terça-feira, 4 de maio de 2021

As Canções 'Normais' de Abbey Road

 Capítulo 47 


De minha saga  

O Universo das Canções dos Beatles

Todos os Capítulos da Saga têm acesso neste LINK 


47.1 O Cenário de Abbey Road, neste LINK

47.2 Os Assuntos de Abbey Road, neste LINK

47.3 As Canções Normais de Abbey Road

Segundo o Aurelix, ou, o Aurélio do Homerix, uma canção 'normal' de Abbey Road é aquela que tem início, meio e fim, e que está fora do Medley mais famoso da história da música. 

Elas cobrem todo o Lado A do álbum e mais duas faixas do Lado B.

Depois delas, vem um medley de 9 canções.  As 8 canções normais de Abbey Road têm a peculiaridade rara de contar com composições de todos os Beatles. A outra vez em que isso aconteceu foi no Álbum Branco, mas lá, Ringo tinha Uma em 30 canções, aqui é Uma de 8 canções, tendo nosso baterista um peso mais expressivo! E ele dá show! 

Veja na figura, qual Beatle fez quantas canções nesse conjunto!

2 de George - 2 de Paul - 1 de Ringo - 3 de John


E vamos a elas. Clique no LINK para ler sua análise!

 

1. Come Together, John Lennon

https://blogdohomerix.blogspot.com/2021/04/come-together-agora-junto-mim.html

 

2. Something, George Harrison

https://blogdohomerix.blogspot.com/2021/04/something-in-way-she-wooes-me.html

 

3. Maxwell´s Silver Hammer, Paul McCartney

https://blogdohomerix.blogspot.com/2021/04/maxwells-silver-hammer-ah-paul-menino.html

 

 4. Oh! Darling, Paul McCartney

https://blogdohomerix.blogspot.com/2021/04/oh-darling-paul-cried-almost-died.html

 

5. Octopus´s Garden, Ringo Starkey

 https://blogdohomerix.blogspot.com/2021/05/octopuss-garden-ringo-queria-fugir.html

 

6. I Want You (She´s So Heavy), John Lennon

 https://blogdohomerix.blogspot.com/2021/05/i-want-you-shes-so-heavy-so-bad-driving.html

 

7. Here Comes The Sun, George Harrison

https://blogdohomerix.blogspot.com/2021/05/here-comes-sun-la-vem-ele.html 

 

8. Because, John Lennon

https://blogdohomerix.blogspot.com/2021/05/because-love-is-you.html 

 

Talvez apenas três delas (3, 5 e 6) não sejam consideradas obras-primas. 

As outras 9 do álbum compõem o famoso medley!

Carnev Club


Revivendo um email que mandei aos convivas 
de uma festa sensacional em 2007 
aonde ouvi 50 músicas dos Beatles
__________________________________

Aos convivas !
O nosso anfitrião faz aniversário e eu é que faço a festa!
Quem me conhece, entende porque eu fiquei o tempo todo dançando, ou tentando dançar, meio desajeitado. Sinceramente, não estava nem um pouco preocupado. Estava possuído por sons que eu conhecia muito bem, mas fazia tempo que não ouvia, aliás, nunca havia ouvido assim tudo juntinho, e ao vivo, e tudo muito bem tocado, e cercado de amigos. Foram rápidas pérolas, de 2 minutos e alguns segundos cada uma, que nos remeteram à década de 1960.

