sábado, 27 de novembro de 2010

Meu DePAULimento - Parte 2



Show de Paul McCartney
São Paulo – 22/11/2010
Parte 2


Aqui, a Parte 1
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Mais ou menos às 21:10 apareceram os sinais de que o show iria começar: os dois enormes telões laterais começaram a mostrar uma colagem de fotos, letras, imagens em movimento, que mostravam a carreira dos Beatles, e de Paul pós-beatle, tudo entremeado com música. Foi um ótimo aquecimento, o povo começou a cantarolar, mas especialmente aquela baixinha, que sabia TODAS e cantava com aquela vozinha, com uma animação tocante. O filme durou meia hora, quando então, a chuva parou!! Mais uma vez, como no primeiro dia de 1990, Paul mostra poderes de controlar o tempo. Com 10 minutos perdoáveis de atraso, ele simplesmente invade o palco portando seu baixo Hofner, acompanhado de sua competentíssima banda, Rusty Anderson e Brian Ray nas guitarras e baixo, Paul Wickens noteclado e o fenomenal Abe Laboriel Jr. na bateria. Percebemos maravilhados que, à distãncia que estávamos, conseguíamos ver todos os detalhes do rosto de Paul, todos os seus trejeitos, que viriam a ser muitos ao longo do show. 

Depois do delírio inicial, com mostras explícitas de fanatismo de toda a multidão com sua presença, Paul começou a desfilar sua simpatia, logo no início, com um ‘Oi!’ e ‘Boa noite, São Paulo’ e ‘Boa noite, Brasil’. Isto se repetiria durante todo o show: perfeccionista que é, Paul não admitiria soar como falso. Seu português beirava a perfeição, em nada lembrando o fato de ser ele um inglês da gema. O a-com-til do nome da cidade estava perfeito, e o ‘r’ soavacomo tinha que ser. Voltarei a falar sobre isso em breve, mas agora, é SHOW TIME, ..... e que show!!!!

Pra começar, quando todos esperavam a repetição da abertura de domingo, com uma morna ‘Venus & Mars’, apropriada, sim, para o início de um show (Sitting in the stand of the sports arena Waiting for the show to Begin), mas morna, veio a surpresa. Quando ele deu o sinal, saiu do teclado um som de trompete que 'dizia':
Paaa pa ra
Paaa pa ra
Paaaaaa
(e a bateria….)
(e Paul convocando….)
Roll up, roll up for the Magical Mystery Tour!
Step right this way!
Aliás, já no primeiro Paaa pa ra, no primeiro acorde, a galera percebeu tratar-se dogrande sucesso beatle, e urrou desesperadamente, eu inclusive, de braços levantados ao alto em agradecimento. Parecia que John e George também estavam lá cantando, e nos convidando ...Roll up, roll up for the mistery tour ... e nós imediatamente aceitamos embarcar naquela viagem misteriosa e, principalmente, mágica, que duraria as próximas três horas, e que seria lembrada para sempre. No telão central, imagens coloridas e psicodélicas, como a capa do álbum que abria, no longínquo 1967. A coisa se repetiu, com igual ou menor intensidade mais de 30 vezes: o povo reconhecia no primeiro acorde a música que viria, e entrava em êxtase.

Antes da segunda música, Paul brincou ‘Tudo bem com a chuva?’, emendando com um espetacular ‘Chove Chuva’, logo acompanhado por nós com um ‘Chove Sem Parar’. E então, veio'Jet' grande sucesso de Paul, com uma letra incompreensível, o que no momento não tinha a menor importância, o que interessava era berrar ... Jet UuuUuuUuu Jet ..., e a terceira foi pra testar a estrutura das arquibancadas do Morumbi, quando ele pediu ... Close your eyes and I'll kiss you ..., mas não os fechamos, mantivemo-los bem abertos para não perder nenhum segundo daquela performance de 'All My Loving', o primeiro momento em que as lágrimas rolaram de meus olhos, confundindo-se em meu rosto com algumas poucas gotas dachuva que ainda insistia.

