segunda-feira, 29 de junho de 2026

Engenheiro metido a besta


Hoje 29/06, celebra-se mais um Dia do Engenheiro de Petróleo.
Algum tempo atrás um amigo reclamou que eu não celebrava
nem o Dia do Engenheiro em 10/12
um blogueiro engenheiro teria que registrar....
Falha nossa!!!
Pensei rapidamente no assunto
e lembrei que um belo motivo para 
eu ter inconscientemente esquecido da data
pode ser minha sina de exemplo de desvio de função visceral.
Escrevi sobre isso, e agora atualizo!
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Sou um Engenheiro Civil que nunca projetou ou construiu nenhuma casa, prédio, ponte, estrada ou barragem, afinal, 4 dias depois de me formar, soube que iria me tornar Engenheiro de Petróleo. Cronologia? Formei-me em 31/12/1980 e recebi, no dia 4/1/1981 o telegrama dizendo que havia passado no concurso da Petrobras, e que seria admitido (caso passasse nos testes psicológicos) para o curso de Engenharia de Petróleo. 

E veio o 1º Desvio, D1, pois varreu-se-me da memória qualquer vestígio de vigas, pilares, e lajes durante aquele mês, e entrei na Petrobras em 5/2/1981, onde fiquei até 2016, nessa nova modalidade da engenharia! 

Depois, exerci a profissão por mais um ano no IBP - Instituto Brasileiro de Petróleo, e em 2018 achava que tinha parado mesmo, dediquei meu tempo a escrever sobre Beatles! Só que voltei... vejam  lá no fim...

Mas.... voltemos a 1981, minha abdicação, para sempre, do direito de construir... pra cima!

Era um mundo totalmente diferente ...
Éramos 200 engenheiros na ensolarada Salvador, que embarcariam num novo mundo, uma nova língua, um verdadeiro dialeto, e acabou-se logo no primeiro dia uma ideia que o povo ainda tem: que o petróleo então dormia em lagos no fundo da terra. Essa nova engenharia era inversa da que eu havia aprendido, ela construía para baixo, e era uma obra de um, dois, sete, dez quilômetros lá para o fundo, para trazer o óleo à luz do sol.

Foi um ano de especialização e então haveria a distribuição pelo país. Fiquei no 1º 'sextil' (nem sei se existe isso ... bem fui o 17º entre os 100)) melhor e consegui vir para o Rio, fui cedido à Braspetro, subsidiária que cuidava dos negócios internacionais, que era a opção mais próxima que podia da minha querida cidade de Santos.

D2. Mas o desvio não parou por aí.... afinal, 6 anos depois de formado em Engenharia de Petróleo, foi a vez de abandonar poços, revestimentos, árvores de natal (secas ou molhadas), separadores, FPSOs, e virei Analista Econômico de Contratos de Exploração e Produção, onde realmente me encontrei profissionalmente, e virei fera em contratos de todos os tipos, Concessão, Associação, Partilha de Produção, Serviços, de países dos quatro cantos do mundo....

D3. A coisa foi ainda mais adiante quando desviei de vez,  10 anos depois, e virei Gerente Financeiro de nossa subsidiária nos Estados Unidos, e esse foi outro mundo novo, aprendi contabilidade e finanças na marra, em outro idioma, e pra complicar um pouco, os negócios eram não apenas de E&P ("aquela diretoria que fura poço e acha óleo", lembram-se de Severino Cavalcanti?) que era minha praia como engenheiro, mas tinha que controlar as atividades de Trading e Procurement. Foi tenso!!! E, como eu comandava as finanças e contabilidade de uma empresa americana, eu tinha o pomposo título de CFO ... Chief Financial Officer... óia que chique... mas não foi fácil, não.

Na volta, cheguei a ser responsável pela (D4) Comunicação Internacional, mas logo voltei ao Portfolio,  e segui minha estrada por aí, e geri a (D5) Estratégia Internacional até que acharam que a atividade internacional não era mais prioridade.
Claro que, em todos esses movimentos, sempre me vali do raciocínio lógico que desenvolvi na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, e tudo o que consegui começou lá, não posso renegar. Os ventos da vida é levaram meu veleiro a outros portos.

Como eu dissse lá em cima, eu parei em 2018... só que não!!! Uma certa senhora me convidou, em 2022, para um projeto de Modelagem Econômica para um outro país, e estou a trabalhar nisso até hoje, numa atividade que foi aquela em que eu mais fui feliz na época da Petrobras... Mas esse não foi um um D6, um 6º Desvio, foi um retorno às atividades de 30 anos antes.
Isso tudo sem contar que sou mesmo é um
engenheiro metido a besta
que acha que sabe escrever...
e agora até fazer locuções e até mesmo cantar...
e fica incomodando os amigos com suas abobrinhas...

Um abraço

Homero Para Sempre Desviado Ventura

8 comentários:

  1. Homerix, nada de "metido à besta"... Sabes que também sou engenheiro (de 1982) e também contador, e, modéstia à parte, escrevemos um tantinho melhor do que muitos "letristas" por aí...Feliz ou infelizmente...E tenho muito a agradecer a você e à nossa saudosa amiga Leilane (Enga, química e "letrista") por muitas dicas IMPORTANTES do tipo "mim fazer", "meia-chateada" e vai por aí afora...Abçs, Anonymous AC

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  2. É muito interessante e estimulante ver o histórico profissional dos colegas de trabalho com tanta diversidade de atividades. Considero que a mudança é essencial para o desenvolvimento profissional e observo que ela tem ocorrido cada vez mais cedo atualmente. Na minha turma são pouquíssimos casos de pessoas que continuam na mesma atividade desde o início (há quase 9 anos). Acho que não há um tempo mínimo ou máximo, cabe a nós saber o tempo certo.
    Juliana

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  3. Homerix,

    A recíproca do título da sua postagem é mesmo um gerador de grandes problemas, i.e., as bestas metidas a engenheiro, entre outras profissões. O seu CV é exemplar e inspirador, quer pela a origem que certifica o profissional oriundo da Poli-USP, quer pela competência e pela versatilidade. Parabéns.

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  4. Meu abraço e cumprimentos ao engenheiro que pareceu o oposto de besta. Buscou aquilo com que tinha afinidade, aquilo que te deixaria completo ao trabalhar... como todos os sensíveis buscam. E encontrou! E também se encontrou. Parabéns.

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  5. Metido a besta, não! Engenheiro de verdade!
    Só que construindo para baixo.. Hehehe

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  6. Homero você na verdade é um grande engenheiro pois faz tudo e muito bem. É sempre um prazer ler um texto seu ou ouvir suas versões musicais. Viva o Engenheiro dos diversos e importantes trabalhos!! Anlbrs.do Gerson Braune.

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  7. Engenheiro metido a besta, que nada! Você soube aproveitar muito bem as diversas oportunidades que você teve durante a sua carreira profissional. Isso mostra a sua versatilidade, competência, inteligência, coragem, virtude, seriedade, esforço, etc. Parabéns!!!! Armando Barros.

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