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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

HEEEEEELP!!!! Eles só melhoram!!!!

                                                                                                                   Capítulo 40 

Esta é minha saga  

O Universo das Canções dos Beatles


Todos os Capítulos têm acesso neste LINK 

O ano de 1964 fora aquele estouro de sensações e conquistas inimagináveis para um grupo de jovens que romperam o ano com 20 a 23 anos de idade: dois álbuns que foram ao topo no mundo todo, um filme, inédito para uma banda de rock, de sucesso  também mundial, conquistou a América. E 1965 viria com mais dois álbuns e mais um filme, todos igualmente de sucesso mundial. Parecia que se cumpria, a cada dia, a profecia que eles mesmos se auto proclamavam, quando John perguntava: Where're we goin', fellas?" e os outros: "To the top, Johnny!" e John: "And where's that, fellas?" e os outros: "To the toppermost of the poppermost!". Só não se sabia onde  seria esse topo.... tão cedo!

O primeiro semestre do ano foi dominado pelo segundo filme dos Beatles, que começou por ser chamado, e anunciado, como 'Eight Arms To Hold You', mas acabou se chamando "HELP!" (com ponto de exclamação e tudo) e tudo o que ao redor dele orbitava, as viagens para as locações (Áustria e Bahamas), as filmagens, a composição de canções para a trilha sonora, as gravações e mixagens em estúdio, que levaram ao lançamento, de filme e disco, já no começo do segundo. E isso envelopado entre uma temporada de shows em Londres, no começo e uma excursão por França, Itália e Espanha, no final do período.

Foram 11 sessões de gravação, em que se burilaram 14 novas canções, duas delas de George Harrison, as demais 12 da incomparável dupla Lennon/McCartney. Sete das  14 apareceram no filme e, junto com outras cinco foram lançadas no álbum HELP! Duas foram lançadas como Lado B de dois singles comandados por canções do filme (Yes It Is e I'm Down, que serão comentadas em capítulo posterior). Entretanto, 12 (7+5) canções eram insuficientes para as regulamentares 14 e, mais uma vez, e aquela seria a última, recorreram a duas canções cover de outros compositores para o efeito! Ainda três outras canções Lennon/McCartney foram gravadas, mas duas delas foram deixadas de lado e regravadas e lançadas por outros compositores (That Means a Lot e If You've Got Troubles), e a terceira (Wait) foi engavetada para posterior aproveitamento, ainda naquele ano!


Finalmente, vamos às canções do LP! 

Detalhes sobre essas canções mais abaixo. 
As covers em vermelho...
  1. Help!
  2. The Night Before
  3. You´ve Got to Hide Your Love Away
  4. I Need You
  5. Another Girl
  6. You´re Going to Lose That Girl
  7. Ticket to Ride
  8. Act Naturally
  9. It´s Only Love
  10. You Like Me Too Much
  11. Tell Me What You See
  12. I´ve Just Seen a Face
  13. Yesterday
  14. Dizzy Miss Lizzy
Primeiramente, para manter a tradição, vou começar pela breve análise das canções Covers de outros artistas.

As duas canções cover abrem e fecham o Lado B do álbum, a primeira dando a honra a Ringo de abrir um lado de disco Beatle pela primeira vezEle voltaria a repetir a façanha em "Rubber Soul" no mesmo ano (What Goes On) mas, ainda mais poderoso, seria o Lado A de um compacto no ano seguinte, com Yellow Submarine! Em "HELP!", a canção era Act Naturally, anteriormente lançada em 1963 por Buck Owens, composição de Russel. Era perfeita para o range vocal do baterista, e tinha uma letra leve, engraçada e profética, porque falava em um sonhador que queria fazer sucesso no cinema, até quem sabe ganhar um Oscar "you can never tell", e estava particularmente feliz porque o papel era fácil de fazer por se tratar de um cara 'sad and lonely' e 'And all I gotta do is act naturally'.  E por que profética? Ringo empreenderia uma boa carreira de ator ao sair dos Beatles, aproveitando o talento que ele percebeu ter, justamente, nos dois filmes dos Beatles, em que ele tinha destaque! A canção foi tocada ao vivo pelos Beatles, e Ringo mandava muito bem e com o auxílio luxuoso de um Paul McCartney na harmonia vocal, vejam aqui neste LINK. Hilário é o começo, pré-show, quando ele se mata de rir ao ser anunciado como MBE (Member of Brittish Empire), logo ele, garoto pobre, que sobreviveu a um coma por tuberculose, e a dois períodos de mais de ano de internação em hospitais que fizeram com que não completasse sua educação básica. Realmente, improvável!

A segunda e última cover de outros compositores, do disco e da carreira dos Beatles, é um rock visceral de Larry Williams, chamado Dizzy Miss Lizzy, e cantado de maneira áspera e impressionante por um rouco John Lennon. Ela foi escolhida pelo apelo do mercado americano, e seria muito tocada na excursão pelo país!

Agora vamos às originais!

Em termos de divisão John / Paul, há um equilíbrio total, sendo cinco de cada um, além das duas de George!

Antes das canções, eis o nosso já tradicional quadro de Grupos, Assuntos e Classes. Vejam que este álbum é o primeiro que tem duas Mind Songs. As demais 10 autorais são do Grupo Heart Songs.

Percebam a tabela abaixo. 