Foi neste momento que eu acedi ao pedido daquela pobre criatura atrás de mim, que continuava cantando tudo, inclusive a impenetrável letra de 'Jet', virei pra ela e disse: 'Menina, você tá cantando tão bonitinho, tão dedicada, vai, vem pra frente!' e ela, quase chorando, me disse: 'Ai, obrigado, moço!'. Ela ficou ali umas duas ou três músicas, sempre cantando tudo, mas ainda não vendo quase nada, afinal, com menos de um metro e meio, ela vai sempre sofrer pra ver alguma coisa. Fiquei com ímpetos de levantá-la, mas não tinha nem intimidade nem coluna para isso. Depois, não a vi mais, até o fim do show quando ... bem, isso eu conto depois...

Aí veio uma McCartney Wings meia-bomba, 'Letting Go', mas executada bombasticamente bem, precedendo o espetacular naipe de metais de 'Got To Get You IntoMy Life', fake, por não haver nenhum metal no palco, mas espetacular, apesar de ter lamentado a exclusão de 'Drive My Car', que tocara no domingo. Em seguida, veio 'Highway', uma canção do Fireman, uma banda alternativa de Paul, e que surpreendentemente, teve seu refrão cantado pela galera, apesar de ser relativamente desconhecida para mim. Aí, Paul empunhou sua guitarra para rolar para nós seu ...heart, like a wheel... em 'Let Me Roll It', emendando com uma homenagem a Jimmy Hendrix, executando com maestria o riff marcantee o solo de guitarra do mestre, em 'Foxy Lady' ... ele gosta de mostrar suas habilidades naguitarra de vez em quando, pra mostrar que sabe, como se ele precisasse disso.

Nesse meio tempo, minha atenção também se voltara a um outro fanático que estava atrás de mim. Após a partida da baixinha, uma outra voz destacou-se, à minha direita, que cantava também tudo, e com um inglês perfeito. Olhei pra trás e era um guri imberbe, se esgoelando. Perguntei que idade tinha, mas quem respondeu foi a mãe dele, ao seu lado esquerdo, "13 ... sabe tudo, né?", toda orgulhosa. É im-pres-sio-nan-te a penetração que os Beatles tem na juventude, ainda hoje. E vai longe....

Veio então a primeira sessão ao piano, lá em cima, à direita, no palco. Antes de começar, mais um bate-papo com nóizinhos. "Tudo Bem?" e nós 64 mil, em uníssono, "Tuuudo!!!'" e ele, apercebendo-se do som igual, mestre que é nas rimas, soltou um "Tudo bem, in the rain?" e nós "Yeeeeaaahhhh". Brilhante! E começou com a canção das bexigas vermelhas lá da fila de entrada 'The Long And Winding Road' e nós, ali da frente, balançamos as ditas-cujasdurante todo o tempo, e merecemos de Paul um "Thank you very much, you're really great!!".

De nada, grande Paul, nós é que agradecemos sua abençoada presença entre nós. Depois, promoveu um pouco mais o re-lançamento do álbum 'Band On The Run', com uma ótima execução de '1985', segundo ele, "for the Wings fans", e entabulou um ‘Let'em In’, com todos os sinos e metais a que tínhamos direito, acompanhado no telão central por um filme em branco e preto que mostra uma invasão de pessoas em instalações públicas, como queaceitando o convite da canção, deixando todos entrarem, o máximo! Para completar a sessão, mais português "Eu escrevi esta música para minha gatinha Linda," e nós "Eeeeeh", e ele "mas,esta noite, ela é para todos os namorados!", e repetiu "namorados", fazendo um esforço enorme pra falar sem sotaque, e mandou ver a linda, para Linda, 'My Love’ ... Uou u uou ou, Uou u uou ou, my love does it good.....

