-

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

2000 Foi Bissexto ... por outro motivo

Março chegando eu lembro dos fevereiros de 4 em 4 anos
E divulgo mais um pouco de cultura inútil
_____________________________________________

 Todos sabem que o ano 2000 foi bissexto, certo? Ele teve um dia a mais (29 de Fevereiro) para compensar 4 anos de translação da Terra em volta do Sol, cada uma delas, com 365 dias e 1/4. Certo?

      ERRADO! Ele foi bissexto, sim, mas o motivo é diferente!

         Sigam o raciocínio:

1.      O ano 2000, todos sabem,  é múltiplo de 4 e, portanto obedece à .....
           Regra dos 4: A cada 4 anos, devemos acrescentar um dia.
           Portanto, mais recentemente, os anos 1980 - 1984 - 1992 – 1996 – 2004 - 2008, todos múltiplos de 4 foram bissextos e, portanto, 2000 seria também bissexto por obedecer à esta regra!

2.      O que poucos sabem é que, surpreendentemente, o Ano 2000 não deveria ter sido bissexto, porque, apesar de ser múltiplo de 4, ele é múltiplo de 100, e deve obedecer à .....
           Regra dos 100: A cada 100 anos, não devemos acrescentar dia algum.
           Portanto, mais "recentemente", os anos 1700 - 1800 - 1900 não foram bissextos e, portanto, 2000 também não seria bissexto por obedecer à esta regra, que prevalece sobre a anterior! e, quem viver, verá: 2100 não será bissexto!

3.      Ocorre que o Ano 2000, apesar de ser múltiplo de 100, acabou sendo bissexto pois é também múltiplo de 400 e, portanto, deve obedecer à .....
           Regra dos 400: A cada 400 anos, devemos acrescentar um dia.
          Portanto, mais "recentemente", os anos 800 - 1200 - 1600 foram bissextos e, portanto, 2000 foi também bissexto por obedecer à esta regra que prevalece sobre as outras duas!

         Há outras regras subseqüentes! Isso vai até o infinito mas vamos parar por aí!

         Essa loucura matemático-astrofísica acontece pois, na verdade, a translação da Terra em volta do Sol não dura exatamente 365 dias e 1/4, ou 365,25 dias como todos aprendemos no primário, mas sim:

                 365 dias mais 1/4 de dia  ....
                    ....         menos 1/100  de dia  ....
                    ....         mais 1/400 de dia  ....
                    ....         menos 1/3200 de dia  ....

                    ....        ou 365,2422 dias!!!

         A próxima inversão da regra somente ocorrerá no Ano 3200, que, apesar de obedecer à Regra dos 400, não será um ano bissexto (Regra dos 3200). Esta última inversão, somente daqui a muitas reencarnações será presenciada! Digo, se tudo não já estiver acabado, inundado, nunca se sabe!


Calendário Maya
         Agora, pra acabar mesmo, saibam que os índios Mayas, habitantes do México e América Central de 500 a 1300 D.C.,  muito antes de Colombo "descobrir-nos" em 1492, já sabiam disso tudo, com um pequeno erro na quarta casa: eles achavam que o ano durava 365,2420 dias! Enquanto isso, no mundo 'civilizado, cientistas loucos eram jogados à fogueira por dizer que a Terra não era o centro do universo!!!

         Dá pra começar a desconfiar que os extraterrestres estiveram lá, por aqueles lados mexicanos, em priscas eras, não?

         Claro que todos nós poderíamos morrer sem saber disto, sem afetar o rumo de nossas vidas (e assim aconteceu para muitos, já que o Ano 2000 foi, transparentemente, bissexto!), mas claro também que não deixa de ser uma curiosidade que merece atenção!

         Nossos filhos, e os filhos deles, que chegarem vivos a 2100 testemunharão a próxima ocorrência, já que 2100 não será bissexto, como já disse, e poderão contar aos amigos sobre a Regra dos 100, coisa que nós não pudemos saborear.
           