Mais detalhes sobre a divisão entre Heart & Mind Song, aqui, neste LINK

Traduzindo
  • São 10 canções que falam ao Coração e duas à Mente
  • São 7 canções no Assunto Garotas e 3 no Assunto Saudade
  • Das 7 Girl Songs, apenas UMA é de Amor, são 3 DR, 2 Paqueras  e 1 Cupido
  • As Miss Songs são duas de Tristeza e uma de Retorno e 
HELP! éportanto, um 

87% Heart, 58% Girl, 25% DtR Album!

Na tabela abaixo, as evidências, nas letras, do porquê da classificação acima!




Vamos à análise das canções de autoria dos Beatles!!

A estrutura é sempre
  1. Número de ordem da canção no álbum
  2. Nome da canção
  3. Assunto e Classe da canção (com LINK para outras da mesma Classe)
  4. Autor da canção

LADO A

 1. HELP!  Help Self Song by John Lennon)

John grita: 'Ajude-me se você puder, estou me sentindo desanimado. Eu gostaria de ter você por perto. Ajude-me a colocar meus pés de volta ao chão.Você não vai, por favor, me ajudar, me ajudar, me ajudar?'
Nada mais HELP que isso!  John estava no topo do mundo, mesmo assim estava deprimido (e gordo, segundo ele), e externou seu sentimento.  O interessante foi a forma como a canção composta, bem parecida com o primeiro filme  no ano anterior. Estavam filmando novamente, e novamente o filme não tinha nome. Quer dizer, provisoriamente era Eight Arms To Hold You, ideia de Ringo por causa de uma estátua indiana cheia de baços que aparecia no filme e porque eles quatro terem, na soma, oito braços. Só que ninguém estava contente, algumas sugestões incríveis rolaram até que alguém sugeriu HELP, que tinha a ver com o roteiro do filme, todos tinham que ajudar Ringo. Só que já havia canção registrada com esse nome, e eles fica
ram perdidos até que o diretor Richard Lester teve uma brilhante ideia: E se colocar um ponto de exclamação, pode? Podia! Isto posto, a quem dariam a missão de escrever a canção, quem, Quem, QUEM?? Claro, novamente John! Conforme fizera com A Hard Day's Night, John finalizou a canção numa noite!  Gênios são assim! No dia seguinte, Paul se juntou a ele em sua residência de Kenwood e  contribuiu com aquele genial diálogo, o contracanto, com que ele e George complementam a fala de John, tão marcante na canção, e estava pronto mais um sucesso Lennon/McCartney, direto para o topo das paradas no mundo todo! No Brasil, felizmente, utilizaram a versão americana de HELP no LP, que tinha um introdução genial, a la James Bond (LINK),  tocada na abertura do LP, depois vinha um brevíssismo intervalo e eles vêm com tudo..
Paul/George - HELP, John - I need somebody
Paul/George - HELP, John - Not just anybody
Paul/George - HELP, John - You know I need someone, 
Paul/George - HEEELP!
A canção foi lançada um pouco antes do álbum, em compacto tendo I'm Down no Lado B, indo direto para o topo das paradas, em UK e US.

2. The Night Before  (DtR Girl Song by Paul McCartney)

Paul reclama: 'A noite passada é uma noite que eu lembrarei por sua causa. Quando penso nas coisas que fizemos, sinto vontade de chorar. Nós nos despedimos (Ah, na noite passada)'
Jane Asher, a namorada de Paul, era uma atriz de relativo sucesso, que tinha seus compromissos profissionais, era como diziam os ingleses, 'opinionated'! Portanto, é possível que essa letra seja a descrição de uma situação real entre eles. Ou não! De qualquer modo, trata-se de uma DR, da melhor qualidade. 'When I held you near, you were so sincere, treat me like you did the night before', 
Fatos notáveis da música? Começo pelo começo, afinal, a introdução em acordes crescentes chama a gente pra dançar desde o início! John faz o ritmo, pela primeira vez, num piano elétrico, ousado, agitado, afinal ele estava querendo se equiparar a Paul, que havia avançado mais que ele no instrumento. George complementa o ritmo em sua guitarra.  Note que o solo é gravado depois (over-dub), e é tocado por duas guitarras, muito bem ensaiadas e sem falhas, em oitavas distintas (uma oitava acima da outra), só não se sabe qual era a de George, qual era a de Paul. E que na verdade é um meio-solo, pois volta meio-verso cantado ao final. Absolutamente perfeitos são os backing vocals de John e George, complementando os versos com o nome da canção (Paul nunca o canta)  e, na segunda sessão deles, emendando lindamente, sem costura,  com suaves AAAA-aaaa-AAAA-aaaa's.  A ponte ('Last night is a night I will remember you by...') é cantada apenas pela voz dobrada de Paul e é marcada pela mudança na bateria de Ringo que, batendo na borda do prato até ali, passa a bater vigorosamente no centro do prato até chegar ao clímax ('it makes me wanna cryyyy!!'). E ele adiciona maracas ao tempero, em over-dub. O baixo de Paul é sem floreios, aliás eu noto que ele sempre capricha mais na linhas de baixo de canções dos outros, em que ele não é o vocal principal, afinal precisa dedicar mais atenção à sua  voz, enfim, mas isso é uma tese que eu ainda preciso desenvolver.
A canção faz parte da trilha sonora do filme, aliás, assim como todas as do Lado A do LP. Eles a tocam em campo aberto próximo a Stonehenge, logo antes da cena dos tanques. A única vez que a tocaram ao vivo foi na BBC, nunca apareceu em nenhum show. 

