sábado, 28 de fevereiro de 2026

O que eu perguntaria a Paul McCartney

 

Quando Paul McCartney veio ao Brasil em dezmebro de 2023, eu comprei ingresso e segui o conselho de Virgínia, que ainda não era Madrinha do Submarino Angolano, e apliquei no Meat Free Monday.... estou a concorrer para o ingresso especial, com direito a Meet&Greet com Paul...

Se eu ganhasse, e temeroso de não conseguir falar alguma coisa com ele, isso é, no sentido de a emoção não me deixar mudo, eu ensaiei duas coisas:

Uma pergunta e fazer um pedido

  1. A Pergunta: in the Sun King recording session, when John called you to a corner of the studio to pick some words in Latim Idioms, who picked Obrigado, you or John?
  2. O Pedido: Would you sing Hold Me Tight now, A Capella, with me performing the harmony backing vocal? That song was the FIRST Beatles song I liked, when I was 6-years-old, in 1964, from the Brazilin LP Beatles Again!

Nada ganhei, mesmo assim, me preparei com mais perguntas!

10+1 Perguntas que eu faria a Paul McCartney se por acaso o encontrasse:

  1. Na canção Sun King, quando você e John se recolheram para um canto do estúdio para jogar aquelas palavras em vários idiomas da ponte, quem deu a ideia da palavra em português, 'Obrigado';
  2. Na canção Ob-la-di Ob-la-da, qual foi sua reação quando John voltou ao estúdio sentou-se ao piano e disse: O que essa porcaria de música precisa é isso aqui...!"
  3. Na canção She Said She Said, o que foi que o irritou tanto a ponto de você abandonar o estúdio e fazer da canção a única  Lennon/McCartney do catálogo Beatle a não ter participação sua, afora Revolution 9 e Julia, que John  fez pra mãe dele?
  4. Na canção I'm Looking Through You, o alvo era Jane Asher ou John Lennon?
  5. Na canção Lovely Rita, de quem foi a ideia de usar o Kazoo?
  6. Como você teve a idéia de usar o pedal Fuzz em Think For Yourself, que você usou em 2023 na sua contribuição para os Rolling Stones?
  7. Por que ela I Call Your  Name  ficou de fora de A Hard Day's Night.... Não passou pela cabeça a ideia de dá-la para Ringo gravar? Seria a 14ª canção do LP, e seria a canção de Ringo, que ficou de fora do álbum...
  8. A Silver Spoon de She Came In Through The Bathrrom Window era indireta a Linda?
  9. Two of Us eram você e Linda, ou você e John?
  10. Oh, Darling era direcionada a John
  11. Ônzima: Você perdoou Yoko?
O que acharam?

OUÇA e LEIA - Man On The Run No FInal de Semana - Cláudio Teran

 



Todo Domingo é Total, das 7 às 9 da manhã, na Rádio Assunção Cearense!!! 

https://620am.com.br/

É Cláudio Teran quem comanda!!!

Mas todo Sábado é Cabal, pois Cláudio Teran nos conta as Beatles News, no Programa Submarino Angolano da LAC Luanda, às 13 horas BSB, 17 horas LDA!

Hoje, ele nos descreve a trilha sonora do doc, que está lançada em álbum


Clique no Play Verdinho

E siga a ler o conteúdo, transcrito abaixo

MAN ON THE RUN NO FINAL DE SEMANA

 Entre A Hard Day's Night com a Orquestra de George Martin

Alô amigos e amigas, Mergulhador Cláudio Teran chegando direto de Fortaleza, Nordeste do Brasil, pronto para mais uma edição das Beatles News. Agora.

Beatles ao cair da tarde, pelas ondas da sua LAC FM. Vamos mergulhar.

Entra Silly Love Songs com Paul McCartney

Esta edição do Mergulhador toca no Submarino Angolano um dia depois da estreia mundial de ‘Man on the Run’, o documentário que foca na história do Wings e na primeira década da carreira solo de James Paul McCartney. Vale a pena? Sim!

Pra começo de conversa não vamos confundir ‘Man on the Run’ com ‘Wingspan’, embora os dois documentários guardem semelhanças E diferenças. Entre um e outro temos um distanciamento de quase 30 anos. Wingspan foi pensado para a televisão, em 2001, mas foi muito superficial ao tratar da carreira solo de Paul e Wings.

Entra That Woul Be Something com Paul McCartney

‘Man on the Run’ conserta os principais defeitos de ‘Wingspan’, tem uma profusão de imagens inéditas, realmente nunca vistas retiradas dos arquivos da MPL e dos arquivos familiares dos diversos músicos que tocaram com Paul naquele período.

O novo documentário tem uma hora e 55 minutos. O diretor Morgan Neville começa a contar a história entre setembro de 1969, quando os Beatles estavam se separando, e vai até o fim dos Wings em 1981. O protagonista é o homem. Paul McCartney.

O roteiro procura mostrar que aconteceu com ele em um período de mais de 10 anos. E os efeitos da separação dos Beatles no comportamento dele. Também expõe o ânimo de Paul àquela época, aliando prostração com a vontade de fazer as coisas do seu jeito e de tal maneira que só criando uma banda onde ELE fosse o dono.

Entra Long Haired Lady com Paul McCartney

Isso talvez, nunca tenha ficado claro na cabeça de Paul e dos músicos que trabalharam com ele - e que seriam arduamente exigidos para lapidar os Wings e fazer aquela banda solo da qual inicialmente ninguém acreditava, acontecer mundialmente.

Isso explica porque Man on the Run não se debruça tanto sobre o início. Então quem ainda não viu saiba que o documentário ignora álbuns como Wings Wild Life e Red Rose Speedway, apesar de serem os primeiros da nova banda. E também não fala sobre discos importantes como Venus and Mars e London Town.

Entra Live and Let Die com Wings apresentado por Linda

A produção priorizou o auge do Wings entre 1976 e 1979.

Enquanto a gente assiste o filme, vai encontrar coisas relacionadas aos álbuns ignorados, mas o diretor não dá o devido destaque ou o contexto do lançamento deles. Isso poderá ser visto como uma falha por alguns fãs. Por outro lado temos imagens incríveis, notáveis e desconhecidas até dos colecionadores mais completistas. É tanta coisa inédita que é aconselhável ver várias vezes ‘Man on the Run’ para ir pausando o filme e só então observar mais atentamente certos conteúdos que estão ali.

Man on the Run tem muitos bastidores do convívio isolado de Paul McCartney com seus familiares. Isolado porque ele não era de circular como os outros Beatles faziam depois da separação. Então o documentário registra com boa precisão que a ideia de sair da toca após o fim da banda mais famosa do mundo ajudou a gerar o Wings.

Entra Too Many People com Paul McCartney

As brigas entre John e Paul são expostas com bastante clareza, assim como as reações dos dois parceiros. McCartney se queixa de que foi Lennon quem realmente separou os Beatles, mas quem ficou com a fama foi ele, até pelo seu autoritarismo.

Outro aspecto interessante do roteiro está nas participações especiais. Muita gente foi entrevistada, mas poucos realmente aparecem, pois Morgan Neville optou por utilizar as vozes, ou seja, a narrativa, sem se preocupar com as aparições físicas. O próprio Paul explicou que não gosta de documentários com imagens atuais de gente contando o que viu ou viveu no passado, então optou-se pela utilização das vozes.

Entra Big Barn Bed com Paul McCartney

Ver Man on the Run permite refletir sobre diversos aspectos da conduta e da persona de Paul McCartney. O diretor Morgan Neville garante que teve carta branca para fazer as coisas do seu jeito. Ele contou na coletiva de imprensa feita no dia da avant première que Paul chegou a sugerir alguns cortes de coisas que considerou embaraçosas quando viu, mas Neville insistiu que o ideal era que nada fosse descartado. O próprio Paul, nessa mesma entrevista, confirmou que capitulou, deixou Neville fazer as coisas do jeito que queria.

Entra Mull of Kintire com Paul McCartney

Uma semana antes da exibição no streaming, os fãs que tiveram a rara chance de ver Man on the Run nos cinemas gravaram a conversa de pouco mais de 10 minutos entre Morgan Neville e Paul McCartney, exibida apenas na tela grande. A gravação pirata dessa conversa está disponível no You Tube há mais de dez dias. 

E o que é que a gente tem lá. Paul aparece envelhecido e um tanto deslocado, e o encontro parece improvisado. Estimulado por Neville, ele rememora alguns fatos, mas sua memória não é mais a mesma. Chama atenção a reação dele para as roupas que usou em cena em especiais como James Paul McCartney, de 1973. E o reencontro com Robbie, um robot um tanto mambembe que foi utilizado durante a turnê de 1979. 

