É Cláudio Teran quem comanda!!!
Mas todo Sábado é Cabal, pois Cláudio Teran nos conta as Beatles News, no Programa Submarino Angolano da LAC Luanda, às 13 horas BSB, 17 horas LDA!
Hoje, o astro principal é John, totalmente dedicado a John
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E leia a seguir!
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ONE TO ONE NOS CINEMAS
Entra A Hard day's Night com a Orquestra de George Martin
Alô amigos e amigas, Mergulhador Cláudio Teran chegando direto de Fortaleza, Ceará, Nordeste do Brasil, com as novidades do mundo Beatle, represadas.
Represadas, sim, pois muita coisa aconteceu nas últimas duas semanas, e a gente vai contar o que de mais relevante aconteceu. Bora? É hora de mergulhar...
Meu caro Paulo Seixas, amigos e amigas do Submarino Angolano. Esta participação aqui, no nosso Submarino Angolano, eu estou registrando logo após assistir à histórica exibição do One to One Concert nos cinemas de Fortaleza, Ceará, Nordeste do Brasil. Estávamos juntos, eu, Vladimir Araújo e José Mendonça, amigos de longas datas, que conhecemos esse produto também de longas datas, mas nunca imaginamos que veríamos como vimos no cinema.
Algumas considerações. Imagem e som estupendos, restaurados ao máximo possível da perfeição.
Entra New York City - by John Lennon
A lamentar alguns pontos também, coisa que falaremos daqui a pouco.
Mas o que é essa exibição nos cinemas do One to One Concert? É uma mescla dos dois shows, o show da tarde, que é melhor que o show da noite, e o show da noite. Quando começa, as duas primeiras faixas são do show da tarde. Depois vem uma faixa do show da noite.
E essa mescla vai acontecendo ao longo da exibição.
No final, quando chega na hora de Hound
Dog, a gente vê inserts de imagem para a exibição do cover da faixa que ficou
famosa na carreira do Elvis Presley. Os inserts de imagem completam os fotogramas
quadro a quadro e garantem uma exibição integral da apresentação. Eles optaram
pelo show da tarde porque a versão de Hound Dog do show da tarde supera a do
show da noite.
Mas tem
alguns pontos para chamarmos a atenção. Ver Yoko Ono cantando diante de uma
plateia, uma imensa plateia de um Madison Square Garden lotado, faz a gente
pensar como Yoko foi à frente de seu tempo. Sim, uma mulher à frente de seu
tempo em 1972.
Pois alguém
que não é cantora, que vai para o palco com músicos profissionais e com um dos
Beatles e pega o microfone e canta, isso, sem dúvida, não deixa de ser
desafiador e, ao mesmo tempo, notável. Tem outro ponto nesse aspecto. Tirando o
momento em que eles cantam Born In a Prison - e que John Lennon lindamente faz
backing vocals com ela no refrão - Yoko cantou sozinha suas músicas Open Your
Box; Move On Fast; Don't Worry Yoko...
Cantou
sozinha, sem nenhum tipo de apoio vocal. No caso da apresentação de Open Your
Box, ela chegou a errar o momento de entrar na segunda parte. Errou e a banda
continuou tocando. E ela continuou errando, segurando a onda, e
não foi ajudada do ponto de vista vocal pelo próprio marido, John Lennon. Até
porque não tinha como ele interferir porque aquelas músicas da Yoko Ono
provavelmente resumem o âmago do que foi o One to One Concert.
Para alguém que é neófito nessa história, talvez estivesse esperando um concerto com os grandes sucessos de John Lennon.
Ocorre que o One to One Concert não tinha esse viés. John Lennon não teve, na realidade, uma carreira solo formal. Isso nunca aconteceu na vida dele.
Ou seja, uma carreira solo de lançar o disco, promover o disco, escolher a faixa de trabalho, colocar essa música para tocar no rádio, fazer uma turnê para divulgar o álbum. Isso nunca aconteceu com a carreira do John Lennon marcada na primeira metade dos anos 70 por um ativismo político muito intenso, ativismo esse muito estimulado por Yoko Ono e depois, na segunda parte, quando ele conseguiu o Green Card, passou cinco anos isolado do mundo com a Yoko enquanto o filho, Sean Lennon, crescia. Devemos a Sean Lennon este lançamento nos cinemas, que é uma reverência dele com a sua mãe e com seu pai.
Ver as imagens, observar como aquilo se deu, sem dúvida, é notável. E a gente olhando hoje do alto da maturidade em que estamos, eu, no caso, o próprio Paulo Seixas, eu me lembrei de todos nós. Lembrei dos Beatlemaníacos raiz, como Cláudio Teran, Paulo Seixas, a madrinha Virginia Abreu de Paula e Homero Ventura, o nosso Homerix.