3. You´ve Got to Hide Your Love Away  (Sadness Miss Song by John Lennon

John lamenta: 'Aqui estou com a cabeça entre as mãos, viro meu rosto para a parede. Se ela partir não posso continuar, sentindo-me tão pequeno. Em todos os lugares as pessoas me fitam, a cada dia, todos os dias. Posso vê-los rindo de mim e ouvi-los dizer: Você deve esconder o seu amor!"
John está deprimido pela perda da garota, e lá pelo meio, o lamento chega à ofensa: How could she say to me: Love will find a way. Gather round all you clowns! Let me hear you say, aí vem o refrão com o brado do nome da canção Linda balada, declaradamente(pelo autor) inspirada em Bob Dylan. Há quem interprete que John foi secundariamente inspirado na homossexualidade do empresário e amigo Brian Epstein, que tinha que 'esconder' seu amor de toda a sociedade, que considerava crime a pessoa ser gay (e assim o foi na Inglaterra e no País de Gales até 1967, na Escócia até 1980 e na Irlanda do Norte até 1982)!  Letra curta, mensagem clara, e eu não me canso de admirar o cuidado de John (e que Paul também tinha) em produzir versos sem repetição e preferencialmente com rimas ricas, aquelas em que se rimam classes gramaticais distintas. Note aqui o primeiro conjunto verso-verso-refrão, diagramado:

E o segundo conjunto verso-verso-refrão tem letra DIFERENTE, mas com o mesmo cuidado, rimando I com try, win com in, way com say, round com clownsdá uma escorregada, rimando she com me (dois pronomes), e uma derrapada total, rimando them com them (a mesma palavra!). Perdoado, né?! 

O vocal é 100% John, sem a tradicional harmonia de Paul, como pedia a intimidade da letra.  E é John em sua plenitude, tirando do fundo d'alma seu grito primal. Está registrado que o 'Hey' foi sugerido por um amigo de infância de John que testemunhava, maravilhado, a sessão de gravação. John faz a melodia com seu violão, George acompanha também ao violão, Paul num baixo sem destaque, Ringo na bateria só com as escovas. Um pandeiro e maracas são acrescentados posteriormente, por Ringo e Paul, respectivamente. Finalizando a parte instrumental, dou enorme destaque à primeira aparição de um instrumento diferente do tradicional conjunto guitarra-baixo-bateria-percussão-piano: uma magnífica flauta tenor, que substitui a voz de John nos versos 5 e 6 que finalizam a canção.

You´ve Got to Hide Your Love Away também foi pate da trilha de HELP! Ela aparece ainda no começo do filme, antes de Ringo ser raptado, com os Beatles naquela casa maravilhosa, com quatro portas de entrada que dão acesso ao mesmo ambiente, John no violão, Ringo no pandeiro, cheia de olhares de George e Paul para uma moça sentada num sofá, com direito a um misterioso flautista em outro ambiente e com um suspeito emergindo da rua, de um bueiro. Infelizmente, ela nunca foi tocada ao vivo, considerada de pouco potencial comercial, imagina, uma pequena obra-prima. Aqui neste LINK, mostro a cena do filme.

 4. I Need You  (Return Miss Song by George Harrison)

George suplica: 'Você não percebe o quanto eu preciso de você. Amo você o tempo todo. Jamais deixarei você. Por favor, volte para mim. Eu estou muito sozinho. Eu preciso de você!
Welcome back, George! Demorou ano e meio para George Harrison apresentar sua veia de compositor novamente. Após dois álbuns ausente, ele aparece com duas selecionadas para o novo produto Beatle! E a primeira é tão boa que foi selecionada para aparecer no novo filme Beatle!  Pode ter sido indiretamente inspirada em sua namorada, Pattie Boyd, mas apenas como um desejo que o rompimento não aconteça, pois não há notícias de que estivessem brigados à época, enfim. Fato ou fake a canção é maravilhosa.  Na introdução nota-se o efeito do pedal de volume na guitarra de George, pela primeira vez usado em gravações Beatle. São quatro notas, e o pedal apareceria de novo ao final de cada frase dos versos ("I need you", "without you", etc.). Na distribuição dos instrumentos, uma configuração diferente: Paul, sim, no baixo, simples, nada demais, George faz o ritmo no violão, John surpreendentemente está na bateria, bem padrão, mas mostrando versatilidade, mas e Ringo? Ele está no violão.... mas calma, o violão está no seu colo, com as cordas para baixo, sendo batucado! Muito interessante! Ringo também grava o cowbell, nas duas vezes em que a ponte ("Oh, yes, you told me you don’t want my lovin’ anymore") aparece entre os versos. Eu gosto tanto do som do cowbell, que tenho a estranha mania de quantas vezes ele é ouvido, e aqui foram 74 vezes (2 x 37). Harmonias vocais de Paul no final dos versos e de John e Paul nos versos e na ponte, conferem o tom dramático da letra que fala em abandono. No filme, eles 'tocam' ao ar livre, de novo, em meio a tanques, mas só  de mentirinha, afinal ia ficar estranho ver John sentado à bateria e Ringo batucando num violão, então eles assumem seus tradicionais instrumentos. Ao vivo, mesmo, aliás, I Need You nunca foi tocada, nem em rádios, nem em shows!

