quinta-feira, 7 de maio de 2026

OUÇA e LEIA - ONE TO ONE NOS CINEMAS - By Cláudio Teran


Todo Domingo é Total, das 7 às 9 da manhã, na Rádio Assunção Cearense!!! 

https://620am.com.br/

É Cláudio Teran quem comanda!!!

Mas todo Sábado é Cabal, pois Cláudio Teran nos conta as Beatles News, no Programa Submarino Angolano da LAC Luanda, às 13 horas BSB, 17 horas LDA!

Hoje, o astro principal é John, totalmente dedicado a John

Clique no Play Verdinho

para ouvir

E leia a seguir!

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ONE TO ONE NOS CINEMAS

 Entra A Hard day's Night com a Orquestra de George Martin

Alô amigos e amigas, Mergulhador Cláudio Teran chegando direto de Fortaleza, Ceará, Nordeste do Brasil, com as novidades do mundo Beatle, represadas.

Represadas, sim, pois muita coisa aconteceu nas últimas duas semanas, e a gente vai contar o que de mais relevante aconteceu. Bora? É hora de mergulhar...

 Entra Power To The People.... pelo público do Madison Square Garden

Meu caro Paulo Seixas, amigos e amigas do Submarino Angolano. Esta participação aqui, no nosso Submarino Angolano, eu estou registrando logo após assistir à histórica exibição do One to One Concert nos cinemas de Fortaleza, Ceará, Nordeste do Brasil. Estávamos juntos, eu, Vladimir Araújo e José Mendonça, amigos de longas datas, que conhecemos esse produto também de longas datas, mas nunca imaginamos que veríamos como vimos no cinema.

Algumas considerações. Imagem e som estupendos, restaurados ao máximo possível da perfeição. 


 Entra New York City - by John Lennon

A lamentar alguns pontos também, coisa que falaremos daqui a pouco.

Mas o que é essa exibição nos cinemas do One to One Concert? É uma mescla dos dois shows, o show da tarde, que é melhor que o show da noite, e o show da noite. Quando começa, as duas primeiras faixas são do show da tarde. Depois vem uma faixa do show da noite.

E essa mescla vai acontecendo ao longo da exibição. 

  Segue New York City - by John Lennon

No final, quando chega na hora de Hound Dog, a gente vê inserts de imagem para a exibição do cover da faixa que ficou famosa na carreira do Elvis Presley. Os inserts de imagem completam os fotogramas quadro a quadro e garantem uma exibição integral da apresentação. Eles optaram pelo show da tarde porque a versão de Hound Dog do show da tarde supera a do show da noite.

 Entra Hound Dog - by John Lennon

Mas tem alguns pontos para chamarmos a atenção. Ver Yoko Ono cantando diante de uma plateia, uma imensa plateia de um Madison Square Garden lotado, faz a gente pensar como Yoko foi à frente de seu tempo. Sim, uma mulher à frente de seu tempo em 1972.

 Entra Born In A Prison- by Yoko Ono

Pois alguém que não é cantora, que vai para o palco com músicos profissionais e com um dos Beatles e pega o microfone e canta, isso, sem dúvida, não deixa de ser desafiador e, ao mesmo tempo, notável. Tem outro ponto nesse aspecto. Tirando o momento em que eles cantam Born In a Prison - e que John Lennon lindamente faz backing vocals com ela no refrão - Yoko cantou sozinha suas músicas Open Your Box; Move On Fast; Don't Worry Yoko...

 Entra We´re All Water - by Yoko Ono

Cantou sozinha, sem nenhum tipo de apoio vocal. No caso da apresentação de Open Your Box, ela chegou a errar o momento de entrar na segunda parte. Errou e a banda continuou tocando. E ela continuou errando, segurando a onda, e não foi ajudada do ponto de vista vocal pelo próprio marido, John Lennon. Até porque não tinha como ele interferir porque aquelas músicas da Yoko Ono provavelmente resumem o âmago do que foi o One to One Concert. 

 Entra Mother - by John Lennon

Para alguém que é neófito nessa história, talvez estivesse esperando um concerto com os grandes sucessos de John Lennon.

Ocorre que o One to One Concert não tinha esse viés. John Lennon não teve, na realidade, uma carreira solo formal. Isso nunca aconteceu na vida dele.

Ou seja, uma carreira solo de lançar o disco, promover o disco, escolher a faixa de trabalho, colocar essa música para tocar no rádio, fazer uma turnê para divulgar o álbum. Isso nunca aconteceu com a carreira do John Lennon marcada na primeira metade dos anos 70 por um ativismo político muito intenso, ativismo esse muito estimulado por Yoko Ono e depois, na segunda parte, quando ele conseguiu o Green Card, passou cinco anos isolado do mundo com a Yoko enquanto o filho, Sean Lennon, crescia. Devemos a Sean Lennon este lançamento nos cinemas, que é uma reverência dele com a sua mãe e com seu pai.

Ver as imagens, observar como aquilo se deu, sem dúvida, é notável. E a gente olhando hoje do alto da maturidade em que estamos, eu, no caso, o próprio Paulo Seixas, eu me lembrei de todos nós. Lembrei dos Beatlemaníacos raiz, como Cláudio Teran, Paulo Seixas, a madrinha Virginia Abreu de Paula e Homero Ventura, o nosso Homerix.