Entra Paul McCartney apresentando Robbie introduzindo Good Night Tonight

Há uma cena gravada naquela época que mostra como o robot era acionado - por um chute de Paul - e então começava a tocar a intro de Goodnight Tonight. E então o Wings mandava ao vivo.

Há muitas coisas interessantes e divertidas, assim como momentos comoventes e reflexivos em Man on the Run, como a parte final em que a reação de Paul McCartney ao assassinato de John Lennon ganha um novo contexto, desconhecido dos fãs até aqui. Também é possível ver o que aconteceu do ponto de vista de Paul McCartney quando ele foi presono Japão por porte de maconha.

Sean Lennon participa com um depoimento marcante que permite aos mais veteranos reconsiderar as impressões negativas que tiveram em 1980 ao ver Paul comentar a morte de John Lennon, aquele que foi seu grande amigo e o principal parceiro.

Entra Let Me Roll It com Paul McCartney e Wings

Vale ainda um último spoiler sobre Man on the Run. As doze faixas do CD/LP com a trilha sonora do documentário são o que a gente vê e ouve em termos musicais, enquanto assiste. Não espere mais do que isso. E voltamos ao começo. Vale a pena ver? Vale sim, vale muito. É um bom documentário que deixa no ar uma certeza: poderia ter dois ou três capítulos, pois a vida do maior artista vivo, James Paul McCartney, não dá para condensar em uma projeção de duas horas, mas essa nos permite um ótimo insight... 

Entra Coming Up com Paul McCartney

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Por que experimentar Cranberry me emocionou?

Noutro dia, me emocionei com uma coisa que jamais ocorreria  a pessoas normais.

Antecedentes: nossa empregada deixou para o nosso fim de semana, um delicioso macarrão parafuso com atum defumado, cenoura picada, maionese e ... passas, daquelas pretinhas. Assim o fizemos, é uma comida que dá para comer directo da geladeira ou aquecida ao microondas (que agora á sem hífen, absurdo), aliás, eu prefiro desta última forma, quentinho, sou o único da casa assim....

Hoje, agora há pouco, veio a minha empregada e perguntou o que acharam das passas no macarrão, e eu disse que estavam ótimas, como sempre. E ela: "Só que não eram passas!". .. como assim.. "Dona Neusa se enganou, achou que eram passas, só que não" e me mostrou o potinho!

Sim, na verdade pareciam passas, mas eram Cranberries!!!





E eu NUNCA havia comido Cranberries!!!

Experimentei ali pela primeira vez e comi metade do potinho, misturado com torrada picada. Ficou supimpa!

E isso me emocionou!!!

Contei essa história a um grupo de ouvintes do Submarino Angolano e perguntei 

QUEM SABE POR QUE ISSO ME EMOCIONOU?

Peço que apenas levantem a mão ou digam Não!!!

Apenas duas pessoas sabiam!!!

Ocorre o seguinte:

Tem a ver com o Mito "Paul is Dead"

Corria na imprensa e na mente alucinada dos fãs, o boato de que Paul McCartney havia morrido num acidente de trânsito, nervoso que estava após uma discussão com John Lennon, exactamente no dia 9 de novembro de 1966, e que ele havia sido substiruído por um sósia perfeito chamado William Shears! (!!!)

E foram descobertas dezenas de "provas", a partir de então, de que isso realmente havia acontecido.

Boa parte delas estaria na Capa do LP Sergeant Pepper's de 1967, tipo, ser o único Beatle de costas num encarte das letras do LP, dentre outras, e uma meia-dúzia de evidências aparecia na capa do LP  Abbey Road de 1969, que eu descrevi no post

"Por que não vamos lá fora e atravessamos a rua?" neste LINK

A emoção que eu senti ao ver que tinha Cranberry em casa foi por causa de uma daquelas "provas", que apareceu na canção Strawberry Fields Forever, que começou a ser gravada no finalzinho de 1966, motivo de inúmeras seções de gravação, e de um acerto final na edição que fazia com que NINGUÈM poderia reproduzir aquela canção EXACTAMENTE como saiu no disco. Mas isso será abordado num Papo do Contramestre, provavelmente no começo de 2027. E que dará MUITO trabalho para o Comandante editar!

Bem, no finalzinho da gravação, naquele final psicodélico, aparece a voz de John falando: 

"... cranberry sauce... cranberry sauce ...", ou seja "molho de cranberry"

Só que os fanáticos alucinados que acreditaram no boato, ouviram:

"I buried Paul .... I buried Paul" ou seja "Eu enterrei Paul"


Daí a emoção....

Eu não tenho jeito mesmo!!!

É como eu sempre digo..



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

De Hamnet a Hamlet com direito a Globe Theater

Drama tocante baseado num livro recente, contando uma versão da história pregressa de William Shakespeare (Paul Mescal) em Stratford, interior da Inglaterra, começando na estranha corte dele, ainda um pobre professor de Latim, a Agnes Hattaway (Jessie Buckley) uma mística jovem de vestido vermelho, a expulsão dela de casa, "desonrada", o nascimento da primeira filha, Susanna, depois de um casal de gêmeos bivitelinos, Hamnet e Judith, enquanto o pai passa longos períodos em Londres fazendo seu nome no teatro. Lá por volta dos 10 anos dos gêmeos, a peste assola a Inglaterra, no final do Século XVI, e aí acontece o grande momento de tensão no filme e o show de Jessie Buckley, que já vinha bem, mas aí, ela vai aos píncaros. Muito duro ver uma mãe, de vestido vermelho, tentando combater a peste com alecrim e tomilho (os famosos rosemary and thyme, da canção de Paul Simon). 

Aqui, eu poderia dizer o que acontece, mas vão me acusar de spoiler guy... só posso adiantar que o desempenho das crianças é sensacional.

O interessante é que tem gente que vai ver o filme sem saber de nada e só descobre que estão contando a história de Shakespeare já além do meio do filme quando ele, em desespero, considera o suicídio, e começa a recitar o famoso To be... or not to be ... that is the question, à beira do Rio Tâmisa! Só aí, eu, inculto que sou, percebi que o TO BE queria dizer "permanecer vivo" e o NOT TO BE queria dizer "matar-se". E o nome do poeta mesmo, só aparece em sua integridade no quarto final do filme (nem Will ou William havia aparecido até então), quando Agnes, de vestido vermelho, chega a Londres com o irmão ao Globe Theatre, que Shakespeare havia construído, para ver uma performance de Hamlet.

E isso foi muuuuito legal... ver como o público se aglomerava, em pé, num nível abaixo do palco, enquando os nobres se aboletavam tranquilos nos camarotes e frisas circundantes. Quando estive em Londres em 2005, não visitei o teatro reconstruído, shame on me, então só conheci agora esse do filme, que foi construído PARA o filme, bem entendido. 

E, como tem sido a receptividade? Não é de grandes  bilheterias mas a crítica joga lá em cima, merecidamente, especialmente pelo desempenho dos atores, e o circuito de premiação tem sido generoso. Mescal e Buckley concorreram ao Globo de Ouro para atores em Drama, e ela ganhou (Mescal perdeu para Wagner Moura). Ela está indicada ao Oscar, e deve levar, fácil. Já ganhou também o Bafta (o Oscar Britânico) e Critics Choice. Mescal não concorre ao Oscar.

E, por que eu colocquei Beatles como Marcador deste post?

É que Hamnet tem DUAS conexões com o mundo dos Beatles, através de seu elenco e equipe, afinal, o produtor original é Sam Mendes (mas o Steven Spielberg embarcou na co-produção)!!!  E Sam Mendes vem a ser o idealizador do talvez maior projeto filmográfico sobre a vida dos Beatles, pode-se dizer, da história, afinal ele está produzindo 4, repito, quatro filmes, todos contando a mesma história, mas cada um dos filmes virá sob o ponto de vista de cada um dos Beatles, veja só. 

E daí mesmo vem a outra ponta de ligação de Hamnet com os Beatles: Paul Mescal, o Shakespeare pai de Hamnet, vai viver Paul McCartney nos 4 filmes!! 

Merecia a citação, deceerto!

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Carnaval sem Paulo Barros? NÃÃÃO... Ele esteve presente!

 ATUALIZAÇÃO PÓS-CARNAVAL

O meu leitor Aziz Warrack, jovem colega da empresa em que trabalhei e neste ano completa 10 anos que saí, apareceu, depois de muito tempo, para comentar o meu post, pois ele ama Carnaval.