 5. Another Girl  (DtR Girl Song by Paul McCartney)

Paul avisa: 'Então estou lhe avisando dessa vez, é melhor você parar pois eu tenho outra garota, outra garota que me amará até o fim, na saúde ou na doença, ela será sempre  se cmportar, e fazer do jeito que ele gosta, sonb pena de ser trocada por outra que vai fazer tudo o que ele quer. minha amiga"
Aqui nesta DR impositiva, Paul demonstra seu poder de macho alfa, dizendo à garota que ela tem que se comportar, e fazer do jeito que ele gosta, sob pena de ser trocada por outra, que vai fazer tudo o que ele quer “through thick and thin”, aliás, sempre me intriguei com esse trecho da ponte, até entender que é equivalente ao nosso ‘na riqueza ou na pobreza’ ou ‘na saúde ou na doença’, como coloquei na tradução. Danado! E Paul confirma em entrevistas posteriores esse comportamento, diz que seu relacionamento com Jane Asher, com quem morava, na casa da família dela (!!!), era aberto, e, afinal, ele não era casado (!!!), deixando John com enorme inveja. Paul segue a política letrista da dupla com a não repetição dos versos (são três diferentes, repetindo apenas no quarto, ao final) e as rimas ricas (“few“ com “do“,“you“ com “new“, “and“ com “can“, escorregando no “seen“ com “been“). 
Paul estende seu poder na letra à parte musical da canção, deslocando o guitarrista solo da banda, nosso querido George, e fazendo os guitar fills que aparecem ao longo de toda ela. E esses fills são filled posteriormente, em overdubs, pois na gravação da base, ele está em seu tradicional baixo, na maior parte do tempo marcando três das quatro notas de cada compasso.  George fica no ritmo com sua guitarra, John fica firme nos stacattos, puxando as cordas de sua guitarra ao longo de toda a canção, e Ringo no seu ritmo nos pratos da bateria. Algumas marcas registradas dos Beatles estão presentes, a começar (i) pela introdução a capella (sem instrumentos), (ii) as Beatles Breaks, numa das vezes com o auxílio luxuoso da letra, pois ele aparece quando Paul canta “And so I'm telling you this time you'd better STOP”, e, como não poderia deixar de ser, (iii) as harmonizações de John e George, em todas as vezes que o nome da canção é cantado. 
A cena em que Another Girl aparece no filme é muito divertida. Em que pese a cena não ter nada a ver com o enredo do filme, aliás, como todas as outras, o clipe pode ser interpretado com a letra. Eles estão nas Bahamas, à beira do mar, em trajes leves, e fazem micagens mil, às vezes trocando instrumentos, e várias mulheres lindas aparecem, como que Paul dizendo: "Você pare com isso e se comporta, senão eu arrumo outra garota, tem uma fila delas atrás de mim!" (e eles tinham mesmo...).  E Paul ainda tira uma lasquinha numa garota de biquíni, fazendo-a de sua guitarra baixo. Confira aqui, neste LINK. Finalizando, Another Girl is Another Song that has never reached the limelight, ou seja, nunca foi tocada ao vivo, além da vez que foi dublada na cena das Bahamas! 



6. You´re Going to Lose That Girl (Cupid Girl Song by John Lennon
John aconselha: 'Se você não tratá-la direito, meu amigo, você verá que ela se foi, porque eu vou tratá-la direito e você ficará sozinho. Você vai perder aquela garota!"
John aconselha seu amigo a tratar bem a namorada senão ela vai embora.... só que mais adiante ele revela que ELE seria a próxima opção dela,  muy amigo, de qualquer forma, ele está avisando. E a confiança com que ele avisa dá tudo a entender que vai conseguir. Musicalmente, voltam a começar a canção A Capella (tal qual Another Girl). Notável é a subida de dois graus no tom (na verdade, tom e meio, Mi para Sol) da ponte em relação aos versos, aumentando a dramaticidade do ‘conselho amigo’. Os instrumentos usuais estão a cargo dos instrumentistas regulares, mas Paul e Ringo adicionam posteriormente, numa mesma pista da fita, piano e bongôs, este último deixado bem alto na mixagem final, sendo um destaque da percussão. George volta a fazer um solo, rápido e marcante, duas vezes, seguido do título/refrão. Entretanto, o destaque absoluto da canção são os vocais: primeiro, o solo rouco de John, com falsetto perfeito no verbo/ameaça “Lose”, mas não ficam atrás as estupendas harmonias vocais, primeiro no contracanto nos versos, com Paul e George no esquema pergunta/resposta ao canto de John, e depois com a harmonia tripla na ponte -I'll make a point of taking her away from you- depois só Paul e George em - Watch what you do- e John sozinho confirmando com um –Yeah-  brilhante, e voltando os três em -The way you treat her what else can I do?- no final da ponte, para depois descer aqueles mesmos dois graus (de volta ao Mi) para voltar ao verso! No filme, a canção é cantada em estúdio, onde se vê o único Beatle que não canta na canção (Ringo) fumando desbragadamente e enchendo o estúdio de fumaça, proporcionando um clima, com ótimos e variados ângulos de câmera, Paul e George dividindo um microfone, ‘vendo-se’ até os hálitos emanados das bocas, e até mostrando um ‘segundo Paul’ ao piano e um ‘segundo Ringo’ tocando seus bongôs, em trechos distintos do clipe. Magnífico, e pode ser visto aqui, neste LINK! Infelizmente aquela performance é a ÚNICA 'ao vivo' da estonteante canção!!

