domingo, 2 de fevereiro de 2025

John Lennon - uma vida repleta de traumas!!

 



Esta é a 49ª edição de OUÇA e LEIA

onde você ouve uma historinha minha 

clicando no Play aqui em cima

conforme saiu no Submarino Angolano de 14 de fevereiro de 2025.

e se quiser, lê o que está ouvindo!

Abaixo, a transcrição do texto correspondente!
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O dia 8 de Dezembro é uma data notória!

         Ela se encaixa, para muitos, num pequeno grupo das datas mais conhecidas pelo Mundo Ocidental, como:

Crescendo instrumental  de A Day In the Life    

25 de Outubro de 1917 - Revolução Bolchevique, 

   6 de Junho de 1944 - Desembarque na Normandia,

      22 de Novembro de 1963 - Assassinato de John Kennedy,

         11 de Setembro de 2001 - Atentado terrorista EUA

            5 de Novembro de 2008 - Um presidente negro é eleito nos EUA

               8 de Dezembro de 1980 .....

Crescendo instrumental  de A Day In the Life

 

  O ano, 1980;

     O fato, um assassinato;

        O país, Estados Unidos;

           A cidade, New York;

              O endereço, Rua 72, Nº 1;

                 O local, entrada do edifício The Dakota;

                     A noite, pouco enluarada;

                        O dia, uma segunda-feira;

                           A hora, 22:50;

                     O modo, tiros de revólver;

                 A bala, Dum-Dum, que explode ao atingir o alvo;

            O ferimento, 4 perfurações nas costas;

       O assassino, Mark David Chapman;

    A vítima, John Winston Lennon;

O motivo, desconhecido.

POIS É.... 44 ANOS SEM ELE!!

Final PIANO com o MI de A Day In the Life

 

    Pois é, nesse dia, Sean e Julian perderam o pai, Yoko Ono perdeu o marido, Paul McCartney perdeu seu grande parceiro e amigo, o mundo das artes perdeu um gênio, os defensores da paz perderam seu ativista mais famoso! E, em última instância, porque não dizer, o mundo da música perdeu a esperança de ter os Beatles de volta, da maneira mais trágica e definitiva possível!

Imagine com John Lennon

    Naquele dia, uma lágrima rolou em muitos milhões de rostos por todo o mundo, tristes pela perda, chocados pela surpresa, indignados pela violência. O fato provocou enorme demonstração de consternação, uma das maiores da história, quando, em muitos pontos do planeta, tudo parou por 10 minutos, numa vigília realizada 4 dias depois, em homenagem ao astro desaparecido.

    Terminava então, tragicamente, a passagem de John Lennon pela Terra. Uma vida de sucesso entremeada por momentos traumáticos.

Sons de bombardeios aéreos

     John veio ao mundo numa noite iluminada, em 9 de Outubro de 1940!

     Felizmente, naquela noite a iluminação era apenas no sentido figurado. Mas houve outra, na época, que foi provocada pelo intenso bombardeio alemão que atingia regularmente a cidade de Liverpool, que era, então, o mais importante porto da Inglaterra, porta de entrada das mercadorias provenientes da América, o segundo alvo inglês preferido da  poderosa Luftwaffe, Força  Aérea  Alemã, durante a 2ª Guerra Mundial! Os bombardeios começaram em agosto de 1940 e foram até janeiro de 1942, mais de 4 mil Liverpoodlians morreram! Lennon  já é um sobrevivente, desde sempre... bem... até aquele 8 de dezembro...

Sons de marinha mercante

    O pai de John, Alfred, garçom de navios, abandonou a família logo depois da nascimento do menino e partiu, pelo mundo, num navio mercante. A mãe, Julia, não perdeu tempo e logo se casou novamente. O padrasto, no entanto, não queria saber do filho do outro. John cresceu, então, na casa de Tia Mimi, irmã de Julia. 