Ele acresceu dois comentários, neste post (LINK), cuja imagem apresento na mensagem abaixo e comentarei sobre eles e um pouco mais, em seguida.













Vamos lá:


  1. Como assim, "ouvi na Rádio..."? Você acompanha os desfiles em radinho de pilha? Explique melhor essa afirmação, hehehe
  2. Interessante essa informação que você "ouviu no rádio", sobre o espetacular desempenho da Viradouro desde que voltou da "Série B", seja lá como chamam. Não havia me apercebido!!!
  3. Sobre a pergunta "Efeito Virgínia?"... tive que ir buscar mais informações! Eu havia ouvido sobre o tapa-sexo da tal Rainha de Bateria Virgínia, que descolou, mostrando o que não devia, mas isso não teria efeito suficiente para perturbar a performance, acho. Descobri que, na verdade, havia polêmica na indicação dela como substituta de Paolla Oliveira. Ela é uma influenciadora digital, que, claro, nunca ouvi falar, mas soube mais recentemente que se enamorou (que lindo!!) de Vinicius Jr, o astro do Real Madrid. Bem, sobre o desfile, dizem  que o costado que ela usou, que pesava 12 kg, atrapalhou sua evolução, tanto, aliás, que ela até o tirou em algum momento da coisa toda.
  4. Aí, vem o papo sobre a Viradouro... como eu disse, vi apenas o primeiro desfilede cada um dos 3 dias de desfile.... então, não vi o desfile campeão... mas soube antes que seria com enredo em homenagem a Mestre Ciça, quando vi a reportagem sobre a rainha de bateria global no Fantástico. Então não prestei atenção, mas me intrigou COMO a história de um mestre de bateria seria retratada na avenida, O QUE iriam buscar como grandes momentos DE BATERIA de sua carreira iriam passar no asfalto.
  5. Bem devem ter feito algo bom pois ganharam 100% de notas 10-Nota-10, sem necessidade de descartar a mais alta e a mais baixa na apuração. Incrível desempenho. Também não me lembro do samba, sorry. Mas vi, sim, nos melhores momentos uma coisa incrível: a participação do próprio Moacir na Comissão de Frente e depois saindo de cadeira de rodas até a porta de saída e depois na garupa de uma moto, para a concentração, onde foi levado pela mão da Rainha Juliana Paes até um carro alegórico que tinha uma plataforma enorma vazia, e que magicamente foi tomada pela própria bateria. Momento verdadeiramente mágico!!
  6. E QUE (vou usar maiúsculas propositais) FOI IDEIA DE QUEM, QUEEEM, QUEEEEEM? DE PAULO BARROS! Sim, na última vez que a Viradouro desfilou sob o comando de Paulo Barros como Carnavalesco, há 17 anos, apresentou essa espetacular ideia de evolução da bateria!!! Merecidamente homenageada!!!
  7. E pra terminar em número mágico, afinal "São 7 níveis!" como Paul McCartney descobriu, finalizo dizendo que TEVE PAULO BARROS, SIM, na Sapucaí 2026, pois ele desfilou, emocionado, como destaque, na própria Viradouro, satisfeito, claro, com a homenagem à sua idéia genial!! Valeu  muitooooo!
  8. aah vou quebrar a magia... fazendo o 8º ponto: eu não devo entender nada de Carnaval pois o desfile da Mocidade, que eu gostei tanto, em homenagem à Rita Lee, com tantos carros alegóricos lindos e um samba envolvente e cheio de referências à Rainha, não foi classificada para o Desfile das Campeãs! Aliás, quase caiu!!!! FOi a 11ª colocada!!
  9. aliás, (e vem o 9º!) uma outra escola que vi, e gostei, com samba maravilhoso, com letra inteligentíssima, caiu para a Série B, ou o que quer que chamen a segunda divisão do Carnaval.
  10. Faço um 10º ponto, pra fechar em conta certa, apenas para me despedir. FUUUUUI!

sábado, 21 de fevereiro de 2026

OUÇA e LEIA - O Lançamento de Man On The Run - Cláudio Teran

Todo Domingo é Total, das 7 às 9 da manhã, na Rádio Assunção Cearense!!! 

https://620am.com.br/

É Cláudio Teran quem comanda!!!

Mas todo Sábado é Cabal, pois Cláudio Teran nos conta as Beatles News, no Programa Submarino Angolano da LAC Luanda, às 13 horas BSB, 17 horas LDA!

Hoje, conta mais novidades fala sobre a expectativa do Doc Man On The Run e lança dois outros documentários que parecem ser sensacionais!!!

Clique no Play Verdinho

View on Vocaroo >>

E siga a ler o conteúdo, transcrito abaixo


EXPECTATIVA PELO DOC MAN ON THE RUN

 Entra A Hard Day's Night, com a orquestra de George Martin

Amigos e amigas, Cláudio Teran chegando, direto de Fortaleza, Ceará, Nordeste do Brasil com as novidades do mundo Beatle no nosso Submarino Angolano.

Beatles ao cair da tarde nas ondas da sua LAC FM. Então vamos mergulhar...

 Entra Loop (1st Indian on the Moon)  com Paul McCartney & Wings

A demanda por ingressos para ver Man on the Run nos cinemas levou a produção a adicionar uma data extra. A estreia aconteceu na sexta-feira, dia 19, e teremos Man on the Run na tela grande neste domingo, dia 22 em alguns cinemas do mundo.

Infelizmente países como Brasil e Angola continuam de fora. Para nós restará esperar o dia 27 de Fevereiro quando Man on the Run estará disponível para o mundo todo através do streaming da Prime Vídeo. Vale lembrar que a exibição nos cinemas inclui um extra exclusivo, a entrevista com Paul e o diretor Morgan Neville.

O que já está em pré-venda nas lojas on line é o álbum com a trilha sonora de Man on the Run. A versão em LP na Universal Music custa R$: 299,00 e inclui um pôster do cartaz oficial do documentário. Na Amazon a versão em CD custa R$: 260,00 e vem com um pequeno livreto sem o pôster. A Universal promete enviar o LP a partir de Junho para os compradores. A Amazon enviará o CD entre 23 e 27 de março.

A avant Premiere de Man on the Run aconteceu em Londres, dia 18 de Fevereiro. Paul recebeu convidados especiais. Seus filhos, os atores do mega documentário sobre os Beatles, e gente famosa como Paul Weller e Noel Galagher. Os poucos convidados vips também acompanharam uma entrevista com Paul McCartney e Morgan Neville.

No embalo de Man on the Run, vem aí uma grande exposição dos Wings.

 Entra Helen Wheels com Paul McCartney & Wings

No dia 15 de Maio o Rock and Roll Hall of Fame vai exibir em sua sede em Cleveland, no estado de Ohio, EUA, a mais extensa coleção de peças dos arquivos pessoais de Paul McCartney já disponibilizada ao público em uma exposição.  

“Paul McCartney and Wings”, a exposição, também inclui doações cedidas por membros da banda e familiares. A curadoria antecipa que vai mostrar a trajetória da reinvenção de Paul após os Beatles – desde seu primeiro álbum solo em 1970, passando pela formação do Wings até o fim de sua segunda banda em 1981.

 Entra Mamunia e Band On The Run com Paul McCartney

A mostra inclui instrumentos usados ​​nas gravações e apresentações ao vivo, roupas, letras manuscritas, obras de arte originais, memorabilia de turnês e fotos inéditas – tudo apresentado em uma experiência imersiva. E o que isso quer dizer?

O visitante terá a chance de mergulhar em vídeos, áudios e imagens de arquivo. O Rock & Roll Hall of Fame afirma que será a primeira grande exposição em museu a explorar a história de Paul McCartney e dos Wings, a partir do dia 15 de Maio.

 Entra Mrs. Vandebilt e depois No Words com Paul McCartney & Wings

E quanto vai custar o ingresso para ver de perto essas coisas? Em média, 40 dólares.

 Entra End of The Line com Travelling Wilburys

Finalmente algo raro ou quase inédito ligado a George Harrison saiu. O documentário, The True Story of Traveling Wilbury’s, feito na primavera de 1988, raramente foi visto, embora tenha saído no box "The Traveling Wilburys Collection", em um DVD bônus lançado no ano de 2007. Agora, o filme foi discretamente liberado para quem quiser ver sem pagar nada. Está disponível na página oficial dos Wilbury’s no You Tube.