Nós nos debruçamos na nossa maturidade para fazer as observações necessárias de um produto dessa magnitude? Sean Lennon reverenciou os pais ao editar da forma como editou esse concerto. 

 Entra Instant Karma - by John Lennon

A banda, Elephant's Memory, é melhor do que a gente imaginava.

Mas tem alguns músicos fracos, como o baterista, uma figura, digamos assim, meia boca. É por isso que John Lennon trouxe Jim Keltner para fazer a segunda bateria. Tem dois contrabaixos no palco e tem o guitarrista já falecido, Wayne Tex Gabriel, o Lead Guitar, que deu um show à parte ao fazer a sua apresentação. É um grande músico e segura bastante o andamento

 Entra It's So Hard - by John Lennon

Há outros momentos notáveis do show. Não havia roadie, porque quem poderia ter trabalhado para afinar os instrumentos e cuidar da parte técnica seria Mal Evans, o roadie dos Beatles -  que continuou com eles na carreira solo, mas naquele Agosto de 1972 dos One to One Concerts ele não trabalhou.

Portanto, John Lennon passou praticamente o show inteiro com a mesma guitarra, aquela Gibson Les Paul. E só parou de tocá-la porque durante o final de Cold Turkey provavelmente uma das cordas quebrou. Só aí ele trocou de guitarra enquanto Wayne Tex Gabriel levava o andamento na parte final. 

 Entra Cold Turkey - by John Lennon

Para os mais atentos é interessante ver John Lennon empunhando uma guitarra desconhecida, um modelo que por certo nunca tínhamos visto antes. Seguramente foi a primeira e única vez que John usou essa guitarra em público.

 Entra Give Peace a Chance - by John Lennon e todos!

E aí tem o clímax desse grande concerto, desse notável, histórico e ao mesmo tempo inusitado concerto. É o momento em que todos os artistas que participaram vêm para o palco. Stevie Wonder em pé no frontstage assume o lead vocal e canta durante um bom tempo.

A cena do Stevie Wonder cantando em pé no palco ao lado do John Lennon é um desses momentos raros e ao mesmo tempo únicos da história. E a reta final do concerto tem espaço para a ironia também. O discurso final, lido por Yoko Ono, soou como uma provocação à plateia. O manifesto resgata o trecho de uma declaração de 1932 feita por...Adolf Hitler. Hitler começou seu extremismo atiçando nos alemães o “medo do comunismo”, ganhou apoio e se sentiu livre para fazer tudo o que bem entendesse para frear o “inimigo imaginário, inventado”... Não é? Tudo a ver com o Século 21 e os atos extremistas de Donald Trump, Benjamin Netahyahu e todos os que apoiam os crimes deles...

 Entra Superstition- by Stevie Wonder

Entre os defeitos que anotei, penso que a produção deveria ter informado ao menos em textos na abertura, que, antes de John & Yoko o esquenta do One to One Concert teve apresentações de Stevie Wonder, Sha Na Na, Roberta Flack e Melanie Safka. Isso não foi citado nem mostrado nessa nova edição. Quem não conhece bem o contexto ficou boiando ao ver todos aqueles artistas e seus músicos no palco durante Give Peace a Chance.  

 Entra Well Well Well - by John Lennon

Ainda assim, edição de imagens e áudio são o grande ponto deste concerto. A imagem icônica é Lennon com o suor escorrendo, olhos, rosto banhados de suor e cantando ‘Imagine’. Comovente e histórico como toda a história embutida neste resgate cinematográfico.  

Confesso que nunca imaginei ver isso no cinema, o concerto completo como jamais havíamos visto. Mais de 50 anos depois temos os dois concertos em áudio agora, e uma versão quase definitiva em vídeo. Quase, por duas razões: a primeira é que foi necessário utilizar inserts de imagem dos dois concertos para compor essa nova edição. É o que foi possível fazer considerando alguns defeitos insanáveis das fitas master. Ainda assim uma edição muito bem feita.

 Entra Woman Is The Nigger Os The World - by John Lennon

A outra razão é que dá uma tristeza não ver ‘Woman is the Nigger of the World’ e ‘Sisters O Sisters’, retiradas pela imposição do politicamente correto. Por outro lado acredito que seja muito mais desafiadora a manutenção sem cortes do manifesto irônico de Yoko contra a tirania. Quem imaginaria a atualidade daquele manifesto, mais de meio século depois, ante os atos insanos de covardia sem limites contra a população civil? Quem foi ao Madison Square Garden naquele agosto de 1972 entendeu a mensagem pacifista de John & Yoko...

Nossa participação no submarino angolano se resume a esse momento da história. Um momento de ver John Lennon ao vivo no palco, na única vez em que ele realizou um concerto. Dois shows de ativismo social no mesmo dia. Um à tarde e outro à noite.

O que eu recomendo para os ouvintes do submarino angolano?

Corra, aproveite o final de semana e vá aos cinemas. Assista One to One Concert, curta o som e as imagens em alta definição na tela grande. Senhoras e senhores que nos acompanham nas ondas do Submarino Angolano, One to One Concert fica em cartaz até 5 de Maio...

 Entra Imagine - by John Lennon

 

 


Um comentário:

  1. Parabéns Mergulhador Cláudio Teran pela sua excelente resenha. Armando Barros

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