 7. Ticket to Ride (Sadness Miss Song by John Lennon

John lamenta: 'Eu acho que vou ficar triste, e acho que é hoje, sim! A garota que está me deixando louco está indo embora. Ela tem uma passagem para ir embora. Ela tem uma passagem para ir embora. Ela tem uma passagem para ir embora mas não se importa"
Apesar de Paul ser responsável por 40% da canção, deixo a autoria para John, que teve a ideia do título, e das linhas gerais da letra. Há distintas interpretações sobre seu significado. A básica é esta que está na tradução acima: John está triste porque sua garota vai embora. Uma segunda, um pouco mais reveladora, é de que o título seria uma gíria para 'permissão para amar', uma exigência sanitária que a municipalidade de Hamburgo, onde eles tocaram muuuito, antes da fama, requeria de prostitutas, para poderem atuar na profissão mais antiga da história e, portanto, John estaria lamentando estar apaixonado por uma garota do ramo, que não está nem aí pra ele. Uma terceira, e recente, que eu soube, é que, na verdade, o nome seria Ticket To Ryde, que é uma cidade da Inglaterra, onde John e Paul foram uma vez na juventude, para visitar um parente deste último, e eles trocaram o ‘y’ pelo ‘i’ para não gerar necessidade de explicação. Só que esta, que foi revelada por John muitos anos depois, pode ser atribuída ao sarcasmo do gênio compositor. Seja o que for, a canção é uma favorita da carreira, por vários motivos musicais. 
 
Começando pelo início, que riff de abertura é aquele? Decerto está entre os 10 mais famosos e marcantes da história do rock. Pode fazer a sua lista!! Day Tripper, I Feel Fine (só pra ficar em Beatles), ou Satisfaction/Start Me Up dos Stones, ou Smoke on the Water do Deep Purple, ou Heartbreaker do Led Zeppelin, ou Roundabout do  Yes, ou Sweet Child of Mine do Guns’n Roses, e deixo você colocar a última. George mandou muito bem!! Mas não pare por aí, siga ouvindo e balance com a entrada vigorosa da bateria de Ringo, e note que em seguida ela vai no ritmo do riff, soando os tambores nos mesmos tempos, sincopados, de suas últimas três notas, ideia maravilhosa de Paul, e que vai até o verso final da canção, quando Ringo desiste da 'sincopagem explícita'. Veja que nosso baterista está atento aos mais novos Beatles Breaks, logo após o "...ticket to ri-i-ide!". E também note que não há a necessidade de se 'machucar' os pratos, até o final apoteótico, quando eles aparecem.  
 
Não perca o bonde, volte ao início dos vocais de John, no verso inicial, e note a entrada de Paul na harmonia aguda, lá no alto, em “--day, yeah” que segue em “the girl that’s driving me mad”, desligando aí, pra voltar no “she don’t care” no final do verso. Perceba aqui o erro gramatical de John, pois o correto seria she doesn’t care, mas  o correto não cabia na métrica, mas isso é permitindo: é o que se chama de 'licença poética', dada aos compositores, em prol do bom soar (pensou em francês?) . Paul volta no segundo verso em “..down, yeah” que segue em “she would never be free” e também naquele mesmo final de verso. Mas Paul não fica por aí, ele está na íntegra da ponte “I don’t know why she’s riding so high...” harmonizando no agudo, mas não tão enfaticamente, uma ponte, aliás, que muda o ritmo de forma magnífica, e sua graça é aumentada por um pandeiro de Ringo gravado posteriormente. O pandeiro aparece ao longo de toda a canção, mas é na ponte que ele brilha intensamente!  
 
Acabou? Não! Ao final da ponte, para reintroduzir um terceiro verso, há uma guitarra, só que ela não é tocada por George, mas por Paul, sim, ele andava ousado, invadindo a praia do guitarrista solo de plantão. Depois, mais uma vez a ponte, e mais um verso, e mais uma guitarra final também de Paul, acompanhando o “My baby don’t care!” repetidas vezes, e Paul ali também faz o falsetto notável, e note-se o prato de Ringo, e também batendo palmas, em overdub! Claro que nas apresentações ao vivo, é George quem toca esses solos de guitarra!
Ticket To Ride foi gravada na primeira sessão para o álbum HELP!, em 15 de fevereiro de 1965, que inaugurou uma prática de estúdio que se repetiria dali por diante: acabara a fase romântica de gravarem todos juntos e cantando, agora, eles gravavam a base até chegarem a uma versão satisfatória, e depois gravavam as vozes, sem tocar os instrumentos, somente ouvindo a base em fones de ouvido! Foi também a primeira canção do álbum a ser ouvida pelo público, lançada em compacto em abril com Yes It Is no Lado B, direto para o topo das paradas.
No filme, Ticket To Ride aparece como background de ótimos momentos dos Beatles na neve dos Alpes Austríacos. Esquiando de verdade ou fazendo micagens, nos esquis ou nos trenós, em  separado ou todos juntos num só, uma pilha de Beatles, aliás, quando os ‘bandidos’ aproveitam para raptar Ringo, pendurado pelo pé. Ótima cena!! Tirei a foto do momento. 
Ao contrário da maioria das canções do álbum, Ticket To Ride foi muuuuito tocada ao vivo, em shows das excursões e na TV, em UK e nos USA, e ainda teve um vídeo promocional muito bom, um dos precursores dos vídeo-clips.  Vale a pena ver uma dessas ao vivo, notando-se a animação de Paul nos agudos! Aqui, neste LINKNote como George erra a primeira guitarra de Paul. E também que Paul entra dobrando o vocal no final dos versos em “but she don’t care!”, mas na gravação é apenas John.