Vale a pena ver. Imagens que a maioria conhece de fotografias, aparecem em movimento. Willy Smax foi o diretor. A direção de imagens coube a Nelson Wilbury, mais conhecido como George Harrison. Na apresentação ele diz: (primeiro em inglês) e depois... “o que me intriga nos Wilburys é que, se tivéssemos planejado tudo, ou se alguém tivesse dito: vamos formar essa banda e reunir essas pessoas, isso jamais aconteceria. Parecia impossível. Aconteceu completamente por mágica, foi pura circunstância. Talvez houvesse lua cheia naquela noite ou algo assim. Foi uma coisa mágica, na verdade”. conta George Harrison

O documentário chegou ao You Tube como parte da reorganização dos discos dos Wilbury’s no Spotify. A banda agora tem uma página própria na plataforma. 

 Entra Cry For a Shadow com the Beatles

O historiador Mark Lewisohn está de volta à cena Beatle com um documentário, “Evolver 62’, um show dinâmico com duas horas de duração que explora nada menos que 62 momentos-chave de 1962 na história dos Beatles. O ano de 1962 foi crucial para os rapazes de Liverpool. Ou aconteciam ou sumiriam em definitivo.

A apresentação tem formato multimídia com fotos, vídeos e trechos de áudio do extenso arquivo pessoal de Mark Lewisohn. A narrativa junta documentos oficiais e itens raros, com anedotas pessoais no melhor estilo "curiosidades e conversas de bar", para situar o esforço da banda em idas e vindas entre Liverpool e Londres.

Entre os 62 momentos cruciais mostrados no documentário, destaque para a definição da banda com John, Paul e George, e a traumática troca do baterista original, Pete Best. A chegada de Brian Epstein e de Ringo Starr são os pontos altos de 1962, descrito por Mark Lewisohn como o ano que tudo mudou, o ano da ascensão dos Beatles.

Evolver 62 está disponível na plataforma Prime Vídeo, mas por enquanto só para assinantes do Reino Unido e EUA. Foi filmado secretamente em Junho de 2023 e lançado no último dia 10 de fevereiro. Também já saiu em DVD pelo selo Maverick Entertainment, sem a inclusão de legendas eletrônicas em português.

 Entra Love Me Do com The Beatles

Quem viu, afirma que o documentário de Mark Lewisohn é imperdível e um deleite para os fãs por oferecer detalhes profundos, cativantes, envolventes e surpreendentes contados com precisão pelo mais respeitado dos historiadores dos Beatles.

Há quem diga que Evolver 62 é uma prévia do aguardado segundo volume da biografia dos Beatles, Tune In, que vem sendo escrita por Lewisohn há mais de 10 anos. O primeiro volume saiu em 2013. No Brasil, o volume 1 foi aportuguesado e lançado em dois livros distintos em 2023.

No dia 6 Junho de 1962, os Beatles foram gravados pela primeira vez por George Martin nos estúdios da EMI. Ron Richards e Norman Smith trabalharam na histórica sessão. John, Paul, George & Pete tocaram seis músicas, uma delas, Besame Mucho... 

 Entra Besame Mucho com The Beatles

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

F1OF... ou seja, Fórmula 1, O Filme

 
Finalizei A Odisséia de Homero no Carnaval na quinta-feira, com mais uma sessão de cinema na casa do Felipe, de filmes candidados ao Oscar de Melhor Filmes, Foi o 5º dos 10 indicados!

Vi, em família o filme F1, que retrata um episódio fictício da Fórmula 1, em que Sonny Hayes (o eterno galã e ótimo ator Brad Pitt) retorna à categoria, 30 anos depois de um horrendo acidente desabilitador, chamado agora por Ruben de Cervantes (o magnífico Javier Barden), um colega piloto de sua  época, para tentar salvar sua equipe, a APEX, de ser extinta, caso não ganhe ao menos UMA prova no campeonato que tem apenas 9 corridas para terminar, além de dar tarimba ao novato Joshua Pierce (o também novato Damson Idris).

Os créditos iniciais vêm apneas depois de uns 10 minutos de filme, em que se vê Hayes pilotando um Porsche nas 24 Horas de Daytona, aliás assim que vi Brad Pitt ouvindo Led Zepellin no fone de ouvido, saindo de um trailer pra assumir o volante do carro em plena meia-noite, em meio à corrida, resolvi parar para explicar pra família que se trata de uma prova de resistência, com automóveis protótipos e gran turismo, em que dois pilotos se revezam ao volante, em períodos de 6 horas cada um.

Durante os créditos, onde se continua a prestar atenção à trilha sonora, eu noto que Lewis Hamilton é também produtor do filme, além do grande Jerry Bruckenheimer!!!! Ora. ora, ora, então, o maior campeão da Fórmula 1 estará na cerimônia do Oscar em 15 de março, já que SEU filme está entre os 10 indicados a Melhor Filme!!! Que legal!! Aliás, como legal é todo o filme, que custou 300 milhões de dólares, mas já rendeu mais de 600 milhões pelo mundo, tornando-se o filme de MAIOR bilheteria da carreira de Brad Pitt, ora veja, que, aliás, embolsou 10% daquele orçamento ... sim .... 30 Milhões de dólares!!! Bonito demais e rico.... muito rico...

O filme é uma GRANDE homenagem à Fórmula 1, ambientado nos circuitos reais da categoria, com direito a aparições de pilotos REAIS da categoria, dentre eles os últimos campeões Lando Norris, Max Verstapenn, e, claro, Lewis Hamilton, além de Fernando Alonso, antigo campeão ainda em atividade, e outros menos cotados como Valteri Botas, Niko Hulkenberg, Jacques Leclerc, Kevin Magnussen, Daniel Ricciardo e outros menos conhecidos por mim, pois não tenho acompanhado a Fórmula 1, desde que não tivemos mais pilotos brasileiros. Percebi também, uma aparição de Jackie Stewart, e sei que alguns diretores REAIS de equipes apareceram em pontas, além de Martin Brundle, antigo rival de Senna, que agora é comentarista de TV, e se o ouve narrando os acontecimentos da prova, especialmente os que envolvem os pilotos da APEX... meio forçado que narradores se ocupassem tempo demais com equipes de menor nome, mas se não fosse isso, não entenderíamos as estratégias da equipe e especialmente de Sonny Hayes, para tentar fazer com que o novato ganhasse o primeiro ponto no campeonato!

A relação entre Hayes e o novato JP retrata bem alguns dos relacionamentos de pilotos da mesma equipe na vida real, um acha o outro arrogante e quase se pegam ali no meio do filme. O que não é muito realidade é a posição de destaque de personagens femininos, a diretora técnica é uma mulher, assim como um dos mecãnicos responsáveis pela troca de pneus no PitStop, num mundo que é essencialmente masculino. A história da diretora é bem para ressaltar isso, e, sendo bonita, estava na cara que teria um rola-rola com Sonny Hayes, ams o jeito que iss acontece é muuuuito legal!!!!

Senna é bastante reverenciado, também Mansell e Prost, como ídolos de Hayes, e há dentre as manobras mostradas na pista, impecavelmente encenadas, uma em que me lembrei do TRENZINHO DO SENNA, quem se lembra? Entendedores entenderão... ri muito quando vi o esquema digital em movimento, com o novato batalhando ali na frente e Hayes segurando um pelotão lá atrás, para ajudá-lo. A diferença foi que o trenzinho de Senna liderava a corrida, não me lembro em que ano, num daqueles domingos de manhã fenomenais, mas sei que foi na Espanha, onde Senna tinha claramente um carro infeiror, ainda na Lotus, acho, mas segurava os demais na habilidade!!

A trilha sonora, de que comecei a falar ali em cima é de Hans Zimmer, sensacional... ele já havia trabalhado com o diretor Joseph Kozinski em Top Gun Maverick, com Tom Cruise!!! Aliás, Kozinski chegou a considerar Tom Cruise para o papel de Sonny Hayes, mas desistiu por questões de segurança, seja lá o que isso quer dizer... talvez pela propensão de Cruise em fazer tudo de verdade, e não quisesse que o astro pilotasse um Fórmula 1 real!!! Além das partituras e orquestra de Zimmer, há vários outros artistas, inclusive Ed Sheeran

No elenco, duas atrizes conhecidas, Kerry Condon como Kate Mckenna, a diretora técnica e caso do Brad Pitt, e Sarah Niles, como Bernadette, a mãe do novato, a primeira conheci em Banshees de Inisherin, como a irmã de Colin Farrell e a segunda era a psicóloga do time de Ted Hasso, a execlente série de TV!

Olha! Que filme magnífico!

Recomendo muito! Diversão garantida!

Encontram-no na Apple TV!