          Quer dizer, quem sabe? Eu estaria com 142 anos de idade....

Homero Vivendo Muuuito Ventura



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Sete dias com Jackie

Dentre os eventos que me recordo fortemente de minha infância profunda (ver link), a morte de Kennedy foi o mais traumático!

Note o detalhe da mão!!!
Fui então ver com muita curiosidade o filme Jackie, pelo qual Natalie Portman está concorrendo a seu segundo Oscar (o primeiro foi por Cisne Negro - link)! Não sabia do período percorrido da história da vida dela no filme, e fiquei feliz com a decisão do roteirista! Não foi sobre a vida de Primeira Dama, nem chegou ao segundo casamento, com o milionário Onassis! É apenas UMA semana!! Sim, a semana imediatamente após o assassinato de seu marido. E os flashbacks remontam apenas ao começo do mandato, quando ela já encantava a todos, mostrando como era a Casa Branca, menos de dois anos antes, ainda meio sem jeito com o trato público. 

Jacqueline Bouvier Kennedy encantava porque tinha porte, era bonita e inteligente, e chegava à Casa Branca com duas crianças de 5 e 2 anos. E ainda teve uma gravidez completa, porém seu filho Patrick nasceu morto, para comoção nacional!! Ninguém jamais se esqueceu do pequeno John John batendo continência para o caixão do pai.

Eu não me lembro da voz de Jackie, mas a ver como Natalie a interpretou, devia ser meio irritantezinha e afetada e arrastada. Até por isso, atesta-se a qualidade da atriz, que não teria porque fazer aquele estilo se não fosse para simular a realidade, não é mesmo...

Gostei muito de acompanhar as decisões corajosas que ela teve que tomar quanto ao funeral, peitando inclusive os chefes de Estado (DeGaulle, nominalmente), que estavam a temer por novos atentados. E por decidir caminhar centenas de metros, acompanhando o féretro! Segundo li outro dia, Jackie trouxe à Presidência o que ela nunca tivera ... Majestade! ( e agora, temos que aguentar outro rei, o da baixaria, naquela mesma branca casa).

Quase no fim do filme vem o flashback com a cena dos tiros, com Jackie pulando atrás dos pedação de cérebro do marido, muito impactante e bem-feita .... queria replay, mas não teve!!!

Sobre as semelhanças com a vida real, um gol e um derrota: John Kennedy está muito parecido, já seu irmão Bobby parece uns 15 anos mais velho. Decerto que podiam ter encontrado um melhor...

O filme não é uma unanimidade nem aqui em casa, mas eu gostei muito. Gostei de presenciar um pouco da Camelot moderna, e de descobrir que fora um mito criado pela própria Jackie, e não por Jack, seu marido!



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

My First, My Last, My Everything


Hoje é Valentine's Day, o Dia dos Namorados na 'America'
Hora de lembrar este post de 2011!!
___________________________________________________

No Fantástico do último domingo, o Dr. Dráuzio Varella mostrou umas imagens de como seria a reprodução do ser humano. 

Impressionantes, mas eu ainda prefiro as imagens deste comercial, pelo humor, mas principalmente pela música que ele usou!!!

Gente, vejam este vídeo e depois retornem. 


Viram que genial?

Que propaganda magnífica!

Além de toda a plástica, a computação gráfica, o humor, tem a tal música!

Conheciam?

Se tiveram curiosidade de ir ao 'Quem Sou Eu', ali, do lado direito, logo abaixo dos 'Marcadores', e clicaram no 'Visualizar Meu Perfil Completo', encontraram, em 'Músicas Preferidas',  o nome da canção:

You´re the first, the last, my everything

E ela estava lá since blog inception!

Trata-se de, em minha humilde opinião, da melhor canção da época Disco!!

Feita e brilhantemente executada por Barry White, ela povoou as discotecas por muito tempo no começo da década de 1970. Aquele vozeirão era de arrepiar. 

