isso pelo menos revelou como foi importante a presença de Paul para resultado tão espetacular.

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