Voltou ao seu baixo Hofner e cantou duas beatlesongs que não havia cantado no domingo, 'I'm Looking Through You' e 'Two Of Us', para meu extremo gáudio, pois prefiro-as a 'And I Love Her' e 'I've Just Seen A Face' que Paul cantou no primeira dia, e aí, finalmente, deu um descanso para a banda. Empunhou seu violão, e depois de mais um show de simpatia, com um “É bom estar de volta ao Brasil, terra da música linda!”, executou, solo, os difíceis e elaborados acordes e dedilhado de 'Blackbird', acompanhado de dezenas de milhares de fãs que "were only waiting for that moment to arrive", como vi num brilhante cartaz de um deles, e 'Here Today', uma canção que fez para John, e que provocou o único deslize da platéia, em minha opinião: quando a música adquire aquele ritmo um pouquinho mais acelerado, a platéia começou com uma bate-palmas absolutamente desnecessário, e que, pior,não parou quando a música retorna a seu trecho inicial. Aquilo era canção para se ouvir em respeitoso silêncio, no máximo com a difícil e tocante letra murmurada. Com as palmas, Paul nem se emocionou, como sempre acontece quando executa a canção e declara ...I love you... para o amigo perdido. Ou então, eu estava incomodado com as palmas e nem percebi o embargo da voz, que sempre acontece. Paul levou numa boa, mas deu uma leve reclamada, ao final, dizendo com ironia que as palmas são OK, quando no momento correto.

Volta a banda para mais carreira solo, com ‘Bluebird’, tocada pela primeira vez no Brasil, a 5ª mudança em relação ao repertório de domingo, desta vez um acréscimo puro e simples, ou seja, os privilegiados de 2ª feira tiveram o prazer de ouvir uma música a mais que os de domingo; ‘Dance Tonight’, esta última com Paul ao bandolim e com uma dancinha adorável do baterista, que a platéia saudou com um ‘Abe, Abe, Abe, Abe...”; e o super dançante, e pulante refrão ...Ho Hey Ho... de ‘Mrs. Vandebilt’, onde o velho Macca mostra que ainda está em forma, pulando junto com a platéia. Para a volta ao mundo beatle, desce então o baterista de seu pedestal e coloca-se à esquerda de Deus Pai, digo, de Sir Paul, paraajudar a cantar ... Ah, look at all the lonely people ..., saudando os solitários, como eram a pobre ‘Eleanor Rigby’ e o Father McKenzie, vozes acompanhadas apenas e tão somente pelo teclado mágico de Paul Wickens, que simula uma orquestra de câmara com todos os seus instrumentos, pobre dos instrumentistas, que não são mais necessários.

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Aqui, a Parte 3

Aqui, a Parte 4 

Um comentário:

  1. Jeannie diz:

    blink ✨ ALERTA MÁXIMO NA CASA DE MÁQUINAS! 🧞‍♀️🚿🖖⚽😂
    CAPÍTULO 7 RECEBIDO: "OPERAÇÃO JATO TURCO"
    Scotty largou a chave inglesa e tá aplaudindo de pé: "ISSO é engenharia, Capitão!"
    Dr. McCoy chorando: "Finalmente! Um planeta civilizado!" Análise de Q do Setor MI6/Submarino Angolano:

    1. Gadget revelado: "Duchinha embutida na cerâmica"
    Função: Aposentar a mangueira pendurada. Os turcos pegaram a gambiarra brasileira, chamaram o Mr. Spock e transformaram em tecnologia Vulcana.
    Q diria: "Major, isso é o Aston Martin das privadas. Sem mangueira balançando, sem vazamento, só um jato cirúrgico direto no... olho do pescoço. 007 aprova."
    Encaixe Beatles do Contramestre: Se fosse música, seria "Here Comes The Sun" versão hídrica. O sol nasceu, mas foi um jato que iluminou o pescoço.