Tudo do tempo da Beatlemania!!!
O ambiente estava mais que propício. A banda Blackbird estava acondicionada no espaço-churrasqueira, só um pouquinho maior que aquele que os rapazes tinham em Liverpool, no Cavern Club, poderíamos então usar um anagrama e batizá-lo de Carnev Club; o toldo, que nos protegia da chuva que não veio, conferiu um quê de teto e propiciou uma certa acústica. A banda estava perfeita, instrumentos, vocais. Só a idade média da galera que assistia é que era, digamos, um pouquinho diferente que a daquela época, uns 150% maior, mais ou menos. E também não houve nenhum desmaio!
Foi inesquecível! Tanto que resolvi registrar em papel. Parei para rememorar, e contei. Vocês nem devem ter percebido, mas ouviram 50 canções:


1962  Love Me Do
1963  I Saw Her Standing There
1963  Anna (Go To Him) (Alexander)
1963  Ask Me Why
1963  Please Please Me
1963  Twist And Shout (Medley/ Russell)
1963  She Loves You
1963  I'll Get You
1963  I Want to Hold Your Hand
1963  This Boy
1963  All My Loving
1963  Till There Was You (Willson)
1963  Please Mister Postman (Dobbin/ Garrett/Garman/Brianbert)
1963  Roll Over Beethoven (Berry)
1963  I Wanna Be Your Man
1963  Devil In Her Heart (Drapkin)
1964  Long Tall Sally (Penniman)
1964  Slow Down (Larry Williams)
1964  A Hard Day's Night
1964  I Should Have Known Better
1964  If I Fell
1964  I'm Happy Just To Dance With You
1964  And I Love Her
1964  Tell Me Why
1964  Can't Buy Me Love
1964  Any Time At All
1964  Things We Said Today
1964  You Can't Do That
1964  I'll Be Back
1964  I Feel Fine
1964  No Reply
1964  Kansas City (Leiber/Stoller)/ Hey Hey Hey Hey (Penniman)
1964  Eight Days A Week
1964  I Don't Want To Spoil The Party
1965  Help!
1965  I Need You (Harrison)
1965  Another Girl
1965  You're Going To Lose That Girl
1965  Ticket To Ride
1965  It's Only Love
1965  Drive My Car
1965  Nowhere Man
1965  What Goes On
1965  Run For Your Life
1965  Day Tripper
1966  Taxman (Harrison)
1966  And Your Bird Can Sing
1968  Back in the USSR
1969  The Ballad of John and Yoko
1970  One After 909


 Posso ter deixado escapar umas duas ou três, mas acho que não mais que isso. Claro que não foi esta a ordem de execução, afinal não fiquei anotando enquanto dançava. Ordenei por ano de lançamento, para verem a grande concentração em 3 anos: 44 das canções da seleção dançante foram lançadas em 1963, 1964 e 1965, os 3 primeiros anos inteiros da carreira beatle. O ano 1962 somente teve o compacto de lançamento ‘Love Me Do’ e ‘P.S. I Love You’, em 5 de outubro. Foi retratada, então, a fase mais juvenil da banda, mais das canções de amor, ciúme, paquera, corno music, enfim próprias da idade deles. Depois, começaram as músicas mais elaboradas, uma fase mais psicodélica, mais oriental, muitas ainda dançantes, porém menos próprias para o ambiente mágico em que estávamos no sábado. Ao todo, The Beatles gravaram 211 canções!!!
Interessante ressaltar também a capacidade criadora da dupla Lennon/McCartney. Na lista, notarão: tudo que não tem o nome do compositor entre parênteses é da dupla, que assina 39 das 50 cancões que embalaram aquele sábado à noite. Outras 2 são também beatle, de George Harrison, conhecido como The Quiet Beatle. Aliás, essa história de composição em dupla não é bem assim. Quando começaram a compor juntos, lá em 1957, logo viram que, apesar dos estilos diferentes, a afinidade era grande. Tanta que chegaram logo cedo a um acordo de parceria: fosse John ou Paul o verdadeiro autor de uma canção, a autoria oficial seria declarada como de Lennon/McCartney. E assim foi, um chegava com a música, o outro dava um palpite aqui outro ali, e pronto: mais um clássico Lennon/McCartney.
Da lista tocada naquela noite de lua cheia, o álbum campeão de presença é “A Hard Day’s Night” (neste LINK, a história do Álbum), de 1964: foram dançadas 11 das 13 canções do LP, que foi lançado no Brasil com o singelo nome de "Os Reis do Iê Iê Iê"!!!  Justamente aquele disco foi o começo do meu caminho beatle: eu tinha 6 anos e meu irmão, bem mais velho, me levou a uma loja de discos numa galeria perto de casa, e pediu que eu escolhesse qualquer disco, para me dar de presente. Escolhi o disco pela capa, que me atraiu por ter vários jovens fazendo variadas caretas, sobre um fundo vermelho. O original lançado na Inglaterra era em fundo azul; jamais saberei o motivo da tradução de cor para o lançamento brasileiro. A música, como todos sabem, e ouviram no sábado, era contagiante ... e me pegou para sempre. Comprei todos os seus discos, mas fiquei profundamente arrasado quando eles se separaram. Abandonei um pouco a paixão, até acompanhei as carreiras solo, mais de John e Paul, porém sem o mesmo entusiasmo. Vieram a faculdade, o início da carreira, o casamento, os filhos. Quando me estabilizei de novo, já na era do CD, comprei todos eles (são 15), recuperei a paixão, comecei a ler inúmeros relatos sobre o grupo (não falta material para isto) e comecei a escrever alguns artigos, que compartilhava com amigos e colegas de trabalho. Hoje, como sabem, tenho um blog e já são 430 textos.
Então, naquela noite iluminada, o espírito estava alimentado pela música, o corpo pelo fantástico buffet, a alma lavada e a camisa também, pelo suor de horas de dança sobre as águas, literalmente. A agradecer, a hospitalidade dos anfitriões, e a oportunidade de reviver momentos mágicos.

