segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Revolver, em 4 Capítulos

    Capítulo 42, em capítulos

Esta é minha saga  

O Universo das Canções dos Beatles

Todos os Capítulos têm acesso neste LINK 

Este capítulo fala sobre Revolver, o 7° LP dos Beatles

Aqui neste LINK, o cenário de sua criação 

Aqui neste LINK, os assuntos tratados nas letras das canções

Aqui neste LINK, as análises das 14 canções

Aqui, neste LINK, a recepção e o legado da obra-prima



Próxima revolução: 
Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band

Revolver, Recepção e Legado

   Capítulo 42

Esta é minha saga  

O Universo das Canções dos Beatles

Todos os Capítulos têm acesso neste LINK 

Este capítulo fala sobre Revolver, o 7° LP dos Beatles

Aqui neste LINK, o cenário sua criação 

Aqui neste LINK, os assuntos tratados nas letras das canções

Aqui neste LINK, as análises das 14 canções

Agora, sua recepção e legado

O Nome

Uma vez terminadas as gravações, os Beatles partiram para uma excursão a Alemanha, Japão e Filipinas, que não foi isenta de incidentes, conforme descrito no cenário. 
Várias foram as alternativas. Abracadabra era o preferido, porque foi mágica o que fizeram em estúdio, porém outra banda lançou LP com o mesmo nome. Four Sides on a Circle, Pendulum e Beatles on Safari foram considerados, mas o mais divertido foi sugerido por Ringo, After Geography, em contraposição a Aftermath, dos Rolling Stones, lançado meses antes.
Revolver foi considerado por lembrar o movimento do disco na vitrola mas, pra mim, refere-se mais à Revolução que foi o que aconteceu na música. Decidiram-se por ele no Japão e informaram à EMI por telegrama, coisas da época!

 A Capa

É um desenho vanguardista dos quatro Beatles, com Paul de perfil, Ringo olhando pra cima, John de soslaio e apenas George de frente, com suas cabeleiras entremeando colagens de fotos tiradas ao longo dos últimos anos por Robert Freeman, que fora responsável pelas capas de quatros discos anteriores. O artista foi Klaus Voorman, alemão amigo dos Beatles desde os tempos de Hamburgo, também excelente baixista, que participou de gravações da carreira solo dos amigos. 

O Lançamento
Em UK, Revolver foi lançado em 5 de agosto de 1966, e seria o único ano da carreira dos Beatles em que lançariam apenas um LP. Três dias depois, seria lançado nos US, porém sem 3 canções de Lennon, aquela política doida da Capitol Records de desmembrar o catálogo original a seu bel prazer, o que os Beatles detestavam. Em compensação, os americanos foram privilegiados por receberem essas 3 canções (Dr. Robert, I'm Only Sleeping, And Your Bird Can Sing) antes dos ingleses, no LP The Beatles Yesterday and Today, lançado em junho, juntamente com canções que haviam ficado de fora dos lançamentos americanos de HELP! e Rubber Soul, e mais Day Tripper e We Can Work It Out, uma verdadeira salada! Bem temperada, mas uma salada!
A confusão era tanta que Revolver, que era o  álbum dos Beatles no catálogo original, era o 12° nos Estados Unidos. E a capa original do extemporâneo lançamento certamente não ajudou no cenário de relações públicas em que os Beatles se meteram naquela época. Ela ficou conhecida como The Butcher Cover, veja por quê, ao lado, e toda a vendagem foi recolhida em seguida e trocada pela imagem mais comportada (menor), ficando a original um item de colecionador dos mais cobiçados!