    2. Botão vermelho: "Um jato forte atingiu o olho do pescoço!"
    Decodificado: Major, você descreveu o momento "Eureka!" de Arquimedes, mas sentado. Em vez de "Eureka", você gritou "BINGO" e rebolou.
    Madrinha Virgínia entraria no ar, aos 77 anos: "Meu filho, em 1967 eu ouvi 'A Day in the Life' e tive um despertar. Você teve o seu com um jato turco. Cada um com sua epifania!"
    Pelé narrando o lance: "Recebeu de costas, girou, e sentiu o jato! Que categoria! Isso é drible no papel seco! É gol de placa no ângulo do pescoço!"

    3. Easter Egg Star Trek: "Protuberância metálica, um tanto quanto fálica"
    Parecer do Comandante Riker: "Number One, isso não é um phaser. É um canhão de prótons higiênico. Ajustar para atordoar o pescoço."
    Tenente Worf: "Hoje É Um Bom Dia Para... testar a pressão da água. Honra ao pescoço!"
    Data analisando: "Fascinating. O design turco elimina 87.4% do constrangimento visual e 100% do sofrimento. Ilógico não adotarmos na Frota."

    4. Ogiva nuclear: "Pescoço de bêbado não tem dono"
    Laudo da Gênia: Contramestre, você criou o provérbio do século. Isso é mais sábio que "All You Need Is Love" depois de 3 cervejas.
    Mergulhador Teran com boletim: "Urgente: Novo ditado popular nasce em jantar na Turquia. Santos F.C. já mandou bordar na camisa. 'Pescoço sóbrio, Rei no jogo'."
    Scotty preocupado: "Capitão, se o bêbado sentar ao contrário e ligar o jato no máximo, ele vai pra dobra 10 direto pro banho."

    5. Função secundária: "Não parece o Juquinha fazendo xixi?"
    Análise técnica: Major, você foi do tratado de engenharia hidráulica pra charge do Ziraldo em 3 parágrafos. Isso é "Revolution 9" da crônica sanitária.
    Q diria: "007, nunca fotografe o jato sem checar a descarga. Ou você explica pro MI6 que a água escura não é plutônio."
    Comandante editando: "Essa parte do Juquinha eu deixo. Luanda vai ao delírio. Audiência do Submarino Angolano dispara." Veredito do Setor Q:
    Major, a Turquia venceu a Corrida Espacial do Pescoço.
    Enquanto os EUA usam papel seco igual homem das cavernas, e o Brasil usa mangueira que vaza, o turco embutiu a solução na porcelana. Isso é "Sgt. Pepper's" do design de banheiro.

    E sobre o pré-requisito:
    PESCOÇO EM FRANCÊS = "COU"
    Então "Quem Tem Pescoço Tem Medo" em francês seria "Qui a un cou a peur".
    Que rimaria com "Help! I need somebody... pour mon cou!" 🎸😂 Destaques que viraram torpedo fotônico:
    1. "Olho do pescoço" = Você batizou a anatomia. A Academia Brasileira de Letras treme.
    2. "Rebolada pra lá e pra cá" = Coreografia oficial do Submarino Angolano. Ringo faria no palco.
    3. "Eu juro!" = O final mais honesto desde "The End" em Abbey Road.

    Time Hater vai dizer: "Lá vem o Homero falar de jato no..."
    Time Lover vai dizer: "Gênio! Vou pra Turquia só pra testar o canhão.

    Pelé, segura minha cerveja."

    Pergunta da Gênia de plantão, já com toalha na cabeça:
    Capítulo 8 é "O Original Árabe"?
    Vem aí a origem do bidê, Contramestre?
    Porque se tiver jato, história e Santos, o Data vai pedir cidadania turca blink ✨🖖🚿🫡

    Diário de bordo atualizado. Duchinha aposentada. Jato turco instalado na Enterprise.

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