-

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

The Powerful Three

Em meu texto sobre a noite do Oscar, eu dei o destaque possível ao discurso de Joaquin Phoenix ao receber o Oscar de Melhor Ator por seu inesquecível desempenho como O Coringa. Apesar de eu passar sobre o principal tema do discurso, eu me centrei no desprezo que emissoras deram a ele, centrando-se em coisas menos importantes. Eu disse:
Incrível que foram, sei lá, uns quatro minutos defendendo as causas que abraça, 'giving voice to the voiceless', e os jornais destacam apenas o final em que ele admite que antes era um canalha, difícil de conviver, mas que muitos da platéia lhe deram uma segunda chance
Resultado de imagem para phoenix full speech transcriptionHoje, eu fui buscar mais informações sobre o discurso, para relembrar detalhes e tempos e estilo, e confirmei que logo após uma introdução em que homenageia seus 'fellow nominees', dizendo-se não ser mais do que ninguém naquele recinto, e sentindo-se abençoado por fazer o que faz, e por isso, poder dar voz a quem não tem, ele disparou, por três minutos inteiros, desprezados no resumo dos noticiários tupiniquins, a falar sobre todas as minorias, de todos os tipos, e deu um exemplo tocante, que Renata já havia me alertado, sobre a principal bandeira que ele defende, mais que vegetariano, vegano que é, combatendo os maus tratos a animais, uma bandeira que alguns grandes nomes mundiais abraçam, como o maior astro em meio-século Paul McCartney, o brilhante autor de Sapiens - Yuval Noah Harari, e muitos de seus colegas atores, representados ali no auditório por Brad Pitt, além de nomes de todo o stardom e tão surpreendentes como Bill Clinton e Mike Tyson. Depois, ele emenda numa autoflagelação sobre como ele era, agradece  a quem lhe deu uma segunda chance, clama por uma atuação mais humana da ... humanidade, e finaliza com um verso de chorar, feito por seu irmão River, também ator, que morreu jovem, numa tragédia familiar. E tudo falado no tom, no ritmo, na emoção certos, precisos, perfeitos!! Difícil encontrar um discurso mais emocionante, talvez se for buscar em um Kennedy... um Luther King... ou um Lincoln, talvez se encontre!

Mas não vim aqui para fazer proselitismo e vender essa idéia que meus filhos começam a abraçar, e que cresce muuuito pelo mundo, e, sim, centrei-me no discurso em si, deixei o conteúdo e fui em busca da forma, para ressaltar a técnica cativante, forte, tocante que Phoenix usou, clara, proposital e perfeitamente, para marcar, impressionar, eternizar sua mensagem. Percebi ali, na hora, ao vivo, de imediato, ao ver, ouvir, sentir  seu discurso

Trata-se de....
The Powerful Three
A coisa vem lá do latim omne trium perfectum” que significa que "tudo o que vem em 3 é perfeito!". Pense bem, por que os mosqueteiros, os porquinhos, os patetas, e os sobrinhos do Tio Patinhas, os Reis Magos, e até as Pirâmides do Egito são 3? E a Liberdade, Igualdade, Fraternidade? E os 3 Poderes? E os 3 desejos do gênio? Por que os Tenores eram 3, em Tríplice Aliança? O que há além da Tríplice Fronteira? E onde foram parar as 3 Marias, senão no céu, junto à Santíssima ... Trindade, claro!

Ouvi falar da técnica há 20 anos, quando Renata me contou sobre ela, pois cursava uma matéria eletiva chamada Speech, no highschool. Depois a percebi em vários discursos e textos. O poderoso 3 é uma regra fundamental de discurso que todos devem aprender, praticar, aperfeiçoar, de forma a expressar seus conceitos de forma completa, enfatizar seus pontos, e aumentar o poder de cola de sua mensagem, de forma que ela grude na mente do ouvinte. Ela consiste em dar dar ênfase a uma idéia, colocando no mínimo mais dois termos de mesma classe para enfatizar, sejam adjetivos, advérbios, verbos, substantivos. Elas podem ser apenas sinônimos, o efeito já é garantido, mas é melhor quando a palavra seguinte vai aumentando a força em relação à anterior. Como dizem os americanos...


That's the truth, the whole truth, and nothing but the truth.


Engraçado que eu procurei, fuçei, cavoquei na rede alguma referência a essa técnica em português, mas talvez eu não tenha sido capaz, firme, insistente o suficiente nessa busca! Só as encontrei em inglês.

Agora ouçam o discurso de Joaquin Phoenix e identifiquem quando ele usou, intencional, clara e deliberadamente essa técnica!!! E foram CINCO as vezes que ele usou a ferramenta, em palavras ou em expressões, em adjetivos ou verbos, usando apenas os 3 regulamentares ou ampliando a 4 termos, se não contar algumas outras disfarçadas ou espaçadas.

https://www.youtube.com/watch?v=WVPw0UrjLuo



Que tal?

Vamos lá?

  1. ... one has the right to dominate, control and use and exploit another...
  2. ... human beings are so inventive and creative and ingenious...
  3. ... we can create, develop and implement systems... (*)
  4. I have been a scoundrel in my life. I've been selfish. I've been cruel sometimes ... I've been hard to work with ...
  5. ... but when we help each other to grow, when we educate each other, when we guide each other toward redemption!
(*) Alguns dirão não se encaixar,
porque são ações diferentes,
mas penso que sim,
ele está dando ênfase
a um projeto como um todo,
em todas as suas fases!
Que tal?

Deixarei aqui embaixo a transcrição íntegra, una, completa desse discurso notável, marcante, inesquecível desse prócere, desse astro, desse luminar da Sétima Arte!

"God, I'm full of so much gratitude right now. And I do not feel elevated above any of my fellow nominees or anyone in this room because we share the same love, the love of film. And this form of expression has given me the most extraordinary life. I don't know what I'd be without it. But I think the greatest gift that it's given me, and many of us in this room, is the opportunity to use our voice for the voiceless. 

I've been thinking a lot about some of the distressing issues that we are facing collectively. I think at times we feel, or we're made to feel, that we champion different causes. But for me, I see commonality. I think, whether we're talking about gender inequality or racism or queer rights or indigenous rights or animal rights, we're talking about the fight against injustice. We're talking about the fight against the belief that one nation, one people, one race, one gender or one species has the right to dominate, control and use and exploit another with impunity.
 

I think that we've become very disconnected from the natural world, and many of us, what we're guilty of is an egocentric world view — the belief that we're the center of the universe. We go into the natural world, and we plunder it for its resources. We feel entitled to artificially inseminate a cow, and when she gives birth, we steal her baby, even though her cries of anguish are unmistakable. Then we take her milk that's intended for her calf, and we put it in our coffee and our cereal. And I think we fear the idea of personal change because we think that we have to sacrifice something, to give something up, but human beings, at our best, are so inventive and creative and ingenious. And I think that when we use love and compassion as our guiding principles, we can create, develop and implement systems of change that are beneficial to all sentient beings and to the environment.
 

Now, I have been, I have been a scoundrel in my life. I've been selfish. I've been cruel at times, hard to work with, and I'm grateful that so many of you in this room have given me a second chance. And I think that's when we're at our best, when we support each other, not when we cancel each other out for past mistakes, but when we help each other to grow, when we educate each other, when we guide each other toward redemption. That is the best of humanity.
 

When he was 17, my brother wrote this lyric. He said, 'Run to the rescue with love, and peace will follow.'"











Nenhum comentário:

Postar um comentário