Aliás, Barry White pode ser considerado o Tim Maia americano, acho que os dois aceitariam a comparação mútua de bom grado, sem se acharem diminuídos. Astros de primeira grandeza da música! Aliás, devem estar confabulando sobre o assunto lá no outro plano, aonde estão!

Não que eu tenha dançado muito ela, afinal dança não era, nem é, minha praia. Mas que ela era, e é, contagiante, ah, isso era! 

Eu ouvia e re-ouvia e mais uma vez e de novo

Aquele início, com aquele vozeirão declamando, a entrada dos violinos, o prenúncio

tcha ra tcha tcha
tcha ra ra tcha tcha 
tcha ra ra tcha tcha 
tcha ra ra ra ra ra ra ra ra
My first ... My Last  ....My Everything

Isso era O começo de música!!!

E ia ao delírio com aquela parada total entre a primeira e a segunda estrofes, dois memoráveis segundos apenas com o eco de Barry.

Simplesmente genial!

E a colocação da canção no comercial é perfeita, veja se não!!!

Dá só uma olhada na letra! 

My first, my last, my everything,
And the answer to all my dreams.
You're my sun, my moon, my guiding star.
My kind of wonderful, that's what you are.

I know there's only, only one like you
There's no way they could have made two.
You're, you're all I'm living for
Your love I'll keep for evermore.
You're the first, my last, my everything. 

E agora, lembre-se do filme...

Espermatozóides voam rumo a um grande óvulo, num cenário de guerra. Todos se espatifam na parede do óvulo, até que chega um, e somente um, embalado pela música, fazendo piruetas, todo charmoso, trazendo flores, para quem, e somente para quem, se abre uma fenda, por onde ele, único dentre milhares, é admitido, propiciando assim a concepção, e iniciando o ciclo da vida. 

Aplique a letra à cena! O vitorioso declara: 
Você é a minha primeira, minha última, meu tudo! 
A resposta para todos os meus sonhos!

(decidi feminilizar a masculinidade do óvulo, para tornar a coisa mais adequada, 
problema que eu não teria na assexuada língua inglesa)

É ou não é perfeito? Um óvulo é o sonho de todo espermatozóide, mas aquele caprichosamente só aceita um e somente um dos milhões destes que lhe batem à porta, em toda e qualquer relação sexual em época de ovulação.

Poucas vezes, vi um comercial tão bem feito! Ele não foi ao ar, mas é um sucesso na internet. Uma seguradora belga dá a mensagem é: encontre uma vantagem competitiva, encante seu cliente e terá sucesso!

Ouçam agora, se quiserem, o grande (em todos os sentidos) Barry White cantando a canção tema deste post.


E/ou, se quiserem vê-lo, tem este video, muito legal, ao vivo, não com o mesmo desempenho vocal da gravação, mas estupendo na interpretação. E com direito à banda, ao backing vocal e às cordas (três violinos e um violoncelo) tocadas por quatro mulheres.


Divirta-se

Homero Concebendo Ótimo Som Ventura

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Balance e Berre – Uma Chance Só


Hoje, a primeira gravação de um LP beatles completa 54 anos!!!

Fizeram história em 9 horas!!!
____________________________

Em uma festa de aniversário de um casal muito amigo, após muita conversa e comida e bebida, tudo do bom e do melhor, estava eu a observar os convivas a dançarem, e uma bela hora, escrevi um torpedo no celular, mas não mandei pra ninguém. Dirigi-me ao DJ e, já que ele não poderia ouvir nada, mostrei o torpedo a ele, que dizia:
Vai tocar

B    E    A    T    L    E    S    ???