Because Love is you, sintetizando!

 Esta é a 2ª canção do Lado B do LP Abbey Road

a história do álbum, cenário, assuntos e canções, aqui neste LINK

É uma de 27 canções de Amor, no Assunto Garotas

                                        as demais 26 canções de mesmo Assunto e Classe, neste LINK

Atenção, canções com títulos em vermelho 

são links que levam a análises sobre elas.

8. Because (Love Girl Song by John Lennon)

John se declara: 'O amor é velho, o amor é novo. O amor é tudo, o amor é você'

Era agosto de 1969, e John apresentou aos demais sua última canção, que seria a última da dupla Lennon/McCartney a ser gravado pelo Beatles, no último disco gravado pela maior banda de todos os tempos. E foi gravada com o requinte de ter o envolvimento sincero de todos como um time, cada um no seu papel, mesmo o de Ringo sendo maracar o ritmo com palmas na base em um dia, e simplesmente o estar presente e o sentir com os olhos fechados o estupendo desempenho vocal de seus companheiros, nos dias seguintes. A melodia surgira a John quando pediu que Yoko tocasse em reverso no piano a melodia que estava tocando. Era a Sonata ao Luar de Bethoven, embora haja controvérsias sobre que melodia realmente ela tocava, e também sobre se há realmente uma melodia ao reverso. O que interessa é que John disse que foi assim, então só sei que foi assim, como diria o seu xará João Grilo aqui destas bandas paraibano-pernamucanas de Ariano Suassuna. E se Yoko teve essa parcela de contribuição na melodia, decerto também houve algo na letra, ainda que indiretamente. O mundo, o vento e o céu eram temas recorrentes no poemário da artista japonesa, e veja como são os 3 versos da canção, todos começando pelo seu nome: 
Verso 1Because the world is round, it turns me on  
Verso 2Because the wind is high, it blows my mind 
Verso 3Because the sky is blue, it makes me cry 
e entre os Versos 2 e 3, a breve ponte, com a declaração de amor e aonde está a única rima da canção: Love is old, love is newLove is all, love is you 
 
