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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Eu sou Malala!



Este é o nome do livro que li, mas após lê-lo, eu digo.


Eu sou Malala!


Com ‘eu’ significando ‘eu’, Homero, Homerix para os íntimos da rede. 'Tô' com ela e não abro!!

Que história fantástica, da menina que foi atingida pelo Talibã.

O livro é feito em primeira pessoa, com Malala contando como foi o ataque, o dia, o momento, as primeiras reações, mas logo volta para como aquilo foi originado, ela fala sobre o Paquistão, seu país, desde sua criação, em 1948, para concentrar os muçulmanos da Índia, antes que todos, eles e os hindus, se matassem uns aos outros, passa pela política e pelos líderes que se sucederam ao criador do Estado paquistanês, inclusive Ali Khan, Ali Bhutto e Benazir Bhutto, todos assassinados, discorre sobre alguns dos desastres naturais que acometeram o país, desde um terremoto avassalador até uma enchente que foi considerada até mesmo mais destrutiva que o tsunami japonês, conta a evolução do Talibã, como eles foram entrando e destruindo e matando e decapitando por motivos simples em nome de Allah, como a recusa em usar barba ou o hábito de dançar ou o desejo de estudar, proibido a meninas.

Aí entra a participação de Malala. Estudante da escola de seu valoroso pai, que relutou até o fim contra a imposição do fechamento da ala feminina, Malala desde cedo não se conformou, começou a se expressar e falar, via escolas sendo fechadas, ou mesmo destruídas (foram mais de 400 no aís), aos 11 anos manteve um blog na BBC, anonimamente expondo a situação da educação de sua cidade, seu vale, sua província, seu país, depois abertamente, começou a aparecer, colocando suas idéias, e claro, apareceu demais até que foi vítima do ataque, em outubro de 2012, quando ela tinha 15 anos, quando levou um tiro que entrou pelo lado esquerdo de sua testa e parou no ombro (não sei que ângulo é esse, mas assim foi). Felizmente não atingiu seu cérebro, nem nenhum outro órgão vital.

Os momentos que se sucederam, de pânico, culminaram numa operação salvadora, ainda no Paquistão, feita por um médico militar paquistanês, que abriu seu crânio para aliviar a pressão no crânio, que a salvou, e colocou o pedaço de crânio retirado numa cavidade abdominal, para ser preservado para futura recolocação. O procedimento foi elogiado por médicos ingleses, mas sua recuperação só ocorreria se fosse retirada do país. Um Emirado Árabe mandou um jato de luxo, totalmente equipado, que a levou a Birmingham, Inglaterra, aonde vive até hoje. Uma outra operação crucial foi feita lá, restaurando 85% de um nervo facial, que restauraram seu sorriso. Ela a fez recuperar os movimentos do lado esquerdo do rosto, porém mantendo marca, com uma leve retração labial e ocular daquele lado. Na mesma cirurgia, recolocaram o topo de seu crânio, mas não aquele guardado em seu abdôme, e sim um de titânio, considerado mais adequado e de menor risco. Ah, sim, claro, retiraram opedaço original acabando com o calombo que ela sentia!!!

Ficou no hospital por 3 meses, e mais 3 meses depois voltou a estudar ... e logo em seguida, voltou a falar, e como falou. Sugiro fortemente que a ouçam. Podem começar com o seu discurso ao receber o Prêmio Nobel da Paz em 2014. Emocionante o agradecimento ao pai, que a deixou voar! Que eloqüência! Fala de improviso, apenas recorrendo a algumas notas. Recebeu incontáveis prêmios, já falou em Oxford, em Harvard, na ONU e dezenas de outros lugares, aplaudida de pé em todos eles, foi capa da TIME, é recebida por líderes mundiais, é considerada a adolescente mais influente do mundo, tudo isso antes de completar 18 anos, o que ocorre mês que vem. Criou a Fundação Malala, com o objetivo claro de educação para todos, que recebe doações de todo o mundo (Angelina Jolie doou 200 mil dólares). 

Enfim, que menina!

Ela tem saudades de seu vale, o Vale do Suat, quer voltar ao Paquistão, e já declarou que seguirá na vida política. Decerto que ganhará qualquer coisa que dispute.

Torcemos que continue sua brilhante caminhada, em paz, e sem sustos!!!

2 comentários:

  1. Homerix,

    Muito boa a sua postagem. Notável o exemplo dessa menina. São essas pessoas que mudam o mundo, que não se calam, nem se omitem diante das opressões, das ameças ditatoriais, das ameaças terroristas. São pessoas com esse perfil que ajudam a evitar que modelos ditatoriais e destrutivos como a "revolução bolivariana" (pobre Bolívar, quem se fosse vivo, então, provavelmente, seria um oposicionista à essa revolução), que produziu imensa degradação na Venezuela, inspirada noutra ditadura, a cubana, com requintes de franquia, espalhando sua incompetência ao um grupo de países que produz notável (só não vê que, não quer) polarização na América Latina: os lúcidos, com comparativamente melhor desempenho econômico, IDH, educação, etc; e os malas "bolivarianos", marcados até mesmo pela falta de papel higiênico para limpar tanta... Precisamos de mais Malalas e menos malas "bolivarianos" e similares, para um mundo melhor.

    Aproveitando o ensejo, parabéns pelo uso da norma culta ao escrever esta postagem. Impossível pronunciar o vocábulo eloqüência sem o trema.

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  2. Maravilhosa postagem, caro Homerix. É de emocionar...

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