         Sons de canção infanti da época de John menino

Apesar do ambiente familiar de classe média, propiciado pelos tios, John cresceu revoltado com o abandono dos pais. Seu comportamento rebelde causava, frequentemente, enormes constrangimentos à tia Mimi.  Ele conseguiu ser expulso do jardim de infância, aos cinco anos de idade, dentre outros eventos!

    Mas, John gostava muito de sua tia Mimi! Assim que ele ganhou dinheiro suficiente com os Beatles, deu a ela, de presente, uma bela casa de praia, toda mobiliada, em que se destacava um quadro com uma guitarra pintada a óleo e uma inscrição em letras douradas que repetia as "sábias e proféticas" palavras dela, proferidas alguns anos antes:

Tudo bem quanto a tocar guitarra, John,

mas não pense que vai ganhar a vida com isso!

 Julia, dos Beatles,

    Aos 15 anos, John voltou a conviver com Julia, e tinha nela, não só uma mãe, mas uma amiga, com seu espírito jovial. Amante do Rock and Roll, que começava a despontar nos Estdos Unidos, ela ensinou a John os primeiros acordes musicais em um banjo. Extrovertida, andava com John para todos os lados, e os amigos dele a adoravam, Paul McCartney, inclusive. Brincalhona, costumava andar com óculos sem as lentes, parava um transeunte e pedia-lhe uma informação qualquer. Enquanto a escutava, Julia coçava os olhos através dos aros, só para ver a reação do coitado!

 Mother, de John Lennon,

    Tudo ia muito bem, até que o destino deu um duro golpe no rapaz: em julho de 1958, quando atravessava a rua da casa de sua irmã para pegar um ônibus, Julia foi atropelada por um policial bêbado, de folga, sendo lançada a metros de distância, e morrendo instantaneamente, aos 44 anos de idade.

Gravação da época pré-fama comStuart Sutcliffe

    No Liverpool Art College, onde estudava, John, por seu temperamento arredio, tinha poucos amigos. O melhor deles, um elogiado aluno de pintura, Stuart Sutclife, era o companheiro de todas as horas, dos bons e maus momentos, das brigas e das farras com as garotas. Por insistência de John, que o convencera a comprar uma guitarra-baixo, Stuart acabou fazendo parte dos Beatles, bem antes da fama.

    Entretanto, o negócio dele era a pintura!

Som de conversas em alemão, ou uma música alemã típica

Em Hamburgo, na Alemanha, onde os Beatles permaneciam longos períodos, eles conheceram Astrid Kirchherr, uma fotógrafa intelectual que logo se apaixonou por Stuart. Astrid foi responsável pelas primeiras e históricas  fotos dos Beatles. Numa dessas viagens, Stuart optou por desenvolver seu elogiado trabalho na pintura e acabou ficando por lá, vivendo com a namorada Astrid. Algum tempo depois, no entanto, morreu, com 21 anos de idade, vítima de um aneurisma no cérebro, lesão provavelmente iniciada em uma das muitas brigas em que se metia juntamente com John. 

 Sons de Hamburgo

Este último carregou, desde então, uma ponta de culpa pela morte do melhor amigo, pois tais brigas eram invariavelmente causadas por ele e sua língua ferina.

Essa perdas marcaram  John sobremaneira… Logo isso começou a manifestar-se em suas composições… Se Paul era quem mais contava histórias, e George falava às pessoas… John se mostrou como o  único Beatle que falava sobre si mesmo … e pedia socorro..

HELP, dos Beatles

Mesmo quando aparentemente está a contar uma história sobre alguém

He´s a real Nowhere Man sitting in his nowhere land…

Ou parece estar a dar conselhos a alguém…

Nowhere man, please listen, you don´t know what you’re missing, Nowhere Man the wo-o-orld is at your command

… na verdade ele está falando sobre si memso..

John Lennon É o Nowhere Man….

Apesar do susesso, ele se sentia perdido..