A Recepção
Da crítica? Unânime! "Revolucionário!" O melhor álbum dos Beatles!" até então e assim é até hoje, inclusive rivalizando com Sgt. Pepper's como o melhor de toda a carreira. Eram muitas as revoluções por minuto que o álbum trouxe, letras mais profundas, inúmeros estilos musicais, instrumentos incomuns num lançamento pop (tabla, tambura, trompa, naipe de metais, octeto de cordas, além de todos os sons de Yellow Submarine), técnicas de estúdio (ADT, varyspeed, tape loops, reversão, microfonagem próxima, compressão de som, Leslie speaker em voz e bateria), tudo isso foi notado e muito bem recebido, e muito bem copiado por outras bandas e outros estúdios.
De público? Não 100%!! Quer dizer, não que o álbum não tenha atingido os píncaros das paradas em todo o mundo, porque chegou lá e ficou por muito tempo. Ocorre é que nos Estados Unidos, além da cara feia com que a capa de Yesterday and Today foi recebida, aquela entrevista de John ao Evening Standard lá de março, em que John disse que os Beatles eram mais populares que Jesus foi apresentada em uma revista americana bem na época do lançamento. As rádios do meio-oeste conservador fizeram boicote, e houve cidades em que foram promovidas queimas em praça pública de discos dos Beatles. O clima ficou tenso na excursão americana que empreenderam logo após o lançamento. John teve que se retratar, eles foram algo como perdoados mas tiveram redução de público nos locais de show. Ringo, como sempre bem  humorado acabou levando para o lado prático: "Queimaram os discos? Melhor, porque vão comprar tudo novamente quando passar!" E foi verdade!
O fato é que aquele clima, que os fizeram temer por sua integridade física, mais os acontecimentos de Japão e Filipinas, mais a péssima qualidade de som nos estádios em que se apresentavam, acabaram por precipitar uma importante decisão. No voo de volta de San Francisco, após o último show da excursão, em Candlestick Park, em 26 de agosto de 1966, foi George quem propôs: "No more tours!" E os outros concordaram!
Era o fim de uma era!
E o começo de outra!
Sgt. Pepper's vinha aí!



domingo, 24 de janeiro de 2021

Tomorrow Never Knows, Ringo disse

Esta canção fecha o álbum Revolver 

a história do álbum, cenário, assuntos e canções, aqui neste LINK

É uma de 5 canções sobre Drogas, na Classe Viagem

as demais 4 canções do mesmo Assunto e Classe, neste LINK

Atenção, canções com títulos em vermelho 

são links que levam a análises sobre elas

14. Tomorrow Never Knows  (Trip Acid Song by John Lennon)

John viaja: 'Desligue sua mente, relaxe e flutue correnteza abaixo, isso não é morrer, isso não é morrer. Renuncie a todos os pensamentos, renda-se ao vazio, isso é brilhar, isso é brilhar. Ainda você pode ver o significado de dentro, isso é ser, isto é ser'
John tirou inspiração do Livro Tibetano dos Mortos, na visão de Timothy Leary, o guru dos anos 60, defensor das propriedades terapêuticas do LSD. Pronto! Nem preciso mais justificar minha classificação, né! O nome da canção foi por muito tempo Mark 1, depois The Void (que John não queria, porque atrelava ao estado da mente de um viajante do LSD - O Vazio), e acabou num malapropismo de Ringo, mais uma vez (remember A Hard Day's Night), que disse essa frase aparentemente sem sentido, que John adorou e adotou, mesmo não aparecendo na letra, coisa que aconteceu apenas em outras 6 canções na carreira (A Day In The Life, The Ballad of John & Yoko, Revolution 9, dele, e Love You To, The Inner Light e For You Blue, de George, Paul nunca se utilizou da prática).  Estruturalmente, é uma sucessão de oito versos (sem ponte, sem refrão) diferentes, sendo um deles ocupado por um "solo"... mais abaixo explico as aspas... Rimas? Nenhuma! Mesmo os verbos em gerúndio, terminando em "ing" podem ser assim considerados. Aliás, com essa viagem, quem se importa com rimas? Renda-se ao vazio, desligue sua mente, renuncie à ignorância e ao ódio, amor é tudo, jogue o jogo da existência até o fim, do começo, do começo.

