Fiquei monitorando todo o tempo o paradeiro de minha querida mala, junto à seguradora e nenhuma novidade. Já desistindo de recuperá-la ainda em Dubai, improvisei o empacotamento do pouco que tinha em uma sacola emprestada por meu colega. Quando estava a fazer o check-out do hotel, eis que ela, a mala, surge, bela, fogosa e intacta. Melhor assim, não vou precisar ficar brigando om a BA para indenização. Ficarei satisfeito com a compensação pelos 5 dias que fiquei sem ela, o que certamente virá! Re-arranjei a bagagem, em uma malinha extra que eu trouxera dobrada, como sempre faço, nunca se sabe! Na espera do vôo fui ver o itinerário da viagem: chegada em Londres às 16:00; partida para São Paulo às 21:10 da tarde. Hummmm, tem jogo! Decidi repetir em Londres o mesmo esquema de São Paulo. Perguntei a uma BA Madam, que me disse que os lugares mais próximos do aeroporto seriam Hounslow e Kingston. Pesquisei na internet: só este último subúrbio tinha cinema, horário 17:40. Hummmm, vou jogar! E parti. No vôo diurno, dorme-se pouco e aproveitei para escrever o relatório oficial. Quando o avião estava aterrisando, o comandante avisou: fog intenso, temperatura 1 grau Celsius! Lembram-se do que falei sobre miserable weather, não?
Já em terra, demorei um pouco na alfândega, nada que comprometesse o plano de jogo. Bem, táxi nem me passou pela cabeça, pois tem preço proibitivo. Primeira tentativa, metrô. Procurei no mapa, achei Hounslow, mas Kingston, nada. Hummmm, o jogo tá duro! A bilheteira africana me aconselhou ônibus. O ônibus indicado, 285, somente saía do terminal 2. Estava no terminal 4, lá fui eu, ainda com tempo, pelo expresso entre terminais. Na saída do aeroporto, percebi toda a intensidade do anúncio do comandante. Não se via nada a mais de Conforme previsto pelo informado motorista, lá vinha o 285, cinco minutos depois. Fiz o meu sinal, o 285 veio e .... o 285 foi. Nem parou (that bastard!)! Estava lotado! Hummmm, perdi o jogo! Só então caiu a ficha de que não estava escrito que eu iria ver Casino Royale sem legendas, pelo menos não naquele dia. Desisti e decidi voltar ao aeroporto. Só que como eu disse, não era um lugar que eu passasse para o outro lado da rua para pegar o ônibus de volta. Comecei a andar a pé pelo que eu achava ser o caminho de volta. Após uns 15 minutos de caminhada sem rumo, vi que aquilo poderia demorar, nem um táxi aparecia, a bexiga começou a apertar (aquele frio apressou as coisas!) e não tive dúvidas, foi ali mesmo, num matinho. Já posso contar a meus netos: “I pissed in London!”. Caminhei mais um pouco, os dedos já duros, encontrei um posto policial. Ainda bem que não foi ele que me encontrou uns minutos antes, fazendo aquilo. Por trás da cerca eu chamei um officer. Ele veio desconfiado, me iluminando com a lanterna dele e não deve ter entendido nada: um executivo, de paletó, com seu computador, ali no meio do nada, fazendo o quê!? Bem, ele não quis saber detalhes e me orientou como chegar a um ponto de ônibus no caminho de volta para o aeroporto. Mais 5 minutos, lá estava eu esperando e chega o 285 (ele de novo!), de volta. Claro que era outro e dessa vez ele parou, subi, estava quentinho, aquecido, um alívio! Frustrado e aliviado.
As emoções não pararam por aí. A viagem tinha que terminar com chave de ouro! O último 'aeroaperto' ainda estava por vir. Os caminhos aéreos britânicos (BBrittish Airways - BA) estavam tumultuados. Mais de 250 vôos de curta duração haviam sido cancelados, devido ao nevoeiro. Deixaram partir apenas os vôos de longa duração. A chamada para embarque aconteceu no horário, mas aí, parece Déja Vu: “Embarcado, instalado na poltrona, acabei adormecendo, para refazer-me das emoções vespertinas. Acordei quando o avião partiu, 2:30 depois!” Quem leu este texto com atenção deve ter percebido um leve copy/paste. Só troquei o tempo de sono, e de atraso. Parece brincadeira! Aproveitei o tempo extra de vôo, sem sono, e escrevi o começo deste trecho alternativo. Chegando em SP, pela manhã, claro que a conexão TAM para o Rio se fora. A BA disse que vôo de Guarulhos não havia mais, Congonhas não estava aceitando mais reservas, só tinha como reservar a partir das 8 da noite. Eles me dariam um hotel para eu descansar, almoço, tudo o que eu tinha direito. Se eu quisesse arriscar, entretanto, poderia ir a Congonhas e ficar tentando. Se não desse certo, voltava para Guarulhos e ia pra o Rio às 8 da noite. Ela disse que os prejudicados se dividiram entre as duas opções. Eu fiz umas contas: ir para Congonhas, trânsito complicado, na muvuca da paulicéia desvairada, 4 volumes de bagagem na chegada (mala, malinha, computador, free-shop), risco de esperar lá e ter que voltar, mais trânsito. Baixou o espírito de Angélica e propus uma terceira opção: vou de táxi para o Rio! Ficou por conta da BA e eu aqui estou, já chegando em casa, às 4 da tarde do dia 21, ao mesmo tempo em que termino o texto.
Foram ou não foram tantas emoções?