Knows not where he's going to 

Isn't he a bit like you and  me


Ou ainda, quando cantava a vida do marido preso à vida do lar assistindo TV

Good Morning Good Morning, dos Beatles


People running round, it's five o'clock

Everywhere in town, it's getting dark

Everyone you see is full of life

It's time for tea and meet the wife

Somebody needs to know the time, glad that I'm here

Watching the skirts you start to flirt, now you're in gear

Go to a show you hope she goes

I've got nothing to say, but it's okay

Good morning, good morning, good

Good morning, good morning, good

.. é sobre ele mesmo que John fala…. John se sentia frustrado, John engravidou Cynthia, não fugiu à reponsabilidade, casou ainda antes da fama e foi o primeiro Beatle a se casar…. Filhinho pequeno … vivia isolado, mas queria ser como Paul….

Mas quando John decidia dar mensagens aos outros, era para o mundo todo…

Começou quando descobriu a palavra AMOR

The Word, dos Beatles

Say the word and you'll be free

Say the word and be like me

Say the word I'm thinking of

Have you heard the word is love?

It's so fine, it's sunshine

It's the word, love

E seguia pregando a mensagem definitiva para um mundo sem violências, tudo o que o mundo precisa é AMOR

All You Need is Love, dos Beatles

    Após três anos de fama mundial, os Beatles, influenciados pelo ambiente em que viviam, se tornaram vítimas naturais das viagens prometidas pelas drogas alucinógenas, ajudados até mesmo pela ingenuidade de sua juventude, que não estava muito bem informada sobre a magnitude de seu efeito nocivo. Começaram pela maconha e logo chegaram ao LSD, o ácido lisérgico.

    John era sempre o pioneiro nos experimentos e não há dúvidas que muitas de suas melhores músicas foram produzidas nessa época, durante 'viagens' alucinantes, apesar de ele sempre negar. 

Lucy in the Sky with Diamonds

Uma das negativas mais famosas foi quanto à famosa Lucy in the Sky with the Diamonds, acusada de ser uma ode às drogas, por causa das iniciais L, S e D. John negava, veementemente, a influência, pois a inspiração viera de um desenho de Julian, seu primeiro filho, então com quatro anos, que mostrava sua amiga Lucy voando em meio a diamantes. Sim, é verdade, entretanto, após observar a letra da música, povoada por citações como  ....

cellophane flowers of yellow and green... ,

towering over your head,

look for the girl with the sun in her eyes and she's gone

 é... não há como negar alguma influência!

    John foi mais fundo e chegou à beira do abismo! Uma vez, em meados de 1967, gravavam Getting Better, música de Paul mas com uma confissão de John

Getting Beatter no trecho da ponte

I used to be cruel to my woman

I beat her and kept her aparto from the things that she loved..

man I was mean, but I’ve changed my scene

and I’m doing the best that aI can …

 I admit it's getting better…

Paul McCartney e George Martin estranharam a ausência prolongada de John em uma sessão de gravações nos estúdios da EMI em Abbey Road, traçaram seu caminho e encontraram-no no telhado do edifício, pronto para realizar de verdade o sonho de voar, que sua mente, então afetada, lhe sugeria em imagens alucinantes.

Cold Turkey, de John Lennon

    John só se libertou das drogas após um intensivo tratamento a que se submeteu em 1971 juntamente com Yoko, em Los Angeles, num momento em que até heroína havia entrado em seu cardápio alucinógeno.

    Profundo admirador de New York e do American way of life (e para fugir do Taxman britânico), John decidiu fixar residência nos Estados Unidos em finais de 1971. Mas não seria nada fácil!

Give Peace a Chance, de John Lennon

Participante ativo de várias manifestações pela paz, John era visto pelas autoridades de segurança americanas como um verdadeiro animal político, e teve todas as dificuldades possíveis para obter permissão para viver em solo americano. A CIA, principalmente, e o FBI, mantinham vigilância constante em todos os seus passos. Ele fazia parte de um seleto grupo de 7.200 indivíduos considerados muito perigosos pela CIA. Seu telefone era grampeado, seus passeios, tanto a pé quanto de carro, eram seguidos de perto por agentes nada discretos.

Working Class Hero

A pressão era tamanha que chegou a comentar com amigos:

    "Caso algo aconteça a mim ou a Yoko, saibam que não foi acidente! (.....)"