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

A Odisséia de Homero neste Carnaval

Na sexta-feira pré-Carnaval,

Havia uma pedra no caminho.

Pra elevar meu baixo astral

Contei a coisa em versinhos.


Carnaval chegou antes pra mim.

Ganhei fantasia involuntária

Vou passar alguns dias assim

Inspirou-me a cantar esta ária


Início de All I Want Of You
Tema de O Fantasma da Ópera


Caminhava eu pela Lagoa,

Animado no bom exercício,

Mente só pensando em coisa boa

Quando tropeçou este estrupício!


Consegui levantar muito bem

Enquanto via o sangue jorrar.

Dois anjos chegaram do além,

Bem preparados pra me ajudar


Primeiros socorros ao alcance,

Com apoio e orientação,

Aumentou demais a minha chance

De rápida estabilização.


Com água e antisséptico a rodo

Me sentei no banco, feliz,

Emocionado com tal denodo

Agradecido a Bruno e Luís!


Os anjos que estavam a 10 metros de mim


Sereno e sangue quase estancado

Fui de UBER para a São José

Nada dolorido e de bom grado

Bem feliz porque cheguei de pé


Fui logo admitido sem senha

Dedo clipado e tira a pressão

Enquanto dava minha resenha

Com uma leve apreensão.


Quase 3 horas de internação

Tratou-me a Dra. Beatriz:

Com cuidado e local sedação,

Levei 4 pontos no nariz

Dra. Beatriz


No resto não foi nada demais,

Mas veja que só naquele ato,

De pontos são quatro vezes mais

Do que o meu time no campeonato.


Raio-X da mão, tomografia

E exame de sangue e tal

Parece estar tudo em dia,

E um desvio de septo nasal


Mas claro que esse eu já tinha.

E me serviu como um belo alerta.

Nunca soube, foi supresa minha!

Agora minha mente é desperta!


Minha apnéia pode vir daí!

Ela sempre incomoda de noite.

Foi como um canto de bem-te-vi,

Que me serviu como um santo açoite!


Agora, nadinha de folia,

Nem com as telonas programadas,

Mas vou tentar colocar em dia

Com as na telinha instaladas!

Foram 15 curativos!!!


_______________________


AGORA, EM PROSA

_______________________

Sim, foi uma queda e tanto.

E de cara no chão.

Poderia ter sido muuuito pior.

Fui muito abençoado!!

Sou um sujeito alto e pesado... o normal era eu ter quebrado os ossos da face, no mínimo.

A primeira  imagem que me lembro, no processo de me levantar após o tombo, foi o sangue que via jorrar em gotas nervosamente frequentes sobre o chão irregular e pedregoso (irregular e pedregoso??.... sim... eu estava fora da ciclovia, para me precaver daqueles perigos ambulantes de duas rodas, elétricos ou não, que insitem em ameaçar os desamparados pedestres, e estava solitário a caminhar "a salvo" numa região afastada, ali à altura dos pedalinhos, perto do Cantagalo).

A segunda imagem  que vi após o sangue foi ..... uma caixa de primeiros socorros!!!!

E em seguida, vi aqueles dois anjos a se desdobrarem para me socorrer, a perguntarem como eu estava, e a me orientarem, e me jogarem a água que tinham em suas garrafas metálicas, e a me passarem o antisséptico nos muitos pontos sangrando, e a me colocarem algodão sobre a ferida mais sanguinolenta, no supercílio "região muito vascularizada" , como me disseram..., e a correrem ao "zé do côco" ali próximo para pegarem mais água, e papel toalha.... e a me deixarem em condições de entrar num UBER que chamaram para mim, sem assustar ao motorista. Sim, chegaram a me sugerir ambulância, mas eu me sentia lúcido e bem para ir só, andava, não estava tonto, e fui.

Sou ou não, um cara de sorte??

Enfim, de resto, foi o que contei na reportagem-poema, devidamente ilustrada com imagens e até cantoria!


The Days After

Sábado: 

Ainda em choque com a "homerada" que poderia ter me custado bem mais caro, o jeito foi relaxar, em casa, então pude curtir junto com a marujada do Submarino Angolano mais uma nova análise de uma velha canção dos Beatles, devidamente sonorizada pelo Comandante daquela nave que há 25 anos, a comemorar neste sábado, navega pelos oceanos de admiração pela banda de Liverpool como ele mesmo gosta de dizer. Eis o Papo do Contramestre, que é o cargo que ocupo há 4,5 anos, sobre esta canção, que nasceu tímida, mas conquistou um espaço de destaque, tanto na discografia como nos shows ao vivo.  

https://blogdohomerix.blogspot.com/2026/02/ouca-e-leiam-down-muuuito-down-i.html

Domingo: 

Até como sequela (do bem!) do Papo do Contramestre, veio a minha versão da canção ali analisada, gravada por mim, e produzida por Felipe.  

https://blogdohomerix.blogspot.com/2026/02/projeto-by-homerix-im-down-ouca-e-leia.html

Segunda-feira: 

Conforme explicado no fim da seção Poema deste post, eu tinha intenção de me atualizar quanto aos filmes candidatos a Oscar de Melhor Filme, e assisti, com a família, na casa do Felipe, este filme, do qual fiz uma resenha, sem spoilers, e recomendo: 

https://blogdohomerix.blogspot.com/2026/02/sonhos-de-trem-tocante-e-merecedor-das.html

Terça-feira: 

Na verdade, nada fiz de notáel, além de interromper a maioria dos curativos, para deixá-los mais arejados.E até fiz barba.  Até registrei em vídeo... e não consegui carregar aqui, mas fica o registro do registro.

Quarta-feira: 

Tendo visto apenas os desfiles iniciais dos 3 dias da Sapucaí, e mais alguns momento, registrei aqui as impressões coletadas!

Quinta-feira: 

 Já pós-carnaval, senti-me bem o suficiente para ir ao Pilates! Fui e voltei andando, perto de 20 minutos de caminhada, pra lá e prá cá, pra afastar os temores...  E de tarde, vimos mais um filme, F1, sim, Fórmula 1, aqui neste LINK:

                https://blogdohomerix.blogspot.com/2026/02/f1-o-f-ou-awja-formula-1-o-filme.html     

E agora, a situação das 13 horas desta quinta-feira, em dois closes

Primeiro, o que se vê normalmente.


 


 E.. no da direita, quando abro o olho!!!

Os universitários dizem que esse meu  olho de panda ali da direita da foto vai sumir... tudo será absorvido... 

Assim espero!

 

Carnaval sem Paulo Barros? Poizé, mas teve outras grandes atrações!

Ora ora ora, com que então, teremos um PauloBarrosLess Carnival,  veja só,  e eu só percebi no 3º dia de desfiles.... esperava estivesse na Unidos da Tijuca, na 2ª feira, onde foi Campeão pela 1ª vez, depois chegou a Unidos de Vila Isabel, (também Campeão) ele não apareceu, aí eu fui verificar e  ele realmente não foi contratado por nenhuma escola deste ano como Carnavalesco.... Como assim? Sempre era um ponto alto, já desde 2004,  nos apresentava seus carros alegóricos geniais, desde que inventou a "Alegoria Viva", e agora, nada?

Então, fui pesquisar mais um pouco e descobri que ele andou dando umas declarações polêmicas sobre a profusão de desfiles com enredos afro. Ele diz que 90% das pessoas não entende o que a escola com esse estilo de enredo quer dizer, nem no samba nem nas alegorias (neste LINK). Virou personna non gratta.

Eu chego a concordar com ele... por exemplo, este ano eu vi os 3 dias. mas  inteirinho mesmo, só as primeiras escolas de cada dia. 

  • Então, veio no primeiro dia a escola Acadêmicos de Niterói, que fez o enredo sobre o Lula, magnífico samba-enredo em que quem "canta" a história na verdade é a mãe do Lula, Dona Lindu, emocionante mesmo contando a saga de sua família e de seu filho mais famoso, veja como nos conta uma articuladora no Instagram, neste LINK.... 
  • e no 2º dia, a Mocidade Independente de Padre Miguel fez um enredo estupendo sobre a Rita Lee, entendi tudinho também e vibrei muito, e havia comentado no pr+oprio dia em alguns grupos (*)
  • mas no 3º dia, veio a Paraíso do Tuiuti e fez um enredo afro-cubano. Rapaz, foi muito bonito e tal mas realmente nem com os comentaristas explicando, a gente consegue entender muito bem, mas devo admitir que foi muito bonito...  a bateria e especialmente o cantor chamado Pixulé deram um show. 
Gente, esse tal de Pixulé, antes de começar o desfile, cantou o samba todinho A CAPELLA... uma voz fantástica... um silêncio sepulcral acompanhou...foi um momento dos melhores deste Carnaval. Ainda não tenho o vídeo desse épico momento, mas aqui, neste vídeo, o autor do samba está a explicar como compôs pensando que era o Pixulé a cantar!