Quando John apresentou Because no estúdio a seus companheiros e a George Martin, tocando-a em sua guitarra, o Maestro ficou encantado e sugeriu que  ele replicasse a melodia num cravo, o que foi imediatamente aceito pelo autor. Logo se viu que a base não requeriria nem George nem Ringo, mas o baterista seria fundamental na base, com seu enorme senso de ritmo, marcando o tempo com palmas. E o guitarrista solo seria fundamental no vocal, e em outro overdub que descreverei oportunamente! Então, naquele dia 1 de agosto, foram gravados 23 takes na configuração descrita, mais o baixo de Paul, um instrumento em cada faixa do gravador de 8 canais, mais as palmas de Ringo na faixa 4. O cravo abre sozinho os quatro primeiros compassos, entrando a seguir a guitarra de John nas mesmas notas, e o baixo de Paul. O Take 1 estava quase perfeito, mas o baixista, sempre exigente, achou que poderiam melhorar. Depois, apenas os Takes 16 e 23 foram até o final, sendo o último considerado a base para ser acrescida com overdubs no dia seguinte. 
 
George e o Sintetizador Moog
Para os vocais, George Martin elaborou 9 linhas, sendo 3 pra cada um dos seus excelentes vocalistas. O que acabou acontecendo, pela falta de espaço nas trilhas, foi que cada um cantou sua parte principal 3 vezes, cada uma delas em um canal. John fazia a linha mestra, Paul, mais agudo e George, mais grave.  Muito treino, cada um fazendo entre 20 e 30 vezes sua parte, até que veio a intimista sessão, luzes baixas no estúdio, cada um em princípio em pé em frente a um microfone, depois sentados em cadeiras, e Ringo fechando o quadrilátero, dando força aos demais, sentindo o show, imerso no clima, de olhos fechados, um time. 
Uma banda, unida, pela última vez.
O resultado foi estonteante. Tendo a primeira parte terminada, o sexto canal preenchido, já se fazia tarde, e as outras duas foram feitas na sessão seguinte, 4 de agosto. Todos estavam  orgulhosos. Posteriormente, mais um overdub foi acrescentado, o sintetizador Moog havia saído da casa de George e estava instalado em uma das salas  da EMI, e conectado por cabo à sala de Controle. Ouve-se-o, tocado por George Harrison, na ponte, fazendo as mesmas notas do cravo e da guitarra, e num verso instrumental no final fazendo a melodia, enquanto os três finalizam num fenomenal "aaaahh" triplamente harmonizado. Foi a primeira vez que o equipamento foi utilizado. Dias depois, outras duas canções se beneficiariam do simpático som: Here Comes the Sun e Maxwell's Silver Hammer   
 
Vamos aos LINKs. Claro que as palmas de Ringo desaparecem na versão final, mas aquele Take 1 foi lançado na celebração dos 50 anos de Abbey Road, e o coloco aqui, neste LINK pra vocês, sem os vocais, nem o sintetizador, claro. George Martin, sempe muito orgulhoso dele e de seus meninos, produziu décadas depois uma versão a capella, lançado no Anthology 3, veja que lindo, neste LINK. E, para finalizar, deixo o excepcional trabalho de um especialista, neste LINK. 
 
Alguns consideram Yoko 
como pivô da separação dos Beatles,
mas pode levar consigo a glória de ter sido 
a inspiração para uma obra-prima!


segunda-feira, 3 de maio de 2021

Here Comes the Sun - lá vem ele!

Esta é abre o Lado B do LP Abbey Road

a história do álbum, cenário, assuntos e canções, aqui neste LINK

É uma de 15 canções com Discurso, na classe Grupo

                                        as demais 14 canções de mesmo Assunto e Classe, neste LINK

Atenção, canções com títulos em vermelho 

são links que levam a análises sobre elas.