… e todos sabem o que aconteceu, não é…

MI final de A Day in the Life, dos Beatles

     Seu Greencard (e de Yoko) só foi concedido no início de 1975, após longo processo, quando ele já havia diminuído a zero seu nível de atividade política.

    Em 9 de Outubro de 1975, nasceu Sean, seu primeiro filho com Yoko, após 3 abortos não programados, devido à idade já avançada à época para uma gravidez segura.

Beautiful Boy

   John anunciou, então, que iria retirar-se, completamente, da vida artística por um período indeterminado, um pouco por pressão de Yoko e muito por remorso: John se culpava por não ter acompanhado de forma adequada o crescimento de seu primeiro filho Julian, então com 12 anos, devido à loucura da Beatlemania. Decidiu então que, desta vez, seria diferente!

    Durante quase cinco anos ficou em casa, trocando fraldas, fazendo pão, preparando mamadeiras e dedicando-se totalmente a Sean enquanto Yoko cuidava (e bem!) da administração de seu patrimônio. Só pegava no violão pra cantar para seu filho e ensinar-lhe, ainda que prematuramente, os primeiros acordes.

    Em meados de 1980, decidiu que era hora de voltar!

(Just Like) Starting Over, de John Lennon

Numa viagem para as Bermudas, produziu, em poucos dias, material musical suficiente para encher dois álbuns completos. Numa primeira seleção, montou aquele que seria seu último álbum, enquanto vivo, Double Fantasy, cujo carro chefe era a faixa (Just Like) Starting Over, que, já no título, anunciava o seu começar de novo.

Grow Old With Me, de John Lennon

    Seu retorno foi festejado pela imprensa, que, seguidamente, o chamava para entrevistas. Numa delas, realizada naquela mesma segunda-feira, 8 de Dezembro de 1980, aos 40 anos de idade, um Lennon de bem com a vida desfilou seu clássico humor e, entre devaneios sobre vida e morte, declarou:

"Eu e Yoko já temos tudo planejado 

para chegarmos até os 80 anos!"

     Tudo poderia ter saído conforme seus planos se, na volta dessa entrevista, um certo jovem de Atlanta, que eu prefiro não dizer o nome, não o estivesse esperando em frente ao The Dakota para, após cumprimentá-lo e deixá-lo seguir, apontar uma arma para suas costas e chamar:

                                             "Mr. Lennon!"

Disparos de bala e aquele mesmo MI Final

Rock And Roll Music... mas que vocal de John Lennon!!!!

 

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Esta é a 48ª edição de OUÇA e LEIA

onde você ouve uma historinha minha 

clicando no Play aqui em cima

conforme saiu no Submarino Angolano de 1º de fevereiro de 2025.

e se quiser, lê o que está ouvindo!

Abaixo, a transcrição do texto correspondente!

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4. Rock And Roll Music (Chuck Berry)

"Não me venha com jambo, mambo, tango, o que eu quero ouvir é Rock And Roll". 

Desde 1959, eles tocavam essa canção em shows, então não foi difícil escolhê-la para o álbum. E também não foi difícil gravá-la! Quer dizer, ficou fácil porque eles eram The Beatles!! Relembrando a histórica gravação de Twist And Shout, John não precisou de mais que UM TAKE para finalizar o trabalho, de uma também histórica sessão, de 9 horas de duração, em que gravaram outras SETE canções, sendo SEIS delas aproveitadas no álbum, uma eficiência impressionante.

    Trecho de Everey Body's Trying To Be My Baby, 

    de Carl Perkins, cantada por George Harrison

Era a penúltima sessão em que se dedicaram a Beatles For Sale, no profícuo 18 de outubro de 1964. Então, havia pouco tempo para se gravarem poucas canções, mas os rapazes não decepcionaram, inclusive George também fez sua cover de Carl Perkins em um take só!!! Estavam afiadíssimos!!! 

    Entra o piano de George Martin (será?), isolado!!

