Esta é a 4ª Parte das impressões da querida Virginia, enorme Beatlemaníaca, sobre o Documentário Get Back.
Aqui, neste LINK, a 1ª Parte, Contextualização
Aqui, neste LINK, a 2ª Parte, O Let It Be Original
Aqui, neste LINK, a 3ª Parte, Os Piores Momentos
Get Back – Minha visão.
Quarta parte.
Listar os melhores momentos de “Get Back “ é impossível. Teria de escrever praticamente sobre todas as cenas. Cito algumas porque são deliciosas, ou comoventes, ou porque trazem informações importantes.
1- George achando Paul lindo de barba. Ah, vão dizer que ele não falou assim. Disse apenas que pegou bem para ele. Paul chega barbado, George olha para ele com aquele olhar de George (penetrante) e diz que “ você ficou muito bem de barba...” Juro que ele queria dizer que Paul estava lindo. E estava mesmo.
2- Paul compondo “Get Back”. Essa cena está na lista de todos que fizeram vídeos sobre o filme porque é realmente extraordinária. Tipo da cena que não dá para descrever. É preciso ser vista. Ele começa a tocaro qualquer coisa no improviso, vai tocando tranquilamente e de repente... olha a canção Get Back nascendo!
3- Paul cantando “Strawberry Fields Forever”. Também precisa ser vista. Confesso estar na dúvida se vi no filme ou nos vídeos que sempre encontro no You tube. E como sou de entrar numas, já fico pensando que seria Paul deixando John entender o tanto que dele gostava, o tanto que apreciava compor com ele, o tanto que amava participar de suas músicas. Lamentava não haver mais tantos momentos mágicos como quando surgiu Strawberry Fields Forever, pois Yoko impedia que tudo fluísse como antes. Sou eu viajando, viu? Mas Paul, em outra parte, revela estar com dificuldades para compor com John. Yoko cortava o barato.
4- John apresentando (de brincadeira) a banda The Bottles. Coisa só para mim. Tenho dois bonequinhos, e dois cachorrinhos de feltro que vivem no meu quarto na minha cama...e eu brinco que são músicos da banda The Bottles. John ter usado o mesmo nome que eu escolhi para meus bonecos fez bem para minha alma.
5- Ah...essa é muito mesmo. E ninguém jamais comenta sobre ela. São duas cenas, uma seguida da outra. A primeira é Paul ao piano, sozinho. Estão mudando de estúdio. Ali, presentes, só as pessoas fazendo a mudança. Paul tocando “ Oh Darling”. Por algum motivo resolve aparecer no estúdio quando não estava havendo ensaio algum... E lá está ele falando Darling perfeitamente bem. Uai, e não era para falar corretamente? Na gravação do disco não saiu assim. Ele fala corretamente apenas uma vez. Na primeira é algo parecendo jolly. Na segunda também é por aí. No meio da música ele fala certo ao gritar...”believe me Darling”. Volta para a música e ... Darling vira Johnny. E na quinta vez? Oh, Johnny de novo. Não me digam que nunca notaram. Alguns fãs ficam irritados comigo... Já me disseram que é problema do meu ouvido. E que aquele é o jeito dele falar. Ah, é? Então por que grita Darling corretamente? E agora no “Get Back” ele fala Oh, Darling...direitinho quase todas as vezes. Lá na terceira ou quarta repetição volta a esquecer como se fala Darling. O que fala? John!
E vem a próxima cena. Os Beatles já ensaiando no estúdio da Apple. Todos tocando “Oh, Darling”. Assim que Paul canta “believe me when I tell you” ( acredite quando eu te digo...”) John querido responde: “I do!”. (Eu acredito). Pois é, John sabia que Paul cantava para ele. Só os fãs que se recusam a aceitar.
6- Agora, a principal. Começa mostrando manchetes de jornais. Como liam jornais, nossa...Sabiam de tudo. Até consta da letra de “A Day in the Life” que “I read the news today, oh boy”. (li a notícia hoje). Na sequência sobre a qual estou falando, o jornal informa sobre aquelas pessoas loucas contra os imigrantes. Paul se inspira. Começa a inventar uma música onde alguém protesta falando diretamente com a Commonwealth. John responde...”Yes”. O Yes mais engraçado do mundo! Paul prende o riso e continua. E John segue respondendo "Yes”, como se ele fosse a Commonwealth. No meio da música, John sugere a troca de uma expressão usada por Paul para 'much too common'. Sem parar de tocar. Paul aceita na hora. Retorna para o início e na repetição já canta ‘much too common to me.”