 Ai, ai , ai, essa paixão que me faz gastar na explicação da canção

quase 50 vezes mais tempo que a duração da própria... 

Vou tentar me policiar nas próximas, 

senão esta saga não termina mais!

  

Resumão do Lado A:

7 Canções, todas da trilha sonora do filme HELP!
  • 4 de John Lennon
  • 2 de Paul McCartney
  • 1 de George Harrison

LADO B

Resumão do Lado B:

7 Canções, nenhuma na trilha sonora do filme HELP!
  • 3 de Paul McCartney
  • 1 de John Lennon
  • 1 de George Harrison
  • 2 Covers
    • 1 cantada por Ringo Star (canção 7)
    • 1 cantada por John Lennon (canção 14)
E vamos às autorais dos Beatles (as duas cover já foram analisadas acima)

9. It´s Only Love  (DtR Girl Song by John Lennon)

John discute: 'Por que sou tão tímido quando estou ao seu lado? É só amor, e isso é tudo. Por que deveria me sentir do jeito que sinto? É só amor e isso é tudo mas é tão difícil amar você'
Gravada após as filmagens do longa-metragem, em junho de 1965, na última sessão de gravação, a canção foi feita sob encomenda para completar as 14 do álbum HELP! Ela é desprezada pelo autor. John considerava sua letra abominável! Por que será? Será por causa da brincadeira poética de rimar 29 vezes o som do fonema ‘ī’, gerado em palavras como ‘right’, ‘beside’, ‘butterflies’, ‘why’, ‘shy’, ‘time’, ao longo dos versos (2) e pontes (2)? É, pode ser, mas eu e milhares de fãs adoramos a brincadeira. Uma DR em que John começa declarando sua adoração (“When you sigh, my mind inside just flies”) e até vê borboletas, mas depois migra para uma autocomiseração (”Why am I’m so shy when I’m beside you”, passando por uma reclamação (”Is it right that you and I should fight every night?”), tudo isso nos versos e pontes, pra depois chegar à conclusão, no refrão sentido, de que ”It's only love and that is all, but it's so hard loving you”. Eu, de minha parte, acho perfeito!
Musicalmente, a base é John no violão, George na guitarra, Paul no baixo, Ringo na bateria. Nos overdubs, Ringo acrescenta um pandeiro, e George, mais guitarra. O vocal é apenas John, sendo que ele dobra a própria voz no refrão, e ainda oferece um falsetto perfeito na conclusão, brilhante. Mesmo sem dar muito valor à canção, o conjunto ficou ótimo. Se outras canções melhores ficaram de fora dos shows, esta, então muito menos valorizada, nunca viu a luz de uma apresentação ao vivo. E os americanos nem a conheceram na mesma época que o resto do mundo, porque a Capitol Records lançou, no Lado B do álbum, as instrumentais que George Martin fez para o filme. Ela viria a ser lançada no Rubber Soul americano no final do ano, outra confusão que fizeram no catálogo. Por isso que eu nem perco tempo com aquele catálogo americano.