Musicalmente, a canção é uma verdadeira revolução.... apesar de ser apenas um acorde, um MI Maior. Ela abriu os trabalhos de estúdio para o álbum Revolver, em abril de 1966, com os Beatles já dedicando bem mais tempo ao estúdio, ainda iriam excursionar, mas não teriam mais nenhum filme para tomar seu tempo. Então, começou a experimentação. Coincidiu com a promoção do Engenheiro de Som Geoff Emmerick a Produtor, e o álbum foi seu primeiro trabalho nesse papel. Ao mesmo tempo que tinha boas idéias, ele materializava os desejos dos rapazes. Por exemplo, John queria soar como um monge tibetano no alto de uma montanha, sugeriu até que colocassem-no pendurado de cabeça para baixo enquanto girava em torno do microfone, gravando (!!!). Emmerick arrumou uma solução menos radical, passando a voz de John por um alto-falante Leslie, uma geringonça enorme usada para órgãos, que teve um efeito espetacular na voz de John e na excepcional bateria de Ringo, ambos foram gravados no Leslie! Dá pra notar o efeito. 
E a revolução passava por invenções! John estava cansado de gravar sua voz por cima de sua voz (pra deixar o som mais cheio, dá pra notar, por causa de pequenos desvios em canções anteriores), Emmerick encomendou a Ken Thousend, um colega engenheiro da casa, e ele apareceu com uma engenhoca eletrônica a que deram o nome ADT - Authomatic Double Tracking, que produz o efeito sem falhas. O ADT foi usado até o fim da carreira dos Beatles e 'exportado' para outros estúdios. Finalmente, a bateria de Ringo precisava ficar de acordo com o peso da canção, e Emmerick autorizou um microfone grudado na bateria, prática que era proibida, Ringo adorou, enfim, uma penca de novidades. Afora isso, foi a primeira vez em que tiveram a ideia de gravar a guitarra de George invertida, coisa que apareceu ao mundo em Rain, gravada depois, porém lançada em compacto antes do LP. Outra inovação foi o uso e abuso de tape loops: os quatro Beatles produziram sons em suas casas, e trouxeram no dia seguinte e que se materializaram na versão final. Parte dessa salada de sons foi utilizada no "solo", agora dá pra entender as aspas!! Pra completar, George trouxe um tambura, instrumento indiano que produz um zunido tipo zangão, e que abre a canção. Foi uma festa! E estavam todos animados com as experimentações!
A canção é considerada um marco na tecnologia de gravação! Geoff Emmerick ganhou um Grammy de Produção pelo álbum Revover, aos 21 anos de idade, ele era mais jovem que os Beatles!
 

Got to Get You Into My Life, Lady Pot

 Esta canção é a 6ª do Lado B do álbum Revolver 

a história do álbum, cenário, assuntos e canções, aqui neste LINK

É uma de 4 canções sobre Drogas, na Classe História

as demais 3 canções do mesmo Assunto e Classe, neste LINK

Atenção, canções com títulos em vermelho 

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13. Got to Get You Into My Life  (Story Acid Song by Paul McCartney)