... ao que ele abriu um sorriso, fez um sinal de positivo, e balbuciou: "Claro!!!"
Até que ele foi bem rápido, tocou umas três musiquinhas mais para fazer a transição, e então soaram as famosas linhas:
... tchan tchan tchan tchan tchan - tchan tchan tchan
... que imediatamente chamam à pista os que estavam descansando
... e aparece a voz áspera de John berrando 'ousheikirolbeeibenau'
... e Paul e George respondendo  ‘sheikirolbeeeibé'
... volta John com ‘tuistendshaaaut’
... e Paul/George com  ‘tuistendshaut'
... e ‘camoncamoncamoncamonbeibenaaau’
... e Ringo firme na bateria
... e por aí vai
... woooos e haaas
... e a galera delira
... e dança
... e se anima
... e vem o último Tchan tchan tchan tchan tchan tchan
... e o último acorde
... e a música acaba
... e pronto: acabou a fase beatle da noite!
Ao menos até a hora em que eu lá estive, não rolou mais, foi uma chance só para ouvir Beatles.
Tudo bem que o DJ até mandou muito bem depois, mantendo a animação lá no alto, com Tim Maia, Bee Gees, e tal, mas parece que essa turma de hoje se esquece do potencial dançante dos Beatles. Há entre 50 e 100 canções compostas pelos Beatles que são absolutamente requebrantes, e totalmente conhecidas. Já estive em outras festas onde aconteceu exatamente a mesma coisa. Não sei se o fenômeno se repete por aí, pois não sou freqüentador da ‘night’, mas desconfio que sim.
Bem, pensando melhor, é bom mesmo que os DJ’s deixem como está. Assim livramo-nos do risco de eles quererem maltratar as canções beatle com aqueles bate-estacas de seus remixes. Outro dia, ouvi um remix de ‘My First, My Last, My Everything’, com o vozeirão Barry White, e notei que excluiram a melhor parte, que é aquela parada sensacional no meião da canção. Péssima decisão! Felizmente, a versão de ‘Twist and Shout’ tocada nas festas é exatamente a mesma de 46 anos atrás. Ai deles, caso cometessem tamanha heresia!
O interessante, é que, por ironia, escolheram, como representante do mundo Beatle, uma canção que, pasme, NÃO É composta pelos Beatles!!! Pois é, pouca gente sabe disso!!! ‘Twist and Shout’ foi composta por Medley e Russel (Você conhece? Nem eu!). Seguramente, eles jamais sonharam que ela alcançaria a fama que tem hoje, e estaria ainda viva mais de 50 anos depois de ter sido escrita. E certamente sorriem no túmulo, a cada vez que ouvem a interpretação beatle de sua canção dançante, muito melhor que na gravação mais popular até então, pelos Isley Brothers (Você conhece? Nem eu!).
Ter os Beatles como banda cover era um luxo só. Era garantia de que ela seria, no mínimo igual (quando os autores/cantores são Chuck Berry, Little Richards ou Carl Perkins), mas na grande maioria, melhor, bem melhor que a gravação original. Eles já vinham de anos de estrada tocando rock de tudo quanto é jeito, e eram imbatíveis, tinham vigor, tinham harmonia vocal impressionante.
Graças ao chão percorrido, eles puderam gravar seu primeiro LP, Please Please Me, em apenas um dia de estúdio, na Abbey Road. Foram 14 canções, sendo oito de autoria deles (uma coisa inédita nas bandas da época!) entremeadas com seis covers. Foram 9:45 horas de gravação, naquele que pode ser considerado o dia mais produtivo da história do rock. Isto sem contar os intervalos entre as três sessões, em que eles seguiam ensaiando, e tomando leite, para preservar a garganta, afinal era inverno, estavam todos resfriados. Nada comeram naquele dia.
         Quando chegou 10:00, o estúdio ia fechar, mas ainda faltava uma canção. Foi quando John disse que a garganta estava prestes a explodir. Tinha ‘estoque’ para mais uma e única performance, um esforço final. Era uma chance só! E decidiram gravar ‘Twist and Shout’, justamente a mais berrante das canções do LP, e que era levada justamente por John. Às 10:30 da noite do dia 11 de fevereiro de 1963, John gargarejou uma última golfada de leite, e soltou a voz, mais áspera do que nunca, e a banda acompanhou nos woooos e haaaas. Terminado o esforço, silêncio absoluto no estúdio, todos se entreolhavam calados, um misto de espanto e agradecimento. Haviam acabado de testemunhar a mais impressionante interpretação vocal e instrumental da história do rock’n roll até então E ela é assim, por muitos, considerada até hoje. Digo mais, ‘Twist and Shout’ somente está hoje aí, firme e forte, por causa da primorosa e imbatível gravação dos Beatles.
O que se ouviu naquele momento é exatamente o que se ouve até hoje. Aquela tomada foi a definitiva. Ainda tentaram mais uma, melhorar o imelhorável, mas a voz de John sumiu, apagou, como ele mesmo previra.
A canção era quase obrigatória nas performances da banda. Ela foi tocada no Ed Sullivan Show, em fevereiro de 1964, na mais espetacular invasão dos Estados Unidos de todos os tempos, uma invasão do bem, quando os Beatles simplesmente tomaram de assalto a principal cidade do país, parando o aeroporto e depois as ruas de New York. E também em outro momento marcante, em novembro de 1963, numa noite de gala no Prince of Whales Theatre, quando, na presença da mãe e da irmã da rainha Elizabeth II, John Lennon fez um
 