 10. You Like Me Too Much   (Love Girl Song by George Harrison)

George declara: '... dizendo que não haverá outra vez se eu não te tratar bem. Você nunca me deixará e você sabe que é verdade porque você gosta muito de mim e eu gosto de você
George Harrison estava num ano excepcionalmente produtivo. Após um 1963 e um 1964 que viram apenas uma canção do guitarrista (Don’t Bother Me, em “With The Beatles”), em 1965 ele produziu 4 (quatro) canções dignas de nota, que passaram pelo crivo do ‘compositores-chefe’, os imbatíveis Lennon /McCartney. Uma delas, inclusive, mereceu aparecer no filme HELP!, como falei aqui mais em cima (I Need You), duas viriam no segundo álbum do ano, em dezembro, e esta que ora vos descrevo. Ela esteve, inclusive, entre as finalistas para aparecer no filme, mas escorregou pra o Lado B. 
Em uma avaliação apressada de minha parte, classifiquei-a como Love Song mas, na verdade, está mais para uma DR. Afinal, ele reclama que ela o deixou de manhã, mas tinha certeza que ela voltaria de noite "'Cause you like me too much and I like you!". Ao final, a promessa/confissão "There’ll be no next time, I admit that I was wrong"  foi suficiente. Se foi realmente baseado em um episódio da vida real dele com a namorada Pattie Boyd, não há a certeza, mas é provável, afinal ele e os amigos davam muuuitos motivos, com a sequência de traições durante as excursões do quarteto, e elas sabiam disso. O fato é que George e Pattie acabaram se casando em janeiro do ano seguinte, portanto, o amor venceu, e vou deixar a canção classificada como Love Song.
Musicalmente, o destaque absoluto vai para o piano!! A introdução fenomenal é tocada por Paul (lembrem-se que eu falei acima que ele estava muito focado em seu aperfeiçoamento no instrumento). E ele segue acompanhando o ritmo levado por George no violão e, quando chega a sessão solo, a guitarra de George se embrenha num lindo duelo com o piano, desta vez tocado por Paul e George Martin, sentados lado a lado. Brilhante! Paul, claro, complementa a base no baixo, John assume o piano ao longo dos versos, e Ringo vai na bateria, e John toca também o pandeiro que aparece lindo na ponte. 
Aliás, falando em ponte, George inova, fazendo com que ela seja um complemento à última frase do verso anterior, ao mesmo tempo que introduz o verso seguinte. Explicando melhor: o verso 2 termina com "and I like you." E vem a ponte e complementa a frase com "I really do... ", ela segue, e finaliza com "...if you leave me", mas aí vem o verso 3 pra terminar a frase "I will follow you... " Genial! Seus geniais companheiros letristas nunca haviam feito isso! Apesar de ensinar essa lição aos super-maiorais, ele mostra que aprendeu duas outras: 1. A não repetição – os três versos são diferentes entre si! E 2. As rimas ricas, na grande maioria das vezes: "true" com "you" e com "do", "nerve" com "deserve", "wrong" com "belong", "right" com "tonight". Um primor!! Parabéns, George!!  
Para terminar, nem pensar, claro em tentar tocar You Like Me Too Much ao vivo, né. Impossível Paul estar no piano E no baixo ao mesmo tempo!! 

 11. Tell Me What You See  (Flirt Girl Song by Paul McCartney)

Paul promete: 'Se você me entregar o seu coração eu vou te provar que nunca nos separaremos sendo eu uma parte de você. Abra bem os seus olhos agora e me diga o que você vê! Não é difícil descobrir que é a mim que você vê
Uma de duas canções de Paul rejeitadas para fazer parte do filme HELP!, Tell Me Wath You See, até pela rejeição, é considerada menor pelo autor. É uma canção de paquera, há promessa de carinho e cuidado nos bons e maus momentos "Big and black the clouds may be, If you put your trust in me I'll make bright your day", e tal, mas esse era um estilo de letras que eles fariam cada vez menos no futuro. Seguem as rimas ricas, desta vez com destaque pra algumas internas, em meio a uma frase, tipo. "If you let me take your HEART … We will never be APART …", e também em "Open up your EYES … It is no SURPRISE…" sendo que aqui nem sei se é considerada rica, sendo substantivo com substantivo, mas é intrigante porque rima singular com plural. Porém, a mais incrível é em "Listen to me one more TIME, … Can't you try to see that I'M..", rimando um substantivo com uma contração de verbo!! Bem, eu acho fascinante! Ah, e tem a tradicional escorregada, rimando "you" com "you". E segue a política de não repetição, desta vez com o requinte de não repetir o refrão!
O ritmo é meio latino, tipo um ska, o clima dos instrumentos de percussão comprova isso. Pra se ter uma ideia, George toca um guiro, aquela cabaça oca cheia de entalhes, raspados por uma vareta, e ele a toca logo no primeiro take da base, e depois, em overdubs, ele acrescenta claves, uma batendo sonoramente na outra, que já haviam aparecido em And I Love Her, um ano antes. E SÓ!!! Onde foi parar sua guitarra, Mr. Guitar Man? Deu folga pra ela! John faz o ritmo em sua guitarra, acrescentando aqui e ali alguns arpejos notáveis, um deles na abertura, Paul vai em seu tradicional baixo, bem basiquinho, e Ringo na bateria. Ele também acrescenta uma pandeirola, mas o acréscimo mais importante é de Paul, com uma pianola que é marcante na canção, acompanhado apenas dos bumbos de Ringo, logo após os já famosos Beatles breaks que 'aparecem' depois dos momentos em que o título aparece gritado nos refrões, e também na finalização da canção. John e Paul harmonizam no vocal o tempo todo, às vezes na mesmas notas, outras com Paul indo para o alto, como é tradicional.
As canções rejeitadas para o filme, tendo sido gravadas anteriormente às filmagens, estavam disponíveis para lançamento, e foram lançadas nos EUA, num LP chamado Beatles VI, dois meses antes do lançamento oficial no Reino Unido!! É o caso desta e da anterior You Like Me Too Much.
Os takes do dia 18 de fevereiro, em que a canção foi gravada são as únicas performances da canção que se pode ouvir, tocada por eles. Tanto os Beatles, como Paul em sua carreira solo, abandonaram-na por completo, nunca a tocaram ao vivo. Entretanto,  como tudo o que é Beatle, é digna de nota, admiração e reverência. E digna também desta análise!