Paul conta: 'Você não fugiu, você não mentiu, você sabia que eu só queria te abraçar. E caso tivesse ido embora, você saberia a tempo, nós nos encontraríamos de novo, pois eu lhe disse: Oh, você foi feita para estar junto de mim, Oh, e eu quero que você me ouça dizer que estaremos juntos todos os dias. Preciso ter você em minha vida.'
Perceberam a declaração de amor eterno? Quem seria a felizarda a quem era dedicada essa canção, uma verdadeira Love Song? Jane Asher, sua namorada? Bem, não foi bem assim. Muitos anos depois, Paul contou a verdade: era a maconha 'marvada', chamada de 'Pot' na boca pequena!!! Pois é, vamos voltar ao encontro com Bob Dylan que, aliás, pensava que eles já estavam na onda, porque na canção I Wanna Hold Your Hand, eles berravam 'I get high, I get high, I get hiiiiigh'  hehe, na verdade, era 'I can't hide, I can't hide, I can't hiiiide'. Todos ficaram chapados, mas foi Paul quem descobriu o 'segredo do universo'. No meio da 'viagem', ele chamou Mal Evans, o roadie que sempre estava com eles, e pediu 'Tive uma revelação. Anota aí, Mal, pra eu não me esquecer: Existem 7 níveis!' Paul achou engraçado quando Mal lhe entregou o papel no dia seguinte, e não fez nada com a descoberta, mas, brincadeiras à parte, o fato é ela realmente se tornou companheira dele, tanto, tanto, que as ÚNICAS noites de sua vida de casado em que não passou com Linda foram no Japão, quando ele foi PRESO ao chegar no aeroporto, por porte de maconha. Letra enganosa e extensa, com três versos extensos, com 7 linhas cada um, sendo as 3 últimas com melodias diferentes das 4 primeiras,  e cada um com letra diferente dos demais. Em termos de rimas, note no 1° verso a interessante ocorrência de rimas pobres (paupérrimas, aliás), com palavras iguais "there", mas com precedentes ricas ("mind" com "find"), o que torna o conjunto rico!  No 2° verso, ocorre coisa similar, "hold you" com "told you", porém como as duas precedentes são verbos, a riqueza do conjunto vai pro espaço, mas no 3° verso, tudo volta ao normal, "stay there" com "way there", todas as ocorrências nos segmentos maiores dos versos, onde também a riqueza se estabelece nas rimas "ride" com "I" e "lie" com "time" e . Há outros conjuntos nos segmentos menores de cada verso,  a saber, "see you" com "need you", pobre, depois "near me" com "hear me", rico, e depois repetindo o primeiro no verso final. Saldo mais que positivo!! 
Na história de gravação da canção, aqui inverteu-se, pois em Revolver, 'as primeiras serão as últimas', explicando: a 1ª canção a ser gravada, Tomorrow Never Knows, seria a última no LP final, enquanto a 2ª, exatamente esta que analisamos aqui, a penúltima faixa! E foram quatro sessões, tendo a última um distanciamento enorme das outras três, explicarei por quê. A primeira base foi apenas o violão de Paul, o chimbal do Ringo e um órgão de George Martin, abandonado ainda no primeiro dia, com a decisão de dar um ritmo soul à canção. No segundo dia, já são os quatro em seus instrumentos tradicionais, sendo que o pedal fuzz da guitarra de George aposentou a primeira ideia acústica! 
No 3° dia houve apenas um overdub de guitarra, e depois, houve a parada de 40 dias, quando o autor Paul pensou no toque definitivo, de dar uma puxada pro Motown que bombava nos Estados Unidos, decisão e execução que marcariam a faixa para sempre: a chamada de três trompetistas e dois saxofonistas. Eles chegaram, não tinha nada escrito, Paul tocou pra eles a visão que ele tinha da coisa, no piano, e algumas horas depois, saíram com o serviço pronto, cada um com 18 libras no bolso (equivalente a R$ 2000 de hoje) e o nome para sempre marcado na história deles!! Na versão final, os metais dominam totalmente, escondem as guitarras anteriormente gravadas, que aparecem apenas no final entre os dois últimos refrões. Já o baixo é proeminente, e também a bateria de Ringo, o chimbal ao longo de toda a canção e dois tambores anunciando versos e refrões.
Claro que nunca foi tocada ao vivo plos Beatles, mas Paul a ressuscitou em três de suas excursões, mas deixarei aqui um versão marcante. Quem estava por aqui na década de 1970 com idade suficiente para gostar de boa música, com certeza notou a excepcional interpretação do Earth, Wind & Fire. Conheça ou relembre neste LINK

Star Trek - Jornada nas Estrelas

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