E falando em cantor, este ano foi o primeiro Carnaval em 50, na verdade 51 anos, sem a presença do Neguinho da Beija-flor puxando o samba da escola... foi um NeguinhodaBeija-florless Carnival, e agora, na dificuldade de encontrar um substituto, a escola de Nilópolis colocou um casal de cantores, que deram muito bem conta do recado.

Outra coisa interessante dessas minhas breves anotações de Carnaval é que notei ontem que o Presidente de Honra da Vila Isabel é ninguém menos que o notável Martinho da Vila, já com seus 88 anos, mas só que eu notei também que quem é o Presidente de Honra da Mocidade Independente de Padre Miguel, é ninguém menos que um certo Rogério de Andrade, um sujeito que tá preso. 

Ah esse Carnaval do Rio de Janeiro...____________________________________

(*) Gente!!!

Rita LEEberdade arrebentando na Sapucaí, com a Mocidade!

Desfile lisergicamente colorido!

Samba ótimo povoado de referências às canções da Rainha...

Alas incríveis! A dos bichinho amados por ela, tocante! A ala Ovelha Negra, genial!

Comissão de Frente com uma surpresa atrás da outra.

Perfeitooooo!!!!

_______________________________________

ATUALIZAÇÃO PÓS-CARNAVAL

O meu leitor Aziz Warrack, jovem colega da empresa em que trabalhei e neste ano completa 10 anos que saí, apareceu, depois de muito tempo, para comentar o meu post, pois ele ama Carnaval.

Ele acresceu dois comentários cuja imagem apresento na mensagem abaixo e comentarei sobre eles e um pouco mais, em seguida.













Vamos lá:


  1. Como assim, "ouvi na Rádio..."? Você acompanha os desfiles em radinho de pilha? Explique melhor essa afirmação, hehehe
  2. Interessante essa informação que você "ouviu no rádio", sobre o espetacular desempenho da Viradouro desde que voltou da "Série B", seja lá como chamam. Não havia me apercebido!!!
  3. Sobre a pergunta "Efeito Virgínia?"... tive que ir buscar mais informações! Eu havia ouvido sobre o tapa-sexo da tal Rainha de Bateria Virgínia, que descolou, mostrando o que não devia, mas isso não teria efeito suficiente para perturbar a performance, acho. Descobri que, na verdade, havia polêmica na indicação dela como substituta de Paolla Oliveira. Ela é uma influenciadora digital, que, claro, nunca ouvi falar, mas soube mais recentemente que se enamorou (que lindo!!) de Vinicius Jr, o astro do Real Madrid. Bem, sobre o desfile, dizem  que o costado que ela usou, que pesava 12 kg, atrapalhou sua evolução, tanto, aliás, que ela até o tirou em algum momento da coisa toda.
  4. Aí, vem o papo sobre a Viradouro... como eu disse, vi apenas o primeiro desfilede cada um dos 3 dias de desfile.... então, não vi o desfile campeão... mas soube antes que seria com enredo em homenagem a Mestre Ciça, quando vi a reportagem sobre a rainha de bateria global no Fantástico. Então não prestei atenção, mas me intrigou COMO a história de um mestre de bateria seria retratada na avenida, O QUE iriam buscar como grandes momentos DE BATERIA de sua carreira iriam passar no asfalto.
  5. Bem devem ter feito algo bom pois ganharam 100% de notas 10-Nota-10, sem necessidade de descartar a mais alta e a mais baixa na apuração. Incrível desempenho. Também não me lembro do samba, sorry. Mas vi, sim, nos melhores momentos uma coisa incrível: a participação do próprio Moacir na Comissão de Frente e depois saindo de cadeira de rodas até a porta de saída e depois na garupa de uma moto, para a concentração, onde foi levado pela mão da Rainha Juliana Paes até um carro alegórico que tinha uma plataforma enorma vazia, e que magicamente foi tomada pela própria bateria. Momento verdadeiramente mágico!!
  6. E QUE (vou usar maiúsculas propositais) FOI IDEIA DE QUEM, QUEEEM, QUEEEEEM? DE PAULO BARROS! Sim, na última vez que a Viradouro desfilou sob o comando de Paulo Barros como Carnavalesco, há 17 anos, apresentou essa espetacular ideia de evolução da bateria!!! Merecidamente homenageada!!!
  7. E pra terminar em número mágico, afinal "São 7 níveis!" como Paul McCartney descobriu, finalizo dizendo que TEVE PAULO BARROS, SIM, na Sapucaí 2026, pois ele desfilou, emocionado, como destaque, na própria Viradouro, satisfeito, claro, com a homenagem à sua idéia genial!! Valeu  muitooooo!
  8. aah vou quebrar a magia... fazendo o 8º ponto: eu não devo entender nada de Carnaval pois o desfile da Mocidade, que eu gostei tanto, em homenagem à Rita Lee, com tantos carros alegóricos lindos e um samba envolvente e cheio de referências à Rainha, não foi classificada para o Desfile das Campeãs! Aliás, quase caiu!!!! FOi a 11ª colocada!!
  9. aliás, (e vem o 9º!) uma outra escola que vi, e gostei, com samba maravilhoso, com letra inteligentíssima, caiu para a Série B, ou o que quer que chamen a segunda divisão do Carnaval.
  10. Faço um 10º ponto, pra fechar em conta certa, apenas para me despedir. FUUUUUI!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Sonhos de Trem - tocante.. e merecedor das indicações ao Oscar

Bem, ontem dei uma escapada até o AP de meu filho e vimos um EXCELENTE filme, indicado ao Oscar, de Melhor Filme, menos um na lista.  Faltam 5!

É Sonhos de Trem, dirigido por Clint Bentley.

(se fosse em Minas, seria com múltiplas possibilidades, mas aqui é TREM mesmo)

É a história de um lenhador nos Estados Unidos, em meados do Século XX, que é muito solitário e introspectivo, mas encontra um amor. A história encanta e é narrada em 3ª pessoa, mas os fatos vão acontecendo.

Ótimas atuações, ele, desconhecido, lembrou-me Robin Williams, ou o Mr.White do Breaking Bad, mas ela, Felicity Jones, é nossa velha conhecida esposa do Stephen Hawkings e também a mulher cadeirante do Brutalista. E foi bom rever William H. Macy num bom papel coadjuvante!

Tem uma menininha fofíssima, em raros momentos ternos de uma vida dura.

Filme verdadeiramente tocante, lento mas nunca cansativo!

Vale muito as duas horas em frente à telinha, na NetFlix!

E, a fotografia esplêndida, sem dúvida merecedora da indicação do Oscar para o Brasileiro Adolpho Veloso, que aliás, fiquei sabendo agora, trabalha no filme de Shyamalan que estreia em breve!!

A trilha sonora é marcante... muitos violinos ... e a canção tema concorre também a Melhor Canção Original. Concorre também a Melhor Roteiro Adaptado!

Com tantas indicações, a Netflx já disse que vai mandar pras telonas!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A Rua de Baixo - Uma crônica de Virgínia Abreu de Paula - Capítulo 1


Minha memorialista preferida nos encanta sempre com histórias de sua cidade... Montes Claros-MG

Neste LINK, A Introdução!

Agora, o Capitulo 1... o relato segue encantador

RUA DE BAIXO


Capítulo 1

    Ano de 1958. Estou sentada na poltrona da sala de jantar lendo meu livro de catecismo, quando chega minha mãe pedindo para eu “dar uma chegada lá em casa”... Querendo dizer, na casa dos meus avós.  Mesmo tendo se casado e mudado, a casa da Padre Teixeira continuava sendo a sua casa principal.

    Naquele dia, teríamos um almoço especial – um jantarado - com convidados. A sobremesa seria o doce de leite  pomadinha feito por vovó Lica, ainda sendo preparado. Com as empregadas atarefadas na cozinha e meus irmãos também ocupados, tinha sobrado para mim a tarefa de buscar o doce.  Ai que preguiça.  Era longe... Volto os olhos para o livro levando um susto. O texto fala exatamente sobre pecados veniais citando a preguiça como um deles. “Melhor espantar a preguiça agora mesmo.” 