12. I´ve Just Seen a Face  (Flirt Girl Song by Paul McCartney)

Paul conta: 'Acabo de ver um rosto, não posso esquecer a hora ou o local que nos conhecemos; Ela é simplesmente a garota pra mim e quero que todo mundo veja que nos conhecemos, m-m-m-m'm-m'
Beatle, é digna
Esta foi gravada após as filmagens e foi composta para encher o Lado B do álbum HELP! Reflete uma situação de flerte, mas não diretamente à garota. Ele já a viu, e conta pra um amigo seu, desesperado de paixão. No refrão, onde se   ouve “Falling, yes I am falling..” está subentendido o “in love”, ou seja, está se apaixonando! 
É um country acelerado e totalmente acústico, sem guitarras! Após uma abertura sensacional de Paul em seu violão, marcada pelas notas baixas de George, são três versos diferentes envolvendo um refrão, depois mais um refrão e um verso apenas tocado nas notas baixas do violão de George, e mais um refrão e só então o primeiro verso é repetido, antes das três finais aparições do refrão! Nossa, acontece tanta coisa em apenas dois minutos, que passam como uma montanha russa!! John faz o ritmo mas quase não aparece, e Ringo fica na escova o tempo todo, como tinha que acontecer nesse bluegrass americano da melhor espécie! E ele também adiciona maracas em overdubs! A letra, como sempre, é rica (já falamos da diversidade nos versos), como ricas são, mais uma vez as rimas, e seu posicionamento, internas às frases, com ele apelando ao abrir o "e" de "her", para rimar com "aware". Escapam uma rima pobre, no refrão, "falling" com "calling", e uma desqualificada "met" com "met". É Paul integralmente nos vocais, com ele mesmo harmonizando nos refrões.  Peculiares são suas finalizações onomatopaicas dos versos, além dos "m-m-m-m'm-m", teve "di-di-di-di'n'di", e "da-da-d-da'n-da", conforme as sílabas finais dos mesmos.
Assim como It’s Only Love, a canção foi lançada na América no Rubber Soul americano, cinco meses depois que o Reino Unido, aquela usual confusão da Capitol, subsidiária da EMI nos US. Ao contrário de outras canções igualmente cotadas, I’ve Just Seen a Face viu a luz do sol ao vivo, não pelos Beatles, mas por seu autor Paul em variadas ocasiões de sua carreira solo, para gáudio absoluto dos fãs! Uma das vezes, foi na invenção do Unplugged (Acústico) MTV, em 1991.
   

13. Yesterday  (Dream Self  Song by Paul sterdayMcCartney)

Aqui, neste LINK, o que sei Hoje de Yesterday

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UFA... Terminei!! Vamos aos 'finalmentes' do álbum HELP!, quinto da carreira Beatle

A capa foi fotografada de novo por Robert Freeman, pela terceira vez chamado para fazer uma capa Beatles. Com os trajes das cenas nos Alpes Austríacos, os quatro fizeram sinais usados em aeroportos, com os braços indicando letras do alfabeto. A ideia original era que formassem o nome do álbum com as letras H, E, L e P, só que a estética ficou sofrível, segundo o fotógrafo, então assado, ele fez o sentido inverso, “John, faz assim, Paul, assado, George, guisado, Ringo, cozido!’ e só depois foi conferir que letras deu: elas foram N, U, J e V. 

Com essas letras, HELP! Foi ançado no Reino Unido no dia 6 de agosto de 1965, com as 14 canções acima analisadas! Conforme já dito acima, a canção HELP! saíra em compacto, com I’m Down, um mês antes, e Ticket to Ride em outro compacto, com Yes It Is, bem antes, em abril.

Nos EUA, as letras letras eram diferentes, N, J, U e V, e diferentes também eram as canções: apenas o Lado A era o mesmo, reservando o Lado B às instrumentais de George Martin que tocaram no filme. As sete do lado B inglês foram lançadas em três momentos distintos, a saber, três no álbum Beatles VI, dois meses antes no álbum Beatles VI, duas no álbum Rubber Soul também modificado, quatro meses depois, e duas em compacto, um mês depois, olha a salada! O Catálogo da Capitol Records era uma bagunça!


O Brasil, depois de mostrar maturidade, lançando A Hard Day’s Night igualzinho ao original inglês, coisa que nem os EUA fizeram, a Odeon enlouqueceu em HELP!: foram apenas 12 canções, com Ticket To Ride abrindo o Lado B, seguida por I’m Down, contemporânea, e outras quatro antigas, ainda inéditas por aqui. Ficou descaracterizado, mas ficou ótimo, só HITS!. Ouvi muito esse LP! As outras 5 canções originais? Não tenho a menor ideia de quando foram lançadas aqui. Quando alguém me contar eu coloco aqui. Ah, sim, a posição dos braços nos sinais de aeroporto era a mesma da original lancada no Reino Unido.

Bem, a posição dos braços ou a disposição das músicas não mudaram o resultado: todos foram sucesso absoluto, indo ao topo das paradas! Afinal, era Beatles! E tudo deles era top!





3 comentários:

  1. Nunca tinha desconfiado do ponto de exclamação em HELP!. Muito interessante, como o restante da resenha. Parabéns Homerix. 👏

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  2. Homerix, que sensibilidade nas narrativas. Gostaria de pedir um episódio com o grupo aterra Molhada com sucesso no alto da Boa Vista na década de 70’ e 80’. Obrigado!!!

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  3. Fantástico Homerix, as suas postagens sao ricas em detalhes sobre instrumentos, "permutações" entre instrumentistas oficiais da banda, rimas, pormenores sobre a vida privada do nossos ídolos, enfim, jamais percebi algo igual a este blog, comparado a outros que tive acesso. Valeu!

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