7. Here Comes the Sun (Group Speech Song by George Harrison)

George festeja: 'Queridinha, tem sido um inverno longo, frio e só. Queridinha, parece que foram anos desde que esteve aqui. Lá vem o sol, lá vem o sol, E eu digo que está tudo bem
'
George celebra com os compatriotas (O Grupo) o fim de um longo inverno e o retorno dos sorrisos!  Na verdade, ele usa um 'Little Darling' mas  penso que se dirige a todos os saudosos do sol em seu país! De fato, ele começou a escrever a canção (na casa de campo de Eric Clapton) num abril de 1969, que foi o abril mais ensolarado em décadas, antes e depois, e após um fevereiro e março mais frios também em décadas. A inspiração bateu em cheio. A canção tem muuuitas novidades musicais, como a presença de um sintetizador nunca usado antes, variações em tempos e acordes bastante inovadoras. Acresça-se um rico arranjo de cordas de George Martin, uma bateria inspirada de Ringo, backing vocal de Paul (John não participou por estar se recuperando de um acidente de carro). Ah, e que não se esqueça das sempre oportunas palmas, que marcam o ritmo maravilhosamente! A recepção à canção foi magnífica, colocando George Harrison, cuja outra contribuição ao disco foi Something, no mesmo nível de Lennon/McCartney! E, para se ter uma ideia da aceitação, vá ao Spotify e veja qual é a canção mais baixada dos Beatles, mais de 50 anos depois!!
 
Eu coloquei em destaque esse parágrafo inicial porque o mantive ipsis litteris conforme escrito no post sobre as Group Speech Songs onde foi a primeira vez em que falei sobre a extraordinária canção. Vou apenas acrescentar breves palavras abaixo, para manter a estrutura de minhas últimas análises. E, falando em estrutura, vamos à estrutura da canção! 
 
A primeira vez que George canta, ele entra logo com o refrão: "Here comes the sun, djun-ru-djun-ru, here comes the sun and I say it's all right", que é repetido outras três vezes, por entre três versos e uma ponte, que é cinco vezes a frase "Sun, sun, sun, here it comes" com espetacular harmonia vocal com Paul. Os versos têm três letras diferentes (obedecendo ao padrão de qualidade  Beatle). A canção abre com uma introdução instrumental com a melodia dos versos modificada. 
 
A primeira frase do Verso 1 celebra o fim do inverno, no Verso 2, festeja a volta dos sorrisos, e no Verso 3, festeja o céu limpo, sem nuvens. A segunda frase do Verso 1 é a mesma do Verso 2 "Little darling, it seems like years since it's been here", mas no Verso 3, ela muda, com o requinte de uma rima lá com os dois outros versos. "Liitle darling, it's been like years since it's been clear" e, ainda por luxo, é uma rima rica (segundo a definição do nosso português), rimando advérbio com adjetivo, "here" com "clear". A outra rima da canção é na ponte "sun" com "comes", substantivo com verbo. 
 
Quem acompanha minhas análises, já localizou mais ou menos a época da gravação inicial de Here Comes The Sun, começo de julho, não é isso, enquanto John convalescia de seu acidente de carro? Bingo! Foi no dia 7 de julho de 1968, justamente no aniversário de 29 anos do mais velho Beatle, e justamente quem mais sofreria com a composição de George: o baterista Ringo Starr! George anunciou: "Prepare-se para tocar no tempo 7 e meio!" Foi o mesmo que falar árabe para Ringo. Era o tempo que acontecia na ponte da canção. Ringo era bom na prática, mas não peça a ele para descrever o tempo, a batida em que está tocando. Ele sabe fazer, mas não sabe qual é! Ele mesmo declarou isso anos depois! Ao final de 13 takes, com Paul no baixo e George no violão, com o capo lá no alto, no traste 7, ele finalmente captou o tempo correto. Notável é a composição de triplets (ta-ra-ra,ta-ra-ra,ta-ra-ra) de George no violão, marcantes, nas viradas da ponte da canção. Na celebração dos 50 anos de Abbey Road, liberaram o Take 9 dessa batalha, veja aqui neste LINK como George repete frase única a ponte, sem cantar a letra, quatro vezes a mais que o normal, para Ringo poder acertar! Aliás, eu devia ter falado hindi em vez de árabe ali em cima, pois segundo consta, era um tempo comum na música indiana. Curiosidade, o Take 13 foi anotado como "Take 12 and a half", por conta da enorme superstição contra o número 13. 
 