É a chance de ver o modus operandi de Lennon/McCartney. Naquele momento os dois estavam totalmente ligados, a química funcionando a todo vapor... Até hoje, há fãs que ainda não perceberam que era assim que trabalhavam! Não duvido que acreditem ser aquela uma música de Paul jamais gravada. Só dele. Mas era de Lennon/McCartney! Bem como podemos ler na tela. Sem o Yes de John e a troca sugerida e aceita por Paul, não teria o mesmo sabor. Eles se ouviam, se respeitavam, se admiravam, davam sugestões...aceitavam as sugestões e assim nascia “mais um original Lennon/McCartney”. Sempre disseram isso, sempre soube disso, mas agora tive a felicidade de ver acontecendo. Fico torcendo para que outros fãs tenham notado porque é a parte mais importante de todo o documentário onde esclarecem de uma vez por todas como funcionava a mais bela e importante parceria musical de todos os tempos. (Não deixo por menos).
7- A participação de Billy Preston. Paul chega a dizer em tom de brincadeira que ele seria o quinto Beatle. Soube que veio de George a ideia de convidá-lo. Obrigada, George.
8- A presença de Peter Sellers. Gostei dele ali...amigão de Ringo. Fariam juntos um filme em breve.
9- Quando conversam sobre a decisão de jogar o documentário no telão. Seria para a TV e mudam de ideia. Paul se preocupa. Acha que perderia a qualidade. Foi dito que não. Mas Paul tinha razão. Comentei na segunda parte sobre minha surpresa ao ver a imagem do filme toda granulada. Agora já sei o motivo. Com a nova tecnologia a imagem é simplesmente perfeita.
10- Quando ficamos sabendo mais a respeito do “infamous” Magic Alex. Tinha ficado por conta dele aprontar o novo estúdio. Mas tiveram de refazer tudo devido à baixíssima qualidade. Ainda escreverei uma tese sobre os invasores, como Cynthia dizia. Os infiltrados. Começaram a chegar aos montes logo depois do falecimento de Brian Epstein. Minha tese é que Epstein era uma espécie de anjo da guarda. Sem ele, ficaram desprotegidos. Foram muitos os que conseguiram entrar no mundo Beatle, pois abriram as portas para pessoas indignas. Céus, até os Anjos do Inferno arrancharam dentro da Apple por dias e dias. George fez o convite! E veio Peter Brown, e veio a dupla The Fool (soube que deram o cano na tal boutique, mas não tenho certeza), e veio Phil Spector (condenado por assassinato pouco tempo depois), Allan Klein...chega. Só mais um, que apenas passou por lá deixando fitas de suas composições. Era amigo dos Beach Boys. Estou me referindo ao psicopata que matou sete ou oito pessoas em agosto de 1969. Prefiro não falar seu nome.
O Magic Alex felizmente não era assassino. Era só vigarista.
Que diferença entre eles e aqueles que conheceram no início do sucesso. Pessoas como George Martin. Mal Evans, Neil Aspinall, Derek Taylor. ..
11- O Show no telhado. Mas os comentários ficam para a última parte. Agora, vejam o vídeo deles espalhando as mais altas vibrações do mundo improvisando “Commonwealth”.
Não estou achando a última parte. Mas sei que está por aqui. Onde?
ResponderExcluirCapricho, detalhes , fidelidade aos fatos.
ResponderExcluirMuito bom
Roberto Bazolli
Obrigada, Bazolli. Um abraço.
ResponderExcluirMuito interessante conhecer mais detalhes do documentário _Get Back_, dos Beatles. E saber que a canção brotou espontaneamente, ao final de descontraídas improvisações do genial Paul. É preciso ler, para se encantar com o clima da gravação. E o brinde final de _Commonwealth_.
ResponderExcluirVera Mussi
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ResponderExcluirLindo ver e sentir o amor entre John e Paul, Paul e John, simplesmente imensurável, Yoko sabia que nenhuma mulher conseguiria interromper ou ser maior que eles, e isso a fez sentir cada vez mais ciúme, rancor , e arrisco dizer desejo de destruição, pois ela se sentir menor diante dos dois , uma pessoa que julgo dizer personalidade narcisista jamais poderia admitir tamanho elo
ResponderExcluirSe fosse na atualidade , eles poderiam até ser um casal , embora acho que nunca passou nem na cabeça do Paul ou do John
Sim, eles faziam muita mágica no improviso, espontaneidade, que prefiro crer que era devido a genialidade de ambos
Ivone Maia
Impressiona a riqueza de detalhes e interpretações da cronista, se assemelham a um documentário onde existe a narrativa do evento e ao mesmo tempo a análise crítica. Virgínia é tão convincente ao expressar suas impressões, julgamentos e emoções que parece que estava no set de gravação e inserida na história dos Beatles desde o início. O que dizer sobre o deslumbramento encantador desse depoimento senão agradecer que pessoas criativas tenham esse dom de ofertar histórias poéticas sobre os Beatles.
ResponderExcluirParabéns Virgínia.
Laury