    Levanto já disposta. Que longe que nada. Capanguinha à tiracolo, sigo até o final da nossa avenida; subo um quarteirão da Governador Valadares; dobro na Dr. Veloso; desço dois quarteirões e chego à Praça Dr. Chaves. Puxa, é longe, sim... A praça é enorme e só no seu final pego a Justino Câmara onde a cidade se transforma. Casas coladas umas às outras. 

    Até pouco tempo, as ruas eram calçadas com pedras enormes e redondas. No meio, nem pedras havia. Nas chuvas, que lamaçal. Foram calçadas com blokrets no ano anterior para a festa do centenário. A Padre Teixeira  recebeu asfalto! 

    Sigo meu caminho. O sol brilha no céu muito azul.  Por razões desconhecidas, sinto-me leve, apesar do calor. 

    Pronto. Cheguei. Antes de bater, a “porta da rua” é aberta por Lia de saída para algum lugar. - “Ei Ginoca, o que você está fazendo aqui? Não tem festa na sua casa?” - “Vim buscar o doce de leite!”

    Lia.  Minha prima filha do tio Waldemar. Desde criancinha mora com os avós. Linda como uma estrela de Hollywood. Visual típico da época: óculos escuros, saia justa preta, blusa vermelha e lencinho de “pois” em volta do pescoço. Antes de ganhar a rua, avisa: “Vovó, veja quem está aqui!” Vovó surge no final do corredor, Fatinha ao colo. Fatinha é sua neta, filha da tia Aracy, falecida pouco depois do seu nascimento. Peço a benção adulando a menininha. Pergunta vovó: -“Uai, você? E Joana?”  –“Está muito ocupada hoje,” explico.  

    O doce não estava pronto. Na cozinha, Dinha Preta, à beira do fogão à lenha, mexe o tacho. “Ei Fiinha. Está quase dando ponto...” Ouço o badalar do relógio. Uma hora da tarde. Vem do rádio, ligado na Nacional, a música tema do programa “A Crônica da Cidade”. De repente, aquela badalada, a música, a luminosidade da tarde e o delicioso perfume do jasmim Bogari junto à porta que dá para o quintalzinho, deixam-me comovida.  Digo “quintalzinho”  porque há dois quintais na casa.  Um grandão e outro menor que vai até ao muro junto à rua. Penso em fotografar esse momento ou mesmo filmá-lo para dele nunca me esquecer. 

     Tomo assento no banco de madeira junto à parede e fico apreciando, achando ser aquela a mais bela cozinha do mundo.  Grande,  como geralmente são as cozinhas das casas antigas. Meus olhos observam tudo. O armário rústico, o fogão aceso, lenha crepitando.  Dinha Preta, com seu pano branco na cabeça segue mexendo o tacho de cobre. Ao lado do fogão está a pia.  Muita luz entrando pelas portas e janelas. O cajueiro carregado de cajus amarelos. Ao fundo, o azul impressionante do céu. “Ah, se eu fosse pintora...” penso. Mas um quadro não mostraria o perfume nem o som da voz de César Ladeira dizendo a crônica. 

    Levanto. Vou até a portinhola olhar todo o quintal. Lá no fundo, junto ao muro, há um jasmineiro que, quando florido, perfuma toda a rua. Dá muitas lagartas, deixando Dinha Preta apavorada. - “Elas vem pra cima de mim fazendo a cão, a cão, a cão...” Imita o caminhar das lagartas com as mãos. Acho a maior graça.

    Desço para o quintal. Há duas pinhas já grandes na pinheira. Dou uma paradinha junto à árvore “Cama de Noiva”, cujos frutos se parecem com boizinhos. Se colocarmos pernas de palitos de  fósforos neles fazemos uma boiada. Muitas vezes brinco de fazendeira sentada à sua sombra. Não hoje. Sem tempo para isso. 

    Dirijo-me ao outro quintal.  Mangueiras, goiabeiras, mamoeiro, uma latada de chuchu... Que riqueza. Tem ainda a “casinha”. Antes de ser construído o banheiro interno usavam o do quintal, com fossa,  como em todas as casas.  Usado depois para banhos com água quente pelos raios solares. Arranjo de vovô.  

   O nome “casinha” não bate bem, pois é uma casa até grande.  À direita fica o banheiro e à esquerda um forno de barro.  A cisterna ao centro.  O cavalo de vovô está tranquilamente ruminando sob a sombra da mangueira. Ele é seu meio de transporte preferido para as idas diárias até sua fazendinha Renascença. Um cavalo lindo, pelo lustroso, considerado amigo do peito. Mas como entrou?  Só pode ter passado por dentro da casa para chegar até aqui. Puxa que legal!  Eu gostaria de ter visto. 

     E quem vem lá toda saracoteando? Soraya! Uma cachorra pastora alemã pertencente a meu tio Olimpio, o diabinho, ou dabinha, caçula da família. Ela me ama! Quando tomo assento,  coloca a cabeça nas minhas pernas para receber carinho. Hora de brincar um pouco correndo com ela pelo quintal.  - “Você com esse seu querer bem”... diz vovó da janela. Pergunto por vovô. - “Na tenda”, diz ela.  Preciso ir lá pedir a benção. 

    Entro na sala de jantar,  grande e clara, com duas janelas para o quintal. Muitas portas. Além dessa por onde acabo de passar, tem a da cozinha, a do banheiro, a do quarto dos donos da casa, a do  corredor, a do “quarto da rede”, e a do cômodo que dá acesso à casa vizinha.  No “quarto da rede”, além da própria, ficam as  arcas, sendo uma delas feita por meu bisavô Cassimiro, cheia de tachinhas. É nessas arcas que guardam as roupas de cama e toalhas.

    O que mais tem ali? Uma estante com os livros de vovó, geralmente romances e os livros de vovô, a maioria de cunho espiritual. O quarto da rede é também uma biblioteca!

    Enfim, todos os caminhos levam até a sala de jantar. Poucos móveis e muito espaço. Mesa grande. Na parede, o belíssimo relógio que badala de meia em meia hora. O lavatório fica ao lado da porta do banheiro.  Acima,  o filtro de água, marca Fiel. Estou com sede, mas não alcanço a torneira.  O jeito é  pegar água na talha.  Passo pela  cristaleira cheia de compoteiras, copos ornamentados com flores, um porta copo de folha de flandres, e até mesmo louças inglesas, estilo chinês, de Xangai. Sobre a cristaleira está o rádio de onde vem, novamente, a música tema do programa de crônicas, indicando seu fim. Lembro de lavar as mãos, pois tinha brincado com Soraya. Dou meia volta. - “Ô minha filha, está faltando toalha...No banheiro tem uma!”

    Entro lá dentro. Por muito tempo, esse banheiro foi  apenas sala de banho. De banheira.  Agora já tem chuveiro, privada, e uma beleza de lavabo de louça no móvel apropriado, com lugar para o jarro esmaltado.

   Já de mãos enxutas volto ao pequeno cômodo. Ali, fica a talha com água fresca retirada do filtro. Delícia de água.  Meus avós não possuem geladeira, mas a água é sempre fria graças a essa talha. Na tampa, uma  toalha de crochet tecida por vovó. Ao lado, uma mesinha com bandeja e copos, sendo um deles exclusivo de vovô, muito bonito, com seu nome. Há duas portas nesse cômodo. A da esquerda vai para o quarto de Dinha Preta. A da direita leva à “cozinha de vovó França”. Com certeza era usada por ela, a minha bisavó, que não conheci. Desço dois degraus. Se seguisse em frente entraria na casa vizinha, sempre  habitada por amigos íntimos ou familiares, como Elisa Mendonça, Tia  França e  Tia Aracy.  

    Viro à esquerda. Eis aqui a famosa Tenda.  É um quarto meio escuro onde meu avô trabalha nas suas diversas funções. Inventa coisas, faz pesquisas, faz música, lê e guarda seus pertences. Aqui  estão suas balanças de pesar ouro, sendo uma delas  herdada do seu avô Manoel, também ourives como seu pai. Guarda na Tenda a sua clarineta e a caixinha com seringas e agulhas, pois aplica injeções.  Tendo sido comerciante, dono da casa Souvenir, sabe como arrumar os objetos  nas devidas caixas,  de forma a tudo ser encontrado com facilidade. A Tenda é como uma venda, onde achamos lápis, borrachas, lâminas, tachinhas, pregos, e ferramentas como serrotes, martelos, chaves de fenda, facões. Esses últimos ficam presos numa cartolina e pendurados na parede. Organizadíssimo, contorna os objetos com lápis para saber quando algum foi retirado do lugar. 