For the next number,
I would like to ask for your help.
Will those in the cheaper seats clap your hands?
The rest of you just rattle your jewelry!

E exibiu seu sorriso sarcástico, olhou para o resto da banda, e mandou:

tchan tchan tchan tchan tchan - tchan tchan tchan
'ousheikirolbeeibenau'
woooos
haaaas

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

La La Land e Estrelas Além do Tempo


O musical 'La La Land', do original 'LaLa Land', deve abocanhar muitos Oscars, pela qualidade das músicas, das interpretações, das coreografias, mas também pela direção, pela fotografia. A dança inicial com um plano sequência perfeito é sensacional (PS=rodar sem cortes) e a cena do planetário em que os pretendentes saem voando e dançando valsa pelas estrelas é de uma leveza incomensurável.

O roteiro é simples, chega a ser piegas, por conta daquele história de 'nunca desista do seu sonho', enfim, mas é bem conduzido e a seqüência (vou usar trema até que me proíbam, o blog é meu e eu escrevo como achar correto!) final, com uma possível alternativa foi perfeita.

Emma Stone e Ryan Goslin são os namoradinhos da América... já é a terceira vez que atuam juntos, e atuam muito bem. São as estrelas do momento...

E FALANDO EM ESTRELAS

'Estrelas Além do Tempo', do original 'Hidden Figures', conta a história de três mulheres negras, na segregada América de 1961, época em que a Rússia lançava Yuri Gagarin ao espaço e a Nasa lutava para conseguir o mesmo. Uma delas é uma matemática gênia, fundamental na operação bem sucedida com John Glenn, uma segunda é responsável por fazer os novíssimos computadores mainframe da IBM funcionarem na agência espacial, e uma terceira (talvez tenha sido romanceada sua relação com as outras duas, para dar mais consistência ao filme porque o feito dela é fora da Nasa) se torna a primeira negra a ser admitida em escolas de engenharia de brancos.

Elas são as 'figuras escondidas' do título em inglês, pois nunca se ficou sabendo de seu papel, antes desse filme .. quer dizer, recentemente elas foram condecoradas por Obama, e emergiram do anonimato, todas na casa dos 95 anos de idade e bem vivinhas!!!

O grande valor do filme é relembrar o absurdo que era a segregação da época, quando brancos e negros não se misturavam, Cenas marcantes pululam no filme, com destaque claro, das várias vezes em que Catherine, a matemática, tem que mudar de edifício, porque o dela não tinha banheiro para 'Colored' como eles chamavam os hoje denominados afroamericanos!!!

Ah, sim, tem Kevin Costner, muito bem no papel do matemático chefe!!

Muito bom mesmo!!




sábado, 4 de fevereiro de 2017

O dia em que a música morreu

Ontem, 58 anos atrás!!!!