Existe uma dúvida se o piano que se ouve é de George Martin tocando ao vivo junto com os rapazes, ou se acrescentaram alguma partes posteriormente e se foi Paul ou John, ou há ainda uma versão de que os três se sentaram juntos, uau!

    Segue o piano

O vocal de John foi mais que perfeito! 

    Vocal isolado COMPLETO de John Lennon

Rock and Roll Music é a primeira Cover do LP, na posição 4 do Lado A. 

    Trecho ao vivo do programa  Saturday Club da BBC

Eles tocaram a canção na BBC, na TV e em vários shows, totalizando 87 vezes, até 1966, último ano das apresentações ao vivo. Claro que ao vivo não há o espetacular piano, mas dá pra ver como john está afiadíssimo cantando uns dois tons mais alto que Chuck Berry! Impressionante tenor! 

   Rock and Rool Music, de Chuck Berry, ao vivo, 

    na última vez que que a tocaram ao vivo



domingo, 26 de janeiro de 2025

O filme sobre Brian Epstein, na visão de Virgínia de Paula

 

Mais um texto de Virgínia Abreu de Paula

A Maior Beatlemaníaca Que Eu Conheço!!

E eu quero dizer no sentido amplo, ou seja, não dentre as mulheres, mas dentre todos os seres humanos!

Já abri espaço para ela em meu blogo, com muita honra. 

Quem quiser se deliciar com mais textos dela, clique AQUI.

Ela fala sobre suas impressões sobre o filme que retratou a vida de Brian Epstein, o empresário dos Beatles, em contraposição ao que se vem dizendo sobre o filme.

ELA ADOROU!

Este texto foi publicado no grupo de WApp que mantemos, com alguns ouvintes do Submarino Angolano, programa de rádio FM de Angola que fala sobre Beatles todo sábado há quase 24 anos, do qual sou contribuidor já há mais de 3.

Vamos lá!

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Eu lembro de ter comentado sobre o filme  Midas  Touch. Será que acertei o título?  Tem Midas no meio. Acho que  já sabem que nem vejo filmes biográficos. Alteram muitas coisas,  acrescentam o que nunca aconteceu, ignoram coisas importantes.  E o povo costuma acreditar. Não sabem que é apenas entretenimento. Nâo são documentários.  Teria de vir com letras garrafais que são apenas inspirados nas pessoas célebres.  Mas quando se trata de Beatles, eu vejo assim mesmo, porque...são sobre os Beatles. Eu ainda tinha visto nenhum que realmente me tocasse. Confesso que não vi muitos.  Detestei o tal Yesterday. E, apesar de ter gostado do início de Nowhere Boy, logo parei de gostar.  Mudaram demais da conta.  Yesterday ousa remover de vez a importância dos Beatles.  …

Eu não fiquei pensando assim vendo o filme. Eu senti assim, sem precisar pensar. Sem precisar de usar palavras. Meu coração pulsava com eles e eu simplesmente soube.  Mesmo sendo atores, eu soube. Se o filme fosse ruim, não causaria  tamanho insight dentro de mim.

Mas o filme tinha este objetivo? Creio que nem imaginam que algo tão intenso poderia acontecer com uma fâ. O filme pretendia nos contar sobre Brian Epstein.  Pois tambem conseguiram.  Eu nao falo sobre detalhes de sua vida, pois pouco sei.  Pode ser que poderia ter ido mais fundo.  Nada falam sobre sua ida à Espanha com John. Pelo menos, não vi.  E eu tive de sair de perto por alguns minutos.  Mas posso imaginar que sentiram ser algo que poderia causar polêmica. Afinal de contas, o mundo ainda é homofóbico.  Homossexualismo já não é crime na Inglaterra, perante a lei. Mas perante muitos seres humanos, ainda é algo vergonhoso. Melhor não incluir nenhum menino Beatle nessa história, devem ter pensado assim.  Mas sobre seus sentimentos, seu sofrimento devido ao preconceito,  seus erros nas escolhas dos parceiros, está tudo lá e de forma bem explícita. Eu, de cara,  não fui com a cara daquele sujeito com quem ele se envolveu. Mas não tive como avisar. Eu, ali vendo de perto. Mas era filme, que coisa. Gostei muito da atriz que fez sua mãe. Gostei dele nos falando sobre a carreira dos Beatles, o que acontecia com eles, de forma resumida. Tinha de ser de forma resumida mesmo, pois o filme seria, principalmente sobre ele. Claro que teria sido ainda melhor poder ouvir músicas de Lennon/McCartney, Harrison e Starkey.  Porém, eu entendi na hora enquanto via.  Problemas de direitos autorais.  Pelo menos escolheram ótimas músicas não escritas por eles. Só por Besame Mucho vale ver o filme.  E aquele ator que fez Paul?  Agora, graças ao mergulhador, sei  que seria outro, que treinou e treinou...e não foi escolhido. Duvido que teria sido melhor que o escolhido. O menino,  em certas horas, parece mais com Paul que o próprio Paul. Não é questão do físico só. Os gestos, o virar com a cabeça, a mão  no queixo com cabeça inclinada. É perfeito.