    Nessa manhã, porém, ele não está no seu habitual processo criativo. Encontra-se sentado junto à janela onde há claridade. Está lendo um livro. Também daria um quadro a cena que vejo. A rusticidade do ambiente é de uma beleza indescritível. Ele tão bonito! Tão “antigo”...com seus óculos de aros dourados bem fininhos...Usava chapéu quando saía às ruas. Usava colete sob o paletó quando celebrava casamentos, pois entre as muitas atividades que exercia, estava a de Juiz de Paz.  Usava relógio de bolso! Quando se sentava de cócoras no quintal picando fumo para seu cigarro de palha, lembrava um matuto. Quando se aprontava, penteando bem os cabelos lisos e ainda pretos parecia um gentleman. Olho para ele lembrando do personagem interpretado por Gary Cooper no filme “Sublime Tentação”, visto há poucos dias. Semelhança no vestuário e também na mansuetude.

 –“A benção, vovô”.

 – “Deus te abençoe minha neta”. 

-“Que livro é esse?”

– “Uma beleza de livro: “A Era de Aquarius”. Diz aqui que chegará um tempo que todo sofrimento terá fim. Haverá harmonia na Terra e todos viverão felizes.”

 - “Nossa! Que beleza! E quando será?” 

-“Ainda estamos na era de Peixes. A de Aquários só virá depois do ano 2.000.” 

-“Ah...vai demorar muito!”, exclamo decepcionada. 

       Vovô gostava de assuntos diferentes do usual. Espírita Kardecista. Frequentador, como  seu pai,  do Centro Espírita Canacy. Evitava falar no assunto por ter prometido à esposa, católica, que jamais interferiria nos ensinamentos religiosos dos filhos. De vez em quando, falava alguma coisa fascinante. Como quando disse que voltamos em outro corpo para nova vida. “Quando eu voltar vou nascer na Suíça. Está decidido”. Tenho por mim que foi de lá que ele veio. Vendo vovô fabricando jóias era fácil pensar num relojoeiro suíço tal é o seu esmero e precisão. E como tudo que ele tocava recebia um brilho especial, inclusive as frutas, podemos imaginá-lo também como uma espécie de alquimista. Paixão pela música clássica, ouvinte assíduo do programa “Classe A” da Jornal do Brasil para apreciar Mozart, Beethoven, Debussy... Foi uma vez ao cinema, apenas porque o filme – Fantasia, de Walt Disney – era musical com temas clássicos.  

     Olho pela janela. Lembro de um desenho visto certa vez na biblioteca do meu pai. Mostra um homem à cavalo bem em frente à Tenda. Vemos a figura de  Augusto de Abreu na janela, o pai de vovô Olímpio. Meu bisavô.  O cavaleiro, que traz uma pedra na mão,  diz  assim: “Vigia, seu Augusto. Que pedra é essa?” Seu Augusto, nascido em Rio Manso, município de Diamantina, descendia de portugueses que vieram trabalhar nas minas de ouro e de diamantes. Seu pai, Manoel de Abreu, era ourives e o filho seguiu a mesma profissão tornando-se grande conhecedor de pedras preciosas.   Daí o pedido de avaliação. Era uma pepita de ouro! A primeira pepita encontrada em Montes Claros.  Dou-me conta, de repente, de estar num lugar histórico!

 -“O Senhor já tinha nascido quando aquele homem trouxe a primeira pepita de ouro?”, pergunto.  Vovô sorri. Conhece a história, mas não se lembra daquele dia especial. Faço outra pergunta ainda olhando para a rua já pensando  no outro bisavô, o pai de vovó Lica.  

-“Onde é que vovô Cassimiro morava?” 

- “Bem aí na frente. A casa era do seu compadre Etelvino, de Coração de Jesus. Vinha pra cá de vez em quando. Meu sogro queria muito que ele morasse aqui. Aceitou com uma condição: trocar as residências. Pois ele aceitou! Veio morar  na Padre Teixeira passando o sobrado no largo da Matriz para seu Etelvino. Isso é que é amizade”. 

-“Era aparentado conosco, não era? Casado com Sá Estela”, digo toda feliz por mostrar algum conhecimento. Vovô mexe a cabeça dizendo sim. Eu  prossigo.

 -“Papai conta que, numa noite, ele teve um pesadelo. Passou mal no sonho. Sá Estela viu que ele estava gemendo e deu nele  uma balançada. Sabe o que  falou quando acordou? -“ Deus te ajude Sá Estela.” Vovô dá uma risada e continua. 

– “Sá Estela tinha um penteado que ficou famoso. Um coque no cocuruto da cabeça”. 

Eu sabia, pois minha mãe costumava prender meus cabelos com esse penteado, chamado por ela de: “Coquim de Sá Estela”. 

   Antes de fazer meu comentário vejo vovó entrando para dizer que o doce está pronto. Hora de ir embora. Já na sala de visitas, ouço a voz de Dinha Preta: - “Ô Sá Lica... E a rapa do tacho? Será que Virgínia espera só mais um pouquinho?” Claro. Pela rapa do tacho eu esperaria até um poucão. Tomo assento no sofá. Sofá? Seria melhor chamá-lo de cadeira dupla. Cabe apenas duas pessoas! As demais cadeiras seguem o mesmo estilo. Nada de forros  sobre elas. Simplicidade e excelente qualidade. Cupins jamais atacaram os móveis dessa casa.  

     Coloco a capanga com o doce na mesa do centro da sala. Uma mesinha de pernas altas, diferente das que geralmente vemos nas salas de visita. Tão bonitinha! Dou uma olhada ao redor. Na entrada, fica o porta chapéus, móvel comprido com espelho, tão bonito quanto os outros. Na parede, uma tela de Lino Oliva mostrando a ponte sobre o Rio Vieira em direção ao bairro Santos Reis. Abaixo do quadro, está a porta do quarto de tio Olimpio, com maçaneta de porcelana branca. Entrei ali apenas uma vez para conhecer meu priminho recém nascido: Júlio César, filho de Tia França. Quarto com poucos móveis, sem tapete, sem luxo. No de vovô, há uma peça de beleza ímpar: o cofre. Grande, com desenhos na porta. Pesado. Ali ele guarda documentos importantes, talvez algum dinheiro, jóias...

     O mais chique na sala são as “tulipas” em cores suaves, predominando o verde e o rosa. Há delas também no teto do corredor onde fica a caixa d’água. Do lado oposto ao quarto de tio Olimpio dorme a prima Lia. Seu guarda-roupa tem espelho na porta. De vez em quando entro lá para ler revistas. A meu lado está a outra porta do quarto da rede. 

     Escuto um barulhinho... é Fatinha que chega se arrastando. Atrás dela está vovó com o doce de rapa. Coloco o  pacote  na capanga, peço a benção novamente,  abro a porta e ganho rua.  Pronto. Dei conta do recado. Sigo feliz, saltitante, cantarolando a música da “Crônica da Cidade”, que desde então, torna-se uma espécie de tema musical daquela casa querida: “Tam tam tam taram tam tam, tam tam taran tam tam tam tam taram tam tam...”.


Marcadores

Aglutinador (6) Aniversário (45) Arte (13) b (2) Baleia (44) bea (1) Beatles (1001) Blog News (115) By Homerix (13) Campanha (9) Carta (37) cele (1) Celebração (59) Ciência (9) Cinema (323) Comida (3) Comportamento (278) Comunicação (195) Concurso (23) Costumes (83) CULTURA (3) Cultura Inútil (32) Despedida (18) Educação (27) Energia (48) Esporte (57) Estatística (2) Facebook (2) Família (36) Futebol (137) Game of Thrones (9) Geografia (1) Geologia (1) Her Majesty (1) História (15) homenagem (98) Houston (49) Ícones (67) Idioma (58) Jack Bauer (7) James Bond (60) Justiça (35) Livro (274) Los Bife (68) Matemática (8) Memória (2) Mensagem (18) Música (212) Obama (20) Ouça e Leia (109) Pelé (31) Pesquisa (7) Pink Floyd (24) Poema (1) Poesia (98) Política (108) Propaganda (6) radio (3) Rádio (68) Reflexão (1) religião (43) Rio de Janeiro (44) Saga A Arma Escarlate (54) Saúde (64) Segurança (5) Show (100) Star Trek (21) Teatro (12) Tecnologia (3) TV (123) Viagem (122)

45 Anos de amizade bem celebrados

   Como assim, já passou Mais um 5 de fevereiro? Homerix já atualizou Seu poema petroleiro! Foi uma saga peculiar, Seguimos firmes com afinc...