________________________________
Muito provavelmente, o título acima lhe cause alguma curiosidade, não mais que isso. O que será que o autor vai querer dizer com isso?
Talvez, ao traduzi-lo para o inglês, e a coisa virar ‘The Day The Music Died’, você revirará sua memória profunda, se tiver idade suficiente para isso, e lembrar-se-á de uma canção da década de 70.
Se você tiver uma memória acima da média e algum conhecimento musical, lembrará que o trecho é parte de um grande sucesso de um certo Don McLean, chamado ‘American Pie’, e até lembrará um pouco da letra 
‘But something touched me deep inside
The day the music died
So bye-bye, Miss American Pie
Drove my chevy to the levee,  But the levee was dry
And the good old boys were drinking whiskey and rye
Singing, this’ll be the day that I die
this’ll be the day that I die'
Ok, ok, você já está de bem com Alzheimer, aliás, bem distante do alemão. E tem conhecimento musical, tudo bem, mas, você realmente sabe o que Don McLean quis dizer com aquela ‘alguma coisa que tocou fundo em seu ser’? Sabe?  Muito bem!!!! Passou no teste, e seu conhecimento musical, e mais ainda da história do rock’n roll, é muito acima da média!! É certo que saber a qual acontecimento Don McLean concedeu a distinção de ser culpado pelo assassinato, ou pela morte súbita, da música, pode ser tachado de cultura inútil, pode não lhe acrescentar muita coisa. Entretanto, se você não tem a menor idéia do que se trata, acho que agora tem, no mínimo, uma ponta de curiosidade por saber, não tem?
Se me permite, eu conto pra você!!!
O tal dia é 3 de fevereiro de 1959: faz, pois, quase 50 anos que a música morreu, segundo o ‘historiador’ Mclean. Portanto, é motivo para mais um daqueles ‘entaniversários’, como eu defini em artigo recente. Nas primeiras horas daquele dia, um pequeno avião, que partira havia poucos minutos de uma cidade do Estado de Iowa, para outra no Estado de Dakota do Norte, mais precisamente Fargo (todas localidades americanas), espatifou-se no chão, matando o piloto e seus três passageiros: um certo Ritchie Valens, um certo Buddy Holly e um certo Big Bopper, os dois primeiros cantores de sucesso na época, o último, um DJ bem famoso que também gravou algumas canções. Qual deles, você acharia merecedor da alcunha? Provavelmente, Big Bopper seria obscuro demais, eu mesmo não o conhecia até saber da história do verdadeiro culpado, mas talvez você pudesse apontar o dedo para Ritchie Valens, caso lembrasse que aquele venezuelano era o cantor da eterna ‘La Bamba’. Mas você erraria! A cumplicidade desses dois foi importante, mas o verdadeiro ‘matador’ se chamava Buddy Holly.
Aquele americano nascido em Lubbock, Texas, tinha então meros 22 anos de idade, e havia começado a fazer sucesso pouco mais de um ano antes. Muito prematura sua partida deste plano. Porém, o pouco que deixou foi o suficiente para influenciar muita gente boa pelo mundo do rock. E ele o fazia muito simplistamente. Sua banda, The Crickets, tinha uma composição minimalista: guitarra, que ele mesmo tocava, um contrabaixo daqueles grandes, enormes, e bateria. Ele era também o vocalista e o compositor de todas as músicas. As marcas que deixou foram, porém, maximalistas, se é que existe o termo.
O mundo da música sofreu, mas muita gente boa usou algumas lições do astro que fora embora tão inesperadamente. The Beatles, mais especificamente, John Lennon e Paul McCartney, reconhecem ter baseado um certo número de suas canções no estilo simples, ao mesmo tempo arrojado de Buddy Holly. Simples, pelo número de acordes das canções, três, no máximo quatro acordes eram suficientes para dar o recado; arrojado, pelas variações de ritmo no meio da canção, pela bateria às vezes difícil de ser copiada, pelas harmonias vocais, pelos arranjos em piano e violino (que ele também tocava bem!), pelas letras bem elaboradas, e, finalmente, pelo ‘soluço’ vocal, figura que Buddy usava para ressaltar o centro de sua idéia. O ‘hiccup’ era sua marca registrada, assim como os óculos de aro grosso tipo ‘nerd’, inseparáveis, míope em alto grau que era.