Ele é mais um motivo para não considerar o filme como o pior do ano. Um filme com aquele Paul nunca poderia ser o pior.  Só fiquei frustrada no final, porque preparam o ambiente perfeito para All You Need is Love. Ali achei que a música seria cantada, que teriam conseguido autorização. Mas não aconteceu. Devido a preparação, ela tinha de ter sido inserida. Ficou como nos  mostrar uma beleza de torta saborosa, e quando você pensa que vai provar dela, a retiram para longe.  Mas me emocionei de novo ao ver Brian atravessando Abbey Road.

Quanto ao ator, sim, eu gostei dele. Não se parece fisicamente com ele, mas tornou-se ele.  Realmente, o jeito de falar poderia ser melhor. Concordo.  Mas, sua expressão, sua atuação foi primorosa.  Eu fiquei convencida.

Ah, onde achar o endereço dos realizadores? Precisam sabem que foi apreciado por algumas pessoas. Não creio ter sido a única.

domingo, 19 de janeiro de 2025

I Miss Elis ...



 
Sinto falta de Elis Regina. 

Hoje, ela teria quase 80, mas ...

No dia 19 de janeiro de 1982, ela foi encontrada morta em seu apartamento, intoxicada por álcool e cocaína. Aos 36 anos de idade...

Naquela data, eu ficava órfão de novo, pouco mais de 13 meses depois da partida de John Lennon. Portanto, agora, órfão musical de pai e mãe. Lembro-me do momento em que ouvi a notícia. Estava na Bahia, começando meu estágio de campo como Engenheiro de Petróleo.

Não apareceu até hoje, nenhuma cantora que se equiparasse a ela.

Algumas bateram na trave, mas faltavam detalhes, que se encontravam todos nela, uma conjunção cósmica. Uma Pelé de saia e com voz.
 
Gal? Bethania? Simone? Fafá? Zizi? Joana? Marina?

No way!!

Eu a vi, pela primeira vez, no Festival da Record de 1965, quando defendeu "Arrastão", com seus braços giratórios qual dois ventiladores anti-sincronizados, berrando 'J'ouviiiii, olha o arrastão entrando num mar sem fim...", com um cabelo horroroso todo armado, coisa da época. Em 1967, no maior festival de todos os tempos (neste LINK), defendeu "O Cantador", ganhando o prêmio de melhor intérprete, coisa que a partir daí não necessitaria disputar nunca mais. Primeiro que não disputaria mais mesmo, segundo que, se participasse de algum concurso do gênero, seria considerada 'hors-concours', sem qualquer contestação.



A década de 1970 viu uma Elis maior que o samba e a bossa nova a que se dedicou no começo de carreira, em que teve um de seus grandes duetos, com Jair Rodrigues. Uma Elis aprimorando seu domínio vocal até um ponto inalcançável por nenhuma outra. Uma interpretação visual diferenciada, com sentimento teatral. E um visual diferente, com cabelo curtinho. .
 