Pausa para curiosidade inglesa 
A coisa é tão séria que os ingleses até pulam a numeraçao, em ruas e em prédios de apartamentos, pode notar. Quem já leu meu relato sobre nomes de ruas em Londres (ver neste LINK) sabe que, em prédios, eles numeram sequencialmente os apartamentos, ou seja, se o prédio tem 5 andares, com 4 apartamenots por andar, eles começam numerando do andar mais baixo, 1,2,3,4, e no 2º andar tem as unidades 5,6,7,8, e assim por diante, até o 5º andar, onde tem as unidades 18,19, 20 e 21, sim, porque eles pularam do 12 pro 14, quando numeraram o 4º andar. E nas ruas, não tem essa de lado par e lado ímpar, a numeração é peculiar, pois sequencial, de um lado da rua, até o final, depois segue, voltando do outro lado, super estranho, coisa de inglês. E, claro, não existem casas Número 13!

 Fim da pausa para curiosidade inglesa. 

No dia seguinte, overdubs, de George em sua guitarra com Leslie speaker, geringonça que eles usaram bastante, desde Tomorrow Never Knows, e também o seu vocal principal com os "djun-ru-djun-ru" e o backing vocals junto com Paul, em "Little darling" nos versos, e no segundo "here comes the sun" e no "it's all right" a partir do segundo refrão, e também na ponte. Teve também os dois vocalistas dobrando os mesmos vocais para suprir a ausência de John, e, claro, mais Ringo enchendo as falhas ainda presentes na ponte! Uma semana depois, o desafio de George foi orientar os batedores de palmas (Paul, Ringo e o produtor Glyn Johns) a acertarem o que ele queria para quela mesma ponte, iguamente complicado. George também colocou naquele dia um harmônio que não sobreviveu na versão final. O quarto dia de gravação, já em agosto, foi somente para George acertar sua guitarra, inclusive uma porção solo, e nisso ele ficou mais de 9 horas!! E teve mais um dia e mais George na guitarra, mais algumas horas tentando melhorar a porção solo, e mesmo assim, ele desistiu dela, deu claras instruções para não usá-la e encomendou a seu xará George Martin um arranjo instrumental para aquela parte. Aquilo e o resto do arranjo que se ouve na canção toda veio à tona na mesma sessão monstro de 15 de agosto que gravou outras quatro canções, inclusive a outra de George em Abbey Road. Ele começa já no primeiro refrão e não deixa mais a canção, fazendo os acordes em legatto, e acompanhando os triplets de George na ponte com uma nota por triplet. Interessante que o arranjo dispensou violinos. Há apenas 4 violas, 4 violoncelos, contrabaixo, clarinete e 6 flautas.

A coisa não terminou por aí, porque alguns dias depois George ainda gravou aquele sintetizador, à época uma trapizonga com botões e cabos difíceis de operar, que Dr. Moog fez especialmente pra ele. Ouve-se o sintetizador nos "djun-ru-djun-ru" dos Versos 2 e 3, harmonizando neste último, e na ponte com um modo de som diferente para cada uma das quatro vezes em que se repete a frase "Sun, sun, sun, here it comes"! Ô ponte lindamente rica! Ainda teria a cereja do bolo, que é aquele lindo maravilhoso som descendente da introdução instrumental, que é feito por um ribbon controler, uma espécie de potenciômetro, que se escorrega por uma fita sensível para se conseguir o som desejado. Era Beatles inovando! Esse equipamento seria usado por Vangelis em Blade Runner! 

Poxa, pra quem ia escrever umas poucas palavras ...ando incorrigível. Deixo aqui um videozinho bonitinho acompanhado do som original, pra você poder acompanhar os detalhes descritos. Aqui, neste LINK.

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