Para se ter uma idéia da influência de Holly, o nome da mais famosa banda de todos os tempos nasceu de uma homenagem à banda dele, The Crickets, ou ‘Os Grilos’. John pensou nisso quando sugeriu The Beetles, ou ‘Os Besouros’, para logo depois trocar o segundo ‘e’ por ‘a’, num jogo vocal, um duplo sentido com o termo ‘beat’, que significa batida. Buddy Holly, entretanto, já estava presente na história beatle, antes mesmo do termo nascer: na primeira vez em que John, Paul, George Harrison e Pete Best (o então baterista) entraram em algo parecido com um estúdio, para gravar algo parecido com um disco, o fizeram com ‘That’ll Be The Day’, um dos maiores sucessos de Holly. Era um acetato de baixa qualidade, cujo Lado B tinha uma composição de Paul e George, chamada ‘In Spite Of All The Danger’, a única McCartney/Harrison da história, que, entretanto, nunca viu a luz de uma gravação oficial.
Felizmente, eles registraram sua admiração por Buddy Holly em disco de verdade, com um cover de ‘Words of Love’, uma balada em que puderam mostrar toda a magnífica harmonia vocal com 3 vozes, que eles faziam tão bem, no disco ‘Beatles For Sale, de 1964.
Antes deles, no mesmo ano, os Rolling Stones também prestaram sua homenagem a Buddy, e se deram muito bem: gravaram a ótima ‘Not Fade Away’ em compacto, o que veio a se constituir em enorme sucesso da banda, então iniciando, afinal foi o primeiro disco deles a atingir o número 3 da parada britânica. Ela é cantada (e dançada) por Mick Jagger e seus jurássicos companheiros de ruga’n roll ainda hoje.
O culto a Buddy Holly rendeu produções em Holywood. Primeiro, com um filme sobre sua história, que recebeu alguns Oscars musicais, e uma indicação a melhor ator para Gary Busey, que encarnou o quatro-olhos de forma magistral, parecia estar possuído pelo seu espírito. Depois, o grande Coppola dirigiu Kathleen Turner e Nicolas Cage em ‘Peggy Sue Got Married’, que rendeu a ela outra indicação ao Oscar. ‘Peggy Sue’ foi um grande sucesso de Buddy, e teve até continuação com outra canção ‘Peggy Sue Got Married’, e a história dela foi inspiração para o filme
Mais importante ainda, rendeu um super musical, Buddy – The Buddy Holly Story, que ficou em cartaz por longos 13 anos, direto, no West End (a Broadway de Londres), além de uns outros tantos na Broadway (o West End de New York) e em outras cidades americanas, sempre com lotações esgotadas. Quando eu o assisti, em Londres, lá no balcão super superior, o lugar mais baratinho disponível, achei interessante um cartaz que dizia, aos espectadores do setor, algo como: “Fineza vibrar com comedimento, pois tememos que a estrutura do balcão onde você se encontra não agüente o ritmo dos movimentos que certamente você vai querer realizar. Pular, por favor, jamais!” Logo depois, eu senti na pele o motivo do anúncio. O teatro vinha abaixo. Um sucesso fenomenal.
Contabilizando os royalties daqueles grandes sucessos, estava ninguém menos que Sir Paul McCartney, ele mesmo, que de tanto gostar de Buddy Holly, comprara os direitos sobre suas composições, em 1976. Gostou tanto daquela decisão que sugeriu ao amigo Michael Jackson que fizesse algo do gênero. Michael, ainda lúcido à época, aceitou o conselho do amigo e comprou os direitos sobre as canções de um certo grupo inglês, razoavelmente conhecido ... The Beatles!