Ali, ela começava a lançar compositores que se mostrariam monstros sagrados, como Milton Nascimento "Maria, Maria!", João Bosco "O Bêbado e o Equilibrista", Ivan Lins "Madalena", Renato Teixeira "Romaria", Zé Rodrix "Casa no Campo", Marcos e Paulo Sérgio Valle "Black is Beautiful". Comprei o meu primeiro LP  de Elis em 1971, justamente o primeiro desta fase, ótimo 'ELA', aonde me marcou a interpretação da canção dos irmãos Valle, com gritos lancinantes e afinadíssimos. Como brinde, uma brilhante interpretação de "Golden Slumbers", dos Beatles.
 
Claro que os velhos  e já então consagrados compositores tinham em Elis sua maior intérprete. GIlberto Gil, Tom Jobim, Chico Buarque, entregavam a ela coisas como "Se eu quiser falar com Deus", "Águas de Março" e a espetacular "Atrás da Porta"... Isso só pra mostrar uma canção de cada um deles, que sempre a procuravam para cantar, digo, interpretar suas obras. Isso mesmo: Elis interpretava, como ninguém, sentia e transmitia o clima da música. Uma interessante exceção nesse rol de monstros sagrados foi Caetano Veloso. Sim, ele deu a ela 'Cinema Olympia', mas se não me engano, ficou quase que só nisso. Caetano privilegiava sua irmã Bethania e sua conterrânea Gal. O que não o impediu de fazer uma grande declaração. Em um festival de 1973, em que Elis foi recebida com frieza pela platéia, Caetano pegou o microfone e disse: "Um pouco mais de respeito, por favor, pela maior cantora desta terra!". DEcerto ele quis dizer, da nossa terra, Brasil, mas eu colocaria um T maiúsuclo sem pestanejar. Até hoje, os especialistas se curvam diante do incomparável talento da baixinha fenomenal, boquiabertos e se perguntando: 'O que é isso?!"

Em 1975, Elis lançou um marco na história da música, o espetacular "Falso Brilhante", que teve mais de 1.200 apresentações em São Paulo. Numa delas, teve minha presença, em 1976, quando cursava o 1º ano da Poli. Pude presenciar duas das melhores canções de Belchior, outro que ela lançou ao estrelato, as ótimas "Como Nossos Pais" e "Velha Roupa Colorida", em que ela arrasou, ainda que incomodada com "a ponta de um torturante bandaid no calcanhar" (genial sacada de João Bosco, na verdade, Aldir Blanc, o letrista da dupla).

Não se esquecer jamais das grandes interpretações que teve do celestial Adoniran Barbosa, em especial quando dava um tiro no Árvaro. E, seguindo na linha do humor, entrego aqui, neste LINK, um dueto tão inesperado quanto magnífico, dela com o humorista Chico Anysio, outro iluminado, interpretando Canto de Ossanha, aliás, uma ótima oportunidade de relembrar mais um dos deuses da música que 'usaram' Elis, Vinicius de Morais, aqui numa parceria com Baden Powell.

Vida pessoal? Complicada, muito por sua língua ferina, honrando seu apelido de 'Pimentinha'. Do primeiro casamento, com Ronaldo Bôscoli, que não deve ter sido fácil, como vimos no seriado "Maysa", teve um filho, João Marcelo, hoje elogiadíssimo produtor musical. Do segundo, com César Camargo Mariano, teve os filhos Pedro, cantor e compositor, e a hoje famosa Maria Rita, que até tem o mesmo timbre da mãe, mas a potência, quanta diferença!!!

Encontramos um novo Pelé? Não!

Encontraremos um novo Pelé? Não!
 
Se trocar Pelé por Elis,
e adaptar-se o gênero
nas duas frases acima,
aplica-se ypsis literis.
Pra mim, sem dúvida.


 Homerix Lembrando Elis Ventura

OUÇA e LEIA - A Gênese da Capa de Abbey Road - Minha 1ª Participação no Submarino Angolano

             Por que não vamos lá fora e atravessamos a rua? disse um suheito a seus amigos, há  57 anos, neste 8 de agosto. Essa pergunta, ...