Nós
nos debruçamos na nossa maturidade para fazer as observações necessárias de um
produto dessa magnitude? Sean Lennon reverenciou os pais ao editar da forma
como editou esse concerto.
A banda, Elephant's Memory, é melhor do que a gente imaginava.
Mas tem
alguns músicos fracos, como o baterista, uma figura, digamos assim, meia boca.
É por isso que John Lennon trouxe Jim Keltner para fazer a segunda bateria. Tem
dois contrabaixos no palco e tem o guitarrista já falecido, Wayne Tex Gabriel,
o Lead Guitar, que deu um show à parte ao fazer a sua apresentação.
Há outros momentos notáveis do show. Não havia roadie, porque quem poderia ter trabalhado para afinar os instrumentos e cuidar da parte técnica seria Mal Evans, o roadie dos Beatles - que continuou com eles na carreira solo, mas naquele Agosto de 1972 dos One to One Concerts ele não trabalhou.
Portanto, John Lennon passou praticamente o show inteiro com a mesma guitarra, aquela Gibson Les Paul. E só parou de tocá-la porque durante o final de Cold Turkey provavelmente uma das cordas quebrou. Só aí ele trocou de guitarra enquanto Wayne Tex Gabriel levava o andamento na parte final.
Entra Cold Turkey - by John Lennon
Para os mais atentos é interessante ver John Lennon empunhando uma guitarra desconhecida, um modelo que por certo nunca tínhamos visto antes. Seguramente foi a primeira e única vez que John usou essa guitarra em público.
Entra Give Peace a Chance - by John Lennon e todos!E aí tem o clímax desse grande concerto, desse notável, histórico e ao mesmo tempo inusitado concerto. É o momento em que todos os artistas que participaram vêm para o palco. Stevie Wonder em pé no frontstage assume o lead vocal e canta durante um bom tempo.
A cena do
Stevie Wonder cantando em pé no palco ao lado do John Lennon é um desses
momentos raros e ao mesmo tempo únicos da história. E a reta final do concerto
tem espaço para a ironia também. O discurso final, lido por Yoko Ono, soou como
uma provocação à plateia. O manifesto resgata o trecho de uma declaração de
1932 feita por...Adolf Hitler. Hitler começou seu extremismo atiçando nos
alemães o “medo do comunismo”, ganhou apoio e se sentiu livre para fazer tudo o
que bem entendesse para frear o “inimigo imaginário, inventado”... Não é? Tudo
a ver com o Século 21 e os atos extremistas de Donald Trump, Benjamin Netahyahu
e todos os que apoiam os crimes deles...
Entre os
defeitos que anotei, penso que a produção deveria ter informado ao menos em
textos na abertura, que, antes de John & Yoko o esquenta do One to One
Concert teve apresentações de Stevie Wonder, Sha Na Na, Roberta Flack e Melanie
Safka. Isso não foi citado nem mostrado nessa nova edição. Quem não conhece bem
o contexto ficou boiando ao ver todos aqueles artistas e seus músicos no palco
durante Give Peace a Chance.
Ainda assim,
edição de imagens e áudio são o grande ponto deste concerto. A imagem icônica é
Lennon com o suor escorrendo, olhos, rosto banhados de suor e cantando ‘Imagine’.
Comovente e histórico como toda a história embutida neste resgate
cinematográfico.
Confesso que nunca imaginei ver isso no cinema, o concerto
completo como jamais havíamos visto. Mais de 50 anos
depois temos os dois concertos em áudio agora, e uma versão quase definitiva em
vídeo. Quase, por duas razões: a primeira é que foi necessário utilizar inserts
de imagem dos dois concertos para compor essa nova edição. É o que foi possível
fazer considerando alguns defeitos insanáveis das fitas master. Ainda assim uma
edição muito bem feita.
A outra razão é que dá uma tristeza não ver ‘Woman is the Nigger of the World’ e ‘Sisters O Sisters’, retiradas pela imposição do politicamente correto. Por outro lado acredito que seja muito mais desafiadora a manutenção sem cortes do manifesto irônico de Yoko contra a tirania. Quem imaginaria a atualidade daquele manifesto, mais de meio século depois, ante os atos insanos de covardia sem limites contra a população civil? Quem foi ao Madison Square Garden naquele agosto de 1972 entendeu a mensagem pacifista de John & Yoko...
O que eu recomendo para os ouvintes do submarino angolano?
Corra,
aproveite o final de semana e vá aos cinemas. Assista One to One Concert, curta
o som e as imagens em alta definição na tela grande. Senhoras e senhores que
nos acompanham nas ondas do Submarino Angolano, One to One Concert fica em
cartaz até 5 de Maio...
Parabéns Mergulhador Cláudio Teran pela sua excelente resenha. Armando Barros
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