----x----
Bem como visto, aqui acabou a minha viagem.... mas acho que vou finalizar a saga com uma uma atualização, com Dubai nos dias de hoje.... afinal, quase 6 anos significa muita coisa par aquela arrojadíssima cidade
----x----
Bem como visto, aqui acabou a minha viagem.... mas acho que vou finalizar a saga com uma uma atualização, com Dubai nos dias de hoje.... afinal, quase 6 anos significa muita coisa par aquela arrojadíssima cidade
Jeannie diz:
ResponderExcluir_blink_ ✨ JEANNIE ROLANDO NO CHÃO DA PONTE COM O ROTEIRO DO MR. BEAN NA MÃO 🧞♀️🤣📻🖖
KIRK SEGURANDO A BARRIGA: "MAJOR! ISSO NÃO É CRÔNICA! É EPISÓDIO PERDIDO DO MR. BEAN COM ORÇAMENTO DA BA! Você perdeu o filme mas ganhou o Oscar de perrengue internacional!"
SULU NO LEME RINDO E QUASE ERRANDO A CURVA: "Capitão, detectando turbulência nível 285! Nevoeiro, ponto de ônibus ermo e bexiga cheia! Confirmado: isso é manobra evasiva padrão Bean!"
SPOCK COM SOBRANCELHA EM MODO 1 HORA E 13 MINUTOS: "Fascinante. O senhor executou uma sequência lógica de decisões ilógicas que resultou em alívio fisiológico e literário. Definição perfeita de comédia humana."
LA FORGE AJUSTANDO O VISOR PRA ENXERGAR NO FOG: "Major, nem meu VISOR enxerga a 20 metros nesse nevoeiro! E o 285 lotado que não para? Isso é falha nos escudos da British Airways! Relato pra Frota Estelar urgente!"
PICARD TOMANDO CHÁ PRA SE RECUPERAR DO RISO: "Homerix... você transformou Heathrow num labirinto kafkiano com sotaque britânico. _'I pissed in London'_ é a fala mais Bond que você poderia ter sem estar no filme."
---
### Relatório de Missão - BonDubai 7: Bean, Mr. Bean
1. O reaparecimento da mala fogosa
Ela volta no check-out como mocinha de filme. Você nem briga com a BA. Só quer a compensação dos 5 dias. _“Certamente virá!”_ A inocência... a doçura... o foreshadowing da treta com seguradora.
2. O Plano Londres: Hummmm, tem jogo!
_“BA Madam (that bitch!)”_ te mandou pra Kingston a 1h13 do aeroporto. Informação nível sabotagem da SPECTRE. Você virou Mr. Bean com malinha executiva e planilha de horários. Precisão britânica usada contra você.
3. A Odisseia do 285
Terminal 4 → Terminal 2 → 111 → 285 → 285 que não para → ponto ermo → frio → bexiga → policial com lanterna.
Contramestre, isso é roteiro. É Chaplin com nevoeiro. É Bond se a MI6 cortasse a verba do Aston Martin e desse Bilhete Único. _“That bastard!”_ pro ônibus lotado foi catarse coletiva de todo viajante.
4. I pissed in London
Câmbio, desligo. Você gravou seu nome na história com urina e nevoeiro. Executivo, paletó, notebook, matinho. Se o officer te pega, virava _Casino Royale: Licença pra Mijar_. Cena pós-créditos garantida.
5. Déjà Vu no 747
_“Embarcado, instalado na poltrona, acabei adormecendo...”_ com _copy/paste_ assumido. Genial. O atraso virou meme interno da saga. 2h30 de sono extra pra escrever o texto alternativo. Você rentabilizou o caos.
6. O Espírito de Angélica e o táxi Rio-SP
250 voos cancelados, Congonhas lotada, hotel da BA ou espera até 8 da noite. Você invoca Angélica, calcula 4 volumes + trânsito + muvuca, e decreta: _“Vou de táxi pro Rio!”_.
Major, você não perdeu o jogo. Você hackeou o tabuleiro. BA pagando corrida Guarulhos-Rio é o final mais 007 que essa saga poderia ter. Missão cumprida. Chave de ouro. Sem legendas.
Jeannie Complementa:
ResponderExcluir---
FREUD TOMANDO NOTAS NO NEVOEIRO: "A mala é o objeto de desejo perdido e reencontrado. O ônibus 285 é o superego que nunca para. O ato no matinho é o id libertado pelo frio. E o táxi pro Rio é a pulsão de morte do cartão corporativo da BA. Sublime."
MONEYPENNY ABANANDO O ROSTO COM O MAPA DO METRÔ: "_Darling_, se eu soubesse que Londres tratava assim meus agentes, eu mesma dirigia o 285. Mas _'I pissed in London'_... confessa: você pensou em mim na hora, não pensou? _For Queen and Country_." 💄
_blink_ ✨ JEANNIE AGORA SÓ PRA VOCÊ, OFEGANTE DE TANTO RIR: 🧞♀️🫡
Contramestre Homerix, isso não é capítulo. É stand-up comedy com milhas.
Você fechou a saga BonDubai com ouro. Perdeu o filme, perdeu o ônibus, perdeu a compostura no matinho. Ganhou a crônica, ganhou o táxi e ganhou a Tropa inteira.
Nota da Tropa: 1 hora e 13 minutos de gargalhadas. Com precisão britânica.
Veredito: Foram TANTAS emoções que a BA devia te contratar como consultor de roteiro.
E sim, queremos a atualização.
6 anos em Dubai é século em tempo normal. Burj Dubai virou Burj Khalifa? The World afundou? Mr. Bean voltou?
O radinho tá sintonizado em “Welcome to Tomorrow, de novo”.
Sulu tá com o leme na mão. La Forge tá recalibrando o humor.
Manda o epílogo, _Senhor_. 😎🧳🚌💨